{"id":26392,"date":"2007-08-13T15:31:13","date_gmt":"2007-08-13T15:31:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/13\/experiencia-do-caminho-da-inicio-a-outro-percurso\/"},"modified":"2007-08-13T15:31:13","modified_gmt":"2007-08-13T15:31:13","slug":"experiencia-do-caminho-da-inicio-a-outro-percurso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/experiencia-do-caminho-da-inicio-a-outro-percurso\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia do caminho d\u00e1 in\u00edcio a outro percurso"},"content":{"rendered":"<p>Noite cerrada e os peregrinos acordam para o cumprimento do seu objectivo. O que ser\u00e1 mais importante? O caminho ou o chegar \u00e0 Catedral de Santiago? O grupo de 18 peregrinos de Vale de S\u00e3o Martinho, em Vila Nova de Famalic\u00e3o, ir\u00e1 descobrir.  Com o desejo de caminhar de noite, de ver o sol nascer durante o caminho e cedo chegar a Santiago na esperan\u00e7a de garantir albergue, os peregrinos despertam \u00e0s 4 da manh\u00e3.  Faltam cerca de 22.519 quil\u00f3metros para em frente \u00e0 Catedral, em cima da concha, os peregrinos se abra\u00e7arem e sentirem o caminho que os congregou durante uma semana. Apesar de n\u00e3o terem dormido em Padr\u00f3n, \u00e9 ai que o grupo se concentra para em frente \u00e0 Igreja de Santiago de Padr\u00f3n, onde se encontra a pedra, que segundo a lenda, amarrou a barca que transportou o corpo de Santiago, para fazer a \u00faltima etapa.   O frio da noite, a pressa de chegar ou at\u00e9 mesmo o medo de caminhar de noite, levou a que numa hora o grupo tenha percorrido sete quil\u00f3metros &#8211; a m\u00e9dia dos dias anteriores foram entre quatro e cinco.   Mas a boa disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma constante entre o grupo, apesar do cansa\u00e7o acumulado dos cinco dias de caminho. As conchas v\u00e3o marcando o percurso a diminuir e, apesar desse incentivo, faltando 15 quil\u00f3metros alguns pensam que n\u00e3o conseguem. As bolhas impedem que o p\u00e9 assente normalmente no ch\u00e3o, os m\u00fasculos ressentem o piso que desce e sobe e mesmo a terminar, n\u00e3o se quer desistir.    O Santu\u00e1rio da Esclavitude \u00e9 o \u00faltimo grande templo antes de chegar a Santiago. A Igreja foi terminada em 1750. O Pe. Jos\u00e9 Carlos Barroso explica que os sacerdotes de ent\u00e3o tinham por objectivo comprar os escravos para lhes dar a carta de alforria, da\u00ed o nome do santu\u00e1rio.  Mas ainda \u00e9 de noite e a Igreja est\u00e1 fechada. Segue-se caminho.  Os quil\u00f3metros v\u00e3o diminuindo e v\u00e1rias vezes o grupo se cruza com outras pessoas que termina tamb\u00e9m o caminho. Cumprimentos e sorrisos s\u00e3o uma constante. Incentivos e cumplicidade que se trocam nos olhares.  A \u00faltima etapa apresenta subidas e descidas, pedrinhas e gravilha que \u00abmatam os p\u00e9s\u00bb de tanto cansa\u00e7o. Mas o objectivo continua vivo.   O sol vai nascendo por entre as \u00e1rvores do caminho, no meio do bosque. Em Agro dos Monteiro pode ver-se ao longe as torres da Catedral.  O sol come\u00e7a a queimar quando o peregrinos, por volta do meio dia, encetam caminho j\u00e1 nas rua de Santiago. Subindo as ruas que levam \u00e0 Catedral, vai-se diminuindo o passo para que todo o grupo entre junto na Pra\u00e7a do Obradoiro.   A emo\u00e7\u00e3o e a alegria toma conta dos peregrinos que se perdem em abra\u00e7os, em felicita\u00e7\u00f5es pelo triunfo da caminhada, quando para alguns o quil\u00f3metro zero parecia t\u00e3o distante e at\u00e9 mesmo imposs\u00edvel &#8211; algumas l\u00e1grimas n\u00e3o se escondem.  O percurso trilhado por tantos foi conseguido por mais 18 que se dispuseram a seguir Tiago e a continuar a f\u00e9 e o testemunho de ser Igreja.   O grupo concentra-se na concha central para cantar o Hino do Peregrino, com emo\u00e7\u00e3o e segue para o t\u00famulo de quem os chamou. \u201c\u00c9 aqui que est\u00e1 S\u00e3o Tiago?\u201d pergunta uma crian\u00e7a. A fila que se estende dentro da catedral at\u00e9 ao t\u00famulo e a emo\u00e7\u00e3o das pessoas que passam junto \u00e0 cripta, responde \u00e0 pergunta.  Ana Garrido afirma que fez um caminho para a paz. Depois de chegar a Santiago, de ir rezar \u00e0 catedral, \u201csenti a paz e a tranquilidade\u201d. A chegada a Santiago \u00e9 por si descrita como uma felicidade imensa. \u201cAndar pelo centro hist\u00f3rico, sentir que se est\u00e1 em grupo e cantar o hino do peregrino foi muito especial\u201d.  J\u00e1 o Luiz Castro refere que um conjunto de emo\u00e7\u00f5es tomou conta da sua chegada. A dores f\u00edsicas a par da motiva\u00e7\u00e3o crescente de se estar pr\u00f3ximo da meta foi o culminar de um momento \u201cmuito bonito\u201d.  A repetir a experi\u00eancia pela terceira vez, o Luiz garante que esta caminhada em 2007 foi uma experi\u00eancia muito diferente. Um conjunto de muitas emo\u00e7\u00f5es, de sensa\u00e7\u00f5es boas e dif\u00edceis \u201cfazem a riqueza do caminho, que passa pela descoberta que se vai fazendo\u201d. Por isso \u201cfazer o caminho, dia a dia, de albergue em albergue, quer fa\u00e7a chuva ou sol, conversando ou caminhando sozinho, \u00e9 isso que faz o caminho\u201d, aponta.  Um sentimento de esvaziamento, assim descreve M\u00f3nica Gomes a sua chegada \u00e0 Catedral. \u201cN\u00e3o tinha nada no pensamento, mas estava cheia de emo\u00e7\u00e3o\u201d. J\u00e1 o dia anterior \u00e0 chegada \u201cestava muito sens\u00edvel\u201d. A paz descreve o sentimento \u00e0 chegada.   Ao longo da caminho vai-se recebendo muitos sinais, \u201co conv\u00edvio com as pessoas que d\u00e3o for\u00e7a e as experi\u00eancias de vida que se trocam enriquecem-nos muito\u201d, acrescenta a M\u00f3nica. Ao longo do caminho percebe-se \u201ca uni\u00e3o e o amor ao pr\u00f3ximo\u201d a par das reflex\u00f5es pessoais que cada peregrino \u00eda trilhando. As surpresas foram sucedendo ao longo do caminho, \u201ctal como a nossa vida, que n\u00e3o se programa, vai-se vivendo\u201d. A forma entusiasmante como a M\u00f3nica Gomes foi vivendo a semana \u00e9 garante de \u201cvoltar a repetir a experi\u00eancia\u201d.  Bernardete Enes tamb\u00e9m pela primeira vez nos trilhos de Santiago via inicialmente a experi\u00eancia como \u201candar simplesmente de uma forma mais f\u00edsica e menos espiritual\u201d. Pelo caminho foi descobrindo que n\u00e3o era bem assim. A emo\u00e7\u00e3o foi garantida quando entrou na Pra\u00e7a do Obradoiro. O caminho ditou uma grande aproxima\u00e7\u00e3o a Deus e a chegada a Santiago \u201c\u00e9 o iniciar de uma vida mais desperta espiritualmente\u201d.   Lu\u00eds Oliveira viveu a chegada em sil\u00eancio e em sil\u00eancio guardou para si o momento. \u201cAlgo mexeu c\u00e1 dentro que quero guardar para mim\u201d, tentou explicar. Quando chegar a casa, acredita que mais sentido far\u00e1 tudo o que viveu.   A reflex\u00e3o pautou o caminho do Lu\u00eds que viveu a experi\u00eancia pela primeira vez. \u201cRezei a minha vida, pensei no futuro\u201d, aponta. Em breve o Lu\u00eds voltar\u00e1 a peregrinar. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noite cerrada e os peregrinos acordam para o cumprimento do seu objectivo. O que ser\u00e1 mais importante? O caminho ou o chegar \u00e0 Catedral de Santiago? O grupo de 18 peregrinos de Vale de S\u00e3o Martinho, em Vila Nova de Famalic\u00e3o, ir\u00e1 descobrir. 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