{"id":25797,"date":"2007-07-07T18:07:38","date_gmt":"2007-07-07T18:07:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/07\/dos-abusos-liturgicos-a-sao-pio-v-o-fim-de-um-ciclo\/"},"modified":"2007-07-07T18:07:38","modified_gmt":"2007-07-07T18:07:38","slug":"dos-abusos-liturgicos-a-sao-pio-v-o-fim-de-um-ciclo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dos-abusos-liturgicos-a-sao-pio-v-o-fim-de-um-ciclo\/","title":{"rendered":"Dos \u00ababusos lit\u00fargicos\u00bb a S\u00e3o Pio V: o fim de um ciclo"},"content":{"rendered":"<p>O Motu Proprio de Bento XVI sobre a Liturgia Romana anterior \u00e0 reforma de 1970, &#8220;Summorum Pontificum&#8221;, que entra em vigor esta Sexta-feira n\u00e3o pode deixar de estar ligado a um ciclo de interven\u00e7\u00f5es pontif\u00edcias e do Vaticano a respeito da quest\u00e3o dos &#8220;abusos lit\u00fargicos&#8221;.  O pr\u00f3prio Papa escreve, na carta aos Bispos de todo o mundo, que em muitos lugares, a &#8220;criatividade&#8221; levou frequentemente &#8220;a deforma\u00e7\u00f5es da Liturgia no limite do suport\u00e1vel&#8221;.  Este ciclo iniciou-se no tempo de Jo\u00e3o Paulo II, com a publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica \u201cEcclesia de Eucharistia\u201d (2003), cujo cap\u00edtulo V \u00e9 dedicado ao &#8220;decoro da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica&#8221; e da Carta Apost\u00f3lica &#8220;Mane Nobiscum Domine&#8221; (2004).  Em 2004, a Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou a Instru\u00e7\u00e3o \u201cRedemptionis Sacramentum\u201d (O Sacramento da Reden\u00e7\u00e3o), &#8220;Sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Sant\u00edssima Eucaristia&#8221;.  Entre os abusos que a Santa S\u00e9 pretendia evitar encontravam-se o excesso de protagonismo dos leigos durante as celebra\u00e7\u00f5es, a partilha da comunh\u00e3o com n\u00e3o-cat\u00f3licos, a substitui\u00e7\u00e3o das leituras b\u00edblicas na Missa por outros textos, o h\u00e1bito de os sacerdotes partirem a h\u00f3stia no momento da consagra\u00e7\u00e3o, a exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo em condi\u00e7\u00f5es inadequadas ou a introdu\u00e7\u00e3o de elementos n\u00e3o-crist\u00e3os na Liturgia Cat\u00f3lica, entre outros.  \u201cN\u00e3o se podem deixar passar em sil\u00eancio os abusos, da m\u00e1xima gravidade, contra a natureza da Liturgia e dos Sacramentos, bem como contra a tradi\u00e7\u00e3o e a autoridade da Igreja que subsistem em diversos \u00e2mbitos eclesiais nos nossos dias e comprometem a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u201d \u00e9 a tese central do documento.  <b>S\u00ednodo<\/b> O debate sobre os abusos lit\u00fargicos no S\u00ednodo dos Bispos de 2005 constituiu a terceira parte deste processo. A viola\u00e7\u00e3o das normas lit\u00fargicas, praticadas por sacerdotes ou leigos, fez  parte, sistematicamente, do debate dos padres sinodais.  Alguns Bispos intervieram para protestar contra homilias longas, contra a distribui\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o na m\u00e3o dos fi\u00e9is e contra a presen\u00e7a de muitos concelebrantes para uma \u00fanica liturgia. Houve queixas tamb\u00e9m sobre a realiza\u00e7\u00e3o de missas sem o povo de Deus, e sobre a falta de padres em par\u00f3quias com um grande n\u00famero de fi\u00e9is.  Algumas pr\u00e1ticas pr\u00e9-conciliares seriam recebidas de volta com agrado, de acordo com alguns padres sinodais: um Bispo da Bielor\u00fassia pediu que o sacr\u00e1rio voltasse a ter o \u201clugar central\u201d nas igrejas e um prelado do Cazaquist\u00e3o gostaria que \u201ca Santa S\u00e9 estabelecesse uma norma universal segundo a qual o modo oficial de se receber a Comunh\u00e3o fosse na boca e de joelhos; a comunh\u00e3o com a m\u00e3o deveria estar reservada ao clero\u201d.  Para estes e outros participantes no S\u00ednodo, as \u201cinova\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas\u201d no mundo ocidental obscureceram de certo modo o aspecto da centralidade e o car\u00e1cter sagrado da Eucaristia.  Bento XVI recolheu todas estas preocuapa\u00e7\u00f5es na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal &#8220;Sacramentum Caritatis&#8221; (O Sacramento da Caridade), de 2007, onde p\u00f5e em evid\u00eancia tamb\u00e9m a bondade da reforma lit\u00fargica promovida pelo Concilio Vaticano II. Algumas dificuldades e abusos &#8220;n\u00e3o podem ofuscar a excel\u00eancia e a validade da renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica que cont\u00e9m riquezas ainda n\u00e3o plenamente exploradas&#8221;, escreveu. Bento XVI defende que &#8220;a simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adi\u00e7\u00f5es inoportunas&#8221;.  <b>Papa fiel a Ratzinger<\/b> A decis\u00e3o de facilitar a celebra\u00e7\u00e3o no Rito de S\u00e3o Pio V j\u00e1 era algo que o Papa defendia enquanto Cardeal. A 5 de Setembro 2003, numa entrevista concedida ao Canal Cat\u00f3lico EWTN, Joseph Ratzinger deixava claro que a &#8220;antiga Liturgia nunca foi proibida&#8221;. O ent\u00e3o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 mostrava-se agastado com a quest\u00e3o dos &#8220;abusos&#8221; a que se assistiam na Liturgia. Nessa mesma entrevista, n\u00e3o escondia a sua paix\u00e3o pelo latim, indicando que a presen\u00e7a desta l\u00edngua &#8220;ajudaria a dar uma dimens\u00e3o universal&#8221; \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es. O uso das l\u00ednguas nacionais foi classificado como &#8220;uma solu\u00e7\u00e3o&#8221;, ressaltando que &#8220;um pouco de latim poderia ajudar a ter a experi\u00eancia de universalidade&#8221;. Na sua \u00fanica Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica at\u00e9 ao momento, o Papa valoriza a celebra\u00e7\u00e3o em latim e o canto gregoriano. Para isso, recomenda a forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria aos sacerdotes e tamb\u00e9m aos leigos. Joseph Ratzinger sempre ligou a crise eclesial ao &#8220;esboroamento da liturgia&#8221;, concebida &#8220;etsi Deus n\u00e3o daretur&#8221;: como se nela n\u00e3o importasse mais se Deus existe. Por isso, j\u00e1 enquanto Cardeal, defendia um novo movimento lit\u00fargico, que ressuscitasse a &#8220;verdadeira heran\u00e7a&#8221; do Conc\u00edlio Vaticano II. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Motu Proprio de Bento XVI sobre a Liturgia Romana anterior \u00e0 reforma de 1970, &#8220;Summorum Pontificum&#8221;, que entra em vigor esta Sexta-feira n\u00e3o pode deixar de estar ligado a um ciclo de interven\u00e7\u00f5es pontif\u00edcias e do Vaticano a respeito da quest\u00e3o dos &#8220;abusos lit\u00fargicos&#8221;. 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