{"id":264507,"date":"2022-12-21T10:00:47","date_gmt":"2022-12-21T10:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=264507"},"modified":"2022-12-20T16:25:22","modified_gmt":"2022-12-20T16:25:22","slug":"saber-aprender-quao-nova-e-radical-pode-ser-a-evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-quao-nova-e-radical-pode-ser-a-evangelizacao\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Qu\u00e3o Nova e Radical pode ser a Evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Pergunta ret\u00f3rica: n\u00e3o deveria o Natal lan\u00e7ar-nos numa \u201cNova\u201d Evangeliza\u00e7\u00e3o? J\u00e1 repararam como se fala pouco disso na Igreja em Portugal? Numa busca pelo Google por \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, e adicionando Portugal, aparecem pouco mais do que 530 resultados, sendo a maior parte refer\u00eancia ao \u201cConselho Pontif\u00edcio\u2026\u201d ou \u00e0 \u201cComiss\u00e3o de Miss\u00e3o e Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Quando li na \u201cTarde do Cristianismo\u201d, Tom\u00e1\u0161 Hal\u00edk dizer que \u2014 <em>\u00abUm bem-intencionado apelo para uma \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d lan\u00e7ado \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica no limiar do novo mil\u00e9nio n\u00e3o obteve a resposta esperada\u00bb<\/em> \u2014 revi-me nestas declara\u00e7\u00f5es e, tamb\u00e9m, no motivo que Hal\u00edk sugere para isso \u2014 <em>\u00abprovavelmente porque, entre outras raz\u00f5es, n\u00e3o era suficientemente \u201cnova\u201d nem radical.\u00bb<\/em> \u2014 O que significa \u201cnova\u201d para Hal\u00edk ou \u201cradical\u201d? Infelizmente, ele n\u00e3o dedica a sua aten\u00e7\u00e3o ao aprofundamento daquilo que estas duas palavras significam para si, mas este tempo lit\u00fargico poderia ser um impulso a tomarmos maior consci\u00eancia de como dar vida \u00e0 novidade e radicalidade no modo de vida que emerge do nascimento de Jesus.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-264510\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/embrace-gbec4ac9f2_1280-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma das formas que as pessoas pensam estar relacionada com \u201cevangelizar\u201d \u00e9 insurgirem-se <em>contra<\/em> as escolhas que a sociedade faz nas suas leis e costumes. \u00c9 bom manifestar a nossa opini\u00e3o sobre as coisas, mas quando o fazemos como pessoas do \u201ccontra\u201d, parece-me que dificilmente evangelizaremos. Por exemplo, uma vez participei numa marcha pela Vida e senti que a diferen\u00e7a entre o que est\u00e1vamos a fazer, e pessoas da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica em marcha de protesto era pouca. A sociedade n\u00e3o quer saber da opini\u00e3o dos cat\u00f3licos, o que condenam, e aquilo que est\u00e3o contra. Se a <em>comunh\u00e3o<\/em> faz parte do nosso modo de viver em uni\u00e3o com Deus, pela revela\u00e7\u00e3o que Jesus fez de como Ele e o Pai s\u00e3o um s\u00f3 (Jo 10, 30), o melhor testemunho que podemos dar aos outros \u00e9 sermos do <em>com<\/em>, em vez do <em>contra<\/em>. Estar <em>com<\/em> os que pensam de maneira diferente da nossa, ou que possuem escolhas de vida diferentes, ou que agem de forma diferente, n\u00e3o \u00e9 aceitar o que pensam, escolhem e fazem, mas <em>acolher<\/em> a pessoa, independentemente do que pensa, escolhe e faz. Nada nos impede de acolher o ateu, o homossexual ou transsexual, ou at\u00e9 a mulher que aborta porque o amor vence tudo, mas a primeira vit\u00f3ria necess\u00e1ria parece ser sobre o nosso preconceito.<\/p>\n<p>Quando a Lei da Eutan\u00e1sia foi aprovada na Assembleia da Rep\u00fablica, pretende-se viabilizar uma morte assistida por \u201cdoen\u00e7a grave e incur\u00e1vel; les\u00e3o definitiva e de gravidade extrema e sem possibilidade de cura\u201d. Ao ler estas palavras, \u00e0 mente vinha-me a imagem de um doente que sofre, n\u00e3o da doen\u00e7a, e de como o sofrimento sem um acompanhamento espiritual leva a uma vida sem sentido, independentemente das leis que fa\u00e7amos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que partilho, t\u00e3o absolutamente quanto Hal\u00edk, da leitura que faz ao afirmar \u2014 <em>\u00abEstou absolutamente convicto de que o minist\u00e9rio do <\/em>acompanhamento espiritual individual <em>ser\u00e1 o crucial papel pastoral da Igreja na <\/em>tarde do Cristianismo <em>que se avizinha, e o mais necess\u00e1rio.\u00bb<\/em> \u2014 Pois, um doente terminal que vive os seus \u00faltimos momentos, n\u00e3o sei se deseja morrer ou dar um sentido \u00e0 sua vida. S\u00f3 com um <em>acompanhamento espiritual individual<\/em> podemos compreender o que vive e fazer sentir \u00e0 pessoa que sofre, a proximidade do calor humano diante da frieza da morte.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 uma peregrina\u00e7\u00e3o com um destino final incerto. Sabemos o que acontece ao nosso corpo, mas seremos somente corpo? \u00c9 imposs\u00edvel reproduzir um pensamento original com tecnologia, mas esses acontecem todos os dias na mente humana. Um pensamento ou ideia materializa-se, mas indica haver um dom\u00ednio da Realidade que n\u00e3o se restringe \u00e0 materialidade. A dimens\u00e3o espiritual humana existe em cada pessoa que nasce e morre. Alguns nutrem essa dimens\u00e3o com uma viv\u00eancia religiosa, outros procuram nutrir com diversos tipos de espiritualidade sem qualquer viv\u00eancia religiosa, mas apesar de todos nutrirem com o amor \u00e0 sabedoria (filosofia), n\u00e3o tem um simples abra\u00e7o uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria sentida por quem o recebe?<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o pode tornar-se num elemento evangelizador de acompanhamento espiritual individual e bastam dois bra\u00e7os de uma s\u00f3 pessoa, de entre as duas ou mais, para o realizar. Pensamos que as feridas est\u00e3o apenas do lado daquele que sofre uma doen\u00e7a terminal ou psicol\u00f3gica, mas todos temos feridas. Por isso, um abra\u00e7o representa uma oportunidade para que do encontro de feridas possa surgir a cura do amor partilhado e que prov\u00e9m de uma subtil (mas real) presen\u00e7a de Jesus entre n\u00f3s (Mt 18, 20), independentemente das nossas cren\u00e7as.<\/p>\n<p>Aqueles que abra\u00e7aram uma postura evangelizadora a partir da met\u00e1fora da batalha poder\u00e3o ter alguma dificuldade em reconhecer o valor da comunh\u00e3o na diferen\u00e7a de ideias e ideais. Consideram, talvez, que se n\u00e3o forem eles a fazer um \u201ccontra\u201d-ponto, determinados recuos civilizacionais avan\u00e7am, minando uma experi\u00eancia e vis\u00e3o da vida com o valor elevado que lhe conferem. S\u00f3 posso compreender essa postura, mas n\u00e3o \u00e9 uma escolha absoluta. Existem escolhas diferentes. E mais do que uma Frente Revolucion\u00e1ria que se bate pelos seus ideais, a Igreja \u00e9 um Hospital de Campanha que acolhe todos os feridos com um abra\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso que a palavra \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o apare\u00e7a na Carta Enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti<\/em>, mas existe uma outra que lhe \u00e9 intr\u00ednseca: a <em>hospitalidade<\/em>. Diz o Papa Francisco que \u2014 <em>\u00abA hospitalidade \u00e9 uma maneira concreta de n\u00e3o se privar deste desafio e deste dom que \u00e9 o encontro com a humanidade mais al\u00e9m do pr\u00f3prio grupo. Aquelas pessoas reconheciam que todos os valores por elas cultivados deviam ser acompanhados por esta capacidade de se transcender a si mesmas numa abertura aos outros.\u00bb<\/em> \u00c9 preciso saber aprender a ser do \u201ccom\u201d e abandonar ser-se do \u201ccontra\u201d.<\/p>\n<p>A comunh\u00e3o de pessoas enquadrada num acompanhamento espiritual individual, feito de abra\u00e7os entre feridos que exercem uma hospitalidade de cora\u00e7\u00e3o, pode ser um g\u00e9rmen novo e radical de uma \u201cEvangeliza\u00e7\u00e3o Nova\u201d porque renovada pelo amor que vai para al\u00e9m das fronteiras delineadas pelas nossas zonas de conforto. Que o nascimento de Jesus celebrado nos pr\u00f3ximos dias, nos inspire a acolher o Esp\u00edrito Santo que bate \u00e0 porta do cora\u00e7\u00e3o para fazer nascer Jesus dentro de n\u00f3s. Jesus que em n\u00f3s, e entre n\u00f3s, renova o nosso olhar, refresca as nossas ideias e nos motiva a amar, nem que seja com um simples abra\u00e7o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-264507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=264507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=264507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=264507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=264507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}