{"id":260231,"date":"2022-11-16T10:38:39","date_gmt":"2022-11-16T10:38:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=260231"},"modified":"2022-11-16T10:38:39","modified_gmt":"2022-11-16T10:38:39","slug":"saber-aprender-a-sermos-comunidades-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-sermos-comunidades-familia\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A sermos comunidades-fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em Coimbra, os freis franciscanos em Santo Ant\u00f3nio dos Olivais t\u00eam o h\u00e1bito de dizer &#8211; <em>\u00abBom dia!\u00bb<\/em> ou <em>\u00abBoa tarde!\u00bb<\/em> &#8211; e as pessoas reagem como numa fam\u00edlia, respondendo, ou mesmo no fim quando se despedem com o desejo de um bom final de dia, as pessoas agradecem e desejam o mesmo para eles. Sente-se o clima de fam\u00edlia e habitua-nos. Quando fui recentemente a uma missa em Lisboa, o padre dirigiu-se \u00e0 comunidade o mesmo cumprimento &#8211; <em>\u00abBoa tarde!\u00bb<\/em> &#8211; ao que respondi com a intensidade de voz habitual e apercebi-me ter sido o \u00fanico a faz\u00ea-lo. N\u00e3o senti vergonha, mas fiquei perplexo e a pensar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_260232\" aria-describedby=\"caption-attachment-260232\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maya-reagan-FVrgRgd3mlE-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-260232\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maya-reagan-FVrgRgd3mlE-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maya-reagan-FVrgRgd3mlE-unsplash.jpg 800w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maya-reagan-FVrgRgd3mlE-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maya-reagan-FVrgRgd3mlE-unsplash-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maya-reagan-FVrgRgd3mlE-unsplash-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maya-reagan-FVrgRgd3mlE-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-260232\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Maya Reagan em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma sauda\u00e7\u00e3o inicial como &#8220;O Senhor esteja convosco&#8221; leva a uma resposta imediata da comunidade que diz &#8211; &#8220;Ele est\u00e1 nos meio de n\u00f3s&#8221;, mas depois deste epis\u00f3dio fiquei a pensar se n\u00e3o se tornaram pr\u00f3-formas da vida espiritual que fazem parte dos rituais, mas que os sentimos e vivemos muito pouco em algumas das nossas comunidades, sobretudo nas grandes cidades e centros urbanos. E se o facto deve-se a que as comunidades deixaram de pensar no seu sentido de existir como semelhante ao de uma fam\u00edlia. Felizmente, existem par\u00f3quias em Lisboa conscientes da import\u00e2ncia de nos darmos conta de como somos familia.<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/www.paroquiasantajoana.pt\/pt\/evangelizacao\/Familia\/1001\/\">Par\u00f3quia\u00a0de Santa Joana Princesa<\/a>, o site tem explicitamente escrito que &#8211; <em>\u00abA Par\u00f3quia \u00e9 uma fam\u00edlia de fam\u00edlias. Cada fam\u00edlia, que \u00e9 em si uma comunidade de vida e de amor, \u00e9 chamada a ser a c\u00e9lula da sociedade e, desde logo, tamb\u00e9m da comunidade crist\u00e3. Lugar de encontro entre v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, lugar onde o amor se experimenta, se oferece e se desenvolve, a fam\u00edlia \u00e9 tamb\u00e9m, muitas vezes, lugar de sofrimento, de dificuldades e passa por crises.\u00bb<\/em> Por isso, se um \u201cbom dia\u201d correspondido pode levar o estranho que vai aquela missa a sentir-se em fam\u00edlia, um \u201cbom dia\u201d n\u00e3o correspondido pode levar outros (como eu) a sentir a indiferen\u00e7a e alguma frieza que leva a pensar se aquela comunidade-fam\u00edlia paroquial n\u00e3o estaria a passar por alguma dificuldade.<\/p>\n<p>No passado dia 24 de outubro, o Papa Francisco falou \u00e0 Comunidade Acad\u00e9mica do Pontif\u00edcio Instituto Teol\u00f3gico Jo\u00e3o Paulo II para as Ci\u00eancias do Matrim\u00f3nio e da Fam\u00edlia e <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2022\/october\/documents\/20221024-istitutogp.html\">disse<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n<blockquote><p>\u00abA fam\u00edlia continua a ser uma \u201cgram\u00e1tica antropol\u00f3gica\u201d insubstitu\u00edvel dos afetos humanos fundamentais. A for\u00e7a de todos os la\u00e7os de solidariedade e amor aprende os seus segredos ali, na fam\u00edlia. Quando esta gram\u00e1tica \u00e9 negligenciada ou perturbada, toda a ordem das rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais sofre as suas feridas. E, por vezes, s\u00e3o feridas profundas, muito profundas.<\/p>\n<p>Por exemplo: n\u00e3o vai porventura o voluntariado social buscar a estes la\u00e7os generativos e fraternos de amor os s\u00edmbolos e as modalidades das suas melhores rela\u00e7\u00f5es? A prote\u00e7\u00e3o dos indefesos n\u00e3o tem a sua raiz no cuidado com o gerado? A fraternidade n\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia f\u00e1cil, claro, mas haver\u00e1 porventura melhor forma do que nascer como irm\u00e3os e irm\u00e3s para compreender o significado de ser \u2014 todos n\u00f3s \u2014 igualmente humanos?<\/p>\n<p>Eis ent\u00e3o, irm\u00e3os e irm\u00e3s, quais s\u00e3o as fronteiras do desafio que nos impele a retomar o fio da irradia\u00e7\u00e3o de todos os componentes do amor familiar \u2014 e n\u00e3o apenas do casal \u2014 para toda a sociedade. A qualidade do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia decide a qualidade do amor do indiv\u00edduo e os la\u00e7os da pr\u00f3pria comunidade humana.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>Se o Papa reconhece o efeito causal da gram\u00e1tica da fam\u00edlia na sociedade, maior ainda ser\u00e1 esse efeito quando pensamos nas nossas comunidades-fam\u00edlia paroquiais.<\/p>\n<p>Se lermos o documento dedicado \u00e0 etapa continental do Caminho Sinodal, e pensarmos na liturgia como um espa\u00e7o privilegiado de encontro da comunidade-fam\u00edlia paroquial, damo-nos conta de como a experi\u00eancia de uma simples missa que celebramos juntos pode inspirar-nos um sentido de presen\u00e7a com Deus em n\u00f3s e entre n\u00f3s, sublinhando a unidade da comunidade e a alegria de viver. Mas essa celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 isenta das dificuldades que muitos sentem com o protagonismo lit\u00fargico do sacerdote e a passividade dos participantes.<\/p>\n<p>Ao escutar aquele <em>\u00abBoa tarde!<\/em> do sacerdote senti que ele desejava centrar o protagonismo da celebra\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia de fam\u00edlia que uma simples sauda\u00e7\u00e3o poderia suscitar, mas a passividade dos participantes serviu de bloqueio a essa inten\u00e7\u00e3o. Haver\u00e1 motivo para pensar nas comunidades urbanas das grandes cidades como frias e onde o anonimato \u00e9 prefer\u00edvel ao relacionamento pessoal?<\/p>\n<p>Num destes dias, quando estava na missa e o Frei que conduzia a celebra\u00e7\u00e3o referia logo de in\u00edcio como se sentia que est\u00e1vamos todos cansados ao fim de um dia de trabalho, e agradecia ao coro com guitarras que dava \u00e2nimo com a m\u00fasica, com simples palavras fez-nos a todos sentir que est\u00e1vamos em casa, em fam\u00edlia. Partilh\u00e1vamos naquele momento as nossas dores e alegrias. Talvez existam Igrejas cujo espa\u00e7o \u00e9 demasiado grande aos dias de semana para nos levar a experimentar a comunidade paroquial como fam\u00edlia. A vida interior \u00e9 um caminho pessoal e relacional. A harmonia do espa\u00e7o depende da proximidade que sentimos ao estarmos uns dos outros. E se estamos demasiado cansados ou atarefados para sentir o desejo de vivermos mais como comunidades-fam\u00edlia, creio que seria o momento de pedir a Deus uma gra\u00e7a particular de convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Se um desconhecido n\u00e3o experimentar entrar num momento da comunidade paroquial como um momento de fam\u00edlia, como poderemos esperar que ele (eventualmente um agn\u00f3stico) possa experimentar Deus como Pai e como Irm\u00e3o por meio do Esp\u00edrito Santo que se pode sentir pelo amor vivido entre os membros da comunidade? Por vezes pensamos que a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o passa pelos grandes eventos (como as Jornadas Mundiais da Juventude) ou as grandes convers\u00f5es testemunhadas em eventos de massa, mas a vida transforma-se no quotidiano, atrav\u00e9s das pequenas coisas que podem suceder-se frequentemente. Coisas como entrar numa Igreja, o sacerdote cumprimentar as pessoas, essas responderem e o desconhecido sentir-se em casa, em fam\u00edlia, e acolhido mesmo que n\u00e3o lhe perguntem o nome.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-260231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=260231"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260231\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=260231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=260231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=260231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}