{"id":264777,"date":"2022-12-28T09:00:41","date_gmt":"2022-12-28T09:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=264777"},"modified":"2022-12-31T12:17:16","modified_gmt":"2022-12-31T12:17:16","slug":"ano-2022-na-ucrania-todos-diziam-conte-a-minha-historia-joao-porfirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-2022-na-ucrania-todos-diziam-conte-a-minha-historia-joao-porfirio\/","title":{"rendered":"Ano 2022: \u00abNa Ucr\u00e2nia todos diziam \u2018Conte a minha hist\u00f3ria\u2019\u00bb &#8211; Jo\u00e3o Porf\u00edrio"},"content":{"rendered":"<p><em>Fot\u00f3grafo esteve tr\u00eas meses na Ucr\u00e2nia e conta que o seu trabalho tinha como objetivo dar a conhecer ao mundo os dramas que os ucranianos enfrentam<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_264398\" aria-describedby=\"caption-attachment-264398\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-264398 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/joao-profirio1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-264398\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 28 dez 2022 (Ecclesia) \u2013 Jo\u00e3o Porf\u00edrio, editor de fotografia do jornal \u00abObservador\u00bb, esteve tr\u00eas meses a cobrir a guerra na Ucr\u00e2nia, e conta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que o seu trabalho tinha como objetivo dar a conhecer ao mundo os dramas que os ucranianos enfrentam.<\/p>\n<p>\u201cNa Ucr\u00e2nia toda a gente dizia: conte a minha hist\u00f3ria, obrigada por estarem aqui. Conte a minha hist\u00f3ria. Obrigada por contarem ao mundo que o meu filho foi morto com uma bala na testa, obrigada por contarem que tive de enterrar o meu marido no quintal da minha casa, que a minha vizinha foi violada por 10 homens das tropas russas. N\u00e3o consigo contabilizar as pessoas que me disseram obrigado: \u00abAinda bem que vieram, ainda bem que est\u00e3o aqui\u00bb. Eles perderam os familiares, perderam tudo &#8211; querem que o mundo ocidental saiba o que ali se passa\u201d, conta o fotojornalista de 27 anos.<\/p>\n<p>Na noite de 24 de fevereiro, tropas russas invadiram a Ucr\u00e2nia, com um primeiro ataque \u00e0s 4h da manh\u00e3 (hora portuguesa) e o Jo\u00e3o Porf\u00edrio e um colega tinha voo marcado para a capital, Kiev, \u00e0s 6h.<\/p>\n<p>\u201cTodos falavam na imin\u00eancia da guerra \u2013 alguns diziam estar eminente, outros comentadores eram mais c\u00e9ticos \u2013 e no jornal achamos que era importante ir ouvir as pessoas na Ucr\u00e2nia. \u201cDecidimos ir e por acaso marcar o voo para as 6h da manh\u00e3 de 24 de fevereiro. O primeiro ataque foi \u00e0s 4h. Na altura disseram: \u00abN\u00e3o podemos ir\u00bb, mas eu disse, agora \u00e9 que temos de ir\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Numa liga\u00e7\u00e3o de Lisboa, Munique, Crac\u00f3via, Jo\u00e3o Porf\u00edrio atravessa a fronteira da Ucr\u00e2nia com a Pol\u00f3nia a p\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cA primeira imagem que vi, foram as filas de pessoas a sair da Ucr\u00e2nia, e eu a entrar, na zona de Lviv. A primeira grande cidade onde estive e onde fiz as primeiras fotografias. Para se perceber o qu\u00e3o prematuro eu cheguei, estive na esta\u00e7\u00e3o de comboios, onde uma semana depois, chegaram jornalistas do mundo inteiro, e no dia 25 eu era o \u00fanico com uma c\u00e2mara fotogr\u00e1fica\u201d, recorda.<\/p>\n<p>A novidade da guerra a acontecer, o tipo de armamento, mas tamb\u00e9m os alegados crimes contra a humanidade cujos testemunhos recolheu, s\u00e3o parte integrante das hist\u00f3rias que continua a trazer consigo, 10 meses depois do in\u00edcio do conflito.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m estava preparado para aquilo. Inicialmente n\u00e3o \u00edamos para a Ucr\u00e2nia para fazer a cobertura de um conflito armado, mas saio de Portugal a saber que ia para um conflito armado, como aquele onde n\u00e3o sabemos que tipo conflito \u00e9. Nunca ouvi um tiro na Ucr\u00e2nia, de pistola porque o tipo de armamento \u00e9 muito diferente; a linha da frente, ou quente, estende-se por 30 quil\u00f3metros\u201d, explica.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Porf\u00edrio reconhece que a linha de distanciamento emocional \u00e9 t\u00e9nue e que ainda hoje mant\u00e9m contacto com \u201cmuita gente\u201d na Ucr\u00e2nia: \u201cN\u00e3o com todos, mas com pessoas com quem me envolvi mais emocionalmente porque provavelmente em algum momento mais tenso eu s\u00f3 as tinha a elas e elas a mim\u201d.<\/p>\n<p>Os primeiros disparos fotogr\u00e1ficos do Jo\u00e3o Porf\u00edrio registaram as noites de Natal, que fazia acompanhado de um familiar: \u201cO dia de Natal era passado a revelar, no escuro, as fotografias da noite 24\u201d.<\/p>\n<p>Em crian\u00e7a, juntou dinheiro para comprar uma m\u00e1quina, mas a m\u00e3e acabou por lhe oferecer aquela que seria a sua primeira m\u00e1quina fotogr\u00e1fica: \u201cCome\u00e7o a ir para a rua fotografar amigas e amigos, sempre pessoas em diferentes situa\u00e7\u00f5es. E eu percebi que era isto que queria fazer e todo o meu percurso acad\u00e9mico fica orientado para estudar e para ser fot\u00f3grafo\u201d.<\/p>\n<p>Aos 15 anos \u00e9 publicada a sua primeira fotografia: \u201cUma foto vertical no campeonato de gin\u00e1stica r\u00edtmica, com a ginasta com a perna levantada\u201d, recorda.<\/p>\n<p>\u201cO sentimento de perda de uma boa fotografia n\u00e3o acontece se a fotografia n\u00e3o existir; Isso s\u00f3 acontece quando os nossos parceiros t\u00eam a fotografia ou quando o acontecimento est\u00e1 \u00e0 nossa frente e n\u00f3s n\u00e3o conseguimos ser suficientemente r\u00e1pidos para fazer um disparo. Mas quantos acontecimentos acontecem na diagonal da minha nuca e eu n\u00e3o sei o que perdi, e ainda bem, caso contr\u00e1rio seria esmagador e frustrante\u201d, explica.<\/p>\n<p>A conversa com Jo\u00e3o Porf\u00edrio recorda momentos do seu percurso desde Portim\u00e3o at\u00e9 Lisboa, para vir a ser um fotojornalista, pode ser acompanhada no esta madrugada, depois da meia-noite, no programa Ecclesia na Antena 1 da r\u00e1dio p\u00fablica, ficando <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\">dispon\u00edvel<\/a> no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/anchor.fm\/alarga-a-tua-tenda\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fot\u00f3grafo esteve tr\u00eas meses na Ucr\u00e2nia e conta que o seu trabalho tinha como objetivo dar a conhecer ao mundo os dramas que os ucranianos 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