{"id":25927,"date":"2007-07-16T16:27:32","date_gmt":"2007-07-16T16:27:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/16\/conclusoes-do-coloquio-europeu-de-paroquias\/"},"modified":"2007-07-16T16:27:32","modified_gmt":"2007-07-16T16:27:32","slug":"conclusoes-do-coloquio-europeu-de-paroquias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-do-coloquio-europeu-de-paroquias\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es do Col\u00f3quio Europeu de par\u00f3quias"},"content":{"rendered":"<p><b>Peritos, temas e visitas<\/b> Ao longo dos quatro dias do encontro (9 a 12 de Julho) foram apresentados por peritos, a quem foram pedidas interven\u00e7\u00f5es, os seguintes temas, a que sempre se seguiam reuni\u00f5es de grupos: \u201cAp\u00f3s a seculariza\u00e7\u00e3o, uma Europa crist\u00e3?\u201d, por Joel Morlet, do Instituto Cat\u00f3lico de Paris; \u201cHabitar este mundo: do interior ou do exterior? \u2013 perspectivas b\u00edblicas\u201d, por J. Franclim Pacheco, da Universidade Cat\u00f3lica, Aveiro; \u201cO cristianismo: uma maneira de habitar o mundo\u201d, por Salvador Pi\u00e9-Ninot, da Faculdade de Teologia da Catalunha e da Universidade Gregoriana de Roma. Os participantes visitaram v\u00e1rias par\u00f3quias da diocese do Porto, contactando com as suas estruturas e seus movimentos, partilhando experi\u00eancias e projectos, e celebraram uma Eucaristia solene, presidida pelo Bispo do Porto, na Igreja de Cedofeita, que contou com a participa\u00e7\u00e3o do Coro daquela par\u00f3quia e em que foi utilizado tamb\u00e9m o latim na ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e nas aclama\u00e7\u00f5es. Na sess\u00e3o de encerramento, foram lidas as conclus\u00f5es, que apresentamos no seu texto integral, traduzido a partir do original franc\u00eas (as l\u00ednguas oficiais eram o portugu\u00eas, o espanhol, o franc\u00eas, o ingl\u00eas o alem\u00e3o e o flamengo, e mesmo o ucraniano, havendo tradu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea). <b>Conclus\u00f5es do Encontro: Habitar crist\u00e3mente o nosso tempo<\/b> Ao longo do seu desenvolvimento \u2013 pelas interven\u00e7\u00f5es dos conferencistas e as trocas de impress\u00f5es nos grupos de trabalho \u2013 o Col\u00f3quio ofereceu a possibilidade de entrar em conjunto na compreens\u00e3o do tema que importa agora explicitar em jeito de conclus\u00f5es gerais dos trabalhos. Duas anota\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias se imp\u00f5em, antes de expor as conclus\u00f5es sob a forma de tr\u00eas verbos: <b>Notas gramaticais: discursos que nos impliquem<\/b> Aprendemos, em primeiro lugar, a falar em \u201cn\u00f3s\u201d. Estamos de facto habituados a discursos que come\u00e7am por \u201cN\u00f3s\u201d. Quando se trata da Igreja, como do mundo, falar de \u201ceu\u201d ou \u201cv\u00f3s\u201d sugere que falamos em termos de separa\u00e7\u00e3o ou de distanciamento. Ora, nesta mat\u00e9ria, n\u00e3o h\u00e1 lugar para elaborar discursos que edifiquem separa\u00e7\u00f5es, como se estiv\u00e9ssemos \u201cde fora\u201d do mundo e da Igreja. Desde que falamos da Igreja, a que pertencemos pela gra\u00e7a do nosso Baptismo, ou tratamos do mundo, a que pertencemos pela nossa humanidade, cabe-nos manter um discurso de responsabilidade. Este mundo foi-nos confiado pelo Criador e a hist\u00f3ria \u00e9-nos oferecida para ser conduzida \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o segundo a P\u00e1scoa de Cristo e o dom do seu Esp\u00edrito. Por isso somos chamados a edificar discursos que prioritariamente nos impliquem. A\u00ed se encontra uma descoberta maior que exprime bem a nossa implica\u00e7\u00e3o essencial no seio da comunidade eclesial que caminha no cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da humanidade. Aprendamos pois e edificar discursos que sempre nos impliquem. \u00c9 a partir desta considera\u00e7\u00e3o \u201ccomunit\u00e1ria\u201d do \u201cn\u00f3s\u201d que nos podemos em seguida concentrar sobre o \u201ceu\u201d ou sobre outros sujeitos particulares. Em segundo lugar, o Col\u00f3quio ensinou-nos que \u00e9 conveniente explicitar a identidade crist\u00e3 por verbos, mais que por substantivos. A imagem do sal, clara o forte, recorda-nos que o cristianismo \u00e9 tanto uma gra\u00e7a como uma tarefa \u2013 Gabe und Aufgabe \u2013 para tornar este mundo mais \u201chabit\u00e1vel\u201d. O cristianismo \u00e9, neste sentido, uma qualifica\u00e7\u00e3o activa do nosso ser e do nosso agir que nos leva a transformar a realidade, a conduzi-la \u00e0 sua plena realiza\u00e7\u00e3o. <b>Tr\u00eas verbos<\/b> \u201cHabitar crist\u00e3mente o nosso tempo\u201d requer das nossas realidades eclesiais, e em primeiro lugar das nossas par\u00f3quias, mas tamb\u00e9m das pessoas e dos grupos as tr\u00eas posturas seguintes: <b>Ouvir<\/b> Nestes dias falou-se muito de escuta. Com o verbo \u201cescutar\u201d indicamos, ou ao menos sugerimos uma disposi\u00e7\u00e3o de abertura activa do sujeito em direc\u00e7\u00e3o ao outro, uma vontade de aprender com os outros, um reconhecimento, ao menos impl\u00edcito, da necessidade e da falta. Esta escuta, \u00e9 conveniente p\u00f4-la em ac\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o com a Palavra de Deus \u2013 este Deus que nos fala no cora\u00e7\u00e3o deste mundo. Importa escutar este \u201cmundo\u201d ou este \u201ctempo\u201d, porque \u00e9 no seio da hist\u00f3ria dos seres humanos que se inscreve a hist\u00f3ria do povo de Deus. A escuta convida-nos a activar tr\u00eas atitudes que os trabalhos de grupo fizeram ressaltar no fim dos trabalhos: &#8211; ultrapassar todas as tenta\u00e7\u00f5es de medo; este paralisa-nos e fecha-nos em n\u00f3s pr\u00f3prios, impedindo-nos de escutar; &#8211; aprender a paci\u00eancia daqueles que possuem a tranquila seguran\u00e7a de que a hist\u00f3ria \u00e9 conduzida por Deus, pela gra\u00e7a do seu Esp\u00edrito, para ser conduzida ao seu t\u00e9rmino; &#8211; fomentar uma abertura \u00e0 transcend\u00eancia, uma rela\u00e7\u00e3o directa com Deus na ora\u00e7\u00e3o, uma postura de louvor e de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as \u2013 enquadrado em tudo isso a comunh\u00e3o dos santos. <b>Discernir<\/b> A escuta exige da nossa parte uma segunda postura, a de \u201cdiscernir\u201d. Acabaremos por tirar proveito da nossa escuta. \u00c9 preciso \u201creconhecer\u201d o que devemos reter dessa escuta. Quais s\u00e3o os frutos da nossa escuta de outrem, de Deus, etc.? Tal \u00e9 o discernimento que devemos operar para habitar o nosso tempo. O discernimento entende-se a partir da\u00ed como uma capacidade activa que nos \u00e9 dada pela presen\u00e7a do Esp\u00edrito. Este permite-nos reconhecer os sinais da presen\u00e7a do Senhor na hist\u00f3ria. Permite-nos descobrir as marcas que Deus inscreve na hist\u00f3ria da nossa humanidade. Este exerc\u00edcio conduz-nos \u00e0 descoberta maravilhada de sermos reunidos como um povo, o povo de Deus O discernimento ajuda-nos a desenvolver tr\u00eas atitudes: &#8211; tomar permanentemente como nosso o convite dos Padres conciliares do Vaticano II a descobrir os sinais dos tempos;  &#8211; tomar como nossa igualmente a imagem de uma Igreja que faz do di\u00e1logo am\u00e1vel o seu estilo habitual de anunciar o Evangelho, para transmitir a mem\u00f3ria crist\u00e3, para conduzir \u00e0 f\u00e9; &#8211; fazer nossa a imagem de uma Igreja que se desprega em redes que implicam por t\u00edtulos diversos as pessoas e as comunidades que provaram j\u00e1 alguma coisa da Boa Nova; &#8211; fazer nossa a imagem de uma Igreja que j\u00e1 n\u00e3o sonha ser um mundo \u00e0 parte, mas que tem a capacidade requerida para se inserir na pluralidade e na diversidade dos homens e das mulheres do nosso tempo. <b>Caminhar<\/b> Igrejas, par\u00f3quia, crist\u00e3os que praticam o discernimento e reconhecem os sinais dos tempos s\u00e3o definitivamente conduzidos a imaginar as suas institui\u00e7\u00f5es na caminhada com todos os homens. \u00c9 pelo menos a convic\u00e7\u00e3o que se retira claramente das nossas trocas de experi\u00eancias. Trata-se de rasgar estradas, de tra\u00e7ar caminhos ao longo dos quais Deus se d\u00e1 a reconhecer como companheiro da nossa humanidade.  \u00c9 assim que fazemos a experi\u00eancia duma Igreja itinerante, \u201cperegrina\u201d. Os instrumentos para abrir estes caminhos s\u00e3o m\u00faltiplos e variados. Citamos sobretudo a diaconia, a cultura, a educa\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o, a transmiss\u00e3o de valores, etc. A itiner\u00e2ncia eclesial e a condi\u00e7\u00e3o peregrina dos crentes encorajam-nos a desenvolver quatro atitudes, tais como foram retiradas dos nossos di\u00e1logos: &#8211; estar ao lado dos pobres, permanecer junto deles, ser solid\u00e1rios com os \u201cnovos\u201d pobres que a sociedade n\u00e3o consegue ver, como os imigrados; &#8211; mobilizar-se para uma Igreja que se desprega numa pluralidade de minist\u00e9rios para anunciar o Evangelho, que d\u00e1 a primazia \u00e0s linguagens do servi\u00e7o e da miss\u00e3o; &#8211; ocupar-se, segundo as compet\u00eancias e as responsabilidades de cada um, das grandes quest\u00f5es colectivas, tais como a economia e a ecologia, principalmente no contexto da mundializa\u00e7\u00e3o; &#8211; ter a \u00e2nsia do \u201cn\u00f3s\u201d da Igreja, tanto na nossa forma de falar como na de agir, particularmente no terreno de forma\u00e7\u00e3o, descobrindo-nos desta forma como solid\u00e1rios para o testemunho e a miss\u00e3o. <b>Conclus\u00e3o<\/b> Ser\u00e1 que o col\u00f3quio foi um laborat\u00f3rio? Esta \u00e9 a nossa convic\u00e7\u00e3o enquanto \u201cperitos\u201d, na tarefa que nos foi atribu\u00edda de acompanhar a reflex\u00e3o dos participantes no vai-e-vem entre as propostas dos intervenientes e as trocas de opini\u00e3o nos grupos de trabalho. Pensamos com efeito que o nosso col\u00f3quio foi um belo exemplo duma Igreja que \u201chabita o nosso tempo\u201d, na procura do \u201cmundo que Deus ama\u201d. O Col\u00f3quio mostrou-nos as dificuldades, os limites, mas tamb\u00e9m as energias e os recursos que s\u00e3o os nossos na caminhada com os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s na humanidade. Foi esta din\u00e2mica de \u201chabita\u00e7\u00e3o\u201d que conseguimos descobrir melhor no Col\u00f3quio \u2013 neste tempo de convivialidade e de reflex\u00e3o que foi o encontro destes dias. Importa agora que \u201cnos\u201d preparamos para viver um outro tempo \u2013 o tempo \u201cseguinte\u201d \u2013 desta din\u00e2mica, a saber, o tempo do envio, da miss\u00e3o. Porque \u00e9 nos caminhos do mundo, no cora\u00e7\u00e3o deste tempo, que o Ressuscitado nos precede. <i>Alphonse Borras, Luca Bressan &#038; Gaspar Mora<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peritos, temas e visitas Ao longo dos quatro dias do encontro (9 a 12 de Julho) foram apresentados por peritos, a quem foram pedidas interven\u00e7\u00f5es, os seguintes temas, a que sempre se seguiam reuni\u00f5es de grupos: \u201cAp\u00f3s a seculariza\u00e7\u00e3o, uma Europa crist\u00e3?\u201d, por Joel Morlet, do Instituto Cat\u00f3lico de Paris; \u201cHabitar este mundo: do interior [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170,187,191,193,203,275],"class_list":["post-25927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-educacao","tag-europa","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}