{"id":258,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/clonagem-humana-terapeutica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"clonagem-humana-terapeutica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/clonagem-humana-terapeutica\/","title":{"rendered":"Clonagem Humana Terap\u00eautica"},"content":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Archer &#8211; Bi\u00f3logo <!--more--> Clonagem Humana Terap\u00eautica De que se trata? A clonagem n\u00e3o-reprodutiva com finalidade terap\u00eautica come\u00e7a, tal como a clonagem reprodutiva, pela transfer\u00eancia do n\u00facleo de uma c\u00e9lula som\u00e1tica (isto \u00e9, n\u00e3o sexual) de um adulto para um ov\u00f3cito (ou \u00f3vulo) a que previamente se havia extra\u00eddo o seu n\u00facleo.  Se esse ov\u00f3cito transnucleado entrar em divis\u00e3o celular e originar um \u201cembri\u00e3o\u201d, este, em vez de ser transferido para o \u00fatero de uma mulher (como na clonagem reprodutiva), ser\u00e1 desenvolvido in vitro at\u00e9 \u00e0 fase de blastocisto com cerca de centena e meia de c\u00e9lulas, para se extrairem ent\u00e3o, do seu interior, umas c\u00e9lulas especiais chamadas estaminais (stem cells). Estas s\u00e3o ainda suficientemente indiferenciadas. Em determinados meios podem multiplicar-se in vitro indefinidamente, mantendo a sua indiferencia\u00e7\u00e3o.  Mas, cultivadas noutros meios, podem diferenciar-se in vitro de modo a produzirem, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o do que sucede in vivo, os v\u00e1rios tecidos do adulto (tecido nervoso, muscular, cartilag\u00edneo, \u00f3sseo, etc.) que s\u00e3o ent\u00e3o transplantados para o dador do n\u00facleo com a esperan\u00e7a de o curar de doen\u00e7as como Alzheimer, Parkinson, imunodefici\u00eancias prim\u00e1rias, afec\u00e7\u00f5es de ossos ou cartilagens, paraplegias, cancro e muitas outras. Nestas transplanta\u00e7\u00f5es n\u00e3o haver\u00e1 o problema de imuno-rejei\u00e7\u00e3o, visto haver identidade gen\u00e9tica entre os tecidos do dador e os do receptor.  Dificuldades. S\u00e3o v\u00e1rias. Em primeiro lugar, para obter um \u201cembri\u00e3o\u201d por este m\u00e9todo, s\u00e3o necess\u00e1rias centenas de tentativas fracassadas, o que exige que muitas mulheres estejam na disposi\u00e7\u00e3o de fornecerem ingloriamente os seus ov\u00f3citos, com o perigo de que se caminhe para o sacrif\u00edcio injusto da mulher ou para a t\u00e3o condenada comercializa\u00e7\u00e3o de g\u00e2metas femininos.  Em segundo lugar, os clones de mam\u00edferos at\u00e9 agora obtidos (ovelha Dolly e muitos outros) sofrem de v\u00e1rias doen\u00e7as e malforma\u00e7\u00f5es. \u00c9 de supor que as mesmas defici\u00eancias afectem os tecidos obtidos pela clonagem n\u00e3o-reprodutiva, que poder\u00e3o ter efeitos negativos no paciente.  Finalmente, at\u00e9 o pr\u00f3prio \u201cpai\u201d da ovelha Dolly, Ian Wilmut, acha que a t\u00e9cnica de clonagem n\u00e3o-reprodutiva \u00e9 demasiado complexa e dispendiosa para se aplicar a cada paciente. Ser\u00e1 mais vi\u00e1vel partir das c\u00e9lulas estaminais dos muitos embri\u00f5es que sobram de t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o assistida. S\u00f3 que, nesse caso, n\u00e3o haver\u00e1 identidade gen\u00e9tica entre essas c\u00e9lulas e as do paciente, e ser\u00e1 preciso ultrapassar o problema da imuno-rejei\u00e7\u00e3o.  Perplexidades \u00e9ticas. Trata-se de, para benef\u00edcio pr\u00f3prio, interromper e desviar um processo embrion\u00e1rio que poderia dar origem a um ser humano como eu. Sacrifico uma vida humana em embri\u00e3o, para a transformar num stock de tecidos meus, sobresselentes, que me curem a mim. Soa-me a atroz ego\u00edsmo e quase neo-escravatura.  Mas mesmo entre os autores que n\u00e3o subscrevem esta objec\u00e7\u00e3o, muitos se mostram preocupados com a transforma\u00e7\u00e3o do estatuto da vida humana incoativa em algo semelhante a uma f\u00e1brica de produtos \u00fateis. E essa preocupa\u00e7\u00e3o aumenta ao constatarem-se as press\u00f5es comerciais que impulsionam a investiga\u00e7\u00e3o em embri\u00f5es humanos. Pode caminhar-se para a eros\u00e3o do respeito pela dignidade intr\u00ednseca da vida humana.  Melhor alternativa. As c\u00e9lulas estaminais n\u00e3o existem apenas nos embri\u00f5es. Encontram-se tamb\u00e9m, ainda que em menor n\u00famero, em \u00f3rg\u00e3os do adulto. H\u00e1 claras indica\u00e7\u00f5es de que elas se podem diferenciar in vitro em tecidos v\u00e1rios, diferentes daquele de que s\u00e3o origin\u00e1rias. Esta \u00e9 uma alternativa v\u00e1lida, contra a qual n\u00e3o h\u00e1 objec\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, e em que o paciente \u00e9 tratado com tecidos obtidos a partir das suas pr\u00f3prias c\u00e9lulas estaminais, evitando-se assim os problemas de imuno-rejei\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que n\u00e3o seja economicamente t\u00e3o rent\u00e1vel como a utiliza\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es, e por isso seja preterida, j\u00e1 que o poder econ\u00f3mico domina hoje o progresso da ci\u00eancia. Lu\u00eds Archer Bi\u00f3logo  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Archer &#8211; Bi\u00f3logo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[131],"class_list":["post-258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-clonagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}