{"id":263919,"date":"2022-12-14T16:28:12","date_gmt":"2022-12-14T16:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=263919"},"modified":"2022-12-14T16:28:12","modified_gmt":"2022-12-14T16:28:12","slug":"saber-aprender-a-preparar-enquanto-se-espera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-preparar-enquanto-se-espera\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A preparar enquanto se espera"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O Advento \u00e9 um tempo em que nos preparamos para acolher Jesus de um modo novo na nossa vida. Celebramos o seu nascimento, n\u00e3o a data, sendo um tempo de alegria e alguma expectativa sobre o que resulta da experi\u00eancia de nos deixarmos transformar por Ele. Poderia ser interpretado como um tempo de esperan\u00e7a diante das situa\u00e7\u00f5es adversas que o mundo vive, das guerras \u00e0s cheias, ou talvez pud\u00e9ssemos acolher este como mais um tempo de espera, semelhante ao que acontece com a divis\u00e3o das c\u00e9lulas do nosso corpo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_263920\" aria-describedby=\"caption-attachment-263920\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-263920\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1001\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-1280x854.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Esperar-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-263920\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Ben White em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma pessoa que seja pai ou m\u00e3e pela primeira vez, acompanha o desenvolvimento do seu filho a cada passo. Desde que se torna um embri\u00e3o at\u00e9 que seja um beb\u00e9 em condi\u00e7\u00f5es de respirar o ar exterior, pacientemente, as c\u00e9lulas dividem-se e dividem-se, multiplicando-se, num processo paciente que dura em m\u00e9dia nove meses. Por\u00e9m, enquanto no desenvolvimento de um beb\u00e9, n\u00f3s conhecemos o desfecho final, apesar das incertezas relativamente a poss\u00edveis problemas no per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o, no caso de Jesus, antes d&#8217;Ele nascer, o povo aguardava, pacientemente, a chegada do messias, mas n\u00e3o fazia a m\u00ednima ideia de quem seria e quando nasceria. Na altura sabiam esperar e preparavam-se enquanto esperavam, mesmo se essa prepara\u00e7\u00e3o levasse a maior parte do tempo hist\u00f3rico, como nas nossas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>Uma c\u00e9lula t\u00edpica do corpo humano pode levar 24 horas, em m\u00e9dia, a dividir-se. E cerca de 95% desse tempo \u00e9 gasto na prepara\u00e7\u00e3o que antecede essa divis\u00e3o. No caso da divis\u00e3o celular activa, o fen\u00f3meno pode levar uma hora a acontecer, como se pode observar quando os cientistas filmaram o evento usando um microsc\u00f3pio. Existem movimentos no interior da c\u00e9lula associados \u00e0 replica\u00e7\u00e3o do ADN que, depois de uma &#8220;longa&#8221; prepara\u00e7\u00e3o, em termos relativos, dividem a c\u00e9lula em duas. Se uma c\u00e9lula demora tanto tempo a preparar-se para o evento transformativo do nascimento de duas novas c\u00e9lulas a partir de si, como nos preparamos n\u00f3s para deixar que a celebra\u00e7\u00e3o do evento de Jesus transforme algo na nossa interioridade que se replique em mais cora\u00e7\u00f5es que palpitem \u00e0 nossa volta?<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_91777\"  width=\"480\" height=\"360\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_aQXhors-OE?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>O Natal como tempo de espera, esperando que Deus mude alguma coisa dentro de n\u00f3s, pode trazer alguma ansiedade por n\u00e3o sabermos bem qual a Sua vontade e que efeito ter\u00e1 sobre o nosso cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, todo o nosso ser. Por isso, muitas pessoas preferem n\u00e3o pensar muito nisso e refugiam-se, sem se dar conta, nas prendas ou prepara\u00e7\u00e3o da festa. N\u00e3o \u00e9 evidente que, durante o advento, pud\u00e9ssemos realizar um trabalho de prepara\u00e7\u00e3o interior para acolher o nascimento de &#8220;algo&#8221; em n\u00f3s. Pode ser uma nova atitude perante a vida, uma decis\u00e3o que h\u00e1 muito temos adiado, um h\u00e1bito que desejar\u00edamos recuperar ou criar, aquele livro de espiritualidade que est\u00e1 ainda por ler, coisas que n\u00e3o t\u00eam encontrado espa\u00e7o nos ritmos di\u00e1rios. Coisas que aguardam o tempo de nascer dentro de n\u00f3s para nos transformar. Coisas como, por exemplo, a pr\u00f3pria capacidade de esperar.<\/p>\n<p>O mundo tem muita pressa desde que experiment\u00e1mos a possibilidade de obter gratifica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas para satisfazer os nossos desejos. \u00c9 dif\u00edcil esperar pela chegada daquela encomenda, ou pela resposta do outro a uma mensagem que lhe envi\u00e1mos, ou ainda dar um passo cient\u00edfico \u00edmpar e marcante na hist\u00f3ria humana como o caso da recente igni\u00e7\u00e3o de uma fus\u00e3o nuclear no <em>National Ignition Facility<\/em> do Laborat\u00f3rio Nacional de Lawrence Livermore nos EUA. A not\u00edcia divulgada de se ter atingido a igni\u00e7\u00e3o da t\u00e3o &#8220;esperada&#8221; fus\u00e3o nuclear que abre a possibilidade de extrairmos uma grande quantidade de energia a partir de muito pouca mat\u00e9ria. Mas esse feito deve-se \u00e0 persist\u00eancia de muitos cientistas contra todas as adversidades de falta de fundos, ou incompreens\u00e3o sobre a quantidade de tempo dedicada a algo que n\u00e3o estava a resultar. A transforma\u00e7\u00e3o que se desencadeou com uma simples igni\u00e7\u00e3o pode transformar profundamente a rela\u00e7\u00e3o que temos com a energia que precisamos, diminuindo radicalmente o impacte ambiental causado pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Mas foi preciso esperar.<\/p>\n<p>Nos relacionamentos mais dif\u00edceis que temos com as pessoas, precisamos tamb\u00e9m de uma igni\u00e7\u00e3o que gere uma fus\u00e3o nuclear de cora\u00e7\u00f5es. E nem sempre \u00e9 f\u00e1cil chegar a essa igni\u00e7\u00e3o e transformar o outro ao mesmo tempo que nos deixamos transformar por ele. S\u00e3o precisos passos que nos tiram da zona de conforto. Nos \u00faltimos tempos, tenho experimentado como o passo de ir ao encontro do outro que n\u00e3o demonstra qualquer interesse pela minha pessoa, exige uma estrutura interior de purifica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que s\u00f3 pode provir de uma gra\u00e7a de Deus que actua dentro de n\u00f3s. Jesus nasceu apenas uma vez na hist\u00f3ria humana, mas todos os anos podemos viver o tempo de espera do nascimento d&#8217;Ele dentro de n\u00f3s encoberto pela transforma\u00e7\u00e3o que ocorre. Por\u00e9m, sem aprofundar o nosso relacionamento com Ele \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>No caso da fus\u00e3o nuclear existem equa\u00e7\u00f5es que nos orientam no caminho a seguir. Basta desenvolvermos a tecnologia para chegar ao fim previsto. Com o cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existem equa\u00e7\u00f5es para o aprofundamento do relacionamento com Deus, mas pessoas nas quais Ele est\u00e1 presente, independentemente de acreditarmos nisso. Por\u00e9m, os relacionamentos est\u00e3o sempre envoltos em diversas camadas de incerteza porque n\u00e3o dependem s\u00f3 de n\u00f3s, mas dos outros e do ambiente que nos rodeia. Se esperamos ser transformados, de modo a nos tornarmos mais humanos a cada Natal que passa, talvez seja necess\u00e1rio saber aprender a preparar a interioridade enquanto se espera.<\/p>\n<p>A interioridade prepara-se com o <a href=\"https:\/\/santoantonio.live\/a-corrida-mais-louca-em-tempo-de-natal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desapego<\/a>; das coisas superficiais e envolvimento com o que \u00e9 mais profundo, como, por exemplo, no modo de ser, estar e falar com os outros, pelo tom de voz e na escolha das palavras pronunciadas. A interioridade prepara-se com o treino do acolhimento daquele que pensa de maneira diferente da minha, ou que n\u00e3o se interessa pelos mesmos assunto que eu, mas escuto-o. Prepara-se, no fundo, com os aspectos da vida que est\u00e3o para l\u00e1 das coisas materiais em torno das quais se centra o Natal de muitas pessoas. O tempo de espera em tempo de Natal serve para alimentar a esperan\u00e7a de que Jesus continua a manifestar a Sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s atrav\u00e9s do amor rec\u00edproco que vivemos uns com os outros.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-263919","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263919\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}