{"id":26292,"date":"2007-08-07T17:21:31","date_gmt":"2007-08-07T17:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/07\/um-caminho-de-conversao\/"},"modified":"2007-08-07T17:21:31","modified_gmt":"2007-08-07T17:21:31","slug":"um-caminho-de-conversao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-caminho-de-conversao\/","title":{"rendered":"Um caminho de convers\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O caminho \u00e9 uma palavra que todos os dias cruza a vida da humanidade. Aparece em todas as culturas a evocar o mais profundo da humanidade. O caminho representa o ser mais verdadeiro do homem e da mulher.  O caminho que se apresenta \u00e9 um caminho de liberdade, de decis\u00e3o &#8211; \u00e9 assim que a vida se concretiza.   Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, incont\u00e1veis foram as pessoas que se puseram a  caminho. Crentes e n\u00e3o crentes, pessoas de todas as idades e condi\u00e7\u00f5es sociais, sentiram necessidade de fazer a experi\u00eancia do caminho. Para v\u00e1rios locais, seguindo diferentes caminhos, se faz um percurso. Mas peregrinar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ir a um lugar especial. \u00c9 uma viagem de quem quer fazer uma descoberta, um itiner\u00e1rio espiritual.  \u201cQuisemos peregrinar com um objectivo e com base em algo\u201d, adianta o Pe. Ant\u00f3nio Machado, p\u00e1roco de Vale de S\u00e3o Martinho, em Vila Nova de Famalic\u00e3o a coordenar um grupo de 18 pessoas destinadas a Santiago de Compostela.  Uma experi\u00eancia que surge a partir de outras anteriores. Esta \u00e9 a quarta vez que o Pe. Ant\u00f3nio Machado se p\u00f5e a caminho de Compostela em peregrina\u00e7\u00e3o.   \u201cA pedido de muitos dos que comp\u00f5em o grupo, e que est\u00e3o a caminho de Santiago, surgiu um grupo, pequeno. Outros pr\u00f3ximos se foram juntando e surgiu assim espontaneamente se chegou a 18 pessoas\u201d, relembra.  As proveni\u00eancias sejam diversas &#8211; Esposende, Vila Nova de Famalic\u00e3o, Braga e Viseu. \u00c0s diferentes origens se juntam as diferen\u00e7as na participa\u00e7\u00e3o em Igreja &#8211; \u201cos peregrinos t\u00eam j\u00e1 um caminho de participa\u00e7\u00e3o em movimentos eclesiais como o escutismo, o Movimento Shalom, a Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, s\u00e3o catequistas tamb\u00e9m\u201d, explica.  <b>Ir \u00e0s origens<\/b> Por isso sem retic\u00eancias o respons\u00e1vel pelo grupo assume que \u201ca primeira motiva\u00e7\u00e3o nesta peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 a f\u00e9\u201d. A ela se juntam outras por acr\u00e9scimo, nomeadamente \u201ca comunh\u00e3o com a natureza, o contacto com a cultura e a arte\u201d, mas a f\u00e9 surgiu naturalmente, \u201cn\u00e3o foi um requisito imposto ao grupo, mas \u00e9 assumido por todos\u201d.  Da\u00ed que os 18 se juntem em momentos de ora\u00e7\u00e3o de manh\u00e3 e ao final do dia, tenha planeadas celebra\u00e7\u00f5es eucaristias para dois dias do caminho, assim como reflex\u00f5es que v\u00e3o orientando os dias, dispon\u00edveis no gui\u00e3o.   As motiva\u00e7\u00f5es de f\u00e9 facilmente se percebem nas pessoas. \u201cEste ano, a motiva\u00e7\u00e3o de f\u00e9 \u00e9 muito clara\u201d. Motiva\u00e7\u00f5es diversas h\u00e1 sempre, \u201ccada um tens as suas e s\u00e3o \u00edntimas, mas na base est\u00e1 a f\u00e9\u201d. O encontro com Cristo une as pessoas, porque como explica o organizador da peregrina\u00e7\u00e3o \u201cir ao t\u00famulo n\u00e3o \u00e9 pelas ossadas ou pelos eventuais restos mortais que ali estejam, \u00e9 antes ir \u00e0 origem da pr\u00f3pria Igreja. Ir ao t\u00famulo do ap\u00f3stolo assume o significado de ir \u00e0s origens\u201d, apesar da rica simbologia dos t\u00famulos dos crist\u00e3os.  O Pe. Ant\u00f3nio Machado, a repetir a experi\u00eancia pela quarta vez, relembra o contacto com alguns que iniciaram o percurso por raz\u00f5es culturais, \u201coutros que n\u00e3o sabem bem porqu\u00ea, mas deixam-se cativar\u201d. Por mais variadas motiva\u00e7\u00f5es \u201cv\u00e1lidas humanamente, os peregrinos acabam por ter um encontro com Deus\u201d. Come\u00e7ando como turistas, \u201cacabam por se tornar peregrinos\u201d.   <b>Um livro por escrever<\/b> A n\u00edvel pessoal \u201c\u00e9 uma experi\u00eancia exigente\u201d, afirma o Pe. Ant\u00f3nio Machado, \u201cf\u00edsica e emocional\u201d. As pessoas que acompanha tamb\u00e9m o solicitam espiritualmente. Uma exig\u00eancia f\u00edsica e emocional de doa\u00e7\u00e3o mas \u201conde tamb\u00e9m recebo muito. Se eu escrevesse hist\u00f3rias de peregrinos j\u00e1 teria um grande patrim\u00f3nio de gente que tem feito este percurso\u201d.  Em 1989 o Pe. Machado, ent\u00e3o p\u00e1roco de Vila Verde, punha-se a caminho com cerca de 20 peregrinos pela primeira vez. Naquela altura \u201cera tudo muito diferente\u201d.  Recorda a experi\u00eancia apesar da inexperi\u00eancia. \u201cFoi muito volunt\u00e1rio e um pouco de qualquer maneira\u201d, relembra. Na altura com \u201cmuito menos sinaliza\u00e7\u00e3o\u201d, iniciaram o trajecto em Vila Verde e fizeram o percurso em 12 dias. Sem albergues seguiam sem conhecer nada e pediam dormida nas par\u00f3quias ou em casas de agricultores. \u201c\u00c9ramos bem acolhidos\u201d.   O caminho foi depois sofrendo mudan\u00e7as com o aumento dos peregrinos e da procura de acolhimento. Recorda a experi\u00eancia como \u201cselvagem\u201d e porque enquanto peregrina\u00e7\u00e3o havia despojamento. \u201cEm 20 anos muita coisa muda. Hoje as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes\u201d.   Peregrinar, na altura, era feito a F\u00e1tima quase em exclusivo. O Pe. Ant\u00f3nio Machado recorda que foi com as Jornadas Mundiais da Juventude em Santiago de Compostela com o ent\u00e3o Papa Jo\u00e3o Paulo II. Foi a partir da sua participa\u00e7\u00e3o nas JMJ que \u201cconstatei as pessoas que vinham a Santiago\u201d.   Menos sinaliza\u00e7\u00e3o, \u201cn\u00e3o t\u00ednhamos carro de apoio, lev\u00e1vamos tudo \u00e0s costas\u201d, s\u00e3o factos que recorda e o ajudam a contextualizar uma experi\u00eancia \u201crica e feita com muito entusiasmo\u201d. E recorda que essa experi\u00eancia em 1989 \u201cmarcou os jovens\u201d na altura. Sublinha a grande generosidade por parte das pessoas h\u00e1 20 anos. Sem saber porqu\u00ea \u201cn\u00e3o se fez mais\u201d, mas esta caminhada ficou-lhe nas recorda\u00e7\u00f5es.   <b>Um caminho de convers\u00e3o<\/b> Hist\u00f3rias s\u00e3o muitas. O p\u00e1roco de S\u00e3o Martinho do Vale recorda em especial um jovem com quem se cruzou numa das peregrina\u00e7\u00f5es. \u201cNum albergue no Porri\u00f1o ele juntou-se ao grupo\u201d. Recorda que o rapaz a fazer o percurso sozinho afirmava-se agn\u00f3stico e \u201ccom uma grande crise de f\u00e9. Estava desorientado na vida\u201d, recorda.   Foi percebendo que o grupo do Pe. Ant\u00f3nio Machado da altura, rezava e celebrava a eucaristia. Foi-se aproximando ao ponto de se juntar e fazer o caminho em conjunto. \u201cSei que hoje ele reencontrou a f\u00e9 e sente-se feliz\u201d. O p\u00e1roco de S\u00e3o Martinho do Vale acredita que o caminho \u201cnesse ano deu-lhe a volta \u00e0 vida, sendo in\u00edcio de uma mudan\u00e7a\u201d.   O caminho de Santiago \u00e9 sobretudo \u201cum percurso de convers\u00e3o\u201d. O peregrinar de um crist\u00e3o \u00e9 um percurso de transforma\u00e7\u00e3o interior. Quando se caminha sozinho ou acompanhado \u201cvamos reflectindo, longe da nossa vida do dia a dia, estamos mais despojados, mais abertos e dispon\u00edveis\u201d. O cansa\u00e7o tamb\u00e9m ajuda a tornar \u201cmais humildes e mais abertos a Deus\u201d.   <b>Projecto de evangeliza\u00e7\u00e3o<\/b> Por tudo isto vale a pena congregar as pessoas em torno do caminho. \u201cIncentivo as pessoas a organizarem-se nas par\u00f3quias\u201d. E adianta mesmo que se devia \u201caproveitar o que j\u00e1 se faz, as caminhadas a S\u00e3o Bento da Porta Aberta, ao Sameiro, a Santiago e valorizar essas iniciativas, dando conte\u00fado e com melhor organiza\u00e7\u00e3o. \u201cAliando um tema, refor\u00e7ando a componente espiritual e pastoral, esta pode ser uma verdadeira catequese e uma boa forma de evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, explica o Pe. Ant\u00f3nio Machado.  As peregrina\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o recentes, apesar de alguma moda que possam ter ganho recentemente. \u201cMas h\u00e1 um peregrinar crist\u00e3o, que podemos aproveitar melhor e direccionar o que j\u00e1 existe e j\u00e1 se faz\u201d.  Uma peregrina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o escolhe idades, pois jovens e adultos deixam-se seduzir pelos trilhos do caminho.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caminho \u00e9 uma palavra que todos os dias cruza a vida da humanidade. Aparece em todas as culturas a evocar o mais profundo da humanidade. O caminho representa o ser mais verdadeiro do homem e da mulher. 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