{"id":265180,"date":"2022-12-26T15:05:02","date_gmt":"2022-12-26T15:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=265180"},"modified":"2022-12-26T15:22:49","modified_gmt":"2022-12-26T15:22:49","slug":"lusofonias-natal-cem-por-cento-guarani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-natal-cem-por-cento-guarani\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Natal cem por cento guarani"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Lima, Paraguai<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-265183\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Lusofonias-Natal-guarani-naranjito-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Paraguai acolheu-me, como sempre, de bra\u00e7os abertos. \u00c9 um povo simples, mas bom\u2026ou talvez mesmo, \u00e9 bom porque \u00e9 simples. Veio-me muitas vezes \u00e0 mem\u00f3ria, nestes dias paraguaios, esta excelente can\u00e7\u00e3o: \u2018Eu vim de longe, de muito longe, o que eu andei para aqui chegar!\u2019. Sim, foi isso: de Roma a Assun\u00e7\u00e3o, via Madrid, s\u00e3o muitas horas de voo. Mas das periferias da capital at\u00e9 Lima, passando por Naranjito e Resquin, s\u00e3o uns longos 250 kms, a passar por verdes descampados, aldeias e vilas onde se sente a feliz vibra\u00e7\u00e3o latino americana, mas tamb\u00e9m se percebe bem que o pa\u00eds \u00e9 pobre e muita gente vive com dificuldades extremas.<\/p>\n<p>O P. Emmanuel, da Serra Leoa, h\u00e1 alguns anos neste pa\u00eds, levou-me at\u00e9 Naranjito e Resquin, onde me esperavam o P. Elvino, Cabo Verdiano e o P. Francis, do Malawi. Em quatro visitas ao Paraguai, nunca tinha pisado estas terras do interior da Diocese de San Pedro. Foi uma alegria encontrar os confrades e viver com eles alguns dias muito intensos de celebra\u00e7\u00f5es, visitas e conversas, em tempo de novena de Natal. Deu para perceber melhor a realidade do interior agr\u00e1rio deste pa\u00eds, abandonado como quase todos os interiores, por esse mundo al\u00e9m. O povo tem dificuldades para sobreviver, mas \u00e9 lutador e nunca atira a toalha ao ch\u00e3o. E tem uma f\u00e9 enorme que pratica com exuber\u00e2ncia, sempre com um respeito enorme pela figura do \u2018pa\u00ed\u2019, como chamam ao Padre em l\u00edngua guarani.<\/p>\n<p>\u2018No Paraguai n\u00e3o falta alegria. E \u00e9 terra aben\u00e7oada com muita comida. S\u00e3o pessoas pobres, mas sempre alegres e solid\u00e1rias\u2019 \u2013 dizia-me o P. Francis a caminho da comunidade \u201825 de Dezembro\u2019 para uma Missa de Primeiras Comunh\u00f5es. Esta foi um das constantes: cada dia acompanhava um dos padres \u00e0s missas nas Capelas. S\u00e3o 80, divididas em 8 zonas, numa \u00e1rea de 70 kms. Na maioria das vezes, tem-se de deixar a estrada principal, a \u00fanica alcatroada e saltar em buracos, apanhando a poeira que se levanta. E, como me contou o P. Elvino, o alcatr\u00e3o chegou depois de, em 2017, o povo ter aproveitado a visita do Bispo para fazer um corte de caminho, impedindo a circula\u00e7\u00e3o. Esta manifesta\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o badalada que as autoridades acabariam por alcatroar a estrada principal que se mant\u00e9m em \u00f3timo estado. O \u00fanico problema \u2013 dizia-me uma l\u00edder de comunidade \u2013 \u00e9 que h\u00e1 muitos acidentes!\u2019 E \u2013 fazendo-me olhar para a estrada, alertava-me: \u2018o Pa\u00ed v\u00ea aquela moto guiada por uma crian\u00e7a de uns dez anos, com mais dois atr\u00e1s e sem capacetes? \u00c9 sempre assim! \u2013 lamentava-se! Aristides Pereira, um dos animadores de comunidade, vindo do interior, partilhava comigo a hist\u00f3ria desta regi\u00e3o: \u2018N\u00e3o tinha gente, era mato puro. Come\u00e7amos a chegar h\u00e1 uns trinta anos e constru\u00edmos por ocupa\u00e7\u00e3o. Depois acabamos por legalizar os terrenos e agora somos dezenas de pequenas comunidades!\u2019. Os Padres, antes ou depois das celebra\u00e7\u00f5es, sempre seguidas de comidas e bebidas tradicionais ( a tchipa, o cosido, a sopa, a empanada\u2026), levaram-me, mato adentro, visitar algumas das comunidades, algumas delas ind\u00edgenas. H\u00e1 muito gado, muita soja, muita mandioca\u2026Mas a chuva est\u00e1 a rarear e v\u00eaem-se as culturas a secar. Houve, h\u00e1 dois meses, um furac\u00e3o que passou e derrubou \u00e1rvores e casas, levando o telhado de duas capelas. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas tamb\u00e9m se sentem, como diz D. Pedro, o Bispo de San Pedro, na sua \u00faltima Carta Pastoral.<\/p>\n<p>Uma das gl\u00f3rias das pequenas povoa\u00e7\u00f5es \u00e9 serem capitais de alguma coisa: Guayeibi \u00e9 capital da banana e do anan\u00e1s. L\u00e1 paramos e compramos! Naranjito \u00e9 a capital das laranjas doces. San Vicente \u00e9 a capital da mandioca. Mas, mais interessante \u00e9 que Resquin, sede da Par\u00f3quia, \u00e9 a capital do Mbeju. Fomos \u00e0 Casa do Mbeju tomar um pequeno almo\u00e7o: \u00e9 uma esp\u00e9cie de empada com farinha de milho e mandioca, queijo e fiambre. E quem promoveu o 1\u00ba Festival Nacional do Mbeju foi o P. Mietek, espiritano polaco que era o p\u00e1roco em 2009!<\/p>\n<p>Lima \u2013 l\u00e1 onde chegaram os Espiritanos h\u00e1 55 anos \u2013 acolheu-me para a vig\u00edlia e festa do Natal. Os Padres Victor (portugu\u00eas) e Fidelis (Nigeriano) s\u00e3o os respons\u00e1veis de uma longa geografia povoada de comunidades. As Missas foram de casa cheia, celebradas em ambiente de muita festa. Natal, mesmo com um calor de rebentar, \u00e9 sempre Natal.<\/p>\n<p>Desejo a quantos me ouvem e l\u00eaem um fim de ano aben\u00e7oado e que 2023 nas\u00e7a com mais paz, mais justi\u00e7a, mais partilha e mais abra\u00e7os.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Natal cem por cento guarani\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/7hdgo3Bl5XXqgcaVj7Xxw9?si=MDmZAa1DRsODqNStdvURUw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Lima, 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