{"id":26370,"date":"2007-08-12T23:37:44","date_gmt":"2007-08-12T23:37:44","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/12\/elogios-a-nova-lei-da-imigracao\/"},"modified":"2007-08-12T23:37:44","modified_gmt":"2007-08-12T23:37:44","slug":"elogios-a-nova-lei-da-imigracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/elogios-a-nova-lei-da-imigracao\/","title":{"rendered":"Elogios \u00e0 nova lei da imigra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Presidente da Comiss\u00e3o da Mobilidade Humana, D. Ant\u00f3nio Vitalino, referiu-se \u00e0s cont\u00ednuas desigualdades sociais <!--more--> Peregrina\u00e7\u00e3o dos Migrantes e Refugiados a F\u00e1tima  \u00abFam\u00edlia, santu\u00e1rio de vida, amor e identidade\u00bb  Amados Peregrinos, 1.Vindos de perto e de longe, juntamo-nos aqui em F\u00e1tima, lugar que Nossa Senhora escolheu para recordar a um mundo dividido e em guerra o essencial daquilo que Jesus disse e fez na plenitude dos tempos, h\u00e1 dois mil anos, por nosso amor, para nosso bem e salva\u00e7\u00e3o. Nesta peregrina\u00e7\u00e3o queremos avivar na nossa mente e no nosso cora\u00e7\u00e3o alguns aspectos da mensagem evang\u00e9lica de Nossa Senhora aqui em F\u00e1tima, h\u00e1 90 anos, transmitida a tr\u00eas inocentes crian\u00e7as, que, nesta altura do m\u00eas de Agosto, estavam presos em Our\u00e9m, impedidos de estar aqui na Cova da Iria no dia 13, para receber a visita e a mensagem da Senhora que em Maio de 1917 lhes dissera para vir a este lugar nos dias 13 dos meses seguintes. \u00c0 intercess\u00e3o dos bem-aventurados Francisco e Jacinta e tamb\u00e9m da irm\u00e3 L\u00facia recomendamos hoje todos os nossos irm\u00e3os for\u00e7ados a abandonar a sua p\u00e1tria, as suas fam\u00edlias, uns por motivos econ\u00f3micos, outros pelo \u00f3dio e viol\u00eancia dos poderosos deste mundo. Como outrora os pastorinhos, tamb\u00e9m n\u00f3s hoje acreditamos que o poder de Deus, o seu amor e miseric\u00f3rdia, manifestados nos imaculados cora\u00e7\u00f5es de Jesus e de Maria, sair\u00e3o vencedores. Mas como os pastorinhos tamb\u00e9m aqui viemos pedir a Deus que aumenta a nossa f\u00e9, a nossa esperan\u00e7a e o nosso amor e, como eles, aprendamos a oferecer a nossa ora\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcios pela convers\u00e3o dos pecadores, para que reine a paz nos nossos cora\u00e7\u00f5es, nas fam\u00edlias e entre os povos. O n\u00famero de migrantes e deslocados no mundo atinge quase 200 milh\u00f5es, muitos deles, mais de vinte milh\u00f5es, s\u00e3o refugiados, o dobro da popula\u00e7\u00e3o portuguesa. \u00c9 uma vergonha para o g\u00e9nero humano, depois de tantos s\u00e9culos de hist\u00f3ria, ainda n\u00e3o ter aprendido a viver em paz com os seus semelhantes, sabendo administrar os bens deste mundo em benef\u00edcio de todos!  2. Queridos peregrinos de F\u00e1tima, hoje estamos aqui tendo tamb\u00e9m presentes na nossa ora\u00e7\u00e3o quase 5 milh\u00f5es e emigrantes portugueses, espalhados pelo mundo, cerca de um ter\u00e7o da nossa popula\u00e7\u00e3o, e quase meio milh\u00e3o de irm\u00e3os nossos, imigrantes no nosso pa\u00eds, que aqui procuram o bem estar para si e suas fam\u00edlias, como n\u00f3s o procuramos por outros pa\u00edses. Vivemos num mundo global, em constante mobilidade, \u00e0 procura de uma vida melhor, mas, como crentes em Deus, \u00e0 semelhan\u00e7a do povo eleito e de Abra\u00e3o, de que nos falavam as duas primeiras leituras, sempre confiantes no poder e na miseric\u00f3rdia de Deus, peregrinos da terra prometida, dos novos c\u00e9us e da nova terra, cujo esbo\u00e7o j\u00e1 antevemos na f\u00e9, mas cuja realiza\u00e7\u00e3o plena ser\u00e1 para todos um dom de Deus, que temos de continuamente implorar: venha a n\u00f3s o vosso Reino. Aqui em F\u00e1tima viemos tamb\u00e9m fortalecer a nossa atitude de vigil\u00e2ncia, aumentar a chama das candeias da nossa f\u00e9 ou at\u00e9 mesmo reacend\u00ea-la, para que, quando o nosso fim na terra chegar, experimentemos a alegria do encontro definitivo com Deus, Trindade sant\u00edssima, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, comunidade e fam\u00edlia de amor e felicidade, da qual nos quer fazer participes.  3. Irm\u00e3os peregrinos, aqui reunidos em vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o, num santu\u00e1rio que acolhe gente de todo o mundo, decerto estais conscientes do significado de sermos uma assembleia unida \u00e0 volta de Nossa Senhora, que nos quer p\u00f4r em comunh\u00e3o profunda com seu Filho, Jesus, nosso Salvador, sem discrimina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, de cores, de ideologias pol\u00edticas ou de proveni\u00eancia. Aqui antecipamos simbolicamente a realidade do C\u00e9u. A Igreja tem de ser testemunho, sinal e realiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o do g\u00e9nero humano em Deus. Mas tamb\u00e9m estamos conscientes do longo caminho que temos a percorrer at\u00e9 \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o total desse des\u00edgnio de Deus. Podemos dizer que F\u00e1tima antecipa essa vontade de Deus. Por isso n\u00f3s viemos at\u00e9 aqui, percorrendo longas dist\u00e2ncias e sentimo-nos bem neste recinto, conscientes de que Deus est\u00e1 connosco e Nossa Senhora, que \u00e9 M\u00e3e, intercede por n\u00f3s e nos pede, para escutarmos seu Filho, Jesus Cristo. A maioria dos emigrantes sente a necessidade de vir a F\u00e1tima no tempo das suas f\u00e9rias. Aqui sente aquilo que muitas vezes falta l\u00e1 fora: a comunh\u00e3o com Deus e uns com os outros, sem acep\u00e7\u00e3o de pessoas. Levemos tamb\u00e9m daqui, sabendo que Maria nos acompanha, a forte vontade de realizar essa comunh\u00e3o nos locais onde vivemos e trabalhamos, a come\u00e7ar pelas nossas fam\u00edlias.  4. Irm\u00e3os peregrinos, temos necessidade de caminhar juntos, acolher no nosso caminho os nossos semelhantes, escut\u00e1-los e dialogar com eles sobre as raz\u00f5es dos nossos e dos seus des\u00e2nimos, mas tamb\u00e9m da nossa esperan\u00e7a, convid\u00e1-los a entrar nas nossas casas, partilhar com eles as nossas vidas, para recobrarmos \u00e2nimo, descobrimos o sentido da vida e trilharmos o caminho da comunh\u00e3o fraterna, na certeza de que onde h\u00e1 amor a\u00ed est\u00e1 Deus. Esta experi\u00eancia de vida e de amor come\u00e7ou no seio da nossa fam\u00edlia e precisa de ser continuada e alimentada, para que n\u00e3o percamos a nossa identidade, aquilo que nos define como pessoas e nos deixa sentir bem dentre da nossa pele e na conviv\u00eancia uns com os outros. Na fam\u00edlia fomos chamados \u00e0 vida, para construirmos a fam\u00edlia humana, cuja origem e fim \u00faltimo est\u00e1 na fam\u00edlia divina. Precisamos da fam\u00edlia para termos a vida e aprendermos os valores essenciais da vida, que definem a nossa identidade: o amor, a alegria, a comunica\u00e7\u00e3o por palavras, gestos e atitudes, a aten\u00e7\u00e3o aos outros, sobretudo aos mais d\u00e9beis, como s\u00e3o as crian\u00e7as, os idosos, os doentes, os pobres, os peregrinos, os migrantes, os deslocados, os perseguidos e refugiados. Sem fam\u00edlias unidas no amor ser\u00e1 imposs\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia humana e a paz entre os povos.  5. A experi\u00eancia da escravid\u00e3o no Egipto foi para Mois\u00e9s motivo para recomendar ao seu povo,  n\u00e3o o \u00f3dio e a vingan\u00e7a, mas o acolhimento e o amor para com os estrangeiros. Assim come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a o princ\u00edpio de que n\u00e3o devemos fazer aos outros aquilo que n\u00e3o gostamos que nos fa\u00e7am a n\u00f3s ou nos fizeram, pois nunca se deve pagar o mal com mal igual ou pior, mas com perd\u00e3o e miseric\u00f3rdia. Tamb\u00e9m muitos de n\u00f3s se podem lembrar do que lhes aconteceu em terras estrangeiras, muitas vezes fugidos de c\u00e1 e mal acolhidos em terras de destino, por vezes at\u00e9 por membros do pr\u00f3prio pa\u00eds, que aproveitaram a situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia dos seus compatriotas, para os explorar e fazer riqueza. Agora lembremo-nos daqueles que v\u00eam at\u00e9 n\u00f3s e ajudemo-los a libertar-se dos seus medos e opressores, das m\u00e1fias dos seus irm\u00e3os de ra\u00e7a, para que se tornem cidad\u00e3os integrados no nosso pa\u00eds e possam reconstruir a sua vida, promover as suas fam\u00edlias e contribuir tamb\u00e9m para o bem do nosso pa\u00eds e do seu pa\u00eds de origem. A nova lei da imigra\u00e7\u00e3o e o ante-projecto de regulamenta\u00e7\u00e3o em curso vieram trazer alguma clareza nos procedimentos, sobretudo na concess\u00e3o de resid\u00eancia e no reagrupamento familiar, mas ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer, n\u00e3o apenas em Portugal, mas na comunidade europeia e no mundo mais desenvolvido. N\u00e3o podemos continuar a permitir que, enquanto uma parte do mundo vive na abund\u00e2ncia e no esbanjamento, uma maior parte viva na mis\u00e9ria, muitos morrendo nos mares e nos desertos, \u00e0 procura de terras mais hospitaleiras. N\u00e3o podemos admitir que se veja nos migrantes apenas a vantagem da sua m\u00e3o de obra, o seu saber, \u00e0 custa das suas fam\u00edlias e da solidariedade entre os povos. Sem esta, sem ora\u00e7\u00e3o, sem amor e sem desenvolvimento justo de todos os povos, n\u00e3o poder\u00e1 haver paz no mundo.  6. Aqui estamos, irm\u00e3os peregrinos, neste local bendito, para reavivar a nossa comunh\u00e3o com o Senhor e uns com os outros, para nos apoiarmos mutuamente nos caminhos da nossa vida, contando sempre com Jesus, que encontrou esta maneira maravilhosa de ficar connosco, na Eucaristia, mist\u00e9rio de amor e de doa\u00e7\u00e3o da vida por todos n\u00f3s. Alimentando-nos do P\u00e3o descido do c\u00e9u, temos parte na sua vida e na sua gl\u00f3ria. Aprendemos a viver numa atitude de doa\u00e7\u00e3o, de gratid\u00e3o, de miseric\u00f3rdia, de transforma\u00e7\u00e3o da nossa vida em oferta agrad\u00e1vel a Deus. Neste caminho de santidade contamos com a intercess\u00e3o daquela que Jesus nos deu como nossa m\u00e3e, precisamente quando na cruz entregava a sua vida por n\u00f3s, e que aqui em F\u00e1tima mostrou verdadeiramente ser m\u00e3e atenta aos filhos em dificuldade. A ela nos confiamos, assim como todos aqueles que foram for\u00e7ados a deixar a sua terra natal. A ela consagramos as nossas fam\u00edlias, sobretudo as que mais sofrem as consequ\u00eancias das migra\u00e7\u00f5es que separam os seus membros e dificultam a sua agrega\u00e7\u00e3o. Maria, M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, Senhora de F\u00e1tima e de tantos outros t\u00edtulos com que sois invocada pelo mundo fora, confiamos em V\u00f3s, velai por todos os que vivem e trabalham longe da sua terra natal, amparai as suas fam\u00edlias, uni-as no amor, rogai por n\u00f3s, agora e na hora da nossa morte. \u00c1men.  F\u00e1tima, 12 de Agosto de 2007 <i>D. Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente da Comiss\u00e3o da Mobilidade Humana, D. 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