{"id":26343,"date":"2007-08-09T21:12:44","date_gmt":"2007-08-09T21:12:44","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/09\/a-frescura-da-natureza-no-caminho\/"},"modified":"2007-08-09T21:12:44","modified_gmt":"2007-08-09T21:12:44","slug":"a-frescura-da-natureza-no-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-frescura-da-natureza-no-caminho\/","title":{"rendered":"A frescura da natureza no caminho"},"content":{"rendered":"<p>O dia come\u00e7a serenamente entre os peregrinos. Um noite fria no ch\u00e3o da par\u00f3quia da Virgem Peregrina faz desejar n\u00e3o voltar a repetir a experi\u00eancia. Mas s\u00f3 o caminho o dir\u00e1.  Pontevedra est\u00e1 em festa. O caminho indica passagem obrigat\u00f3ria pela Igreja da Virgem Peregrina para onde as art\u00e9rias da cidade convergem. Esta igreja \u00e9 paragem obrigat\u00f3ria do caminho para conhecer o interior, para rezar e, claro, para carimbar as credenciais.   \u201cA Virgem muda de manto consoante a festa\u201d, explica o Pe. Ant\u00f3nio Machado. Agora veste-se de branco, pega no bast\u00e3o de peregrina e na cabe\u00e7a tem o chap\u00e9u do peregrino.   O caminho aponta para a sa\u00edda do centro hist\u00f3rico da cidade onde no ch\u00e3o de uma rua se l\u00ea \u201cpor esta porta entravam os que vindo de Portugal \u00edam a Santiago\u201d. Faz lembrar quantos n\u00e3o ter\u00e3o percorrido o mesmo caminho que o grupo de 18 peregrinos de S\u00e3o Martinho do Vale.   Saindo do centro atravessa-se a ponte com a concha a indicar a direc\u00e7\u00e3o do caminho, mas faltam os quil\u00f3metros. Infelizmente, n\u00e3o poucas vezes, faltam indica\u00e7\u00f5es dos quil\u00f3metros nos marcos das conchas. Frequente \u00e9 ver v\u00e1rias pedras, em cima dos mesmos marcos, indicando quem por ali passa.   O caminho continua a pouco e pouco a distanciar-se da cidade, seguindo por entre os pr\u00e9dios, onde uma placa indica \u201cPassamos no lugar onde, segundo a tradi\u00e7\u00e3o foi atendido o ap\u00f3stolo e lhe ofereceram fruta da \u00e9poca\u201d.   Subindo por entre o campo, Pontevedra fica para tr\u00e1s. 62.086 indica a concha e mais \u00e0 frente uma vivenda cheia de vieiras numa parede lateral indica que o grupo est\u00e1 no caminho certo.   Uma clareira surge \u00e0 frente, ao lado uma fonte mata a sede e se enchem as garrafas de \u00e1gua. Altura tamb\u00e9m para fazer a ora\u00e7\u00e3o que come\u00e7a o dia.  Mais uma vez os peregrinos se metem a caminho pelo meio do mato, por trilhos onde a terra est\u00e1 marcada pelas pegadas dos primeiros. Sente-se a calam do campo, ouve-se o chilrear dos p\u00e1ssaros. O caminho segue paralelo \u00e0 linha do comboio.  \u201cSomos portugueses a caminho de Santiago\u201d, responde algu\u00e9m a uma senhora que sa\u00fada os peregrinos na beira da estrada. \u201cBom caminho\u201d, deseja ela.  Uma descida faz os m\u00fasculos sentirem o cansa\u00e7o do caminho, para mais \u00e0 frente, novamente em asfalto, o grupo se cruzar com os carros que passam na estrada&#8230;.58.965&#8230;.  L\u00ea-se na estrada \u201cfor\u00e7a peregrinos Portugal. V.Dei\u201d. A for\u00e7a para o caminho chega de onde menos se espera. Entra-se na floresta e um riacho corre ao lado. A frescura \u00e9 imensa&#8230;um ribeiro passa por baixo dos p\u00e9s e a \u00e1gua mistura-se com as pedras do caminho. 57.273&#8230;.  Trocam-se impress\u00f5es do caminho, relembram-se locais onde fotos anteriores foram tiradas, lembram-se lugares do caminho&#8230;  Ana Filipa Ferreira aproxima-se e relembram-se momentos de peregrina\u00e7\u00f5es anteriores. A caminha a Santiago \u00e9 \u201cuma conquista, porque se atinge um objectivo que se liga \u00c0 minha f\u00e9 e tamb\u00e9m me liga \u00e0s pessoas\u201d, afirma a Filipa. Em cada passo, em cada s\u00edtio \u201ctento perceber a presen\u00e7a de Deus na minha vida\u201d.  Cada caminho, cada experi\u00eancia em cada ano \u00e9 uma conquista diferente. \u201cO caminho \u00e9 o mesmo, algumas pessoas partilham novamente a experi\u00eancia comigo, mas nunca \u00e9 igual, porque o estado de esp\u00edrito muda\u201d. Apesar de passar duas ou tr\u00eas vezes pelo mesmo s\u00edtio, \u201csentimos de forma diferente\u201d, porque passou tempo, viveram-se experi\u00eancias que \u201cnos faz encarar o caminho de forma diferente\u201d.   A terceira peregrina\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser vivida de forma \u201cserena e madura, sinto mais o caminho\u201d, explica a Filipa. \u201c\u00c9 um evoluir\u201d, refere. O caminho ofereceu-lhe a percep\u00e7\u00e3o da capacidade de reflex\u00e3o individual \u201cque desconhecia ser capaz\u201d. Ao longo da caminhada \u201cdevemos estar atentos aos pormenores, que \u00e9 o que alimenta\u201d, aponta. O caminhar em grupo \u201csustenta e ajuda a viver de forma diferente de caminhada para caminhada\u201d.   Se durante o caminho se est\u00e1 em constante contacto, tamb\u00e9m se proporcionam momentos de sil\u00eancio. \u201cA\u00ed penso na minha vida. Este ambiente oferece essa pausa para pensar\u201d, destaca a Filipa, que espera ainda viver \u201cmuitas experi\u00eancias de caminho\u201d, em condi\u00e7\u00f5es diferentes &#8211; em fam\u00edlia \u201cque acho muito interessante pelos testemunhos que tenho acompanhado\u201d, ou quem sabe a dois.  Na frescura do bosque surge uma ponte de pedra para atravessar por cima do ribeiro que acompanha o caminho. \u00c0 frente, o trilho passa pela linha do comboio. A frescura e a sombra das \u00e1rvores cobre os peregrinos at\u00e9 \u00e0 entrada na estrada que leva \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ocupada na sua lida di\u00e1ria&#8230;.54.768&#8230;.  Entra-se no concelho de Barro e a conversa, a par dos passos, prossegue com a Idalina Azevedo. Esta \u00e9 a primeira de muitas peregrina\u00e7\u00f5es. O seu projecto inicial seria fazer o percurso de bicicleta, mas sem companhia aceitou o desafio de o fazer a p\u00e9 e nestes dias tem feito uma avalia\u00e7\u00e3o do ano que tem vivido.   \u201cUm caminho de muito conv\u00edvio e de reflex\u00e3o\u201d. O pr\u00f3prio caminho pede reflex\u00e3o. Como crente \u201cpenso sobretudo na ajuda divina que vou sentindo\u201d, explica, acrescentando que \u201csozinha n\u00e3o conseguia fazer este caminho\u201d.   Para a Idalina este \u00e9 um caminho de maturidade. \u201cNo final, quem faz o caminho vai sentir-se mais maduro, mais atento ao outro\u201d. Contemplar a catedral na chegada \u201cvai ser uma grande emo\u00e7\u00e3o\u201d, adianta, mas o fim da caminha n\u00e3o ser\u00e1 \u201co momento de reconvers\u00e3o\u201d. Os frutos vir\u00e3o mais tarde, \u201cem momentos em que irei lembrar a caminhada e o que aqui assei\u201d, por isso promete saborear a m\u00e9dio prazo.   A procura do sil\u00eancio faz perceber que \u201cnem sempre crio disponibilidade para rezar, para responder \u00e0 minha f\u00e9\u201d. Sil\u00eancio este procurado por crentes e n\u00e3o crentes, que irrompe o caminho e mexe com quem percorre o caminho.  A primeira etapa do dia est\u00e1 quase completa&#8230;. Um desvio \u00e0 frente leva o grupo de peregrinos para a uma queda de \u00e1gua, onde as sombras e a \u00e1gua fresca oferecem uma pausa. Um cen\u00e1rio id\u00edlico, onde s\u00f3 o som da \u00e1gua fresca a cair se pode ouvir. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia come\u00e7a serenamente entre os peregrinos. 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