{"id":262971,"date":"2022-12-07T09:10:50","date_gmt":"2022-12-07T09:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=262971"},"modified":"2022-12-08T11:46:15","modified_gmt":"2022-12-08T11:46:15","slug":"missoes-crescer-no-regime-comunista-na-polonia-e-ser-padre-em-angola-o-percurso-do-missionario-verbita-andrzej-fecko","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/missoes-crescer-no-regime-comunista-na-polonia-e-ser-padre-em-angola-o-percurso-do-missionario-verbita-andrzej-fecko\/","title":{"rendered":"Miss\u00f5es: Crescer no regime comunista na Pol\u00f3nia e ser padre em Angola \u2013 o percurso do mission\u00e1rio verbita Andrzej Fecko"},"content":{"rendered":"<p><em>Medalha de m\u00e9rito mission\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal da Pol\u00f3nia reconheceu 32 anos de trabalho em Angola, constru\u00e7\u00e3o social e pastoral, concretizando o sonho de miss\u00e3o \u2013 \u00abEstar junto do povo\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_262316\" aria-describedby=\"caption-attachment-262316\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-262316 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/andre-fec-svd1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-262316\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 07 dez 2022 (Ecclesia) \u2013 O padre Andrzej Fecko, verbita, que esteve 32 anos em Angola, e que recebeu a medalha de m\u00e9rito mission\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal da Pol\u00f3nia, diz que o trabalho das miss\u00f5es necessita ser valorizado.<\/p>\n<p>\u201cNa Igreja n\u00e3o podemos esquecer a evangeliza\u00e7\u00e3o. O nosso principal trabalho n\u00e3o \u00e9 construir, mas evangelizar. Fizemos muito com os catequistas; formamos muitos que trabalham e ficam a acompanhar as suas comunidades. Nestas dist\u00e2ncias n\u00e3o h\u00e1 padre mas h\u00e1 catequistas formados para acompanhar. O padre \u00e9 um s\u00f3: j\u00e1 passou esta ideia de que o padre \u00e9 que sabe e manda. N\u00e3o. N\u00e3o gosto dessa ideia. Vamos construir juntos\u201d, explica numa entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O padre Andrzej nasceu na Pol\u00f3nia durante o regime comunista e explica ter crescido num \u201cdualismo\u201d, entre a fam\u00edlia \u201ccrist\u00e3 e a vida social ligada \u00e0 Igreja\u201d e, por outro lado, a escola, onde recebeu uma educa\u00e7\u00e3o socialista, mas a consci\u00eancia das duas realidades s\u00f3 se evidenciou mais tarde.<\/p>\n<blockquote><p>Eu estava pr\u00f3ximo do marxismo-leninismo, e por isso fui trabalhar. N\u00e3o queria ser um intelectual, queria ser um trabalhador, qual como a ideologia nos dizia. Mais tarde tive consci\u00eancia que viva entre duas realidades. No dia-a-dia, sent\u00edamos que nos dev\u00edamos libertar do regime, colocado por Moscovo, e sentimos, mesmo na rua, que havia muitos militares sovi\u00e9ticos. Sent\u00edamos opress\u00e3o porque fomos obrigados a aprender russo. Quer\u00edamos ser livres, mas viv\u00edamos na ideologia que entrava na nossa vida e mente\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 a estudar no Semin\u00e1rio, o padre Andrzej d\u00e1 conta de \u201cespi\u00f5es\u201d dentro da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cT\u00ednhamos de ter muita cautela. Obtiveram informa\u00e7\u00f5es sobre o nosso comportamento e v\u00e1rios de n\u00f3s foram chamados \u00e0 Pol\u00edcia Secreta para ser interrogados. A situa\u00e7\u00e3o era muito delicada na altura. Sent\u00edamos que aquele sistema comunista era um sistema de engano do povo, e quer\u00edamos a verdade que pod\u00edamos encontrar na Igreja\u201d, recorda.<\/p>\n<p>A possibilidade de ser padre foi inesperada na sua vida, apesar de ainda em crian\u00e7a pensar nas miss\u00f5es como uma atra\u00e7\u00e3o, tendo chegado a escrever uma carta a um mission\u00e1rio no Jap\u00e3o; ordenado mission\u00e1rio na congrega\u00e7\u00e3o do Verbo Divino, deixa-se entusiasmar por um colega que chega de Angola e o desafio a ser mission\u00e1rio em terras africanas.<\/p>\n<p>O padre Andrzej Fecko chegou a Angola em 1981 e explica que encontrou uma \u201cLuanda abandonada, um pouco triste mas um povo feliz\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO povo relembrava os anos ainda recentes da independ\u00eancia, mas nada funcionava: nem lojas, bares ou restaurantes. Fiquei algum tempo em Luanda e segui para a diocese Saurimo, no leste de Angola, e l\u00e1 comecei a trabalhar numa equipa internacional, onde estava um padre portugu\u00eas, outro filipino\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Num territ\u00f3rio com 300 quil\u00f3metros, onde os primeiros trabalhos eram \u201cde primeira evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, o mission\u00e1rio recorda que realizou aquilo que procurou ser quando decidiu ser padre: \u201cEstar no meio do povo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPoder\u00edamos considerar aquela regi\u00e3o como primeira evangeliza\u00e7\u00e3o. Encontramos uma f\u00e9 bem forte. Admirava os catequistas, crist\u00e3os, que viviam a sua f\u00e9 n\u00e3o olhando \u00e0s dificuldades. As pessoas andavam dezenas de quil\u00f3metros a p\u00e9 para participar nos encontros e na eucaristia, que se celebrava duas ou tr\u00eas vezes por ano\u201d, recorda.<\/p>\n<p>No primeiro ano em Angola, a guerra n\u00e3o chegou aos locais por onde andou, mas foi-se aproximando com \u201cataques e minas\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>Lembro-me de participar num funeral com mais de 10 caix\u00f5es de pessoas que morreram num ataque, com a mina a cair dentro de um cami\u00e3o. N\u00e3o conseguimos fazer as ora\u00e7\u00f5es porque os militares come\u00e7aram a disparar e n\u00f3s ficamos deitados no ch\u00e3o. Foram momentos fortes\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em Quifangondo, mais perto de Luanda, onde o padre Andrzej permaneceu mais tempo, foi poss\u00edvel apostar em escolas, construir um centro de sa\u00fade e ter uma equipa que se encarregasse dos trabalhos, libertando o mission\u00e1rio para trabalhar na leprosaria.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhei a fazer os curativos, precisava disto. S\u00e3o doentes especiais que n\u00e3o t\u00eam capacidade de se mover, alguns sem pernas, cortados por causa do avan\u00e7o da lepra. Trabalhamos numa casa que at\u00e9 dava medo de trabalhar l\u00e1. Surgiu uma oportunidade de contactar com a C\u00e1ritas de Fran\u00e7a e recebemos financiamento para desenvolver um local apropriado\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Mas a medalha de m\u00e9rito mission\u00e1rio, assume o padre Andrzej, deve-se \u00e0 Clinica de S\u00e3o Lucas, um local que hoje atende mais de 25 mil pessoas por ano, mas que come\u00e7ou \u201cum quarto onde estavam 70 pessoas, juntas, a transpirar, nestas condi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O padre Andrzej regressou a Portugal em 2013 e atualmente \u00e9 p\u00e1roco no Prior Velho, nos arredores de Lisboa, onde procura \u201cainda\u201d inserir-se na cultura europeia.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o aceitei 100% viver na estrutura europeia. H\u00e1 muita coisa que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. Temos rel\u00f3gios e telem\u00f3veis que atrapalham. Est\u00e1 tudo marcado pelo tempo mas estamos a perder tempo procurando o tempo\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>A conversa com o mission\u00e1rio verbita Andrzej Fecko pode ser acompanhada esta madrugada, depois da meia-noite, no programa Ecclesia na Antena 1 da r\u00e1dio p\u00fablica, ficando dispon\u00edvel no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medalha de m\u00e9rito mission\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal da Pol\u00f3nia reconheceu 32 anos de trabalho em Angola, constru\u00e7\u00e3o social e pastoral, concretizando o sonho de miss\u00e3o \u2013 \u00abEstar junto do 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