{"id":26291,"date":"2007-08-07T17:21:13","date_gmt":"2007-08-07T17:21:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/07\/erguer-a-voz-para-salvar-o-darfur\/"},"modified":"2007-08-07T17:21:13","modified_gmt":"2007-08-07T17:21:13","slug":"erguer-a-voz-para-salvar-o-darfur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/erguer-a-voz-para-salvar-o-darfur\/","title":{"rendered":"Erguer a voz para salvar o Darfur"},"content":{"rendered":"<p>ONG\u2019s apresentam Campanha para que o genoc\u00eddio na regi\u00e3o sudanesa n\u00e3o seja esquecido pela comunidade internacional <!--more--> O genoc\u00eddio contra a popula\u00e7\u00e3o negra da regi\u00e3o sudanesa do Darfur levou uma plataforma de ONG\u2019s nacionais a apresentar esta Ter\u00e7a-feira, em Lisboa, a primeira campanha portuguesa por esta causa.  O mote destas organiza\u00e7\u00f5es, apresentado em confer\u00eancia de imprensa no Clube de Jornalistas, \u00e9 claro: &#8220;O sil\u00eancio mata, mas a tua voz salva&#8221;. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;semear a esperan\u00e7a&#8221;, procurando dar a conhecer o conflito, acelerar a coloca\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de paz no terreno e promover uma peti\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia pelo Darfur.  Esta peti\u00e7\u00e3o, dirigida \u00e0 presid\u00eancia portuguesa da UE, exige que o drama humano nesta regi\u00e3o seja &#8220;assumido como prioridade na agenda da Cimeira Europa-\u00c1frica&#8221;, a realizar este ano no nosso pa\u00eds. Os signat\u00e1rios pedem ainda um acordo global para a paz e o fim da impunidade dos respons\u00e1veis &#8220;pelos crimes de guerra e pelos crimes contra a humanidade no Darfur&#8221;.  Perante a maior crise humana da actualidade, v\u00e1rias iniciativas ser\u00e3o promovidas no nosso pa\u00eds para que a indiferen\u00e7a n\u00e3o prolongue o sofrimento destas popula\u00e7\u00f5es, numa regi\u00e3o seis vezes maior do que a Fran\u00e7a.  Assassinatos, viola\u00e7\u00f5es e tortura marcam o dia-a-dia dos Fur, tribo sedent\u00e1ria dominante no sudoeste sudan\u00eas. Tropas de Cartum, volunt\u00e1rios da L\u00edbia e do Ir\u00e3o foram mobilizados em 2003 para o Darfur (em \u00e1rabe, &#8220;terra dos Fur&#8221;), dando in\u00edcio ao massacre.  As povoa\u00e7\u00f5es est\u00e3o completamente desertas, com as popula\u00e7\u00f5es a amontarem-se nos acampamentos, onde trabalham cerca de 14 mil volunt\u00e1rios de organiza\u00e7\u00f5es internacionais.  Apesar da protec\u00e7\u00e3o da ONU estes acampamentos s\u00e3o atacados pelos mercen\u00e1rios \u00e1rabes ao servi\u00e7o do governo sudan\u00eas, os Janjaweed. Registam-se constantemente casos de assassinatos e viola\u00e7\u00f5es: no Clube de Jornalistas, local onde decorreu a confer\u00eancia de imprensa, era poss\u00edvel ver o desenho de uma crian\u00e7a do Darfur, que mostrava mulheres em fuga, viola\u00e7\u00f5es e o camelo dos &#8220;guerreiros do Isl\u00e3o&#8221;, que perseguem a popula\u00e7\u00e3o negra.  Em apenas cinco anos, morreram ali, v\u00edtimas da guerra, da fome ou da doen\u00e7a pelo menos 200 mil pessoas \u2013 os piores progn\u00f3sticos apontam para cerca de meio milh\u00e3o de pessoas.  Calcula-se que pelo menos 2,3 milh\u00f5es tenham sido obrigadas a deixar as suas casas e a procurar ref\u00fagio em campos onde est\u00e3o totalmente dependentes das Na\u00e7\u00f5es Unidas e organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. Todos os dias morrem pessoas, a maior parte das quais crian\u00e7as. O conflito internacionalizou-se, passou as fronteiras do Sud\u00e3o, para o Chade e Rep\u00fablica Centro-Africana (RCA), onde as popula\u00e7\u00f5es negras do Darfur procuravam fugir ao conflito.  A campanha por Darfur (www.pordargur.org) \u00e9 organizada pela rec\u00e9m-criada &#8220;Plataforma por \u00c1frica&#8221; dinamizada pelos Mission\u00e1rios Combonianos, a Amnistia Internacional, a Africa-Europe Faith and Justice Network, a Funda\u00e7\u00e3o Gon\u00e7alo da Silveira e a Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz dos Religiosos, com a participa\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz.  <b>Mission\u00e1rios portugueses<\/b> Zinat Abdu, de 3 anos, diz que a casa onde vive agora \u00e9 muito pobre comparada com aquela em que viva em Bulbul e que no campo de refugiados de Kalma n\u00e3o tem ovelhas nem cabras para guardar e brincar&#8230; nem leite. O testemunho foi  recolhido pelo Pe. Feliz da Costa, \u00fanico mission\u00e1rio portugu\u00eas no Darfur.  O Pe. Jos\u00e9 Vieira, mission\u00e1rio Comboniano, jornalista e director de informa\u00e7\u00e3o de uma cadeia de r\u00e1dios no Sud\u00e3o, denuncia o projecto de &#8220;arabizar&#8221; a regi\u00e3o, violando &#8220;sistematicamente os Direitos Humanos das popula\u00e7\u00f5es do Darfur.  O religioso, que tem permanecido em permanente liga\u00e7\u00e3o com os portugueses no terreno, considera os campos de refugiados como verdadeiros &#8220;campos de concentra\u00e7\u00e3o&#8221;, onde falta \u00e1gua e lenha.   &#8220;O governo sudan\u00eas \u00e9 perito em arranjar acordos e arranjar maneira de os repudiar, em seguida, s\u00e3o especialistas em dizer e desdizer&#8221;, aponta. Por isso, sa\u00fada a resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas que estabelece uma for\u00e7a h\u00edbrida de paz ONU\/Uni\u00e3o Africana.  Por outro lado, indica que o problema n\u00e3o \u00e9 apenas militar, exigindo uma &#8220;solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;. A campanha agora lan\u00e7ada, assinala o Pe. Jos\u00e9 Vieira, deve ajudar a que a comunidade internacional &#8220;mantenha uma press\u00e3o forte&#8221; sobre o governo do Sud\u00e3o.  &#8220;O que se passa no Darfur diz respeito a todos, nesta era da globaliza\u00e7\u00e3o, e o grito dos desenhos das crian\u00e7as tem de encontrar eco de n\u00f3s&#8221;, concluiu.  A Ir. Nat\u00e1lia Gomes, mission\u00e1ria Comboniana que passou 12 anos no Sud\u00e3o, acompanhou de perto as situa\u00e7\u00f5es das pessoas deslocadas por for\u00e7a dos conflitos armados. Conhece de perto os dramas humanos com que se debatem os refugiados.  Em 1990 esteve com os refugiados junto da fronteira com a RCA, confessando que &#8220;a trag\u00e9dia de deixar tudo&#8221; marca profundamente as pessoas que s\u00e3o obrigadas a partir. A fome, a falta de medicamentos, as doen\u00e7as s\u00e3o presen\u00e7a constante na solid\u00e3o dos campos de refugiados.  Esta religiosa lembrou que Sud\u00e3o significa, em \u00e1rabe, &#8220;negro&#8221;, mas hoje os africanos s\u00e3o perseguidos em &#8220;todo o pa\u00eds&#8221;.  Victor Nogueira, comentador da RDP \u00c1frica para os Direitos Humanos e membro da Amnistia Internacional, criticou a &#8220;hipocrisia da Liga \u00c1rabe&#8221; que se tem oposto a todos os esfor\u00e7os para levar a cabo alguma interven\u00e7\u00e3o internacional, bem como os &#8220;interesses econ\u00f3micos&#8221; que se sobrep\u00f5em aos interesses da popula\u00e7\u00e3o, como no caso da China e de petrol\u00edferas norte-americanas.  A campanha conta com o apoio da Miss\u00e3oPress (associa\u00e7\u00e3o da imprensa mission\u00e1ria), da TESE (projectos de apoio ao desenvolvimento), da C\u00e1ritas Portuguesa (ajuda de emerg\u00eancia), estando aberta \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de toda a sociedade civil portuguesa.  Filipe Pedrosa, secret\u00e1rio da Campanha por Darfur, lamentou a &#8220;pouca sensibilidade&#8221; que existe no nosso pa\u00eds para esta quest\u00e3o, apesar das iniciativas j\u00e1 realizadas e a realizar pela Amnistia Internacional e a Miss\u00e3oPress.  O primeiro objectivo da campanha passa, por isso, por &#8220;sensibilizar a sociedade portuguesa&#8221;. Em Setembro, quando a ONU reunir para definir a operacionaliza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de paz (resolu\u00e7\u00e3o 1769 do Conselho de Seguran\u00e7a), est\u00e3o a ser organizadas uma s\u00e9rie de iniciativas, no dia 16, a n\u00edvel internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ONG\u2019s apresentam Campanha para que o genoc\u00eddio na regi\u00e3o sudanesa n\u00e3o seja esquecido pela comunidade internacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[101,105,125,136,154,168,189,203,266,291],"class_list":["post-26291","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-africa","tag-amnistia-internacional","tag-caritas","tag-combonianos","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-nacoes-unidas","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26291\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}