{"id":258344,"date":"2022-11-02T10:24:56","date_gmt":"2022-11-02T10:24:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=258344"},"modified":"2022-11-02T10:25:21","modified_gmt":"2022-11-02T10:25:21","slug":"saber-aprender-a-evoluir-para-a-santidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-evoluir-para-a-santidade\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A evoluir para a santidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quando era jovem ouvi e jamais esqueci que \u201cser santo \u00e9 ser feliz\u201d. E no dia de Todos os Santos escut\u00e1mos as <em>Bem-aventuran\u00e7as<\/em> que diversas vezes ouvi, tamb\u00e9m, como sendo um itiner\u00e1rio para a santidade. Por\u00e9m, por que raz\u00e3o sentimos que evolu\u00edmos pouco nessa direc\u00e7\u00e3o? O que significa evoluir na santidade? Ser\u00e1 ser mais humilde, chorar mais, andar esfomeado e sedento de justi\u00e7a, ser mais misericordioso, purificar o cora\u00e7\u00e3o (como?), promover a paz, sofrer persegui\u00e7\u00e3o, ser insultado e aceitar que digam mal contra n\u00f3s? O caminho da evolu\u00e7\u00e3o para a santidade parece ser pouco atraente. Ser\u00e1 essa a raz\u00e3o de n\u00e3o pensarmos muito nisso e, por isso, evoluirmos pouco para a santidade? Talvez seja uma quest\u00e3o de escalas de comprimento associadas a este caminho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_258345\" aria-describedby=\"caption-attachment-258345\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-258345\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"801\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Dendritico-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-258345\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Lucas van Oort em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1996, Adrian Bejan, professor na Universidade de Duke nos EUA, prop\u00f4s uma teoria chamada de <em>construtal<\/em> que diz \u2014 <em>\u00abpara um sistema finito persistir no tempo (viver) deve evoluir de modo a facilitar o acesso daquilo que flui nesse.\u00bb<\/em> \u2014 ou seja, a forma que t\u00eam as ramifica\u00e7\u00f5es de uma \u00e1rvore, ou a estruturas dos alv\u00e9olos pulmonares, ou ramifica\u00e7\u00f5es das bacias dos rios, s\u00e3o configura\u00e7\u00f5es muito semelhantes pelo modo de facilitar o fluir (seiva, ar, \u00e1gua) ser equivalente entre si. Pois, o que flui vai de um ponto para uma \u00e1rea e a forma dendr\u00edtica das redes \u00e9 a que facilita esse acesso. Um outro exemplo s\u00e3o os ecr\u00e3s rectangulares. Como a velocidade da vis\u00e3o na direc\u00e7\u00e3o horizontal depende apenas do movimento dos olhos, enquanto que na direc\u00e7\u00e3o vertical depende da cabe\u00e7a, a forma que mais facilita o acesso do olhar a qualquer ponto num ecr\u00e3 (de cinema, por exemplo) \u00e9 aquele cujo comprimento for maior na direc\u00e7\u00e3o onde a velocidade \u00e9 maior. Por isso \u00e9 que os nossos ecr\u00e3s s\u00e3o ao largo e n\u00e3o ao alto.<\/p>\n<p>Para caracterizarmos cada configura\u00e7\u00e3o, de modo a percebermos como evoluem, Bejan diz que precisamos de duas escalas de comprimento. Uma escala externa e uma outra interna. E \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre as duas (a primeira a dividir pela segunda) \u00e9 o que Bejan chamou de <em>Esbelteza<\/em>. E todos os sistemas evoluem no sentido do aumento da sua Esbelteza. Que compreens\u00e3o nova pode esta teoria suscitar na met\u00e1fora do caminho que nos ajude a orientar a sua evolu\u00e7\u00e3o para a santidade?<\/p>\n<p>Falar de caminho para a santidade \u00e9 uma met\u00e1fora porque todo o caminho pressup\u00f5e etapas de crescimento pessoal que nos fazem experimentar um amadurecimento mental e espiritual como uma viagem. A vers\u00e3o mais b\u00e1sica de um caminho espiritual seria a de come\u00e7ar num ponto afastado de Deus e chegar a um ponto mais pr\u00f3ximo de Deus. Como Deus \u00e9 tudo em todos (1 Cor 15, 28), o caminho de santidade \u00e9 mais colectivo e relacional do que singular e individual. E diz o Papa Francisco na <em>Gaudete et Exsultate<\/em> (GE), a que o sacerdote na homilia do Dia de Todos os Santos convidava a (re)ler, que \u2014 <em>\u00abA santifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho comunit\u00e1rio, que se deve fazer dois a dois.\u00bb<\/em> (GE 141). \u2014 Ou seja, \u00e9 um caminho que fazemos mais juntos do que individualmente nestes tempos. Por\u00e9m, de modo a olhar para o caminho de santidade de um ponto de vista construtal, importa perceber o que flui.<\/p>\n<p>Se ser santo \u00e9 ser feliz, ser\u00e1 a felicidade o que flui e estrutura o caminho? Talvez a felicidade seja mais uma consequ\u00eancia, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o faria muito sentido as Bem-aventuran\u00e7as come\u00e7arem sempre por &#8220;Felizes os&#8230;&#8221;. E se pud\u00e9ssemos associar uma palavra a cada Bem-aventuran\u00e7a, dir-se-ia que a simplicidade, gentileza, empatia, solidariedade, compaix\u00e3o, pureza, concilia\u00e7\u00e3o, humildade subjacentes \u00e0 proposta contra-a-corrente que Jesus nos faz, brotam do <em>amor<\/em>. Penso que seja o <em>amor<\/em> aquilo que flui no caminho da santidade. O amor configura-nos e, atrav\u00e9s do nosso amar, configuramos o espa\u00e7o onde podemos experimentar a presen\u00e7a de Deus entre n\u00f3s, ou seja, as nossas comunidades.<\/p>\n<p>A <em>Esbelteza<\/em> \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre uma escala de comprimento externa com uma escala de comprimento interna. Por isso, quando pensamos numa pessoa esbelta, imaginamos que seja alta (comprimento externo) e magra (comprimento interno com base na raiz c\u00fabica do volume). No caso da <em>Esbelteza da Santidade<\/em>, a escala de comprimento externa est\u00e1 relacionada com a rede de rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos \u00e0 nossa volta para levar o amor que flui internamente no cora\u00e7\u00e3o e nos leva aos gestos concretos que nos conectam. A escala de comprimento interna do amor que flui depende da aproxima\u00e7\u00e3o que temos \u00e0 fonte que est\u00e1 no pr\u00f3prio Deus. Isto \u00e9, quanto mais pr\u00f3ximos estivermos de Deus, menor ser\u00e1 o comprimento interno e, consequentemente, maior a <em>Esbelteza da Santidade<\/em>.<\/p>\n<p>Saber aprender a evoluir para a santidade por aumento da nossa Esbelteza implica aumentar a qualidade dos nossos relacionamentos comunit\u00e1rios e diminuir a dist\u00e2ncia \u00e0 fonte do amor que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus. Mas ser\u00e1 que a santidade se restringe aos que acreditam em Deus? Se ser santo \u00e9 ser feliz, n\u00e3o pode um n\u00e3o-crente ser feliz e, por isso, ser santo?<\/p>\n<p>Realmente \u00e9 muito dif\u00edcil universalizar uma evolu\u00e7\u00e3o para a santidade excluindo Deus, mas se o pr\u00f3prio S. Jo\u00e3o nos testemunhou em carta que <em>Deus \u00e9 amor.<\/em> O que flui no caminho da santidade \u00e9 o pr\u00f3prio Deus. Por isso, quem amar como dom-total-de-si-mesmo, o que nos impede de pensar que Deus habita nele, ainda que ele n\u00e3o acredite nisso? Ser\u00e1 que a presen\u00e7a de Deus no cora\u00e7\u00e3o do ser humano depende do quanto esse cora\u00e7\u00e3o acredita n&#8217;Ele? N\u00e3o creio. Ou seriam v\u00e3s as palavras de S. Paulo \u00e0 comunidade de Corinto \u2014 <em>\u00aba fim de que Deus seja tudo em todos.\u00bb<\/em> (1 Cor 15, 28).<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o pode for\u00e7ar a Sua presen\u00e7a porque est\u00e1 presente em tudo o que \u00e9 real. N\u00f3s \u00e9 que podemos estar mais ou menos sens\u00edveis a essa presen\u00e7a. Por\u00e9m, a configura\u00e7\u00e3o do nosso caminho para a santidade aumentaria a sua Esbelteza, se fossemos cada vez mais sens\u00edveis \u00e0 presen\u00e7a de Deus. Como? Amando incondicionalmente.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-258344","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258344\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}