{"id":25786,"date":"2007-07-07T13:08:16","date_gmt":"2007-07-07T13:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/07\/ordenacao-na-diocese-de-lamego\/"},"modified":"2007-07-07T13:08:16","modified_gmt":"2007-07-07T13:08:16","slug":"ordenacao-na-diocese-de-lamego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ordenacao-na-diocese-de-lamego\/","title":{"rendered":"Ordena\u00e7\u00e3o na Diocese de Lamego"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo local, D. Jacinto Botelho <!--more--> \u00abO nascimento de S. Jo\u00e3o Baptista, ponto de encontro entre os dois testamentos: o antigo e o novo, no pregar de S. Agostinho, como rez\u00e1mos na Liturgia das Horas, continua a ser \u201cmotivo de alegria para muitos\u201d entre os quais nos sentimos n\u00f3s inclu\u00eddos, quantos vivemos esta celebra\u00e7\u00e3o. A Igreja-M\u00e3e da Diocese n\u00e3o se alheia  a este j\u00fabilo. N\u00e3o o expres\u00acsa t\u00e3o significativamente a Eucaristia que celebramos?  Jo\u00e3o Bap\u00actista, o \u00faltimo dos profetas do Antigo Testamento, nascido por\u00actanto de pais velhos, como pros\u00acsegue o coment\u00e1rio referido de S. Agostinho, anuncia o Novo e assim \u00e9 declarado profeta antes de nascer, ainda no ventre de sua m\u00e3e. Num ambiente de insaci\u00e1vel comodismo e s\u00f4frego da satisfa\u00e7\u00e3o imediata dos mais ex\u00f3ticos caprichos e sup\u00e9rfluas exig\u00eancias, a figura austera do Percursor, fidel\u00edssimo \u00e0 verdade, continua a tra\u00e7ar o caminho que conduz a Cristo e ao seu seguimento; e o seu dedo indicador t\u00e3o sugesti\u00acvamente retratado na iconografia, aponta sempre o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo.  Mas hoje nesta Catedral volta a viver-se um dos momentos mais altos da espiritualidade diocesana, nomeadamente do seu presbit\u00e9rio, com a ordena\u00e7\u00e3o do Di\u00e1cono S\u00e9rgio. Exulta o S\u00e9rgio que v\u00ea reali\u00aczado o sonho acalentado de h\u00e1 tantos anos, exultam os seus pais, irm\u00e3os e demais familiares, que aqui est\u00e3o presentes, exultam  os Semin\u00e1rios com as suas equipas formadoras e companheiros, exul\u00acta a par\u00f3quia de S. Jo\u00e3o Baptista de Quintela da Lapa, com os seus p\u00e1rocos e fi\u00e9is que o viram nascer e acompanharam o seu cresci\u00acmento, exultam as comunidades onde realizou o est\u00e1gio e benefi\u00acciaram do seu entusiasmo juvenil, de modo particular esta par\u00f3quia da S\u00e9 onde serviu no \u00faltimo ano. Por isso aqui vieram e aqui est\u00e3o em multid\u00e3o, para agradecer ao Senhor a gra\u00e7a dum novo sacer\u00acdote. Os textos lit\u00fargicos que a Igreja seleccionou para a Sole\u00acnidade de S. Jo\u00e3o, s\u00e3o a melhor ilumina\u00e7\u00e3o para mergulharmos humildemente no mist\u00e9rio do sacerd\u00f3cio de que uma ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal necessariamente tem de sentir-se envolvida.        Destaco algumas ideias, funda\u00acmentadas nas leituras que ouvi\u00acmos, e me parecem oportuna reflex\u00e3o para o momento que estamos a viver.  Em primeiro lugar a gratui\u00acdade da voca\u00e7\u00e3o \u2013 qualquer voca\u00ac\u00e7\u00e3o &#8211;  e a absoluta prioridade da iniciativa de Deus. O Senhor chamou-me desde o ventre mater\u00acno, disse o meu nome desde o seio de minha m\u00e3e. Recordamos tantas vezes as palavras de Jesus: N\u00e3o fostes v\u00f3s que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a v\u00f3s. O pr\u00f3prio nome de Jo\u00e3o contra\u00acriando a tradi\u00e7\u00e3o judaica, e provo\u00accando a surpresa quase escan\u00acdalizada dos familiares, que davam sugest\u00f5es, perante a firmeza de Isabel e depois do pr\u00f3prio Zacarias, significa Dom de Deus.  \u201cCada voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 encontra o fundamento na elei\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e gratuita de Deus por parte do Pai, que nos \u00ababen\u00e7oou com toda a esp\u00e9cie de b\u00ean\u00e7\u00e3os nos C\u00e9us em Cristo. N\u2019Ele nos escolheu antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e imaculados na Sua pre\u00acsen\u00e7a, na caridade, predestinando-nos para sermos Seus filhos adoptivos em Jesus Cristo, segun\u00acdo o benepl\u00e1cito da Sua vontade\u00bb. Toda a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 vem de Deus, \u00e9 dom divino. Todavia ela nunca \u00e9 oferecida fora ou inde\u00acpendentemente da Igreja, mas passa sempre na Igreja  e me\u00acdiante a Igreja\u201d.  \u00c9 sempre necess\u00e1rio conven\u00accermo-nos desta benemer\u00eancia divina e desta eclesialidade que o Servo de Deus, Jo\u00e3o Paulo II, reflectiu na Exorta\u00e7\u00e3o P\u00f3s-sinodal Eu vos darei Pastores que acabei de citar, e que conclui deste modo a reflex\u00e3o: \u201cO candidato ao pres\u00acbiterado deve receber a voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o impondo as pr\u00f3prias condi\u00ac\u00e7\u00f5es pessoais, mas  aceitando as normas e as condi\u00e7\u00f5es  que a pr\u00f3pria Igreja, pela sua parte de corresponsabilidade, coloca.\u201d   Descobriste, querido S\u00e9rgio, este des\u00edgnio de Deus a teu res\u00acpeito. Aprofunda-o ao longo da tua vida sacerdotal, e procura consolidar em cada dia a exig\u00ean\u00accia que dele dimana. O Padre \u00e9, como S. Jo\u00e3o Baptista, um percursor de Cristo. \u00c9 distribuidor da Palavra e do P\u00e3o, mas nem \u00e9 P\u00e3o nem \u00e9 Pala\u00acvra. Como o Baptista, \u00e9 apenas a voz e n\u00e3o a Palavra. Este \u00e9 o sentido do seu minist\u00e9rio. Cristo \u00e9 a refer\u00eancia para todas as atitudes e a medida de todos os compor\u00actamentos, na fidelidade \u00e0 mensa\u00acgem que d\u2019Ele recebe para comu\u00acnicar \u00edntegra e aut\u00eantica. O minis\u00act\u00e9rio \u00e9 um servi\u00e7o de obedi\u00eancia e humildade. Eu n\u00e3o sou quem julgais. Mas depois de mim vai chegar Algu\u00e9m a quem eu n\u00e3o sou digno de desatar as sand\u00e1lias de seus p\u00e9s.  Importa que Ele cres\u00e7a e eu diminua. Extraor\u00acdin\u00e1ria li\u00e7\u00e3o de teologia pastoral que nos d\u00e1 S. Jo\u00e3o Baptista. Mas s\u00f3 este \u00e9 o pre\u00e7o de uma eficaz actividade apost\u00f3lica.  Lembremos a orienta\u00e7\u00e3o do Direct\u00f3rio para o Minist\u00e9rio e a Vida dos Presb\u00edteros : \u201cPara ser aut\u00eantica, a Palavra deve ser transmitida \u00absem duplicidade e sem nenhuma falsifica\u00e7\u00e3o, mas manifestando com franqueza a verdade diante de Deus\u00bb. O pres\u00acb\u00edtero, com maturidade respons\u00e1vel, evitar\u00e1 disfar\u00e7ar, reduzir, distorcer ou diluir o conte\u00fado da mensagem divina. Com efeito a sua miss\u00e3o \u00abn\u00e3o \u00e9 de ensinar uma sabedoria pr\u00f3pria, mas sim de ensinar a Palavra de Deus e de convidar insistentemente a todos \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 santidade\u00bb. Por isso a prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode reduzir-se \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de pensamentos pr\u00f3prios, \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia pessoal, \u00e0 simples explica\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter psicol\u00f3gico, sociol\u00f3gico ou filantr\u00f3pico; nem sequer ser excessivamente fascinada pela ret\u00f3rica, muitas vezes t\u00e3o habitual na comunica\u00e7\u00e3o \u00e0s multid\u00f5es. Trata-se de anunciar uma Palavra de que n\u00e3o \u00e9 permitido dispor\u201d.  Por isso nos recomenda Jo\u00e3o Paulo II a leitura meditada e orante da Palavra de Deus, indispens\u00e1vel em todo o itiner\u00e1rio da convers\u00e3o e que far\u00e1 do Padre \u201co verdadeiro homem de Deus, aquele que pertence a Deus e faz pensar Deus\u201d na express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II, o qual continua a advertir-nos: \u201cOs crist\u00e3os esperam encontrar no sacerdote, n\u00e3o s\u00f3 o homem que os acolhe, que os escuta com todo o gosto e lhes testemunha sincera simpatia, mas tamb\u00e9m e sobretudo um homem que os ajuda a ver Deus, a subir em direc\u00e7\u00e3o a Ele.\u201d \u00c9 a consequ\u00eancia da intimidade que Jesus nos oferece. N\u00e3o vos chamo servos, porque o servo n\u00e3o sabe o que faz o Seu Senhor; chamo-vos  amigos porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de Meu Pai.   \u00c9 o convite que o Senhor nos faz: uma profunda comunh\u00e3o com Ele, que nos identifique nos sentimentos, na aprecia\u00e7\u00e3o das pessoas e dos acontecimentos, na lucidez dos ju\u00edzos, na magnanimidade do perd\u00e3o, nas preocupa\u00e7\u00f5es de apostolado, na prefer\u00eancia pelos mais pobres e desprotegidos.  Permiti que repita a afirma\u00e7\u00e3o de Bento XVI, como um programa de vida,  feita  precisamente h\u00e1 oito dias, no passado Domingo, dia 17,  em Assis, aos sacerdotes e religiosos que com Ele se encontraram na comemora\u00e7\u00e3o do 8.\u00ba centen\u00e1rio da convers\u00e3o de S. Francisco: \u201cA lectio divina, a centralidade da Eucaristia, a Liturgia das Horas e a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, a contempla\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios de Cristo na perspectiva mariana do ros\u00e1rio, asseguram aquele clima e aquela tens\u00e3o espiritual  sem o que todos os compromissos pastorais, a vida fraterna, a pr\u00f3pria solicitude pelos pobres, correm o risco de naufragar, por causa das nossas fragilidades e cansa\u00e7os.\u201d Rezemos com Jo\u00e3o Paulo II: \u201cMaria, M\u00e3e da Igreja, Senhora da Lapa, entre os disc\u00edpulos no Cen\u00e1culo, suplicastes o Esp\u00edrito para o Povo novo e os seus Pastores: Alcan\u00e7ai para a ordem dos presb\u00edteros, em especial para o P. S\u00e9rgio a plenitude dos dons, \u00f3 Rainha dos Ap\u00f3stolos.\u201d Querido S\u00e9rgio, que sintas ao longo da tua vida sacerdotal, que a m\u00e3o do Senhor, como com S. Jo\u00e3o Baptista, est\u00e1 contigo. \u00c1men.\u00bb  24 de Junho de 2007    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo local, D. 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