{"id":258341,"date":"2022-11-02T10:19:26","date_gmt":"2022-11-02T10:19:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=258341"},"modified":"2022-11-02T10:19:26","modified_gmt":"2022-11-02T10:19:26","slug":"sera-que-amar-e-doar-se-ate-doer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sera-que-amar-e-doar-se-ate-doer\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que amar \u00e9 doar-se at\u00e9 doer?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Esta quest\u00e3o surge ap\u00f3s ler um hilariante e desconcertante epis\u00f3dio ocorrido na pessoa Santa Teresa de Calcut\u00e1 (mais conhecida como a Madre Teresa de Calcut\u00e1). \u201cAmar \u00e9 doar-se at\u00e9 doer\u201d foi a sua resposta quando interpelada por uma jornalista que a acompanhava na sua miss\u00e3o pastoral e caritativa.<\/p>\n<p>Para compreendermos melhor esta express\u00e3o conv\u00e9m perceber o contexto da mesma. Como referi anteriormente, a Santa Madre Teresa estava a dar banho a um leproso. At\u00e9 aqui tudo normal. Por\u00e9m, para grande perplexidade da jornalista, a Madre, enquanto banhava o pobre enfermo e al\u00e9m de n\u00e3o usar qualquer fato de prote\u00e7\u00e3o \u2013 e bem sabemos como a lepra \u00e9 contagiosa (!) \u2013, n\u00e3o parava de sorrir e de acariciar aquele sofredor. At\u00f3nita e perturbada, a jornalista afirma: \u201cMadre, eu nem por um milh\u00e3o de d\u00f3lares faria o que a senhora est\u00e1 a fazer\u201d! Ao que a Madre respondeu: \u201cNem eu. Eu n\u00e3o o fa\u00e7o por dinheiro, mas por amor\u201d. Assombrada por esta afirma\u00e7\u00e3o, a jornalista faz a mais importante das quest\u00f5es: \u201cMadre, o que \u00e9 isso de amar? O que \u00e9 o amor\u201d? Tome aten\u00e7\u00e3o \u00e0 resposta da Madre, estimado leitor. \u201cEstimada senhora \u2013 respondeu ela \u2013, amar \u00e9 doar-se at\u00e9 doer\u201d. Com esta resposta a jornalista ficou apavorada. No entanto a jornalista insiste e instiga: \u201cAt\u00e9 doer\u201d? Sim \u2013 diz a Madre \u2013, \u201cat\u00e9 doer\u201d. Na verdade, n\u00f3s s\u00f3 nos sacrificamos por quem verdadeiramente amamos, n\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>Curiosamente, o grande Santo Agostinho, tamb\u00e9m afirmou a este prop\u00f3sito: \u201cSe n\u00e3o queres sofrer ent\u00e3o n\u00e3o ames, mas se n\u00e3o amas para qu\u00ea viver?\u201d Na verdade, qual \u00e9 o sentido da vida se n\u00e3o tivermos quem amar ou ter quem nos ame? Ali\u00e1s, feliz s\u00e3o aqueles que t\u00eam quem os ame e que t\u00eam quem amar. O amor \u00e9 sempre o motor vital que sustenta e eleva a natureza. \u00c9 ele que nos transforma, \u00e9 ele que nos modela, \u00e9 ele que nos regenera.<\/p>\n<p>Quando tocados pelo amor, o amor muda-nos a partir de dentro. Somos, portanto, convertidos para uma nova e mais plena realidade. E \u00e9 precisamente aqui que Deus actua. Saibamos que \u00e9 \u2013 sempre \u2013 Deus vem ao meu e ao nosso encontro para me e para nos libertar de n\u00f3s pr\u00f3prios, do pav\u00e3o e do orgulhoso que em n\u00f3s habita e que teimosamente quer reinar. Tomando consci\u00eancia disso mesmo, urge que tenhamos a coragem e a ousadia de nos confrontarmos connosco mesmos e, confrontados, sentiremos inexplicavelmente o amor misericordioso de Deus. Um amor que descomp\u00f5e, que nos desinstala e que nos converte para uma nova e definitiva mentalidade, um novo modo de ser e de estar. \u00c9 este o amor proclamado pelos santos da Santa Igreja de Deus ao longo dos mais de vinte s\u00e9culos de vida e de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Termino com uma est\u00f3ria que ouvi recentemente. Algu\u00e9m perguntou qual seria o local mais rico \u00e0 face da terra. Uns respondiam Dubai, outros a China ou EUA, mas todos erraram. Na verdade, o local mais rico do mundo \u00e9 o cemit\u00e9rio. O cemit\u00e9rio? Sim, o cemit\u00e9rio. Pois nele est\u00e1 sepultado imensas empresas que poderiam mudar o mundo, nele est\u00e3o sepultadas infind\u00e1veis can\u00e7\u00f5es e m\u00fasicas que alegrariam o cora\u00e7\u00e3o da humanidade, nele est\u00e3o sepultados incont\u00e1veis poetas que trariam luz \u00e0 alma da humanidade, nele est\u00e3o sepultados o amor que poder\u00edamos ter dado e vivido e n\u00e3o demos, nem vivemos. Por isso, o Senhor grita insistentemente ao nosso cora\u00e7\u00e3o para nos alertar de que estamos proibidos de matar e de morrer com tanta coisa boa e bela que temos no nosso cora\u00e7\u00e3o. Aceitemos este desafio: deitemos para fora e saibamos dar o melhor que h\u00e1 em n\u00f3s!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-258341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258341\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}