{"id":257805,"date":"2022-10-26T11:27:30","date_gmt":"2022-10-26T10:27:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=257805"},"modified":"2022-10-26T11:28:04","modified_gmt":"2022-10-26T10:28:04","slug":"saber-aprender-a-nao-fazer-acepcao-de-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-nao-fazer-acepcao-de-pessoas\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A n\u00e3o fazer acep\u00e7\u00e3o de pessoas"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No 30\u00ba Domingo do Tempo Comum escut\u00e1mos no livro de Ben-Sir\u00e1\u2014 <em>\u00abO Senhor \u00e9 um juiz que n\u00e3o faz acep\u00e7\u00e3o de pessoas. N\u00e3o favorece ningu\u00e9m em preju\u00edzo do pobre e atende a prece do oprimido. N\u00e3o despreza a s\u00faplica do orf\u00e3o nem os gemidos da vi\u00fava.\u00bb<\/em> \u2014 Por isso, quando num grupo de jovens, ou de fam\u00edlias, ou de simples crist\u00e3os que se re\u00fanem (seja por que motivo for), se decide colocar \u201cde parte\u201d aqueles que n\u00e3o t\u00eam uma op\u00e7\u00e3o de vida crist\u00e3 \u201cregular\u201d (agn\u00f3stico, re-casado, n\u00e3o baptizado, etc.) porque podem \u201cperturbar\u201d a experi\u00eancia que os \u201cregulares\u201d querem fazer, est\u00e3o a fazer o que Deus n\u00e3o faz: acep\u00e7\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_257806\" aria-describedby=\"caption-attachment-257806\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-257806\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Diferentes-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-257806\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Alexander Grey em Unspalsh<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma das experi\u00eancias mais belas que fiz com grupos de fam\u00edlias foi a como\u00e7\u00e3o de um casal de re-casados que vertia l\u00e1grimas de alegria e tristeza ao partilhar a sua experi\u00eancia de n\u00e3o sentirem-se acolhidos noutros grupos de fam\u00edlias da Igreja, sen\u00e3o naquele grupo, por causa da sua situa\u00e7\u00e3o. Desejavam viver intensamente a sua f\u00e9, apesar da complexa situa\u00e7\u00e3o de cada um, e que os levou a re-encontrar o amor entre si ao ponto de quererem construir um lar juntos. Mas nem todos conseguiam ver para al\u00e9m da chaga e faziam acep\u00e7\u00e3o daquelas duas pessoas. Uma outra experi\u00eancia aconteceu quando fomos (eu e a minha esposa) falar a um grupo de jovens onde um deles que participava oferecia a sua perspectiva de agn\u00f3stico. Fic\u00e1mos surpreendidos e tomados pelo acolhimento que os outros faziam da sua perspectiva e percebemos a raz\u00e3o de ele sentir que podias crescer, interiormente, naquele grupo: n\u00e3o faziam acep\u00e7\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>O caminho sinodal continua. E o risco de continuarmos a fazer acep\u00e7\u00e3o de pessoas, ou das suas opini\u00f5es, existe. Mas se existe algo que Jesus sempre nos ensinou foi a n\u00e3o fazer acep\u00e7\u00e3o de pessoas. Basta pensar no epis\u00f3dio da samaritana em Jo\u00e3o 4. Um encontro simples junto de um po\u00e7o. Jesus que era judeu sabia que esses n\u00e3o se davam com os samaritanos, mas isso n\u00e3o O impediu de entrar num di\u00e1logo profundo com aquela mulher samaritana. Jesus foi verdadeiro com ela e ela foi verdadeira com ele. Jesus n\u00e3o procurou converter a samaritana ao juda\u00edsmo, ou convenc\u00ea-la a segui-Lo. Jesus, simplesmente, interessou-se por ela e ofereceu-lhe um vislumbre sobre a frescura da experi\u00eancia que podemos fazer com Ele que nos d\u00e1 <em>\u00e1gua viva.<\/em> Ele sacia a sede de sentido e significado que a nossa vida precisa para sobreviver num mundo conturbado como o nosso. Ou dito de uma forma mais concreta: Ele ama-nos e interessa-se mais por n\u00f3s do que por aquilo que dizemos que somos ou pensamos ou qualquer situa\u00e7\u00e3o \u201cirregular\u201d que vivamos.<\/p>\n<p>Uma Igreja cujo modo de ser \u00e9 sinodal precisa da excep\u00e7\u00e3o porque a considera uma oportunidade <em>excepcional<\/em> de dialogar com o mundo que pretender evangelizar. Quando fazemos acep\u00e7\u00e3o de pessoas, estamos a convertermo-nos no estilo do fariseu que diz \u2014 <em>\u00abMeu Deus, dou-Vos gra\u00e7as por n\u00e3o ser como os outros homens&#8230;\u00bb<\/em> \u2014 e considera-se \u201cregular\u201d, n\u00e3o querendo ser perturbado por aquele que \u00e9 diferente e se aproxima de n\u00f3s por sentir-se atra\u00eddo pelo altar relacional da vida. Todos somos um pouco fariseus e publicanos, embora reconhe\u00e7a que prefiro a ora\u00e7\u00e3o do public\u00e1-lo que muitas vezes repito \u2014 <em>\u00abSenhor Jesus Cristo, tem piedade de mim.\u00bb<\/em> \u2014 Uma ora\u00e7\u00e3o que faz parte de um <a href=\"https:\/\/www.imissio.net\/artigos\/49\/4805\/metodo-psico-fisico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00e9todo psico-f\u00edsico<\/a> com origem no <em>hesicasmo<\/em> e que o Cardeal Tom\u00e1s Spidl\u00edk retoma no seu livro \u201cA Arte de Purificar o Cora\u00e7\u00e3o\u201d (pequeno, mas n\u00e3o traduzido para portugu\u00eas) como forma de incultura\u00e7\u00e3o do <em>\u00aborai sem cessar\u00bb<\/em> de S. Paulo que nos predisp\u00f5e a acolher o outro sem fazer acep\u00e7\u00e3o da sua pessoa.<\/p>\n<p>Por vezes pergunto-me qual a motiva\u00e7\u00e3o por detr\u00e1s das pessoas que pensam que os que s\u00e3o diferentes nas nossas comunidades eclesi\u00e1sticas merecem estar num grupo \u00e0 parte. Ser\u00e1 por quererem fazer um acompanhamento diferente e mais personalizado? Como posso pensar que est\u00e3o a fazer acep\u00e7\u00e3o de pessoas quando a sua inten\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser a de criar um espa\u00e7o onde a linguagem seja mais universal, sem ter de falar de Deus directamente? Alguma vez Jesus escondeu quem era? Por que raz\u00e3o haveremos n\u00f3s de mudar o discurso no nosso grupo se vier uma pessoa que pode pensar de modo diferente? At\u00e9 Jesus mudou de ideias depois de fazer uma esp\u00e9cie de acep\u00e7\u00e3o de uma pessoa.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o de Tiro e S\u00eddon, uma mulher lan\u00e7a-se aos p\u00e9s de Jesus a pedir que salvasse a sua filha, ao que Ele responde \u2014 <em>\u00abDeixa que os filhos comam primeiro, pois n\u00e3o est\u00e1 bem tomar o p\u00e3o dos filhos para o lan\u00e7ar aos cachorrinhos.\u00bb<\/em> (Mc 7, 26) \u2014 Ter\u00e1 feito Jesus acep\u00e7\u00e3o daquela pessoa, ainda por cima mulher? Mas a mulher n\u00e3o lhe recorda o Livro de Ben-Sir\u00e1, e responde com um amor inteligente \u2014 <em>\u00abDizes bem, Senhor; mas at\u00e9 os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas dos filhos.\u00bb<\/em> (Mc 7, 28) \u2014 E, nesse momento, Jesus muda de ideia e <em>\u00abem aten\u00e7\u00e3o a essa palavra, vai\u00bb<\/em> \u2014 a sua filha se salvou. Diz o economista Luigino Bruni a prop\u00f3sito deste epis\u00f3dio no seu livro \u201cAs Comunidades Fr\u00e1geis\u201d (n\u00e3o traduzido para portugu\u00eas) que \u2014 <em>\u00abse o Filho do Homem mudou de ideia dialogando com a sua gente, ent\u00e3o, o di\u00e1logo deve mudar as ideias, tamb\u00e9m, em n\u00f3s, e nunca mudar uma ideia n\u00e3o \u00e9 um bom sinal do esp\u00edrito crist\u00e3o.\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Saber aprender a n\u00e3o fazer acep\u00e7\u00e3o de pessoas implica acolher no seio dos nossos di\u00e1logos herm\u00e9ticos e j\u00e1 estabelecidos a voz de algu\u00e9m que nos perturba. Claro que n\u00e3o me refiro \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o desrespeitosa. Essa, usualmente, merece o nosso sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o por quem nos desrespeita, ou ser\u00e1 v\u00e3o o convite de Jesus a amar os inimigos? As comunidades fragilizam-se quando se fecham sobre um modo de ser do passado que se tornou desadequado para responder aos desafios do presente. N\u00e3o s\u00e3o as pessoas que fazem tudo \u201cdireitinho\u201d (algum de n\u00f3s faz?) que nos ajudam a ler os sinais dos tempos e a escutar aquilo que Deus nos pode dizer quando acolheos ou sa\u00edmos ao encontro dos \u201csamaritanos\u201d deste mundo.<\/p>\n<p>Todas as pessoas acreditam em alguma coisa. Mesmo aqueles que dizem n\u00e3o acreditar em coisa alguma, precisam de acreditar nisso. Todas as pessoas t\u00eam uma experi\u00eancia de vida diferente e no encontro e comunh\u00e3o de experi\u00eancias, Deus enriquece-nos se nos amarmos reciprocamente. N\u00e3o &#8220;apesar da nossa diferen\u00e7a&#8221;, mas por causa dessa. Uma voz diferente s\u00f3 gera divis\u00e3o se n\u00e3o houver um clima de amor rec\u00edproco. Nesse clima podemos dizer tudo o que pensamos e experimentamos porque o fazemos por amor. E quando <em>\u00abdois ou mais\u00bb<\/em> se amarem ao ponto de respeitar a diferen\u00e7a entre si, mais intensa se torna a viv\u00eancia da presen\u00e7a de Jesus no meio deles (Mt 18, 20). Quem faz acep\u00e7\u00e3o de pessoas nega \u00e0 comunidade esta possibilidade. N\u00e3o queiramos fazer o que Deus n\u00e3o faz.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-257805","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=257805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257805\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=257805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=257805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=257805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}