{"id":26053,"date":"2007-07-24T10:44:21","date_gmt":"2007-07-24T10:44:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/24\/estar-em-missao\/"},"modified":"2007-07-24T10:44:21","modified_gmt":"2007-07-24T10:44:21","slug":"estar-em-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estar-em-missao\/","title":{"rendered":"Estar em Miss\u00e3o\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o momento intenso de olharmos alguns dos rostos que nos s\u00e3o queridos quase como se fosse a \u00faltima vez que os fossemos ver, com um misto de sensa\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 at\u00e9 amanh\u00e3\u2026 passamos o limiar das escadas rolantes do Aeroporto da Portela e embarcamos nessa Grande Viagem que ainda est\u00e1 toda por descobrir, por nos acontecer! Quando deito a cabe\u00e7a na almofada, j\u00e1 em Maputo, \u00e9 que tomo consci\u00eancia: &#8220;Espera l\u00e1, estou mesmo em \u00c1frica e agora s\u00f3 daqui a um ano \u00e9 que volto a ver aquela gente (fam\u00edlia e amigos) &#8220;, gente que embarcou comigo, num pequeno caderno azul repleto de mensagens, pequenos tesouros, que me v\u00e3o acompanhar nos primeiros dias\u2026 uma de cada vez\u2026 lida e saboreada antes do adormecer, \u00e0 luz da lanterna, dentro da rede mosquiteira. Recordo uma das primeiras sensa\u00e7\u00f5es que tive quando cheguei ao Niassa\u2026 ainda n\u00e3o tinha sequer chegado \u00e0 minha terra de Miss\u00e3o, Cuamba. Encontrava-me em Lichinga, \u00e0 espera de boleia para o nosso destino final. Foi uma tarde em que acompanhei duas leigas, uma irm\u00e3 e algumas &#8220;mam\u00e3s&#8221; da Pastoral de Sa\u00fade, numa visita a uma &#8220;mam\u00e3&#8221; doente.  Foi dos momentos mais fortes que vivi em Miss\u00e3o, o meu primeiro contacto com as comunidades, com os bairros de palhotas, com uma l\u00edngua linda e indecifr\u00e1vel, com uma simplicidade que comove, de t\u00e3o bela que \u00e9.  Aquele momento em que a Irm\u00e3 falou com a &#8220;mam\u00e3&#8221; para tentar perceber o que lhe tinha acontecido, a serenidade com que rez\u00e1mos para que a &#8220;mam\u00e3&#8221; melhorasse, o estarmos sentadas em roda, nas esteiras e nos banquinhos de madeira, junto \u00e0 terra vermelha, por baixo de um c\u00e9u muito azul\u2026 fez-me sentir t\u00e3o pr\u00f3xima de Deus\u2026 e logo ali ao lado, uns momentos depois, visit\u00e1mos uma menina com um beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido nos bra\u00e7os, que tinha vindo ao mundo h\u00e1 apenas alguns dias e ainda n\u00e3o tinha nome\u2026 no regresso a casa, com os cabelos ao vento, sentada na caixa aberta, n\u00e3o era capaz de dizer nada\u2026 o meu cora\u00e7\u00e3o tinha-se aberto a \u00c1frica\u2026 de tal forma que o meu sorriso se embebia de Paisagem num sil\u00eancio profundo que s\u00f3 pode existir quando o C\u00e9u toca a Terra, quando Deus est\u00e1 por perto\u2026  Esta \u00e9 apenas uma das minhas viv\u00eancias de um ano de Miss\u00e3o por terras long\u00ednquas\u2026 e talvez sentida de forma t\u00e3o intensa por ser das primeiras\u2026 mas houve muitas mais\u2026 momentos especiais que me transformaram para sempre, talvez s\u00f3 poss\u00edveis de partilhar verdadeiramente com quem fez caminho comigo, a minha fam\u00edlia de l\u00e1\u2026 a minha comunidade (as tr\u00eas &#8220;cuambitas&#8221; com quem vivi) \u2026  e tamb\u00e9m algumas pessoas que descobri na minha terra de ac\u00e1cias rubras e palhotas de matope e capim\u2026 pessoas dos 4 cantos do mundo! Entre Macuas e Mission\u00e1rios fui aprendendo a Ser\u2026 a Ser Mais\u2026 mais simples\u2026 mais livre\u2026 mais despojada\u2026 mais crist\u00e3\u2026 mais mo\u00e7ambicana\u2026 mais feliz\u2026  Tenho saudades de percorrer aqueles caminhos de terra batida, entre palhotas e capim verde, apenas com umas chinelas nos p\u00e9s, atravessando o matope seco e saudando as &#8220;mam\u00e3s&#8221; e as crian\u00e7as de coloridas capulanas, transportando \u00e1gua na cabe\u00e7a e sorrindo genuinamente com um sorriso que nos abra\u00e7a e nos faz sentir em casa\u2026 a n\u00f3s, &#8220;mucunhas&#8221; de Portugal que j\u00e1 sabemos dizer: &#8220;Salama!&#8221; (ol\u00e1! Como est\u00e1?). Fica aqui a tentativa de partilhar convosco um bocadinho do que vivi em Miss\u00e3o\u2026 esperando que este testemunho possa ser uma Semente que fa\u00e7a crescer a vontade de Partir\u2026 de Partir e de Amar\u2026  <i>Joana M\u00e1xima Neves (Leigos para o Desenvolvimento Cuamba 2005\/2006 &#8211; Mo\u00e7ambique)<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o momento intenso de olharmos alguns dos rostos que nos s\u00e3o queridos quase como se fosse a \u00faltima vez que os fossemos ver, com um misto de sensa\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 at\u00e9 amanh\u00e3\u2026 passamos o limiar das escadas rolantes do Aeroporto da Portela e embarcamos nessa Grande Viagem que ainda est\u00e1 toda por descobrir, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,154,187,206,244,262],"class_list":["post-26053","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-crianca","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-leigos-para-o-desenvolvimento","tag-mocambique"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26053"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26053\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}