{"id":26216,"date":"2007-08-03T10:59:15","date_gmt":"2007-08-03T10:59:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/03\/festas-religiosas-populares-2\/"},"modified":"2007-08-03T10:59:15","modified_gmt":"2007-08-03T10:59:15","slug":"festas-religiosas-populares-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festas-religiosas-populares-2\/","title":{"rendered":"Festas Religiosas Populares"},"content":{"rendered":"<p>No Alentejo, tal como acontece um pouco por todo o Pa\u00eds, repetem-se nestes meses de Ver\u00e3o as Festas Religiosas Populares.  Desde cidades, a vilas e aldeias, o povo mobiliza-se na promo\u00e7\u00e3o de festividades em honra dos patronos das suas terras e comunidades, que num misto de profano e de sagrado expressam a sua cultura e a sua religiosidade.  A organiza\u00e7\u00e3o das festas inclui normalmente as comunidades paroquiais, constitu\u00eddas pelos seus p\u00e1rocos, consagrados e leigos, em colabora\u00e7\u00e3o com a sociedade civil de que a Igreja faz tamb\u00e9m parte, C\u00e2maras, Juntas de Freguesia, associa\u00e7\u00f5es, colectividades, grupos ou entidades particulares, voltam a animar as localidades com as Festas de Ver\u00e3o que movimentam multid\u00f5es.  Segundo o Pe. Augusto Silva, soci\u00f3logo e estudioso deste tipo de fen\u00f3menos, \u201ccada actividade tem as suas motiva\u00e7\u00f5es\u201d. Portanto, a ades\u00e3o a uma religi\u00e3o e \u00e0 sua pr\u00e1tica tamb\u00e9m t\u00eam \u201cmotiva\u00e7\u00f5es que podem ser: bio-cosmol\u00f3gicas; s\u00f3cio-culturais; s\u00f3cio-religiosas; de salva\u00e7\u00e3o eterna; de transforma\u00e7\u00e3o espiritual.\u201d  A motiva\u00e7\u00e3o s\u00f3cio -cultural \u00e9 caracter\u00edstica da motiva\u00e7\u00e3o popular e \u201cpretende preservar os valores da sociedade e da cultura. Nestas circunst\u00e2ncias, a pr\u00e1tica imp\u00f5e-se como uma heran\u00e7a tradicional, como lugar de encontro e de conv\u00edvio. Da\u00ed que se d\u00ea especial import\u00e2ncia \u00e0 festa local, \u00e0s peregrina\u00e7\u00f5es, \u00e0s prociss\u00f5es e \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de massa\u201d, explica o Pe. Augusto Silva.  Ao falar-se de religi\u00e3o devem ter-se em conta quatro elementos: ideol\u00f3gicos; culto; organiza\u00e7\u00f5es; comportamentos morais. \u201cA religi\u00e3o pode definir-se de uma forma geral como \u201csistema de cren\u00e7as e pr\u00e1ticas relativamente a entidades meta emp\u00edricas aos quais os homens prestam culto, organizando-se e que isso tem implica\u00e7\u00f5es no seu projecto de vida\u201d, aponta o Pe. Augusto Silva. A religiosa popular, segundo o Pe. Augusto Silva, \u201ctrata-se de express\u00f5es simples, de f\u00e1cil relacionamento entre os s\u00edmbolos e os conte\u00fados subjacentes, que respondem a qualquer coisa de profundo e unit\u00e1rio no homem.\u201d Na religiosa popular, as cren\u00e7as tendem a ter \u201cuma vis\u00e3o natural de Deus, uma incompreens\u00e3o do sagrado, e uma tend\u00eancia a dar muita import\u00e2ncia \u00e0 figura e fun\u00e7\u00e3o dos Santos\u201d, e o culto \u201cprivilegia o colectivo, o exterior e o espectacular\u201d, explica. \u201cA religiosidade popular pode-se definir, em sumo, como uma sub-cultura, um povo que est\u00e1 muito condicionado pela tradi\u00e7\u00e3o\u201d.  Em termos ideol\u00f3gicos, o Pe. Augusto Silva explica que na religiosidade popular \u201cexiste uma vis\u00e3o de Deus um tanto deturpada, vendo-se Deus como o poderoso e o justiceiro e n\u00e3o tanto o Deus da bondade e da miseric\u00f3rdia, ou seja, as pessoas tende a associar a Deus aquilo que v\u00eaem entre os homens\u201d, aponta. \u201cOs conte\u00fados s\u00e3o mais restritos, menos ricos e menos sofisticados, valorizando-se aspectos que n\u00e3o s\u00e3o essenciais como o culto dos mortos e dos santos, porque se referem a pessoas que viveram neste mundo, que tiveram as dificuldades que todos temos\u201d  No que respeita ao culto, na religiosidade popular, \u201co contacto com o sobrenatural exige uma express\u00e3o que se verifica n\u00e3o apenas no quotidiano, nas idas \u00e0 missa, mas tamb\u00e9m nas prociss\u00f5es, nas promessas, nas penit\u00eancias, nas peregrina\u00e7\u00f5es, nas express\u00f5es ruidosas\u201d, sublinha o Pe. Augusto Silva. \u201cNa religiosidade popular tamb\u00e9m se verifica a sacraliza\u00e7\u00e3o de tempos e de lugares, como vemos nos santu\u00e1rios que s\u00e3o cada vez mais valorizados, com o crescente n\u00famero de peregrina\u00e7\u00f5es. O fen\u00f3meno das promessas, em que h\u00e1 uma esp\u00e9cie de pacto com o sobrenatural, tamb\u00e9m s\u00e3o express\u00f5es de culto na religiosidade popular\u201d, explica.  \u201cO tempo de Ver\u00e3o \u00e9 prop\u00edcio para a religiosidade popular, onde se expressa o santo da terra, porque \u00e9 a ocasi\u00e3o em que a comunidade se pode reunir, pelas f\u00e9rias, pela vinda dos emigrantes. Em suma, a religiosidade popular \u00e9 tamb\u00e9m um factor de integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, em que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as de classes\u201d, aponta o sacerdote jesu\u00edta. \u201cAs festas s\u00e3o ocasi\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o porque t\u00eam que ser preparadas, t\u00eam que existir comiss\u00f5es, trabalho em comum. E tamb\u00e9m se verifica at\u00e9 a integra\u00e7\u00e3o dos jovens, porque h\u00e1 trabalho para fazer e todos s\u00e3o necess\u00e1rios\u201d, sublinha. \u201cOs foguetes, as quermesses, entre outros, s\u00e3o s\u00edmbolos de uma perten\u00e7a \u00e0quela comunidade, que tem um determinado patrono\u201d, explica, justificando o factor de integra\u00e7\u00e3o que as festas religiosas populares assumem.  Normalmente os cartazes das festas religiosas populares revelam um misto entre o sagrado e o profano. Para o Pe. Augusto Silva essa mistura \u201c\u00e9 uma forma de atrac\u00e7\u00e3o e de sedu\u00e7\u00e3o de pessoas de fora.\u201d \u201cVerificamos que muitas vezes certas manifesta\u00e7\u00f5es, como prociss\u00f5es ou determinadas celebra\u00e7\u00f5es atraem muita gente, mas outras nem tanto. Por isso, com um cartaz que anuncia outras actividades, podem chamar pessoas \u00e0quela terra que acabam por assistir \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es religiosas tamb\u00e9m\u201d, explica.  <i>Pedro Miguel Concei\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Alentejo, tal como acontece um pouco por todo o Pa\u00eds, repetem-se nestes meses de Ver\u00e3o as Festas Religiosas Populares. 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