{"id":257492,"date":"2022-10-24T10:41:05","date_gmt":"2022-10-24T09:41:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=257492"},"modified":"2022-10-24T10:41:05","modified_gmt":"2022-10-24T09:41:05","slug":"lusofonias-obrigado-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-obrigado-professor\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Obrigado, Professor&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_252302\" aria-describedby=\"caption-attachment-252302\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-252302\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/adriano-moreira1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-252302\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Professor Adriano Moreira partiu aos cem anos para a Casa do Pai, em quem sempre profundamente acreditou a a quem convicta e coerentemente seguiu. Escrevi, assim no facebook no dia da sua morte (23 de outubro): \u2018Conhe\u00e7o o seu Grij\u00f3 natal, Igreja onde ele foi baptizado, dando um passo inicial numa das suas imagens de marca: a F\u00e9! Tive-o como Professor no Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social na UCP, um professor enorme, com quem falei dezenas de vezes, uma vez que eu j\u00e1 era padre e j\u00e1 tinha feito seis anos de &#8216;guerra&#8217; em Angola e, por isso, t\u00ednhamos muitos assuntos a partilhar. Dizia ele que o poder tinha duas legitimidades: a da origem (por elei\u00e7\u00e3o, nomea\u00e7\u00e3o..) e a do exerc\u00edcio! Tamb\u00e9m as nossas vidas s\u00e3o assim. O Professor Adriano Moreira \u00e9, legitimamente, um dos maiores vultos de Portugal. Merece ser homenageado e seguido. RIP\u2019.<\/p>\n<p>Li dezenas e dezenas de depoimentos, todos diferentes, mas todos un\u00e2nimes no louvor de um homem bom. Cito, por exemplo, o do P. Ant\u00f3nio Bacelar: \u2018A gratid\u00e3o do dia que finda, n\u00e3o posso declin\u00e1-la sem a pessoa do Prof. Adriano Moreira e o modo como atravessou um s\u00e9culo de vida. Continuar\u00e1 na nossa hist\u00f3ria &#8211; aquela que vive da mem\u00f3ria, mas se projeta para al\u00e9m dela &#8211; como o testemunho vivo da possibilidade de verticalidade, serenidade, transpar\u00eancia, di\u00e1logo, concilia\u00e7\u00e3o (at\u00e9 de opostos) que s\u00f3 a sabedoria pode abrir. Recordo-o em encontro de docentes e investigadores universit\u00e1rios e de ensino superior por volta talvez de 2010, em F\u00e1tima: que li\u00e7\u00e3o de simplicidade, lucidez, clareza e desconcertante humildade. Olhar que ainda nos primeiros meses de Papa Francisco lhe permitiu a acuidade de ilustrar a sua autenticidade com a genial afirma\u00e7\u00e3o de ser, o Papa Francisco, &#8220;um que ouve at\u00e9 quando fala&#8221;! Porque dela construtor a hist\u00f3ria continuar\u00e1 a diz\u00ea-lo, Professor!\u2019.<\/p>\n<p>Mas \u2013 confesso-o com\u00a0 emo\u00e7\u00e3o \u2013 seriam as publica\u00e7\u00f5es dos filhos o que mais me provocou, pois chegaram at\u00e9 mim como marcas do sangue comum que lhes corre nas veias. Deixem-me amplificar o grito de amor do filho Jo\u00e3o, cujo t\u00edtulo do artigo j\u00e1 nos arrepia: \u2018O meu Adriano Moreira\u2019. Diz muito e com o cora\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os. Partilho apenas algumas das frases: \u2018Sou filho de um homem velho, e esse homem velho chama-se Adriano Moreira. Quando era pequeno &#8211; j\u00e1 o meu pai era velho -, o meu pai explicou-me, com a frontalidade trasmontana que lhe era caracter\u00edstica, que eu ia deixar de ter pai muito cedo. Cresci marcado por este medo, que condicionou muitas decis\u00f5es que tomei\u2019. Mais adiante diz: \u2018O meu pai nasceu pobre. Era filho de um pol\u00edcia e de uma costureira e lutou muito para chegar onde chegou. Era, literalmente, um\u00a0<em>self made man<\/em>. Esta origem teve consequ\u00eancias e manifesta\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, que s\u00e3o o ponto de partida da minha admira\u00e7\u00e3o.(\u2026). Era trasmontano de cora\u00e7\u00e3o, e sempre lembrou &#8211; a n\u00f3s e ao mundo &#8211; de onde vinha\u2019.<\/p>\n<p>O filho Jo\u00e3o continuou a falar do Pai (n\u00e3o do acad\u00e9mico nem da figura p\u00fablica que foi): \u2018O meu pai era, tamb\u00e9m, um homem justo e decente. \u00c9tico. Seja na esfera pessoal ou profissional, tenha ou n\u00e3o estado certo se e quando decidiu, guiou sempre os seus processos de decis\u00e3o por um imperativo de justi\u00e7a e dec\u00eancia. Agia de acordo com a sua consci\u00eancia; punha as quest\u00f5es de princ\u00edpio acima de tudo o resto; fazia o que acreditava ser o mais correto\u2019.<\/p>\n<p>Foi um homem integro e coerente, pagando por isso algumas facturas pesadas: \u2018Desta caracter\u00edstica resultava outra, relacionada: o desprendimento. Com isto refiro a capacidade de aceitar, com dolo necess\u00e1rio ou eventual, as consequ\u00eancias negativas de decis\u00f5es tomadas em nome dos seus princ\u00edpios e do seu sentido de justi\u00e7a. Porque esse \u00e9 o verdadeiro teste de car\u00e1ter. Foram-lhe conhecidas muitas\u00a0<em>decis\u00f5es de princ\u00edpio<\/em>, mas \u00e9 interessante cruzar cada decis\u00e3o com o contexto pessoal em que foram tomadas: o processo-crime contra um Ministro da Defesa, logo no in\u00edcio da sua vida profissional &#8211; acabou preso, depois de tanto esfor\u00e7o e priva\u00e7\u00e3o para tirar o curso&#8230;; a demiss\u00e3o de Ministro do Ultramar, por n\u00e3o conceder na vis\u00e3o que tinha para a \u00c1frica &#8211; com a consequ\u00eancia da perda de estatuto de jovem estrela do regime; a prote\u00e7\u00e3o ao irreverente Bispo da Beira, em Mo\u00e7ambique (forte defensor dos direitos dos\u00a0<em>ind\u00edgenas<\/em>\u00a0e do respeito pela diversidade de culto), pela via da publica\u00e7\u00e3o de artigos de opini\u00e3o no\u00a0<em>Jornal da Beira<\/em>\u00a0&#8211; criando \u00e0 PIDE o constrangimento de censurar um jornal onde escrevia um antigo Ministro, sem poder antecipar as consequ\u00eancias\u2019.<\/p>\n<p>Teve ainda tempo de perder um filho, o Nuno, um golpe fatal para qualquer pai. E \u2013 termina assim este belo texto do Jo\u00e3o: \u2018Seis meses depois, assumiu a sua \u00faltima responsabilidade &#8211; levar a filha mais nova ao altar -, ap\u00f3s o que entrou, finalmente, em\u00a0<em>Tempo de V\u00e9speras<\/em>, tendo vivido at\u00e9 ao fim tranquilo, sem medo do que o esperava, a falar-nos dos seus pais e a fazer declara\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de amor \u00e0 minha m\u00e3e\u2019.<\/p>\n<p>Partiu para junto de Deus um homem integral. Ter\u00e1 que ser para todos uma refer\u00eancia, uma enorme inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Obrigado, Professor...\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/4bt5mpG3KctqDin1sYGn1k?si=QpaLDDcRQkiHrlR4JXuZYg&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-257492","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=257492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257492\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=257492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=257492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=257492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}