{"id":264613,"date":"2022-12-21T12:43:15","date_gmt":"2022-12-21T12:43:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=264613"},"modified":"2022-12-24T14:45:25","modified_gmt":"2022-12-24T14:45:25","slug":"migracoes-ainda-nao-conseguimos-providenciar-casa-e-reconhecimento-na-sociedade-e-na-igreja-para-todos-eugenia-costa-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-ainda-nao-conseguimos-providenciar-casa-e-reconhecimento-na-sociedade-e-na-igreja-para-todos-eugenia-costa-quaresma\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es: \u00abAinda n\u00e3o conseguimos providenciar casa e reconhecimento, na sociedade e na Igreja, para todos\u00bb &#8211; Eug\u00e9nia Costa Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><em>Diretora da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es fala do contexto \u00abdialogante\u00bb em que cresceu, do reconhecimento da sua primeira identidade &#8211; \u00abprimeiro de Deus e depois de uma geografia\u00bb, do valor do Natal que vive e entrega em fam\u00edlia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_264393\" aria-describedby=\"caption-attachment-264393\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-264393 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/eugenia-quaresma3-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-264393\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 21 dez 2022 (Ecclesia) \u2013 Eug\u00e9nia Costa Quaresma, diretora da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es (OCPM), disse lamentar a falta de respostas para quem n\u00e3o tem uma casa e est\u00e1 privada de alimentos e de um teto.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 inevit\u00e1vel n\u00e3o pensar como vai ser o Natal das pessoas que est\u00e3o privadas de uma casa ou de alimentos. Como \u00e9 que conseguimos ser resposta? \u00c9 uma inquieta\u00e7\u00e3o muito forte, as pessoas que precisam de um abrigo e de uma casa e ainda n\u00e3o conseguimos providenciar\u201d, lamenta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente pensa-se nas migra\u00e7\u00f5es apenas como acolhimento de emerg\u00eancia, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. A promo\u00e7\u00e3o humana e a inclus\u00e3o, o reconhecimento da cidadania, a participa\u00e7\u00e3o social e eclesial, \u00e9 muito importante. A Igreja \u00e9 dos crist\u00e3os, n\u00e3o importa a sua l\u00edngua. Esta conviv\u00eancia tem de ser aprendida e tem de ser mais valorizada. Temos de aprender a ser Igreja uns com os outros e sociedade uns com os outros\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A diretora da OCPM reconhece que na sociedade mas tamb\u00e9m na Igreja, a voz da OCPM \u00e9 pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cQuando a OCPM promove o FORCIM, o f\u00f3rum de organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas para a emigra\u00e7\u00e3o e asilo, \u00e9 a voz da Igreja que junta a experi\u00eancia do terreno com o magist\u00e9rio e o comunica com o Estado e para dentro da pr\u00f3pria Igreja, que tantas vezes se desconhece o que defende\u201d, sustenta.<\/p>\n<p>Eug\u00e9nia Quaresma valoriza o trabalho que as comunidades na di\u00e1spora realizam, \u201cem especial as europeias\u201d, e indica que seria muito importante \u201cdescobrir a pastoral das migra\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVivemos na Europa uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica e nem sempre temos esta consci\u00eancia: se n\u00e3o fossem as comunidades migrantes, as igrejas estavam vazias ou fechadas. E \u00e9 necess\u00e1rio valorizar o potencial evangelizador das comunidades migrantes, n\u00e3o apenas para conservar a cultura e as tradi\u00e7\u00f5es, mas para lhes dar um novo sentido: existe uma ponte entre a espiritualidade e a evangeliza\u00e7\u00e3o e parece-me que n\u00e3o fazemos ainda essa liga\u00e7\u00e3o\u201d, sustenta.<\/p>\n<p>Com ra\u00edzes familiares em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Eug\u00e9nia Costa Quaresma nasceu em Lisboa e cresceu na Amora, concelho do Seixal, em contexto \u201cde di\u00e1logo\u201d, numa comunidade \u201cmulticultural que viveu a interculturalidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSem perceber muito bem que fazia parte da di\u00e1spora S\u00e3o Tomense, vivi a di\u00e1spora: a celebra\u00e7\u00e3o das festas, o modo como acolh\u00edamos e viv\u00edamos em fam\u00edlia, as comidas &#8211; que n\u00e3o eram feitas com tudo o que h\u00e1 em S\u00e3o Tom\u00e9 &#8211; mas que adapt\u00e1vamos. O meu pai costumava contar anedotas em dialeto de S\u00e3o Tom\u00e9 que eu n\u00e3o percebia, e eu pedia-lhe para traduzir, mas ele dizia que n\u00e3o tinha tradu\u00e7\u00e3o. Tinha esta curiosidade para aprender a l\u00edngua, ainda que n\u00e3o falasse, mas para perceber o que escutava\u201d, recorda, dando conta da sua curiosidade para conhecer o mundo e a natureza humana.<\/p>\n<p>O crescer na multiculturalidade \u00e9 o contexto que apenas quando surge pergunta \u00abde onde tu \u00e9s?\u00bb se torna uma quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA identidade \u00e9 muito forte para os filhos de migrantes. A dada altura a pergunta coloca-se: \u00abde onde tu \u00e9s?\u00bb. As pessoas que se relacionam connosco nem sempre nos veem como naturais da terra e perguntam de onde somos, de onde s\u00e3o os teus pais. Em determinada altura percebi que o ser crist\u00e3 era a minha identidade primeira \u2013 primeiro perten\u00e7o a Deus e depois a uma geografia\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Eug\u00e9nia recorda ter-se sentido muito amada e acarinhada no seu crescimento, \u201cn\u00e3o s\u00f3 na fam\u00edlia mas na escola\u201d, provocando-lhe \u201cmuita curiosidade e sede de vida\u201d, levando-a a estudar Psicopedagogia curativa.<\/p>\n<p>\u201cO \u00abcurativa\u00bb significa cuidar de, e a psicopedagogia, na vertente que estudei, relaciona-se com as aprendizagens, com as dificuldades e como \u00e9 que eu posso ajudar a aprender melhor. Ligando isto \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, percebemos que quando nos mudamos h\u00e1 muito que temos de reaprender. No di\u00e1logo cultural, no choque de culturas, e num mundo com uma velocidade gigante, precisamos de um tempo para aprender. Na tentativa de me entender, de me aproximar do outro, fui percebendo que as pessoas tamb\u00e9m precisam de tempo\u201d, sintetiza.<\/p>\n<p>A conversa com Eug\u00e9nia Costa Quaresma pode ser acompanhada esta madrugada, depois da meia-noite, no programa Ecclesia na Antena 1 da r\u00e1dio p\u00fablica, ficando dispon\u00edvel no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretora da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es fala do contexto \u00abdialogante\u00bb em que cresceu, do reconhecimento da sua primeira identidade &#8211; \u00abprimeiro de Deus e depois de uma geografia\u00bb, do valor do Natal que vive e entrega em 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