{"id":26322,"date":"2007-08-08T23:25:56","date_gmt":"2007-08-08T23:25:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/08\/descobrir-o-caminho-num-percurso-pessoal\/"},"modified":"2007-08-08T23:25:56","modified_gmt":"2007-08-08T23:25:56","slug":"descobrir-o-caminho-num-percurso-pessoal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/descobrir-o-caminho-num-percurso-pessoal\/","title":{"rendered":"Descobrir o caminho num percurso pessoal"},"content":{"rendered":"<p>O dia amanhece no pavilh\u00e3o em Redondela. Com o grupo de peregrinos de Vila Nova de Famalic\u00e3o, pernoitou tamb\u00e9m um casal de portugueses a caminho de Santiago de Compostela, mas com in\u00edcio do percurso em F\u00e1tima.  A pr\u00f3xima etapa vai levar os peregrinos a Pontevedra, num percurso de 20 quil\u00f3metros. A cidade de Redondela apesar de n\u00e3o muito grande \u00e9 bastante movimentada.   Todo o percurso portugu\u00eas em Espanha \u00e9 acompanhado pela Ria de Vigo, por onde os peregrinos seguem \u201ccontornado a ria por norte e este\u201d, segundo explica\u00e7\u00e3o do Pe. Ant\u00f3nio Machado.  O concelho de Redondela est\u00e1 marcado por cartazes e mesmo pinturas amarelas nas paredes que dizem \u201cauto-via em Redondela, n\u00e3o obrigada\u201d ou \u201cn\u00e3o \u00e0s variantes\u201d. Mas o caminho seguido pelos peregrinos indica que se segue pelas ruas paralelas ao centro e assim se come\u00e7a o dia. Ruas antigas, de antigas casas em pedra. Saindo da estrada principal a pouco e pouco se vai deixando a cidade para tr\u00e1s para se entrar num bosque. 81.775 para Santiago de Compostela, mostra a concha.  A primeira etapa do caminho destina-se \u00e0 ponte Sampaio, em Arcade, onde se d\u00e1 a jun\u00e7\u00e3o da ria de Vigo e do rio Vedungo. Mas antes de a\u00ed chegar, ainda h\u00e1 caminho pela frente.  \u201cOs restantes dias do caminho proporcionam um maior contacto com a natureza, trilhando caminhos entre o bosque\u201d, explica o respons\u00e1vel pelo grupo aos estreantes.  E as hist\u00f3rias pessoais v\u00e3o-se cruzando por entre os trilhos do caminho. As conversas triviais dos primeiros dias d\u00e3o lugar a estados de alma, a partilhas da experi\u00eancia, mas onde a alegria e a boa disposi\u00e7\u00e3o encontram lugar. \u00c9 frequente ao longo dos trilhos ouvir sonoras gargalhadas de boa disposi\u00e7\u00e3o entre todos os peregrinos.  81.233 entra-se no campo onde as vinhas e as espigas s\u00e3o uma constante. Nunca se caminha com a mesma pessoa ao lado. As passadas s\u00e3o diferentes e tamb\u00e9m as partilhas que se v\u00e3o fazendo com as diferentes pessoas.   <b>Caminhar em grupo<\/b> Agora quem se chega \u00e9 a Helena Faria. Est\u00e1 no caminho pela primeira vez. Veio pela experi\u00eancia diferente que poderia viver, \u201ce porque muitos j\u00e1 me falaram do caminho\u201d. N\u00e3o se trata apenas do caminho em si, a Helena valoriza a experi\u00eancia de grupo que se vive, a entre ajuda. A experi\u00eancia do caminhar \u201capela \u00e0 desinstala\u00e7\u00e3o e gera uma abertura para quem acredita num caminho a percorrer\u201d.   79.807 e a conversa continua amena, mas com o terreno a subir. \u201cA chegada a Santiago ser\u00e1 o alcan\u00e7ar um objectivo, assim como acontece na nossa vida\u201d, explica a Helena e \u201ca chegada conjunta a Santiago tem de ser transposta para a vida em sociedade, quando temos objectivos que envolvem os outros\u201d. Andar seis dias apenas por andar n\u00e3o proporciona crescimentos, \u201ca experi\u00eancia que se faz do caminho sim\u201d, afirma a Helena que confidencia ainda \u201cconvidei Deus no in\u00edcio da caminhada para nos acompanhar\u201d.   Vai-se descendo o caminho de terra j\u00e1 marcado por tantos passos e o rio desenha-se \u00e0 frente dos peregrinos, por entre os ramos das \u00e1rvores. E seguindo caminho, agora quem se aproxima \u00e9 Eduardo Vinhas, repetente na peregrina\u00e7\u00e3o. Na sua primeira experi\u00eancia do caminho partilhou trilhos com um casal que durante a peregrina\u00e7\u00e3o celebrou anivers\u00e1rio de casamento. \u201cRecordo essa hist\u00f3ria porque achei que era uma boa forma de celebrar o seu matrim\u00f3nio\u201d, explica. Quem sabe se com ele n\u00e3o acontecer\u00e1 o mesmo, pois este ano partilha este caminho com a namorada, Helena Faria. \u201cEsta experi\u00eancia partilhada vai ser muito importante para n\u00f3s, porque nos estamos a conhecer e a ajudar-nos no caminho\u201d. A partilha entre os dois \u00e9 uma constante. \u201cEsta \u00e9 uma partilha que nos vais acompanhar os dois e nos vai marcar\u201d, assegura.  O Eduardo acredita que o caminho pede disponibilidade f\u00edsica, mas sobretudo espiritual. \u201cUma pessoa pode at\u00e9 n\u00e3o se aperceber disso, mas ela acaba por surgir\u201d. Durante o caminho pensa-se na vida, \u201cnos desafios que nos surgem\u201d, adianta. Como repetente, \u201ceste ano estou a valorizar muito a descoberta que estou a fazer de S\u00e3o Tiago\u201d, explica motivado.  O caminho \u201cobriga quem o faz a parar\u201d, e inevitavelmente \u201ca vida muda\u201d. Para Eduardo a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a dimens\u00e3o a que tamb\u00e9m quer dar mais aten\u00e7\u00e3o.   A companhia \u00e9 uma constante no caminho. Mas o sil\u00eancio tamb\u00e9m encontra espa\u00e7o. Sil\u00eancio para pensar na vida, olhar \u00e0 volta, ouvir a natureza, ou n\u00e3o pensar em nada quando o cansa\u00e7o se vai impondo, ou mesmo aproveitando esses momentos para rezar.   <b>Crise de voca\u00e7\u00f5es<\/b> Quil\u00f3metro ap\u00f3s quil\u00f3metro aparece a Ponte Sampaio, em Arcade, que se atravessa para chegar \u00e0 praia fluvial. Ocasi\u00e3o para descansar as pernas e para dar um mergulho na ria que convida a um banho.  O grupo de S\u00e3o Martinho do Vale opta por ficar junto \u00e0 ria, almo\u00e7ar naquele lugar e tem um in\u00edcio de tarde \u00abtertuliana\u00bb. A proposta \u00e9 falar sobre as voca\u00e7\u00f5es onde a partilha dos dois sacerdotes que acompanham o grupo, o Pe. Ant\u00f3nio Machado e o Pe. Jos\u00e9 Carlos Barrroso \u00e9 essencial e genu\u00edna.   \u201cA pior crise de voca\u00e7\u00f5es que existe n\u00e3o \u00e9 a sacerdotal, mas a matrimonial\u201d, aponta o Pe. Ant\u00f3nio Machado. Muita curiosidade e abertura culminam com um pedido: \u201cdescubram a vossa voca\u00e7\u00e3o para serem felizes. Essa \u00e9 uma resposta que apenas voc\u00eas podem dar\u201d, pede o Pe. Jos\u00e9 Carlos Barroso \u201ce procurem-na no vosso \u00edntimo\u201d.  O grupo deixa Arcade para tr\u00e1s e pelo meio das casas, quem lembram aldeias, seguem para a segunda etapa do dia. Passando a vila, sobe-se uma estreita e empedrada cal\u00e7ada. Chegamos a um caminho empedrado, em grandes partes formado por grandes lousas: s\u00e3o restos da antiga cal\u00e7ada romana que unia Braga a Astorga.  <b>Trilhos pela cal\u00e7ada romana<\/b>  Na segunda etapa do caminho tem uma subida mas a paisagem vale a pena: \u00e1gua corrente e muita vegeta\u00e7\u00e3o. Mesmo de Ver\u00e3o h\u00e1 caminhos onde corre muita \u00e1gua.   O sol queima, mas a boa disposi\u00e7\u00e3o reina. Entra-se pela estrada principal para um desvio provis\u00f3rio do caminho, onde o grupo se cruza com os carros que passam. Volta-se a entrar nos campos onde as vinhas se perdem de vista e o verde inunda a respira\u00e7\u00e3o.   A vegeta\u00e7\u00e3o ajuda a atenuar o calor que se sente e a inclina\u00e7\u00e3o da cal\u00e7ada romana que pedra sobre pedra, se sobe.   72.358 d\u00e1 um descanso \u00e0s pernas e \u00e0 subida. O percurso final \u00e9 feito em estrada que leva o grupo para Pontevedra, onde o albergue aguarda \u00e0 chegada, ou assim se pensa.   <b>Odisseia no fim do dia<\/b> O albergue de Pontevedra fica no in\u00edcio da cidade. O movimento das ruas \u00e9 uma constante. Aqui percebe-se que a cidade se organiza tamb\u00e9m em redor do caminho de Santiago. \u00abBar del Peregrino\u00bb ou \u00abHotel Virgen del Cami\u00f1o\u00bb mostra o quanto a peregrina\u00e7\u00e3o norteia a cidade.  O grupo sobe a cal\u00e7ada de acesso ao port\u00e3o e logo um cartaz a vermelho indica \u201cAlbergue completo\u201d. As 56 camas est\u00e3o j\u00e1 ocupadas. Nada que j\u00e1 n\u00e3o estivesse previsto.  A recepcionista d\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de algumas congrega\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o abrir as portas aos peregrinos. Cansados de 20 quil\u00f3metros sob um sol quente os peregrinos p\u00f5em-se a caminho de novo albergue.   As instala\u00e7\u00f5es da par\u00f3quia est\u00e3o fechadas, \u201cs\u00f3 a partir das 19 horas\u201d. H\u00e1 que procurar alternativas. No albergue informaram tamb\u00e9m da presen\u00e7a dos Franciscanos na cidade. Dois ou tr\u00eas peregrinos acompanham os sacerdotes para pedir guarida.   Mais um caminho para percorrer. Este pelo meio da cidade, na rua principal onde lojas inundam e chamam as muitas pessoas que ali se encontram ao final da tarde. Os espanh\u00f3is jantam tarde, e depois do trabalho re\u00fanem-se para um aperitivo antes da refei\u00e7\u00e3o. Os portugueses s\u00e3o os primeiros a pedir a ementa.  Pela rua principal se chega ao Convento dos Franciscanos que informa n\u00e3o ter capacidade de alojar os peregrinos. \u201cExperimentem o Col\u00e9gio do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, da responsabilidade dos Dehonianos\u201d.   Nova caminhada encetam os mandat\u00e1rios para arranjar guarida. Chegando ao local do col\u00e9gio ilustrado no mapa da cidade, ningu\u00e9m atende, est\u00e1 tudo fechado. \u201cTalvez estejam de f\u00e9rias\u201d, diz um grupo de mulheres que aproveita o fresco do fim de tarde para conversar.  Nova caminhada para encontrar nova guarida e novamente \u201cn\u00e3o temos alojamento\u201d.  De volta \u00e0 par\u00f3quia, se consegue chegar \u00e0 fala com o p\u00e1roco, que relutante, abre as portas aos peregrinos, onde se estendem os sacos cama para mais uma noite dormida no ch\u00e3o.   Com o desejo de banhos e descanso, sugerem que \u201csem espa\u00e7os para duches, talvez no albergue, mostrando as credenciais carimbadas nos deixem tomar banho\u201d, lembra algu\u00e9m.  Os albergues, como o infra estruturas gratuitas n\u00e3o podem ser cobrados. Pede-se sim aos peregrinos que deixem um donativo para ajudar \u00e0s despesas. N\u00e3o foi o caso. A proposta do recepcionista de turno no albergue, ap\u00f3s recusa em permitir tomar banho pois \u201capenas podem usar as instala\u00e7\u00f5es os que aqui pernoitam\u201d, \u00e9 que os peregrinos paguem por esse servi\u00e7o, \u201cdois euros por cada um\u201d. Mais descontra\u00eddos, mas tamb\u00e9m indignados, os peregrinos acreditam que \u201cesta ser\u00e1 uma hist\u00f3ria para contar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia amanhece no pavilh\u00e3o em Redondela. Com o grupo de peregrinos de Vila Nova de Famalic\u00e3o, pernoitou tamb\u00e9m um casal de portugueses a caminho de Santiago de Compostela, mas com in\u00edcio do percurso em F\u00e1tima. A pr\u00f3xima etapa vai levar os peregrinos a Pontevedra, num percurso de 20 quil\u00f3metros. A cidade de Redondela apesar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[162,168,172,207,211,213,299],"class_list":["post-26322","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-dehonianos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-fatima","tag-ferias","tag-franciscanos","tag-santiago-de-compostela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26322\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}