{"id":26147,"date":"2007-07-30T17:29:48","date_gmt":"2007-07-30T17:29:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/30\/presentes-da-historia-alguns-testemunhos\/"},"modified":"2007-07-30T17:29:48","modified_gmt":"2007-07-30T17:29:48","slug":"presentes-da-historia-alguns-testemunhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/presentes-da-historia-alguns-testemunhos\/","title":{"rendered":"Presentes da Hist\u00f3ria &#8211; alguns testemunhos"},"content":{"rendered":"<p><b>Caminho das migra\u00e7\u00f5es<\/b> <i>Testemunho de D. Janu\u00e1rio Torgal Mendes Ferreira, vogal da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana\/CEMH<\/i>  Os \u00faltimos anos foram decisivos atrav\u00e9s de um princ\u00edpio que at\u00e9 parece contrariar uma orienta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, segundo a qual a c\u00fapula (ou seja, o grupo constitu\u00eddo em fun\u00e7\u00e3o de maior responsabilidade) seja emissora ou porta-voz das bases (das pessoas que, no dia-a-dia diocesano, vivem a aspereza das realidades). Com o maior respeito e homenagem a quem integra os Conselhos das v\u00e1rias dioceses, devo confessar que a efic\u00e1cia, a coragem e a energia do avan\u00e7o ( e de contrariar) partiram da c\u00fapula, ou seja, do Secretariado da Comiss\u00e3o Episcopal das Migra\u00e7\u00f5es. As Migra\u00e7\u00f5es pouco contam ou pouca express\u00e3o t\u00eam tido. O problema europeu da maior delicadeza, e de express\u00e3o grave sob o consulado, sobretudo, do Dr. Dur\u00e3o Barroso, enquanto Primeiro-Ministro, n\u00e3o teve o cond\u00e3o de mobilizar a Igreja no seu todo. O que se viu, ouviu, foi escrito e, sobretudo, foi cumprido por decis\u00f5es pastorais, incluiu o labor merit\u00f3rio das dioceses, com certeza. Mas foi tudo t\u00e3o brando, que se estiv\u00e9ssemos \u00e0 espera de inconformismos e de rebeli\u00e3o perante as orienta\u00e7\u00f5es estatais, ainda hoje est\u00e1vamos a marcar passo. E j\u00e1 n\u00e3o ponho na balan\u00e7a quem, em cumplicidade com o estatu\u00eddo, teve o desabafo de afirmar que, perante a impertin\u00eancia do Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal e seu Secret\u00e1rio, o melhor era depor \u00e0 porta da Confer\u00eancia Episcopal os imigrantes que queriam ficar em Portugal, aos quais a legisla\u00e7\u00e3o vigente se apresentava como impeditiva. Alguns nos disseram que o servi\u00e7o pastoral aos emigrantes teria alcan\u00e7ado o extremo da generosidade eclesial. O mesmo foi dito, quase um s\u00e9culo antes, no atinente \u00e0 \u201cquest\u00e3o oper\u00e1ria\u201d. N\u00e3o nos admiremos que a orienta\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia, no caso dos trabalhadores,  tenha ido (felizmente!) em sentido bem contr\u00e1rio, ao declarar que, em tal mat\u00e9ria, por muito que tenha sido realizado, muito por praticar ainda ficou! (leiam, se fazem favor, o livro do Professor Sedas Nunes, publicado h\u00e1 cerca de quarenta anos, sobre a Doutrina Social da Igreja. Releiam tamb\u00e9m o pref\u00e1cio) O encontro com grupos e associa\u00e7\u00f5es cong\u00e9neres, do ponto de vista crist\u00e3o, as posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas assumidas, a coopera\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e outros sectores da dita sociedade, o contacto com a emigra\u00e7\u00e3o nos v\u00e1rios continentes, um congresso mundial realizado no Porto, etc, etc, etc, sem triunfalismos, n\u00e3o foi um testemunho? Mas, nestas mat\u00e9rias do mundo, falta-nos jeito e agilidade. Por isso fico eu admirado de que tenha sido poss\u00edvel ter ido at\u00e9 t\u00e3o longe! Mas n\u00e3o vivo do passado, o qual respeito. O presente continua com reptos bem interessantes. Bem sei que por a\u00ed se afirma a vontade de alguns, nos reduzirem ao sil\u00eancio\u2026 N\u00e3o h\u00e1 que ter receio. Quem fez a travessia de certos mares, sabe, por experi\u00eancia, donde proveio a tibieza da discord\u00e2ncia, e a esperan\u00e7a de quem ousou a aud\u00e1cia\u2026 Vou por estes \u00faltimos, da mesma carne, esp\u00edrito e energia, de quem demandou os caminhos das migra\u00e7\u00f5es!  <b>Janu\u00e1rio Torgal Mendes Ferreira<\/b>    <b>Proximidade, Sensibiliza\u00e7\u00e3o, Empenhamento&#8230;<\/b>  <i>Testemunho de Manuela Silva, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz\/CNJP<\/i>  A palavra que me ocorre \u00e9 gratid\u00e3o pelo trabalho at\u00e9 agora desenvolvido pela OCPM em defesa dos migrantes. Louvo a vossa ac\u00e7\u00e3o de proximidade junto dos estrangeiros que procuram o nosso Pa\u00eds para aqui encontrarem condi\u00e7\u00f5es de vida que n\u00e3o existem nos seus locais de origem e que muitas vezes n\u00e3o conseguem enfrentar os obst\u00e1culos que se lhes deparam no esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o a novos h\u00e1bitos ou formas de viver e, em muitos casos, a dificuldade suplementar de ter de vencer a barreira de uma outra l\u00edngua e cultura. Louvo a vossa ac\u00e7\u00e3o de sensibiliza\u00e7\u00e3o junto de diferentes comunidades e movimentos eclesiais suscitando entre o povo crist\u00e3o um maior sentido de responsabilidade pelo acolhimento do estrangeiro e maior solidariedade activa para com estes irm\u00e3os. Louvo, de modo particular, o empenhamento posto na luta pelo reconhecimento dos direitos dos imigrantes e o vigor da den\u00fancia quando tais direitos s\u00e3o ofendidos. Louvo, ainda, a vossa metodologia de trabalho, aberta \u00e0s parcerias e ao trabalho em rede e a prontid\u00e3o com que t\u00eam respondido \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em causas comuns pela justi\u00e7a e a defesa dos direitos humanos.  <b>Manuela Silva<\/b>   <b>S\u00f3 falta continuar<\/b> <i>Testemunho de Rui Marques, Alto-Comiss\u00e1rio para a Imigra\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logo Intercultural\/ACIDI<\/i>  A Igreja Cat\u00f3lica tem desempenhado, no dom\u00ednio do acolhimento e integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes em Portugal, um papel not\u00e1vel e de relev\u00e2ncia inquestion\u00e1vel. Desde o n\u00edvel de maior proximidade, em muitas Par\u00f3quias e atrav\u00e9s de diferentes grupos eclesiais, at\u00e9 ao n\u00edvel nacional, nomeadamente com a Obra Cat\u00f3lica e a Caritas, a Igreja e os seus membros t\u00eam sabido servir a causa do \u201cacolhimento do estrangeiro\u201d. Sem este contributo, as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o seriam suficientes e o esfor\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o ficaria muito aqu\u00e9m do desej\u00e1vel.  \u00c9 justo este reconhecimento e \u00e9 devido um agradecimento, n\u00e3o s\u00f3 dos mais directos benefici\u00e1rios dessa solidariedade \u2013 os pr\u00f3prios imigrantes \u2013 mas tamb\u00e9m do Estado e da sociedade portuguesa em geral. O Alto Comissariado para a Imigra\u00e7\u00e3o quer, nesta ocasi\u00e3o, agradecer tudo o que a Igreja e os cat\u00f3licos t\u00eam feito pelos imigrantes.  Gosto particularmente de sublinhar, entre todas as institui\u00e7\u00f5es, como a Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es tem sabido responder com plenitude a este desafio. N\u00e3o se limitou na sua interven\u00e7\u00e3o ao longo de quase meio s\u00e9culo a assistir os migrantes nas suas necessidades mais imediatas. Soube intervir ao n\u00edvel da mudan\u00e7a das mentalidades e, com a devida independ\u00eancia, na formula\u00e7\u00e3o de boas pol\u00edticas de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o. Como exemplo, a presen\u00e7a do R. Pe. Rui Pedro, ao longo de cinco anos no COCAI foi sempre espelho dessa capacidade de interven\u00e7\u00e3o estruturante, contras as injusti\u00e7as sist\u00e9micas, indo \u00e0 raiz das coisas.  O saldo das obras feitas \u00e9 excelente. S\u00f3 falta continuar. Esta miss\u00e3o n\u00e3o tem fim, nem nunca estar\u00e1 suficientemente cumprida. Tal como a todos n\u00f3s e ao Estado, \u00e0 Igreja vai continuar a colocar-se o desafio do acolhimento e integra\u00e7\u00e3o de imigrantes. Para al\u00e9m dos antigos desafios, novos problemas surgir\u00e3o, apelando a inovadoras respostas. A presen\u00e7a da OCPM e das restantes organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas continuar\u00e1, por isso, a ser necess\u00e1ria, desejada e reconhecida.   <b>Rui Marques<\/b>   <b>Todo o Apre\u00e7o e uma Sugesy\u00e3o<\/b> <i>Testemunho de Ac\u00e1cio F. Catarino, ex-assessor para os Assuntos sociais do Gabinete da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/i>  Acompanho, h\u00e1 muito, o edificante exemplo da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es (OCPM). Diversas express\u00f5es do seu dinamismo foram surgindo ao longo dos anos, na procura permanente de correspond\u00eancia \u00e0 sua miss\u00e3o.  Desde o in\u00edcio, foi not\u00f3rio o objectivo de articular a presen\u00e7a nas comunidades de emigrantes com as actividades regulares em Portugal. Nestas actividades conjugou, de maneira exemplar, o atendimento de casos sociais com a participa\u00e7\u00e3o activa nas estruturas eclesiais e a interven\u00e7\u00e3o pertinente junto das autoridades p\u00fablicas e de outras entidades. Quando surgiu o fen\u00f3meno da imigra\u00e7\u00e3o para Portugal, soube actuar nele e, ao mesmo tempo, n\u00e3o perder de vista os problemas da emigra\u00e7\u00e3o, que nunca deixaram de existir e que voltaram a intensificar-se nos \u00faltimos anos. Soube igualmente integrar-se no trabalho conjunto de institui\u00e7\u00f5es e de movimentos, confessionais e n\u00e3o confessionais, empenhados na identifica\u00e7\u00e3o de problemas sociais, na proposta de solu\u00e7\u00f5es, na influ\u00eancia para que as mesmas fossem adoptadas e no exerc\u00edcio da co-responsabilidade nas suas m\u00faltiplas exig\u00eancias. O esfor\u00e7o porfiado da OCPM para articular as suas actividades nos dom\u00ednios da emigra\u00e7\u00e3o e da imigra\u00e7\u00e3o constitui, porventura, uma das linhas de orienta\u00e7\u00e3o mais fecundas neste momento. Com efeito as pessoas envolvidas num fen\u00f3meno e no outro vivem aspira\u00e7\u00f5es, problemas, realiza\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es bastante semelhantes.  Por raz\u00f5es diversas, n\u00e3o foi ainda poss\u00edvel introduzir a pastoral das migra\u00e7\u00f5es em muitas par\u00f3quias. Talvez at\u00e9 seja discut\u00edvel que exista uma concep\u00e7\u00e3o adequada do que deve ser esta pastoral, na esfera paroquial. Os esfor\u00e7os realizados pela OCPM ainda n\u00e3o encontraram eco suficiente em cada um de n\u00f3s e nas nossas institui\u00e7\u00f5es e movimentos. Lembremo-nos, a prop\u00f3sito, que a vida nas comunidades locais e o respectivo desenvolvimento implicam sempre a pondera\u00e7\u00e3o da realidade migrat\u00f3ria &#8211; tanto das migra\u00e7\u00f5es internas como das externas, e quer se trate de migrantes sa\u00eddos quer de migrantes entrados ou reentrados. Mesmo que se trate de localidades onde as migra\u00e7\u00f5es sejam muito reduzidas, justifica-se prestar toda a aten\u00e7\u00e3o a esta realidade: ou na perspectiva de solidariedade com todos os migrantes ou porque, a todo o momento, as migra\u00e7\u00f5es podem a\u00ed surgir e intensificar-se. Daqui decorre o imperativo de a pastoral das migra\u00e7\u00f5es se integrar na pastoral social de conjunto e de participar activamente nos processos de desenvolvimento local, devendo at\u00e9 contribuir para que eles se intensifiquem. Parece recomend\u00e1vel, em especial, que a Obra esteja representada nos secretariados, ou departamentos, de pastoral social e do laicado e da fam\u00edlia, ou que coopere estreitamente com eles. Recomenda-se, igualmente, que os grupos de ac\u00e7\u00e3o social das par\u00f3quias integrem a vertente das migra\u00e7\u00f5es, com o apoio da OCPM. Registe-se, a prop\u00f3sito, que a problem\u00e1tica das migra\u00e7\u00f5es se encontra estreitamente associada \u00e0s de trabalho-emprego e de outros problemas sociais. Acontece, em muitas localidades, a coexist\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es de pobreza e exclus\u00e3o comuns a migrantes e a outros cidad\u00e3os. As vias de solu\u00e7\u00e3o configuram-se coincidentes em larga medida e, por isso, haver\u00e1 toda a vantagem na adop\u00e7\u00e3o de actua\u00e7\u00f5es comuns&#8230; \u00c9 vast\u00edssimo o universo de quest\u00f5es que apelam \u00e0 interven\u00e7\u00e3o da OCPM. O seu passado oferece garantias suficientes de que saber\u00e1 corresponder-lhes e comprometer-se nas coopera\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.  <b>Ac\u00e1cio F. Catarino<\/b>   <b>A Igreja percursora na Solidariedade<\/b> <i>Testemunho de Alzira Silva, da Presid\u00eancia do Governo Comunidades &#8211; Direc\u00e7\u00e3o Regional dos A\u00e7ores<\/i>  A Igreja, seguindo o padr\u00e3o b\u00edblico do amor e do cuidado, foi, ao longo dos tempos, a percursora e uma grande obreira no apoio aos migrantes e \u00e0 integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes.  Muitos dos que se deslocaram de Portugal para o estrangeiro e das suas terras de origem para Portugal n\u00e3o conheceram outro apoio que n\u00e3o fosse o da Pastoral.  Na minha vida pessoal e nas minhas fun\u00e7\u00f5es na Direc\u00e7\u00e3o Regional das Comunidades do Governo dos A\u00e7ores, muitos t\u00eam sido os testemunhos recolhidos de migrantes em dificuldades que encontraram na Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es o conforto e a solidariedade de que careciam para enfrentar com maior confian\u00e7a o seu pr\u00f3prio futuro.  Tal solidariedade tem sido uma causa para a Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es, ao longo dos seus 45  anos de exist\u00eancia, uma causa que ter\u00e1 que ser abra\u00e7ada por toda a sociedade com urgente consci\u00eancia c\u00edvica e com a for\u00e7a da raz\u00e3o humana a caminho da justi\u00e7a. O vosso esfor\u00e7o de sensibiliza\u00e7\u00e3o social tem sido, igualmente, not\u00e1vel. Sublinho, pois, o apre\u00e7o inestim\u00e1vel por este percurso e a nossa admira\u00e7\u00e3o pelo trabalho desenvolvido pela Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es.  Bem hajam!  <b>Alzira Silva<\/b>   <b>Com Dedica\u00e7\u00e3o e Esperan\u00e7a<\/b> <i>Testemunho de Tim\u00f3teo Macedo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Solidariedade Imigrante\/SOLIM<\/i>              \u00c9 com imensa alegria que gostaria de fazer uma pequena aprecia\u00e7\u00e3o ao trabalho que a Obra Cat\u00f3lica  para as Migra\u00e7\u00f5es tem vindo a desenvolver, em prol da defesa da dignidade humana dos homens e mulheres das v\u00e1rias comunidades de imigrantes que nos procuram. Desde 1998, ainda o Padre Manuel Soares estava \u00e0 frente do trabalho com os imigrantes, j\u00e1 para mim era evidente, a dedica\u00e7\u00e3o e extremo poder de interac\u00e7\u00e3o que a Obra Cat\u00f3lica vinha demonstrando, no seu trabalho com o movimento associativo e a sua interven\u00e7\u00e3o junto ao poder pol\u00edtico. A disponibilidade sempre presente, a simpatia e o esp\u00edrito critico e sempre atento em rela\u00e7\u00e3o a tudo que se passava em torno da imigra\u00e7\u00e3o, das pessoas concretas e das pol\u00edticas, foi-se acentuando com maior evid\u00eancia com o protagonismo sempre muito desejado de D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira e o nosso sempre amigo e presente Padre Rui Pedro. Digo-o sem qualquer preconceito que sempre apoiamos as posi\u00e7\u00f5es que a Obra Cat\u00f3lica assumia na sociedade, no Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigra\u00e7\u00e3o e noutros eventos onde pudemos partilhar experi\u00eancias e viv\u00eancias. Elas em muitas ocasi\u00f5es e sem menosprezar o movimento associativo imigrante, assumia posi\u00e7\u00f5es de vanguarda na defesa dos direitos dos imigrantes. Foi assim quando se posicionou contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o dos imigrantes incrementada pelas Leis de imigra\u00e7\u00e3o, contra as politicas fracassadas das quotas, entre muitas outras, sem deixar de defender com maior evid\u00eancia os casos em que se deparavam no dia a dia com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de extrema fragilidade. Estas pessoas de que falamos e que a Obra Cat\u00f3lica tem ajudado, entram no mundo da gente a quem n\u00e3o deixam ser gente. Vivem em meios quase sempre muito pobres, sobre os quais cai permanentemente factores de exclus\u00e3o. S\u00e3o empurrados para bairros ditos sociais, onde se encavalitam tijolos a que chamam casas mas cuja qualidade deixa muito a desejar, ou amontoam-se num labirinto de barracas. Em todo o caso poderemos chamar-lhes \u201cilhas urbanas\u201d ou \u201cterrit\u00f3rios de etnicidade\u201d. Lugares de exclus\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam servi\u00e7os p\u00fablicos, parques desportivos, normalmente t\u00eam poucas escolas, poucos professores e ainda menos professores de apoio. N\u00e3o t\u00eam farm\u00e1cias ou bancos, nem t\u00e3o-pouco posto de correios. Para terem acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos t\u00eam que ir \u00e0s cidades que constru\u00edram, para os outros. S\u00e3o aut\u00eanticas micro na\u00e7\u00f5es onde resultam um sem n\u00famero de conflitos dram\u00e1ticos, onde o terreno \u00e9 prop\u00edcio para a limpeza \u00e9tnica e por arrasto, a de refugiados e imigrantes indocumentados.  Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem conhecida pela Obra Cat\u00f3lica e por todas as organiza\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica  que ali trabalham, n\u00e3o desistir perante as dificuldades e agruras que a sociedade nos imp\u00f5e \u00e9 um grande acto de coragem onde todos estamos envolvidos, no entanto e apesar de tudo, a esperan\u00e7a est\u00e1 sempre presente no vosso e nosso trabalho, as cumplicidades trocam-se e as solidariedades fortalecem-se. Bem hajam! Estamos juntos nesta nossa luta toda.  <b>Tim\u00f3teo Macedo<\/b>   <b>Pelos 45 anos da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es<\/b> <i>Testemunho de Jos\u00e9 Manuel Cordeiro, membro da Comiss\u00e3o Permanente da Uni\u00e3o Geral de Trabalhadores\/UGT<\/i>  A OCPM &#8211; Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es faz quatro d\u00e9cadas e meia de exist\u00eancia este ano. A idade que Plat\u00e3o considerava j\u00e1 de Maturidade. Significa isso que \u00e9 de uma institui\u00e7\u00e3o que atingiu a maturidade que nos propomos fazer correr a pena. A OCPM tem uma hist\u00f3ria de apoio e defesa dos mais desfavorecidos, em especial dos seres humanos que sentem a necessidade de migrar. O trabalho e empenho que a OCPM tem demonstrado junto dos trabalhadores migrantes tem-lhes permitido manter viva a chama de perten\u00e7a a duas comunidades origin\u00e1rias: a perten\u00e7a \u00e0 comunidade crist\u00e3\/cat\u00f3lica e a perten\u00e7a \u00e0 comunidade da sua nacionalidade origin\u00e1ria. Todos sabemos que a OCPM surgiu para acompanhar as vagas de portugueses que procuravam melhorar as suas vidas no estrangeiro e que, de alguns anos a esta parte, se tem dedicado tamb\u00e9m a auxiliar aqueles que, por raz\u00f5es an\u00e1logas, procuram o nosso pa\u00eds. Diremos sucintamente que tem contribu\u00eddo para a plenitude da integra\u00e7\u00e3o dos trabalhadores migrantes e refugiados bem como das suas fam\u00edlias.  Convidar um sindicalista para elaborar um pequeno texto testemunhando o trabalho da OCPM pode parecer, \u00e0 primeira vista, um acto de defer\u00eancia institucional. Mas n\u00e3o cremos que o seja, e por isso, tamb\u00e9m por isso, queremos agradecer tal convite e afirmar, desde j\u00e1, que estamos cientes de que num pequeno texto n\u00e3o podemos dizer tudo sobre o modo como temos experienciado o trabalho desenvolvido pela OCPM.  Cito uma frase de um pensador que, no que se refere \u00e0 OCPM, n\u00e3o precisa sequer de apresenta\u00e7\u00e3o, mas que neste ano se comemora a primeira d\u00e9cada da sua beatifica\u00e7\u00e3o  e que no corrente ano perfazem, tamb\u00e9m, 120 anos decorridos desde a funda\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios de S. Carlos \u2013 \u00e9 ao Beato Jo\u00e3o Baptista Scalabrini que nos estamos, obviamente, a referir:   \u201cSe il lavoro \u00e8 una legge f\u00edsica e un dovere morale, perch\u00e9 non dovr\u00e1 diventare un diritto legale?\u201d  in, Scalabrini \u2013 Opusculo publicado em 1899.  Ora, se esta frase, por exemplo, entre tantas outras inspira a OCPM ela tamb\u00e9m espelha as lutas seculares do movimento sindical e de que a UGT &#8211; Uni\u00e3o Geral de Trabalhadores \u00e9 institui\u00e7\u00e3o herdeira. \u00c9, entre tantas outras, para regular as rela\u00e7\u00f5es de trabalho em defesa dos trabalhadores que a exist\u00eancia do movimento sindical se justifica, quer seja no local de trabalho em concreto, quer seja em cada um dos pa\u00edses em particular ou nos are\u00f3pagos internacionais.  Ora, tal defesa n\u00e3o pode ser feita sem que haja justi\u00e7a intr\u00ednseca \u00e0s propostas sindicais nem sem que haja solidariedades entre movimentos sociais. \u00c9, tamb\u00e9m, neste contexto que a UGT entende que a OCPM \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o essencial e substantiva na defesa dos direitos dos seres humanos que sofrem, especificamente daqueles que migram ou se refugiam e que procuram trabalho e abrigo noutros locais, esperando a aceita\u00e7\u00e3o por parte dos povos de acolhimento sem, contudo, se desligarem espiritualmente do seu local de origem natural. Quantas vezes nos \u00e9 dada a ouvir a express\u00e3o \u201cestranho no estrangeiro e estranho na sua pr\u00f3pria terra\u201d acerca dos migrantes e refugiados. \u00c0 OCPM o movimento sindical reconhece-lhe tamb\u00e9m a incans\u00e1vel tarefa que tem desenvolvido para contrariar tais sentimentos.  Permitam-nos tamb\u00e9m evocar um outro autor, n\u00e3o t\u00e3o conhecido como Scalabrini mas que nos permite apontar como encara a UGT o incomensur\u00e1vel trabalho que vem desenvolvendo ao longo dos \u00faltimos quarenta e cinco anos a OCPM. \u00c9, hoje, do dom\u00ednio da filosofia pol\u00edtica o reconhecimento de John Rawls como um fil\u00f3sofo de primeira linha da pol\u00edtica social, e uma vez que come\u00e7\u00e1mos por evocar Plat\u00e3o evocamos agora Rawls para tamb\u00e9m caracterizarmos os fins que detectamos na obra da OCPM.  A sociedade justa para Plat\u00e3o era aquela que alocava cada um dos seus integrantes segundo as suas aptid\u00f5es verificadas (intelig\u00eancia, coragem ou apetite), cabendo o seu governo aos mais qualificados: os fil\u00f3sofos. Rawls inverte, como se sabe, tal prop\u00f3sito. Para Rawls, sem que se descurasse da import\u00e2ncia dos talentosos, \u201cUma sociedade realmente justa \u00e9 aquela que funciona em favor dos necessitados\u201d. \u00c9 assim que n\u00f3s, na UGT, testemunhamos o trabalho realizado pela Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es &#8211; uma obra empenhada na busca de uma sociedade mais justa e que d\u00e1 primazia aos social e espiritualmente mais desamparados. A UGT v\u00ea na OCPM uma institui\u00e7\u00e3o parceira na defesa dos trabalhadores migrantes e refugiados, principalmente aqueles que se encontram na situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de desenraizamento social. Terminamos com outra cita\u00e7\u00e3o para mostrar que o movimento sindical democr\u00e1tico e de esp\u00edrito internacionalista partilha concerteza com a OCPM.  \u201c\u2026 la vita sociale va diventando ogni d\u00ec pi\u00f9 una selva selvaggia, nella quale ciascuno si mueve per suo conto  e per suo interesse e il bene dell\u2019uno forma il male e la privazione dell\u2019altro\u2026\u201d  Scalabrini \u2013 1899  \u00c9 na partilha deste diagn\u00f3stico e na solidariedade institucional para combater este estado de mundo que a UGT encara e testemunha o trabalho empenhado da OCPM e das pessoas que d\u00e3o corpo a esta institui\u00e7\u00e3o. Permita-se-nos uma nota pessoal, mas suportados institucionalmente pela UGT, que \u00e9 o de sublinhar o trabalho do Sr. Director Nacional da OCPM, rev. P. Rui Pedro. Foi com ele que partilh\u00e1mos alguns momentos no desempenho das nossas fun\u00e7\u00f5es e com ele melhor compreendemos a necessidade do trabalho em conjunto entre as nossas institui\u00e7\u00f5es. Em nome dos trabalhadores agradecemos o labor empenhado e espinhoso que a OCPM fez e faz junto dos trabalhadores emigrantes e imigrantes e, necessariamente, tamb\u00e9m junto dos refugiados.  A maturidade atingida permite-nos ver na OCPM uma institui\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e donde s\u00f3 poderemos colher conselhos amigos e s\u00e1bios. Se nos \u00e9 permitido antropomorfizar institui\u00e7\u00f5es deixem-nos desejar-vos  Feliz Anivers\u00e1rio por estes 45 anos de vida.  S\u00e3o os votos da Uni\u00e3o Geral de Trabalhadores.  <b>Jos\u00e9 Manuel Cordeiro<\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminho das migra\u00e7\u00f5es Testemunho de D. 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