{"id":26049,"date":"2007-07-24T10:31:22","date_gmt":"2007-07-24T10:31:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/24\/ferias-em-filosofia\/"},"modified":"2007-07-24T10:31:22","modified_gmt":"2007-07-24T10:31:22","slug":"ferias-em-filosofia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ferias-em-filosofia\/","title":{"rendered":"F\u00e9rias em filosofia"},"content":{"rendered":"<p>A vida s\u00e3o dois dias, o Carnaval, tr\u00eas. Diz-se a brincar, como um h\u00e1bil jogo de palavras e n\u00fameros, como se nada, de facto, se quisesse dizer. Estes tr\u00eas dias acabam por ter algo de religioso. Tr\u00eas dias de festa estridente que precedem a quarentena de cinzas e penit\u00eancia. Ou a alus\u00e3o aos tr\u00eas dias de Paix\u00e3o de Cristo que terminaram na Ressurrei\u00e7\u00e3o. Ou escondendo ainda um outro conceito: a vida dura pouco, menos que um divertimento de Carnaval e por isso n\u00e3o vale a pena perder tempo com o que n\u00e3o \u00e9 apraz\u00edvel. Indo mais fundo parece insinuar-se uma filosofia de vida retintamente epicurista que valoriza antes e acima de tudo o prazer. As viagens ideol\u00f3gicas demoram o seu tempo e as mudan\u00e7as, por muito velozes que pare\u00e7am, operam\u2013se com leis r\u00edgidas que n\u00e3o permitem que a hist\u00f3ria evolua aos saltos. Entremos um pouco mais no concreto. Vivemos uma sociedade de progresso, trabalho, produ\u00e7\u00e3o, efic\u00e1cia, rendimento. Mesmo com o apoio da t\u00e9cnica e da tecnologia, nunca o homem pode dizer que o seu tempo de vida \u00e9 de lazer, como aconteceria a Ad\u00e3o, n\u00e3o fora o pecado original. Mas o facto \u00e9 que o conceito de Carnaval como divertimento de choque, excita\u00e7\u00e3o, entretenimento esgotante, vai-se estendendo a outras \u00e1reas. O repouso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que era. E para muitos, o pr\u00f3prio tempo de f\u00e9rias constitui uma multiplica\u00e7\u00e3o \u2013 um compacto, como ora se diz \u2013 de entretenimentos que se escolhem como em carta de vinhos e se consomem at\u00e9 \u00e0 embriagu\u00eas. Umberto Eco fala mesmo da carnavaliza\u00e7\u00e3o da vida face aos espect\u00e1culos constantes que as pessoas procuram, nomeadamente atrav\u00e9s dos media que s\u00e3o os agentes deste divertimento non stop quer de informa\u00e7\u00e3o quer de fic\u00e7\u00e3o. Aparte outros considerandos parece urgente rever a concep\u00e7\u00e3o de repouso, divertimento, festa, corte do trabalho quotidiano (quantas vezes o fim de semana \u00e9 concebido como tempo de orgia!). Com tudo isso, h\u00e1 valores rec\u00f4nditos que n\u00e3o afloram nos tempos comuns de trabalho e rotina. H\u00e1 pausas, sil\u00eancios, escutas, olhares que s\u00f3 se descobrem num certo despojamento de alma. Ser\u00e1 por isso bom que as f\u00e9rias se n\u00e3o transformem em repeti\u00e7\u00e3o program\u00e1tica do mesmo. Se assim for, semana ap\u00f3s o recome\u00e7o do trabalho estar\u00e3o praticamente gastas. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida s\u00e3o dois dias, o Carnaval, tr\u00eas. Diz-se a brincar, como um h\u00e1bil jogo de palavras e n\u00fameros, como se nada, de facto, se quisesse dizer. Estes tr\u00eas dias acabam por ter algo de religioso. Tr\u00eas dias de festa estridente que precedem a quarentena de cinzas e penit\u00eancia. 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