{"id":261350,"date":"2022-11-22T10:06:03","date_gmt":"2022-11-22T10:06:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=261350"},"modified":"2022-11-22T11:06:24","modified_gmt":"2022-11-22T11:06:24","slug":"lusofonias-mocambique-a-ferro-e-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-mocambique-a-ferro-e-fogo\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Mo\u00e7ambique a ferro e fogo"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-261367\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Lusofonias-Mocambique-25-11-2022a-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Aproxima-se, a passos largos, a celebra\u00e7\u00e3o do meio s\u00e9culo de independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique. Os 30 anos dos Acordos de Paz est\u00e3o a ser comemorados, como \u2018um bonito sonho de paz, de unidade e de democracia\u2019 \u2013 dizem os Bispos na nota Pastoral publicada a 11 de novembro. A independ\u00eancia em 1975 tamb\u00e9m \u00e9 descrita como \u2018um sonho de liberdade e autodetermina\u00e7\u00e3o\u2019. Este sonho que se tornou realidade e permitiu \u2018sermos donos da nossa terra, protagonistas do nosso futuro\u2019, tem encontrado \u2018obst\u00e1culos e amea\u00e7as que p\u00f5em \u00e0 prova a esperan\u00e7a de conseguir a sua realiza\u00e7\u00e3o\u2019. E os Bispos d\u00e3o nome a esses problemas que vitimam o povo mo\u00e7ambicano, comprometendo o seu presente e o seu futuro.<\/p>\n<p>O terrorismo em Cabo Delgado, com perspetivas terr\u00edveis de alastrar a outras Prov\u00edncias, come\u00e7ou h\u00e1 cinco anos e n\u00e3o teve o combate necess\u00e1rio: \u2018s\u00e3o semeadas destrui\u00e7\u00f5es e mortes violentas de crian\u00e7as, de mulheres e homens inocentes e pessoas de boa vontade, como foi a Irm\u00e3 Maria de Coppi, assassinada a 6 de setembro, no ataque \u00e0 Miss\u00e3o de Chipene, Diocese de Nacala\u2019. Os Bispos consideram inaceit\u00e1vel a continua\u00e7\u00e3o deste sofrimento desumano que frustra \u2018o sonho de sermos uma na\u00e7\u00e3o de paz, conc\u00f3rdia, independente, justa e solid\u00e1ria\u2019. O mais dram\u00e1tico \u00e9 que \u2018jovens mo\u00e7ambicanos continuam a engrossar as fileiras dos que semeiam o terror\u2019. Talvez porque tenham perdido a \u2018esperan\u00e7a num futuro favor\u00e1vel\u2019 (\u2026) sem oportunidades de construir uma vida digna\u2019.<\/p>\n<p>Outro problema dram\u00e1tico para as popula\u00e7\u00f5es \u00e9 o aumento insustent\u00e1vel do custo de vida. Tal situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica para as popula\u00e7\u00f5es mais pobres arrasta para a mis\u00e9ria extrema pessoas que j\u00e1 t\u00eam vidas muito sofridas. Culpa-se a covid, as \u2018d\u00edvidas ocultas\u2019, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a guerra na Ucr\u00e2nia. Mas, no interior do pa\u00eds, h\u00e1 que combater as desigualdades gritantes, sendo necess\u00e1rias \u2018pol\u00edticas corajosas que eliminem o crescente abismo existente entre ricos e pobres\u2019, situa\u00e7\u00e3o que pode conduzir a convuls\u00f5es sociais, pondo em causa a paz e a coes\u00e3o social, pois \u2018nenhuma paz sobrevive a exclus\u00f5es e a injusti\u00e7as sociais\u2019.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 denunciada pelos Bispos, \u2018como outro dos grandes males que frustram o sonho de ser uma na\u00e7\u00e3o independente, desenvolvida e de bem-estar para os seus cidad\u00e3os\u2019. Esta \u2018praga social\u2019 est\u00e1 na origem \u2018da delapida\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da riqueza e de todo o tecido social\u2019, comprometendo \u2018o projeto de um pa\u00eds livre, justo e solid\u00e1rio\u2019. O favorecimento de grandes projetos econ\u00f3micos com capitais estrangeiros tamb\u00e9m leva \u00e0 retirada de muitas pessoas das suas terras, sem dar espa\u00e7o ao di\u00e1logo, mas criando um \u2018controlo social\u2019 que gera medo e p\u00f5e em causa os direitos humanos e a liberdade de express\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es a este documento chegam-me de v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds. O P. Alberto Tchindemba, angolano a trabalhar em Nampula, acha que os Bispos percebem bem quanto o pa\u00eds est\u00e1 a sofrer e considera que \u2018a paz em Mo\u00e7ambique \u00e9 ainda uma miragem, pois n\u00e3o h\u00e1 uma aposta s\u00e9ria em iniciativas geradoras de paz no seio da popula\u00e7\u00e3o\u2019. \u00c9 de opini\u00e3o que o governo tem de fazer muito mais pela seguran\u00e7a e bem-estar das popula\u00e7\u00f5es que se sentem indefesas e empobrecidas, v\u00edtimas da corrup\u00e7\u00e3o, do terrorismo, de um certo nepotismo, bem como de um r\u00e1pido e insustent\u00e1vel aumento do custo de vida. O P. M\u00e1rio Jo\u00e3o Soares, diocesano do Porto em Nacala, diz que a Nota da CEM \u2018fica pelas palavras e n\u00e3o aponta a\u00e7\u00f5es concretas para combater estas amea\u00e7as. Como nos diz o Papa Francisco na sua mensagem para o dia Mundial dos Pobres \u2018n\u00e3o servem ret\u00f3ricas, mas arrega\u00e7ar as mangas e p\u00f4r em pr\u00e1tica a f\u00e9 atrav\u00e9s dum envolvimento direto\u2019. Eu por c\u00e1 vou tentar arrega\u00e7ar as mangas\u2026\u2019 \u2013 conclui. O P. Raul Viana, Superior da Miss\u00e3o de Itoculo, reage: \u2018Est\u00e1 l\u00e1 tudo dito: \u2018os 50 anos de independ\u00eancia ainda \u00e9 sonho por concretizar; os jovens n\u00e3o t\u00eam perspetivas de futuro, por isso deixam-se levar por grupos de terroristas; a falta de liberdade de express\u00e3o \u00e9 cada vez mais forte em Mo\u00e7ambique; a corrup\u00e7\u00e3o e as dificuldades de vida da maioria dos mo\u00e7ambicanos, com uma economia que gera ricos e aumenta a pobreza do povo simples\u2019. Para o P. Edmilson Semedo, caboverdiano, na Matola (Maputo), \u2018renasce o sonho de uma Igreja chamada a ser voz dos sem voz e dos oprimidos pela viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o, guerra, pobreza e falta de perspetiva de futuro\u2019. Cristina Fontes, Leiga Volunt\u00e1ria em Nacala, partilha: \u2018A n\u00f3s, Igreja, cabe-nos continuar a acreditar pelos nossos jovens, continuar a manter viva a esperan\u00e7a de que o bonito sonho de paz, unidade e democracia, que se projectou para Mo\u00e7ambique h\u00e1 quase 50 anos, \u00e9 poss\u00edvel!\u2019<\/p>\n<p>A palavra final dos Bispos aponta para o seu compromisso em favor do povo, com a firme convic\u00e7\u00e3o de que \u2018uma sociedade solid\u00e1ria e em paz \u00e9 poss\u00edvel\u2019.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Mo\u00e7ambique a ferro e fogo\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" 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