{"id":261945,"date":"2022-11-27T09:30:19","date_gmt":"2022-11-27T09:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=261945"},"modified":"2022-11-27T00:54:58","modified_gmt":"2022-11-27T00:54:58","slug":"temos-de-normalizar-a-discussao-acerca-da-violencia-joao-belchior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/temos-de-normalizar-a-discussao-acerca-da-violencia-joao-belchior\/","title":{"rendered":"\u00abTemos de normalizar a discuss\u00e3o acerca da viol\u00eancia\u00bb &#8211; Jo\u00e3o Belchior"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O diretor do Departamento de Interven\u00e7\u00e3o Social da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia do Porto afirma as solu\u00e7\u00f5es para as quest\u00f5es da viol\u00eancia, nomeadamente dom\u00e9stica, \u201ct\u00eam de ser educativas e considera a justi\u00e7a \u00ab\u00e9 excessivamente branda\u00bb para com o agressor, que deve ser \u00abdevidamente penalizado e reabilitado\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_261943\" aria-describedby=\"caption-attachment-261943\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-261943\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-261943\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Nos dias 25 e 26 no teatro Rivoli esteve em palco a opera &#8220;Lugar-Comum&#8221;. Fale-nos um pouco deste projeto\u2026. O que se apresentou em palco resulta das experi\u00eancias que a Santa Casa testemunhou? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0A Santa Casa da M\u00fasica do Porto tem uma larga experi\u00eancia de interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Temos uma casa abrigo, a Casa de Santo Ant\u00f3nio h\u00e1 mais de 20 anos, que \u00e9 tamb\u00e9m ela o resultado de uma resposta secular que a Miseric\u00f3rdia do Porto tinha antes e que, entretanto, foi reconvertida. E temos tido uma interven\u00e7\u00e3o mais de fim de linha, enquanto acolhimento de v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. E temos sentido a necessidade de intervir antes desse fim de linha, numa perspetiva mais de sensibiliza\u00e7\u00e3o e de preven\u00e7\u00e3o. E este projeto, mudando o que tem que ser mudado, do qual a opera &#8220;Lugar-Comum&#8221; \u00e9 o resultado final, foi esta tentativa de n\u00f3s come\u00e7armos a trabalhar outras vertentes, neste cariz mais preventivo de que de que falava\u2026. Isto por um lado. Por outro, tamb\u00e9m tent\u00e1mos associar duas realidades que normalmente n\u00e3o est\u00e3o de m\u00e3os dadas t\u00e3o regularmente, como \u00e9 a componente art\u00edstica enquanto instrumento de interven\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Miseric\u00f3rdia do Porto tem tamb\u00e9m, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, desenvolvido alguns projetos de cariz art\u00edstico e tent\u00e1mos juntar aqui estes dois elementos. O que \u00e9 que n\u00f3s pretend\u00edamos? Ou o que \u00e9 que n\u00f3s pretendemos? Que a \u00f3pera servisse de provoca\u00e7\u00e3o e de devolu\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade acerca do papel que cada um de n\u00f3s tem na preven\u00e7\u00e3o deste fen\u00f3meno.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E colocar em palco esta causa acaba por ser uma grande ajuda para falar sobre o problema e para eliminar este fen\u00f3meno, que continua a querer esconder-se, seja por parte das v\u00edtimas, dos agressores e de toda a sociedade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acreditamos que sim. Acreditamos que s\u00f3 falando abertamente, s\u00f3 tornando este fen\u00f3meno o mais vis\u00edvel poss\u00edvel &#8211; porque infelizmente tem sido invis\u00edvel durante muito tempo e continua a s\u00ea-lo de certa forma &#8211; s\u00f3 o tornando vis\u00edvel \u00e9 que poderemos realmente intervir com maior objetividade e com maior intencionalidade e com maior naturalidade. Algo que tamb\u00e9m nos parece que \u00e9 relevante. E, portanto, esta foi esta tentativa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu gostava de sublinhar, se me permitem, que \u00e9 t\u00e3o relevante como a \u00f3pera, como este produto final, foi o processo de constru\u00e7\u00e3o da mesma. Este processo consistiu em 25 miniprojectos, onde envolvemos mais de 200 pessoas, das mais variadas \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o social e de sa\u00fade da Miseric\u00f3rdia do Porto, naquilo que n\u00f3s chamamos nove palcos improv\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, envolvemos os seniores dos nossos lares de idosos, envolvemos pessoas com defici\u00eancia, envolvemos mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, pessoas com algum tipo de patologia a n\u00edvel da sa\u00fade mental e desenvolvemos 25 miniprojectos, conjugando o trabalho t\u00e9cnico de psic\u00f3logos e de artistas pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como referiu, a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia do Porto tem uma casa de acolhimento h\u00e1 cerca de 20 anos. Nesta altura, quantas mulheres est\u00e3o nesta casa? E que hist\u00f3ria mais relevante nos pode revelar destas pessoas?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lamentavelmente, a Casa de Santo Ant\u00f3nio est\u00e1 sempre lotada. A nossa capacidade \u00e9 de 15 mulheres, entre mulheres e crian\u00e7as. A utiliza\u00e7\u00e3o m\u00e9dia s\u00e3o cerca de oito mulheres e sete crian\u00e7as. Portanto, normalmente temos sempre m\u00e3es com filhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As hist\u00f3rias t\u00eam sempre elementos comuns. Portanto, estamos a falar aqui de situa\u00e7\u00f5es de fim de linha, situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia acumulada h\u00e1 j\u00e1 v\u00e1rios anos e de mulheres que est\u00e3o no seu limite.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Ou seja, se houvesse maior lota\u00e7\u00e3o, mais pessoas poderiam estar nessa casa?\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lamentavelmente, n\u00f3s encher\u00edamos outra casa-abrigo com facilidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E de que forma \u00e9 que s\u00e3o sinalizados estes casos? Como chegam \u00e0 Santa Casa da Miseric\u00f3rdia do Porto?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A casa de Santo Ant\u00f3nio faz parte da Rede Nacional de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher V\u00edtima de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica. Os casos s\u00e3o sempre encaminhados pelos servi\u00e7os de primeira linha, devidamente identificados. Pela APAV (Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Apoio \u00e0 V\u00edtima), pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a e o encaminhamento \u00e9 sempre feito por esta via. Tudo est\u00e1 devidamente estandardizado e protocolado. E o que tamb\u00e9m vos posso dizer \u00e9 que, mal h\u00e1 uma autonomia, no dia a seguir esta vaga est\u00e1 a ser novamente preenchida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Os n\u00fameros, infelizmente v\u00e3o crescendo e permanecem nas estat\u00edsticas. O que \u00e9 que estes n\u00fameros dizem da nossa sociedade, das v\u00edtimas que v\u00e3o acontecendo todos os anos? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estes n\u00fameros refletem uma matriz de realidade, como penso que \u00e9 partilhado por todos. Refletem um longo trabalho que ainda h\u00e1 a ser desenvolvido. N\u00f3s n\u00e3o poderemos considerarmo-nos um pa\u00eds civilizado enquanto tivermos a necessidade de colocar mulheres e crian\u00e7as num processo de clandestinidade para fugir de um agressor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ainda por cima, este sistema que n\u00f3s temos desenvolvido de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 altamente penalizador, \u00e9 altamente re-vitimizador. Entendendo-se a pragmaticidade da necessidade de retirar a mulher do contexto violento, reparem no qu\u00e3o violento tamb\u00e9m \u00e9 ter de sair de casa, com basicamente aquilo que puderem trazer nas m\u00e3os e serem deslocadas para uma outra zona do pa\u00eds e em clandestinidade: a senhora vai estar agora aqui, com os seus filhos num per\u00edodo de seis meses, ou eventualmente a um ano, vamos ajud\u00e1-la a come\u00e7ar de novo. Quem \u00e9 que quer come\u00e7ar de novo aos 40 anos? Numa outra zona geogr\u00e1fica, onde n\u00e3o tem uma rede de suporte onde n\u00e3o tem o apoio necess\u00e1rio?&#8230;.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas foram pensadas outras solu\u00e7\u00f5es? Haver\u00e1 hip\u00f3tese de outras solu\u00e7\u00f5es? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 outras solu\u00e7\u00f5es. Penso que estamos num momento interessante da nossa matura\u00e7\u00e3o do sistema de apoio \u00e0 v\u00edtima. Nem todas as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica necessitam desta clandestinidade. Nem todas as casas abrigo necessitariam de ser sigilosas. Poder\u00e3o, e atrever-me-ia a dizer, dever\u00e3o ser encontradas outras solu\u00e7\u00f5es que passem por respostas mais comunit\u00e1rias. E tamb\u00e9m a interven\u00e7\u00e3o com o agressor ser mais intencional.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s centramos muito a interven\u00e7\u00e3o na mulher v\u00edtima de viol\u00eancia e ainda muito pouco no agressor. Enquanto o agressor n\u00e3o for devidamente penalizado, devidamente reabilitado, o nosso sistema vai continuar a ser muito deficit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A viol\u00eancia \u00e9 resultado de toda uma educa\u00e7\u00e3o disfuncional que n\u00f3s vamos permitindo coletivamente tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Justi\u00e7a \u00e9 demasiado permissiva para com o agressor?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 excessivamente branda claramente. Ali\u00e1s v\u00eam a p\u00fablico de vez em quando, ou melhor: com muita frequ\u00eancia, as senten\u00e7as judiciais que s\u00e3o de lamentar. Portanto, enquanto formos brandos e enquanto n\u00e3o metermos realmente a colher entre marido e mulher, vamos continuar a ter problemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Para al\u00e9m dessa viol\u00eancia f\u00edsica, que comportamentos que agress\u00f5es verbais \u00e9 necess\u00e1rio sinalizar?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 dif\u00edcil responder a essa pergunta, porque a resposta ser\u00e1 longa. Mas fundamentalmente, sem querer fugir \u00e0 sua quest\u00e3o, eu diria que tem de ser estimulada uma cultura de respeito. E o desrespeito, a viol\u00eancia verbal, a amea\u00e7a \u00e9 t\u00e3o ou mais impactante que a viol\u00eancia f\u00edsica. Sem querer desvalorizar de forma alguma viol\u00eancia f\u00edsica, mas a componente f\u00edsica, dependendo da intensidade, acaba por ter um princ\u00edpio, meio e fim. A viol\u00eancia emocional \u00e9 mais insidiosa. Acaba por ser mais dif\u00edcil de definir e acaba por ter impactos mais irradiados. E, portanto, a cultura de respeito tem que ser estimulada e tem que ser efetivada. Portanto, a agress\u00e3o verbal n\u00e3o pode ser tolerada, n\u00e3o \u00e9 apenas a n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o conjugal&#8230; N\u00e3o pode ser tolerada nas escolas com as crian\u00e7as, n\u00e3o pode ser tolerada no nosso quotidiano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>No namoro?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Obviamente. Porque a viol\u00eancia em contexto dom\u00e9stico n\u00e3o surge \u2018per si\u2019, n\u00e3o surge naquele momento. \u00c9 o resultado de toda uma educa\u00e7\u00e3o disfuncional que n\u00f3s vamos permitindo coletivamente tamb\u00e9m.<\/p>\n<figure id=\"attachment_261942\" aria-describedby=\"caption-attachment-261942\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-261942\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Belchior.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-261942\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E que v\u00edtimas s\u00e3o tamb\u00e9m os filhos, jovens e crian\u00e7as que vivem em contexto de viol\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estamos a falar de v\u00edtimas diretas e indiretas. As crian\u00e7as, os filhos podem ser v\u00edtimas tamb\u00e9m diretas por parte do agressor, serem alvos diretos dessa viol\u00eancia, ou indiretos. Portanto, mesmo que a viol\u00eancia n\u00e3o seja endere\u00e7ada ao filho e seja endere\u00e7ada a m\u00e3e ou pai, acabam por n\u00e3o ter as compet\u00eancias necess\u00e1rias para poder processar emocionalmente tudo aquilo que veem e as consequ\u00eancias nos filhos s\u00e3o, na maior parte das situa\u00e7\u00f5es, altamente impactantes e traum\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, t\u00eam que ser tamb\u00e9m devidamente endere\u00e7adas e trabalhadas, porque poderemos estar aqui a falar de crian\u00e7as que v\u00e3o ter sequelas educacionais, v\u00e3o ter sequelas que depois se podem transformar tamb\u00e9m elas pr\u00f3prias em disfun\u00e7\u00e3o. Seja aprendendo a lidar com a agress\u00e3o enquanto comportamento normativo. Portanto, a agress\u00e3o faz parte dos padr\u00f5es normais de funcionamento e vai ela pr\u00f3pria tamb\u00e9m tornar-se aqui, de alguma forma, um agressor. Nem todas as crian\u00e7as que s\u00e3o v\u00edtimas, s\u00e3o agressores&#8230; Mas fundamentalmente estamos aqui a permitir um contexto de disfun\u00e7\u00e3o extremamente negativo. Portanto, as crian\u00e7as devem ser alvo de aten\u00e7\u00e3o muito particular.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E existe a ideia de que a pandemia possa ter feito aumentar esta realidade da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Da realidade que conhece, acredita que possamos estar perante a possibilidade de um aumento destes fen\u00f3menos de viol\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lamentavelmente os dados v\u00e3o-nos dando esses indicadores. A pandemia n\u00e3o veio ajudar em nada este processo. Particularmente no momento inicial em que tivemos que ficar enclausurados em contexto dom\u00e9stico, os horrores que foram vividos por parte das mulheres que nessa altura n\u00e3o conseguiram fugir (digo mulheres, tamb\u00e9m h\u00e1 homens, mas efetivamente s\u00e3o o grande n\u00famero, mas n\u00e3o quero tamb\u00e9m omitir aqui outras e outras v\u00edtimas). O n\u00e3o poder fugir ou estar preso durante meses com o agressor, sem ter inclusivamente a possibilidade de poder ir ao trabalho onde acaba por ser aqui um contexto de desregula\u00e7\u00e3o, foi terr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os dados v\u00e3o nesse v\u00e3o nesse sentido. As narrativas que nos s\u00e3o apresentadas pelas mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia que acolhemos corroboram exatamente isto que afirmei. Portanto a pandemia foi altamente desastrosa e este a este n\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 o que temer agora com o agravar da situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica do pa\u00eds, com o aumento da pobreza. Aqui uma exposi\u00e7\u00e3o maior a este risco?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Claramente estamos a falar de fatores de risco evidente. Apesar da viol\u00eancia dom\u00e9stica ocorrer em qualquer contexto sociocultural e socioecon\u00f3mico, a pobreza \u00e9 um fator de risco. As v\u00edtimas acabam por n\u00e3o ter tantos recursos para poder encontrar alternativas. O que me parece importante \u00e9 tamb\u00e9m ajudarmos a passar a mensagem de que existem alternativas e que, independentemente do contexto onde a v\u00edtima esteja, h\u00e1 alternativas e existem entidades que est\u00e3o aqui dispostas a ajudar 24h00 que \u00e9 poss\u00edvel, independentemente da situa\u00e7\u00e3o em que a pessoa se encontre, ajudar a desenhar um outro futuro, uma outra alternativa. H\u00e1 solu\u00e7\u00f5es e possibilidades e estamos aqui tamb\u00e9m para oferecer uma m\u00e3o institucional nesse sentido. N\u00f3s trabalhamos no terreno.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Os dados do portal do Governo revelavam, at\u00e9 30 de junho,\u00a0 17 v\u00edtimas (16 mulheres e uma crian\u00e7a). Sem querermos fazer futurologia, n\u00e3o erraremos muito se dissermos que os n\u00fameros possam ser, no final do ano, substancialmente superiores&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu gostaria de dizer que atingimos o limite, mas n\u00e3o, n\u00e3o acredito! E sim, sem fazer futurologia, mas baseado nos padr\u00f5es de anos anteriores, isso indica. Portanto, os n\u00fameros de certeza que aumentaram e s\u00e3o tr\u00e1gicos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E isto \u00e9 o que me leva a colocar sempre a quest\u00e3o na preven\u00e7\u00e3o. N\u00f3s estamos falar de um trabalho geracional que temos \u00e0 nossa frente. E, enquanto n\u00e3o fizemos uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o para o respeito pela diferen\u00e7a, pelo outro, em que seja realmente promovida uma cultura de aceita\u00e7\u00e3o, de respeito interpessoal, n\u00e3o iremos ter aqui diferen\u00e7as significativas. Na minha opini\u00e3o, ainda \u00e9 uma lacuna social que temos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Ou seja, em Portugal falta uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o, de alerta e de preven\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu diria que sim. Penso que ainda, apesar de nos \u00faltimos anos haver esfor\u00e7os a n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, parece-me que ainda h\u00e1 um trabalho grande a ser feito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Colocaria a quest\u00e3o da viol\u00eancia no cont\u00ednuo fenomenol\u00f3gico. Ou seja, a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 um tipo de viol\u00eancia que efetivamente temos vindo a destacar, pelos dados tr\u00e1gicos que que que v\u00eam a p\u00fablico, mas, como dizia h\u00e1 pouco, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno que aparece numa dada altura do nosso desenvolvimento pessoal. Tem a ver com todo o processo cultural e educativo em que no encontramos. Neste sentido, a solu\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es da viol\u00eancia t\u00eam de ser educativas, t\u00eam que ser preventivas e passam obrigatoriamente por uma cultura de respeito. E n\u00f3s estamos longe de uma cultura de respeito. Basta olhar para o contexto escolar neste momento, as rela\u00e7\u00f5es com os professores, todas estas not\u00edcias que v\u00eam a p\u00fablico: enquanto n\u00f3s normalizarmos e permitirmos todas estas disfun\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podemos depois surpreender-nos com os dados que apontava. Umas coisas est\u00e3o interligadas com as outras e a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 lamentavelmente um dos corol\u00e1rios da disfun\u00e7\u00e3o anterior. Temos que trabalhar na fonte, na origem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>As redes sociais ajudaram essa disfun\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 uma pergunta provocat\u00f3ria&#8230; N\u00e3o quero diabolizar de forma algumas as redes sociais, que s\u00e3o \u00f3timas para algumas coisas, s\u00e3o terr\u00edveis para outras, como qualquer contexto. As redes sociais podem ajudar a aumentar a velocidade da comunica\u00e7\u00e3o, t\u00eam estado associadas a fen\u00f3menos de bullying e a fen\u00f3menos de reprodu\u00e7\u00e3o de comportamentos disfuncionais, mas eu diabolizaria as redes sociais. O que eu acho \u00e9 que, como instrumento novo, se calhar, do ponto de vista social, ainda n\u00e3o nos adaptamos, ainda n\u00e3o desenvolvemos estrat\u00e9gias educativas para lidar com as com as redes sociais. Portanto, eu penso que o problema n\u00e3o est\u00e1 nas redes sociais, est\u00e1 no nosso comportamento e as redes sociais potenciam ou n\u00e3o. Temos de encontrar formas de as integrar nestes processos educativos, de gest\u00e3o quotidiana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Se passarem pelas redes sociais iniciativas como esta da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia do Porto, por certo que vamos combater a viol\u00eancia tamb\u00e9m. E perguntava-lhe: o que depende da sociedade civil, das associa\u00e7\u00f5es, de organiza\u00e7\u00f5es de moradores, tamb\u00e9m de par\u00f3quias? N\u00f3s vemos, por exemplo, o Papa Francisco a dizer \u201cbasta\u201d a viol\u00eancia contra as mulheres.. O que est\u00e1 ao nosso alcance?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 um problema que depende de si: depende de si, depende de mim, depende de todos n\u00f3s. Todos n\u00f3s temos um papel fundamental na gest\u00e3o deste problema. Em primeiro lugar, garantindo que temos as lentes certas \u00e0 nossa frente, que n\u00e3o s\u00e3o turbas, que conseguem realmente ver o que est\u00e1 a acontecer. E se n\u00f3s virmos algo a ocorrer, a viol\u00eancia ou alguma disfun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o temos de ter qualquer problema em sinalizar, em reportar. Este ainda \u00e9 um problema: \u201cporque isso n\u00e3o tem nada a ver comigo, porque eles est\u00e3o casados h\u00e1 pouco tempo, est\u00e3o casados h\u00e1 muito tempo, acabaram de namorar, j\u00e1 namoram h\u00e1 muito, ainda est\u00e3o a encontrar-se, n\u00e3o vou intrometer&#8230;\u201d Eu tenho de me intrometer!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 um problema que tamb\u00e9m \u00e9 meu e, portanto, cada um de n\u00f3s tem um papel ativo, quer estando de olhos abertos, mas fundamentalmente promovendo a discuss\u00e3o acerca do problema da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Provocatoriamente, diria que a viol\u00eancia dom\u00e9stica tem de ser normalizada. Ou seja, n\u00f3s temos de normalizar a discuss\u00e3o acerca da viol\u00eancia, acerca de todas estas problem\u00e1ticas para realmente podermos encontrar em n\u00f3s e ajudar a encontrar nos outros estrat\u00e9gias alternativas. E enquanto isto n\u00e3o for feito com esta normaliza\u00e7\u00e3o, vamos sempre olhar para este fen\u00f3meno como sendo um fen\u00f3meno de exce\u00e7\u00e3o, um fen\u00f3meno que n\u00e3o ocorre comigo, mas ocorre aqui ao lado e ao qual eu tenho aqui uma rela\u00e7\u00e3o de alguma ambival\u00eancia e de alguma equidist\u00e2ncia. N\u00e3o pode ser um fen\u00f3meno equidistante! Tem de ser um fen\u00f3meno participativo e resolutivo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cada um de n\u00f3s pode e deve intervir e a interven\u00e7\u00e3o passa por esta reflex\u00e3o: como \u00e9 que eu funciono em situa\u00e7\u00f5es de stress, quais s\u00e3o as minhas estrat\u00e9gias, o que \u00e9 que me leva a ferver e de que maneira que eu posso encontrar aqui estrat\u00e9gias alternativas. E, nesse sentido, desenvolver alternativas, comportamentos alternativos e encontrando emo\u00e7\u00f5es mais salutares para isto que vou sentindo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o podemos olhar para este fen\u00f3meno como sendo um fen\u00f3meno alheio, que \u00e9 do outro. \u00c9 um fen\u00f3meno nosso: todos n\u00f3s somos violentos em alguma e de alguma forma, todos n\u00f3s somos agressivos em algum momento. De que forma \u00e9 que podemos encontrar alternativas? De que forma \u00e9 que n\u00f3s podemos ir moldando estes nossos comportamentos? E esta \u00e9 uma discuss\u00e3o que tem de ser alargada e tem de ser e tem que ser normalizada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A viol\u00eancia contra as mulheres, lamentavelmente, \u00e9 o pin\u00e1culo de todo este fen\u00f3meno e portanto de uma vez por todas tem de ser endere\u00e7ado abertamente. E o papel que n\u00f3s individualmente temos ser\u00e1 um bocadinho por aqui&#8230; Do ponto de vista institucional, as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam o dever de ser intolerantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es das viol\u00eancias, estejamos a falar de que tipo de institui\u00e7\u00e3o\u00a0 for, n\u00e3o estamos s\u00f3 a falar de institui\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, mas todas as institui\u00e7\u00f5es sociais, e devem tamb\u00e9m tentar encontrar alternativas, aquilo que fal\u00e1vamos h\u00e1 pouco do acolhimento residencial, que eu chamo de clandestino. H\u00e1 diferentes formas de ajudar e de apoiar e, portanto, podemos tamb\u00e9m, dentro da l\u00f3gica de inova\u00e7\u00e3o social, tentar encontrar novas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor do Departamento de Interven\u00e7\u00e3o Social da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia do Porto afirma as solu\u00e7\u00f5es para as quest\u00f5es da viol\u00eancia, nomeadamente dom\u00e9stica, \u201ct\u00eam de ser educativas e considera a justi\u00e7a \u00ab\u00e9 excessivamente branda\u00bb para com o agressor, que deve ser \u00abdevidamente penalizado e reabilitado\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":261943,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[575],"class_list":["post-261945","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-violencia-domestica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=261945"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261945\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/261943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=261945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=261945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=261945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}