{"id":257190,"date":"2022-10-20T12:00:54","date_gmt":"2022-10-20T11:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=257190"},"modified":"2022-10-20T12:00:54","modified_gmt":"2022-10-20T11:00:54","slug":"saber-aprender-a-ser-misticamente-evolutivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-ser-misticamente-evolutivo\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A ser misticamente evolutivo"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Uma formiga hoje \u00e9 muito semelhante a uma formiga que tenha pisado a Terra h\u00e1 milh\u00f5es de anos, mas relativamente aos seres humanos n\u00e3o \u00e9 bem assim. Somos pessoas evolutivas que se formam em duas fases. Numa primeira fase descobrimo-nos diferentes uns dos outros como pessoas \u00fanicas. Numa segunda fase, descobrimo-nos como parte da mesma comunidade e integramo-nos na partilha de estilos de vida. Estas duas fases expressam o que poder\u00edamos esperar de um ser humano criado \u00e0 imagem de um Deus-Trindade que \u00e9 unidade na diversidade. Por que raz\u00e3o, ent\u00e3o, vemos pessoas a pensarem mais em si do que neste equil\u00edbrio entre serem diferencia\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o como parte da sua evolu\u00e7\u00e3o? E qual o lugar da dimens\u00e3o religiosa (diferente da espiritual) na vida de uma pessoa evolutiva?<\/p>\n<figure id=\"attachment_257191\" aria-describedby=\"caption-attachment-257191\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-257191\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/PessoaEvolutiva-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-257191\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Mario Purisic em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao longo desta era secular, a esfera da experi\u00eancia pessoal religiosa tem sido remetida para o indiv\u00edduo e esfera privada. Tamb\u00e9m os produtos que agora s\u00e3o lan\u00e7ados procuram ser, o mais poss\u00edvel, adaptados a cada pessoa. Tudo a pensar na fase de diferencia\u00e7\u00e3o da pessoa evolutiva, ampliado pela extens\u00e3o da realidade f\u00edsica \u00e0 aumentada ou virtual atrav\u00e9s de ecr\u00e3 diante dos nossos olhos. O resultado pode-se observar pelas ruas das nossas cidades, onde uma grande parte das pessoas que vive sistematicamente diante de um ecr\u00e3, alhea-se do mundo que est\u00e1 ao seu redor. Poder\u00edamos dizer que, muito embora se reconhe\u00e7a a import\u00e2ncia da fase da integra\u00e7\u00e3o, a maior \u00eanfase est\u00e1 na fase da diferencia\u00e7\u00e3o e a vida das pessoas evolutivas acaba por tornar-se <em>individualista<\/em>.<\/p>\n<p>O individualista \u00e9 aquele que tende a pensar somente em si pr\u00f3prio, subvertendo o significado da palavra que lhe d\u00e1 origem: indiv\u00edduo. Peter Abbs que foi editor de poesia da revista ecol\u00f3gica <em>Resurgence<\/em>, fez notar como a palavra indiv\u00edduo, originalmente, queria dizer <em>indivis\u00edvel<\/em> no mesmo sentido em que consideramos Deus como Trindade. Diz Abbs que \u2014<\/p>\n<blockquote><p>\u00aba gradual invers\u00e3o do significado da palavra \u2018indiv\u00edduo\u2019, movendo-se do que \u00e9 indivis\u00edvel e colectivo, para o que \u00e9 divis\u00edvel e distinto, leva, surrateiramente, consigo mesmo, o desenvolvimento hist\u00f3rico da auto-consci\u00eancia.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>Ou seja, se n\u00e3o fosse a diferencia\u00e7\u00e3o que nos distingue uns dos outros seria dif\u00edcil desenvolvermos a consci\u00eancia que temos de n\u00f3s pr\u00f3prios, mas o problema reside em parar aqui.<\/p>\n<p>A <em>individualidade<\/em> \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o diferente. No dicion\u00e1rio encontramos esta palavra como a qualidade do que existe como indiv\u00edduo, logo, indiv\u00eds\u00edvel. Por\u00e9m, se a consider\u00e1ssemos como uma s\u00edntese entre <em>indivi(so)<\/em> e <em>dualidade<\/em> poder\u00edamos contemplar um significado um pouco diferente daquele que encontramos nos dicion\u00e1rios. Por outro lado, por <em>dualidade<\/em> poder\u00edamos entender uma unidade indivis\u00edvel de dois elementos distintos e insepar\u00e1veis cuja tens\u00e3o entre si, e relacionamento, lhe conferem uma riqueza e dinamismo incompar\u00e1veis. N\u00e3o s\u00f3 o indiviso em cada pessoa a tornaria \u00fanica, como a dualidade expressaria como cada ser humano personaliza-se na medida em que vive em unidade dentro de si, com os outros e o ambiente \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Neste sentido, se uma vida individualista faz a pessoa evolutiva regredir, ser\u00e1 que uma <em>m\u00edstica da individualidade<\/em> poderia inverter essa tend\u00eancia tornando a <em>vida \u201cindividual\u00edstica\u201d<\/em>? Uma vez mais, estamos limitados pelo significado das palavras porque pensava em <em>individual\u00edstica<\/em> como a s\u00edntese de individualidade com a sua m\u00edstica, mas o \u201c-\u00edstica\u201d significa que se refere ao sujeito cuja palavra termina em \u201c-ista\u201d, ou seja, individualista. Jogos de palavras, e novos sentidos para as mesmas palavras, fazem parte do jogo infinito que \u00e9 compreender o significado que a nossa vida tem para os outros e para o mundo. Um significado feito de ac\u00e7\u00f5es motivadas pela viv\u00eancia das palavras e respectivas consequ\u00eancias que pensamos afectarem apenas a nossa pessoa e n\u00e3o os outros. Mas no \u00e2mbito de uma vis\u00e3o evolutiva de pessoa, e de uma m\u00edstica da individualidade, desde crian\u00e7as que dever\u00edamos aprender a ligar as ac\u00e7\u00f5es \u00e0s consequ\u00eancias, o que n\u00e3o tem acontecido. Quando damos de comer a uma crian\u00e7a, n\u00e3o estamos muito preocupados em ensinar-lhe que isso implica produzir lixo, muitas vezes lan\u00e7ado ao mar, afectando a sobreviv\u00eancia do peixe que antes hav\u00edamos colocado no seu prato para comer.<\/p>\n<p>Parece-me que uma m\u00edstica da individualidade coloca a procura de sentido e significado para a vida da pessoa nos relacionamentos que estabelece com tudo e todos \u00e0 sua volta. Por\u00e9m, o que assistimos com a crescente depend\u00eancia dos meios digitais, considerados cada vez mais como as principais fontes de informa\u00e7\u00e3o para a aprendizagem e defini\u00e7\u00e3o de cada um como pessoa, \u00e9 uma tend\u00eancia para o abstracto.<\/p>\n<p>Quando a nossa aprendizagem assenta em informa\u00e7\u00e3o abstracta, n\u00e3o existe risco, ou experi\u00eancia directa com as coisas e outras pessoas. Numa rede social n\u00e3o se experimenta como tudo no universo \u00e9 interdependente apesar de podermos ser informados disso. E com a digitaliza\u00e7\u00e3o, o tipo de experi\u00eancia que fazemos come\u00e7a a alterar fisicamente o nosso c\u00e9rebro, de tal modo que se torna cada vez mais dif\u00edcil viver sem o que \u00e9 digital. E a pessoa evolutiva que crescia pela curiosidade, ideias e interac\u00e7\u00f5es com as coisas deste mundo, come\u00e7a a ter o seu sistema cognitivo programado para uma vida desencarnada da realidade material. E isso deveria levar-nos a questionar se muito do nosso cansa\u00e7o n\u00e3o se deve \u00e0 falta de uma m\u00edstica da individualidade que nos impulsiona a viver mais intensamente relacionamentos reais e menos os virtuais.<\/p>\n<p>Tudo o que sugeri at\u00e9 aqui \u00e9 debat\u00edvel. O impacte que a digitaliza\u00e7\u00e3o tem nas nossas vidas, independentemente de ser positivo ou negativo, \u00e9 ineg\u00e1vel. Se a internet faltasse, n\u00e3o conseguir\u00edamos aceder \u00e0 nossa informa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria sem estar numa fila intermin\u00e1vel, comunicar com os familiares que est\u00e3o longe, ou at\u00e9 resolver um problema com a impressora da nossa m\u00e3e usando um telem\u00f3vel e fazendo uma liga\u00e7\u00e3o remota, como me aconteceu uma vez. O desenvolvimento digital \u00e9 extraordin\u00e1rio e tem valor, mas quando penetra na esfera evolutiva da pessoa, afectando a s\u00edntese entre o que a diferencia e a integra com os outros que prov\u00e9m do contacto com o que \u00e9 real, h\u00e1 que parar e examinar.<\/p>\n<p>\u00c0 viv\u00eancia espiritual (m\u00edstica) da pessoa evolutiva como indiv\u00edduo-indivis\u00edvel e, por isso, \u00fanico, alia-se a psicologia do interesse que temos por essa pessoa e pelo que ela est\u00e1 a viver. Percorremos um caminho juntos porque evolu\u00edmos juntos. Assim, saber aprender a ser misticamente evolutivo abre a dimens\u00e3o religiosa de cada pessoa a uma esfera que est\u00e1 para al\u00e9m da privada e individual, sem colidir com as escolhas do outro, diferente de mim. A dimens\u00e3o religiosa da pessoa evolutiva \u00e9 comunit\u00e1ria e social. Comunit\u00e1ria com aqueles com quem partilhamos uma vida comum. Social com aqueles com quem partilhamos um objectivo comum. N\u00e3o deixa de ser curioso que as formigas parecem ser um pouco assim. A sua intelig\u00eancia colectiva \u00e9 admir\u00e1vel. Se nos aperceb\u00eassemos que em n\u00f3s, pessoas evolutiva, para al\u00e9m da intelig\u00eancia, ou consci\u00eancia, a espiritualidade poderia ser, tamb\u00e9m, colectiva, que novidade poderia emergir dessa complexidade?<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-257190","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=257190"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257190\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=257190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=257190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=257190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}