{"id":25915,"date":"2007-07-16T10:51:25","date_gmt":"2007-07-16T10:51:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/16\/mensageiros-da-misericordia\/"},"modified":"2007-07-16T10:51:25","modified_gmt":"2007-07-16T10:51:25","slug":"mensageiros-da-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensageiros-da-misericordia\/","title":{"rendered":"Mensageiros da Miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Manuel Pelino nas ordena\u00e7\u00f5es de 15 de Julho <!--more--> <b>1. Sacerd\u00f3cio um dom de Deus.<\/b> A ordena\u00e7\u00e3o de quatro presb\u00edteros \u00e9 motivo de grande alegria para a Igreja, designadamente para esta por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus formada pela diocese de Santar\u00e9m, que muito precisa e reza pelas voca\u00e7\u00f5es consagradas e hoje recebe tr\u00eas jovens sacerdotes (o Pedro Dion\u00edsio, o M\u00e1rio Taglialatela e o Ricardo Concei\u00e7\u00e3o), e tamb\u00e9m para a Companhia de Jesus, para cujo servi\u00e7o se ordena o Fernando Ant\u00f3nio, origin\u00e1rio da nossa diocese e aluno dos nossos semin\u00e1rios quase at\u00e9 ao final do curso de teologia. A sua voca\u00e7\u00e3o para a Companhia de Jesus \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de riqueza espiritual e um motivo de regozijo para a diocese de Santar\u00e9m que celebra hoje o 32\u00ba anivers\u00e1rio da sua cria\u00e7\u00e3o e se sente honrada pela escolha do Fernando de nela celebrar a ordena\u00e7\u00e3o. Recebemos estes quatro sacerdotes como um dom Deus. O sacerd\u00f3cio \u00e9, antes de mais, um dom de Deus. \u00c9 o Senhor quem os chamou, os santifica pela for\u00e7a do Seu Esp\u00edrito e os torna dispensadores dos Seus mist\u00e9rios. Os textos da liturgia real\u00e7am com insist\u00eancia o primado da iniciativa e da gra\u00e7a divinas. Assim reza o pref\u00e1cio: \u201cEle (Jesus Cristo) n\u00e3o s\u00f3 revestiu do sacerd\u00f3cio real todo o seu povo santo, mas tamb\u00e9m, de entre os seus irm\u00e3os, escolheu homens que, mediante a imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, participam do seu minist\u00e9rio sagrado\u201d. Chegamos ao sacerd\u00f3cio, n\u00e3o por iniciativa ou m\u00e9rito pessoal, mas por iniciativa e gra\u00e7a divina. Certamente que os candidatos merecem aplauso e reconhecimento pela generosidade da resposta e pela fidelidade com que servem. Mas a miss\u00e3o que realizam e os mist\u00e9rios que s\u00e3o chamados a dispensar superam as capacidades e m\u00e9ritos pessoais. Pelo sacramento da ordem somos mediadores e testemunhas dos dons de Deus que ultrapassam os nossos m\u00e9ritos humanos. A alegria pelo dom do sacerd\u00f3cio est\u00e1, portanto, associada \u00e0 ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e ao louvor a Deus, origem de todos os dons. Que Deus seja bendito e envie \u00e0 sua Igreja os obreiros do evangelho suficientes para continuar a miss\u00e3o de alimentar e fortalecer a f\u00e9 dos fi\u00e9is e de pregar o evangelho a todas as criaturas. Os nossos agradecimentos dirigem-se tamb\u00e9m a todos v\u00f3s. Aos ordinandos pela sua disponibilidade e confian\u00e7a no Senhor. Aos formadores que os acompanharam e guiaram no caminho da ades\u00e3o \u00e0 voca\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o para o minist\u00e9rio. Aos presb\u00edteros em geral que rezam pelas voca\u00e7\u00f5es e se esfor\u00e7am por tornar aud\u00edvel aos jovens o chamamento de Deus e encontrar continuadores da sua miss\u00e3o pastoral. Aos presb\u00edteros ligados mais de perto a estes ordinandos que os incentivaram e apoiaram no itiner\u00e1rio vocacional ou na pr\u00e1tica pastoral. \u00c0s fam\u00edlias de origem pela vida e educa\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 que lhes transmitiram. \u00c0s comunidades crist\u00e3s que os ajudaram a descobrir a voca\u00e7\u00e3o e a crescer na dedica\u00e7\u00e3o ao povo de Deus. A todos os que, pela ora\u00e7\u00e3o e pela estima, apoiam as voca\u00e7\u00f5es. Que Deus vos recompense. A alegria e o louvor com que recebemos e agradecemos o dom do sacerd\u00f3cio, conduzem a uma atitude de liberdade interior no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, t\u00e3o importante num ambiente de muitas e subtis depend\u00eancias. O presb\u00edtero recebe de Deus, atrav\u00e9s da Igreja, uma miss\u00e3o e responde perante Deus e a Igreja. Dedica-se aos homens, procura atrai-los para as redes da comunh\u00e3o eclesial mas mant\u00eam a sua liberdade perante as pessoas e os grupos, perante a carreira pessoal, perante as honras e os bens do mundo. A sua for\u00e7a est\u00e1 em Deus, os seus crit\u00e9rios regem-se pelo evangelho e pelo bem das almas. Recebeu de gra\u00e7a, d\u00e1 de gra\u00e7a. A liberdade no servi\u00e7o do evangelho deve ser acompanhada da humildade que nasce da consci\u00eancia dos limites pessoais e da convic\u00e7\u00e3o de que o minist\u00e9rio n\u00e3o confere superioridade moral mas uma maior responsabilidade e disponibilidade para servir. O sacerd\u00f3cio ordenado \u00e9 apenas um sinal e um instrumento da ac\u00e7\u00e3o divina. A fonte da alegria e do louvor, da liberdade e da humildade, encontra-a o presb\u00edtero na intimidade com Deus, sua verdadeira heran\u00e7a e raz\u00e3o profunda da sua actividade pastoral. Procura, portanto, seguir o conselho de Santo Agostinho: \u201cS\u00ea homem de ora\u00e7\u00e3o antes de seres pregador\u201d. S\u00f3 a partir da amizade com Jesus Cristo e da contempla\u00e7\u00e3o do Seu rosto, poder\u00e1 testemunhar com credibilidade a Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o. A vide espiritual \u00e9 o primeiro pilar de um minist\u00e9rio feliz e fecundo. <b>2. Um Dom de Deus para a Igreja.<\/b> O minist\u00e9rio sacerdotal \u00e9 um dom de Deus para a Igreja, integra-se na constru\u00e7\u00e3o da Igreja como um templo santo edificada sobre o alicerce dos ap\u00f3stolos e em que Cristo \u00e9 a pedra angular, segundo nos afirmava a Carta aos Ef\u00e9sios que ouvimos. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o que deve processar-se de forma articulada, em que os carismas de cada um se conjugam em harmonia com a ac\u00e7\u00e3o de todo o organismo eclesial, sem protagonismos pessoais mas em conjuga\u00e7\u00e3o com outros carismas, em esp\u00edrito de equipa. Deste modo, o minist\u00e9rio do presb\u00edtero tem sentido quando exercido em Igreja e para a Igreja. Ordenamo-nos para servir a Igreja, onde e como a Igreja precisa de ser servida e n\u00e3o segundo as nossas conveni\u00eancias ou interesses. Servindo a Igreja servimos Cristo, de modo que seja o Senhor e n\u00e3o o servo a merecer a honra, a gl\u00f3ria e o louvor. Assim, o minist\u00e9rio do presb\u00edtero \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 comunh\u00e3o eclesial. Pede-se ao presb\u00edtero que testemunhe e promova a espiritualidade de comunh\u00e3o atrav\u00e9s da convers\u00e3o ao amor de Deus e ao amor fraterno. Na luz do amor de Deus aprendemos a ver os outros numa perspectiva positiva de amor, de miseric\u00f3rdia e de compreens\u00e3o. \u00c9 neste contexto que se pode cultivar a rela\u00e7\u00e3o fraterna com todos os fi\u00e9is e a amizade aberta com os colegas, vencendo as tenta\u00e7\u00f5es ego\u00edstas da inveja, do azedume, da maledic\u00eancia. A comunh\u00e3o eclesial, vivida na fraternidade das comunidades e na amizade do presbit\u00e9rio, \u00e9 o segundo pilar que d\u00e1 solidez ao exerc\u00edcio do minist\u00e9rio. <b>3.Um dom de Deus para o mundo.<\/b> O evangelho mostra-nos Jesus que atravessa a cidade de Jeric\u00f3, percorre os caminhos quotidianos que O levam ao encontro das pessoas. A certa altura presta aten\u00e7\u00e3o a um homem que procurava v\u00ea-lo do cimo de uma \u00e1rvore e dirige-lhe a palavra: \u201cZaqueu desce depressa que eu hoje devo ficar em tua casa\u201d. Zaqueu pertencia ao n\u00famero dos afastados. Jesus veio procurar os que andavam perdidos, veio para os de dentro e para os de fora, para os santos e os pecadores. A todos acolhe, de todos vai \u00e0 procura. Est\u00e1 presente na cidade e entra nas casas. Presta aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, dirige-lhes a palavra, mostra apre\u00e7o por elas, cura-lhes as feridas.  O sacerd\u00f3cio \u00e9 um dom para o mundo, para ir ao encontro de toda a gente e levar a salva\u00e7\u00e3o \u00e0s casas dos homens. O presb\u00edtero \u00e9 enviado ao mundo para testemunhar a miseric\u00f3rdia de Deus. Quantos afastados, como Zaqueu, n\u00e3o se deixariam transformar se f\u00f4ssemos ao encontro deles, lhes prest\u00e1ssemos aten\u00e7\u00e3o e ped\u00edssemos a sua colabora\u00e7\u00e3o? A paix\u00e3o pela evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 outro pilar da fidelidade no minist\u00e9rio.  S\u00e3o Francisco de Assis \u00e9 um exemplo luminoso desta proximidade. Como chegou l\u00e1? Despojando-se de si mesmo para aprender com o Senhor a humildade e a miseric\u00f3rdia. Que a M\u00e3e de Miseric\u00f3rdia nos ensine a ser mensageiros da miseric\u00f3rdia. <i>D.Manuel Pelino, Bispo de Santar\u00e9m<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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