{"id":261605,"date":"2022-11-23T11:34:28","date_gmt":"2022-11-23T11:34:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=261605"},"modified":"2022-11-23T11:36:21","modified_gmt":"2022-11-23T11:36:21","slug":"saber-aprender-a-semear-a-unidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-semear-a-unidade\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A semear a unidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 dizer o que pensamos no \u00e2mbito do esp\u00edrito sinodal, outra coisa \u00e9 semear a divis\u00e3o com maldizeres e afirmar que o fazemos com \u201cesp\u00edrito sinodal\u201d. A divis\u00e3o n\u00e3o faz parte do esp\u00edrito sinodal ou da vida das comunidades e movimentos se quiserem preparar-se para os enormes desafios que a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o representa nos pr\u00f3ximos tempos. O confronto \u00e9 natural e desej\u00e1vel porque o contraste de ideias e experi\u00eancias ajuda-nos a crescer. Ali\u00e1s, o facto de um p\u00f3lo magn\u00e9tico negativo atrair um p\u00f3lo positivo, exemplifica como na natureza os opostos podem atrair-se. O desafio n\u00e3o est\u00e1 em partilhar ideias que podem ser opostas, mas em semear a unidade na beleza do contraste.<\/p>\n<figure id=\"attachment_261606\" aria-describedby=\"caption-attachment-261606\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-261606\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"671\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280-400x210.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280-1024x537.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280-768x403.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280-1080x566.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280-980x514.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/flower-g8ce379fa9_1280-480x252.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-261606\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de Bellezza87 em Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>No seu recente livro intitulado \u201cA Tarde do Cristianismo\u201d editado pelas Paulinas, Tom\u00e1\u0161 Hal\u00edk (provocador como sempre) afirma a um dado momento que \u2014 <em>\u00abum bem-intencionado apelo para uma \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d lan\u00e7ado \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica no limiar do novo mil\u00e9nio n\u00e3o obteve a resposta esperada \u2014 provavelmente porque, entre outras raz\u00f5es, n\u00e3o era suficientemente \u201cnova\u201d nem radical.\u00bb<\/em> Por outro lado, se nos prim\u00f3rdios do Cristianismo, Tertuliano chegou a afirmar dos Crist\u00e3os \u2014 <em>\u201dVede como eles se amam.\u00bb<\/em> (Apolog. 39) \u2014 quando algu\u00e9m diz alguma coisa sobre uma pessoa a outra, sem a confrontar directamente (algo que acontece a v\u00e1rios n\u00edveis na vida das nossas comunidades), lan\u00e7a sementes de divis\u00e3o e mina a evangeliza\u00e7\u00e3o que, j\u00e1 de si, precisa de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A frase de Tertuliano tem a sua raiz no Evangelho de S. Mateus, cap. 18, vers. 20 \u2014 <em>\u00abPois, onde estiverem dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.\u00bb<\/em> \u2014 frase sobre a qual podemos, tamb\u00e9m, interpretar que quando dois ou tr\u00eas se amam, a presen\u00e7a de Deus manifesta-se com uma evid\u00eancia incompar\u00e1vel e extravasa esse epicentro amoroso, unindo todos os que est\u00e3o \u00e0 sua volta, atraindo-os. Teilhard de Chardin SJ em <em>\u201dHuman Energy\u201d<\/em> afirmava que \u2014 <em>\u00abo amor \u00e9 a mais universal, a mais tremenda e a mais misteriosa das for\u00e7as c\u00f3smicas.\u00bb<\/em> (p. 32, Harvest, 1969). E em <em>\u201dActivation of Energy\u201d<\/em>, ele estabelece um princ\u00edpio simples de converg\u00eancia da consci\u00eancia que diz \u2014 <em>\u00abA verdadeira uni\u00e3o n\u00e3o funde: diferencia e personaliza.\u00bb<\/em> (p. 222, Harcourt, 1978). E tudo por causa do amor que une sem fundir, diferencia sem dividir. Hoje, parece-se que a fus\u00e3o de ideias e divis\u00e3o de sensibilidade est\u00e1 nos \u201ccomentariozecos\u201d.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m me faz um coment\u00e1rio que me parece gerar alguma divis\u00e3o a partir de opini\u00f5es contrastantes, franzo o sobrolho e \u201cpergunto-me\u201d \u2014 <em>\u00abqual a inten\u00e7\u00e3o?\u00bb<\/em> \u2014 e aqui reside o problema daqueles que vivem esta situa\u00e7\u00e3o: n\u00e3o deviam dizer para si mesmo (como eu fiz) \u2014 \u201cperguntar-me\u201d, mas, antes, \u2014 \u201cperguntar-<em>lhe<\/em>\u201d. isto \u00e9, das poucas vezes que senti um coment\u00e1rio que geraria divis\u00e3o e perguntei \u00e0 pessoa \u2014 <em>\u00abpodias explicar um pouco melhor?\u00bb<\/em> \u2014 geralmente seguia-se alguma atrapalha\u00e7\u00e3o e acab\u00e1vamos por perceber juntos que talvez n\u00e3o fosse bem assim. Mas quando o outro explica com mais divis\u00e3o ainda (e cr\u00edtica), n\u00e3o me lembro de alguma ver ter tido a coragem de manifestar a minha opini\u00e3o e dizer \u2014 <em>\u00abpenso que esse coment\u00e1rio n\u00e3o gera diferen\u00e7as de opini\u00e3o que lan\u00e7am sementes de unidade e ajudam a crescer, mas lan\u00e7a a divis\u00e3o e isso n\u00e3o \u00e9 muito do meu interesse.\u00bb<\/em> Desenvolver a capacidade de distinguir uma opini\u00e3o de um \u201ccomentariozeco\u201d \u00e9 s\u00e1bio. Mas como?<\/p>\n<p>O amor que une na linguagem matem\u00e1tica expressa-se como um <em>atractor<\/em>. Os <em>atractores<\/em> s\u00e3o sistemas din\u00e2micos em que a imposi\u00e7\u00e3o de um pequeno desvio, mant\u00e9m os pontos pr\u00f3ximos do <em>atractor<\/em>. O resultado pode ser a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Fractal-zoom-1-03-Mandelbrot_Buzzsaw.ogv\">emerg\u00eancia<\/a>; de padr\u00f5es e ordem a partir do caos. O caos \u00e9 muitas vezes associado a confus\u00e3o, mas talvez seja antes a realidade de haverem muitas possibilidades diante de n\u00f3s e n\u00e3o sabermos bem qual a que se realizar\u00e1. Ou seja, o caos \u00e9 o sentimento que temos diante da incerteza. Um pequeno coment\u00e1rio que gere divis\u00e3o (\u201ccomentariozeco\u201d) porque n\u00e3o procura compreender os problemas e como os resolver, mas somente criticar, fecha os outros a novas compreens\u00f5es. Abdica-se do amor como atractor e favorece-se a fragmenta\u00e7\u00e3o, removendo o espa\u00e7o criativo que a unidade germina no cora\u00e7\u00e3o das pessoas que se amam.<\/p>\n<p>O amor como atractor d\u00e1 forma ao corpo daqueles que se amam, guiando-os em padr\u00f5es de estruturas que nascem da vida e geram vida \u00e0 sua volta. Os atractores geram campos relacionais por onde a evolu\u00e7\u00e3o acontece. Hal\u00edk \u00e9 da opini\u00e3o que a \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d segue ainda modelos antigos que n\u00e3o funcionam nos tempos hodiernos. E um coment\u00e1rio cr\u00edtico que gera divis\u00e3o \u00e9 como um v\u00edrus que se espalha no cora\u00e7\u00e3o das pessoas que se sentem incapazes de lhe resistir e pode criar uma situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica. Em muitas comunidades que n\u00e3o est\u00e3o vacinadas para isso, acaba-se por sucumbir \u00e0 doen\u00e7a do maldizer. E o mais grave ser\u00e1 quando nos tornarmos indiferentes aos comentariozecos que nos dividem e deixamos que o v\u00edrus da divis\u00e3o se propague.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente estarmos atentos. Precisamos de saber aprender a lan\u00e7ar sementes de unidade a partir da riqueza daquilo que nos diferencia. Pode ser com um sil\u00eancio diante do \u201ccomentariozeco\u201d, ou responder com uma pergunta para se ir em profundidade naquilo que o outro est\u00e1 a dizer e que nos pode parecer divisivo. A unidade n\u00e3o implica a mesmidade de pensamento ou intui\u00e7\u00e3o pessoal (\u201ceu \u00e9 que sei como deve ser\u201d) sobre os caminhos que as nossas comunidades percorrem. As diferen\u00e7as s\u00e3o fundamentais para estabelecermos di\u00e1logos. Por isso, os sectarismos s\u00e3o estranhos para o amor como atractor universal porque separam o que tende a unir quando caminhamos juntos. E se tivermos d\u00favidas de que a ideia que temos \u00e9, ou n\u00e3o divisiva, podemos sempre partilhar e n\u00e3o temer se o outro nos chamar a aten\u00e7\u00e3o. At\u00e9 pode ser que n\u00e3o estejamos a ver bem as coisas, ou at\u00e9 pode ser o contr\u00e1rio, mas ser\u00e1 o desapego da ideia que cria as condi\u00e7\u00f5es para que se revele ser, ou n\u00e3o, uma semente de unidade. Na verdade, no campo relacional do amor-atractor, tamb\u00e9m os v\u00edrus da divis\u00e3o sujeitam-se a serem transformados. E podemos perceber isso de uma forma simples: olhar para aqueles que olham para n\u00f3s, e sentir reflectivo nesse olhar aquele \u201ctertulianico\u201d <em>\u00abVede como eles se amam.\u00bb<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-261605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=261605"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261605\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=261605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=261605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=261605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}