{"id":25685,"date":"2007-07-03T10:49:58","date_gmt":"2007-07-03T10:49:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/03\/cristaos-e-vida-publica\/"},"modified":"2007-07-03T10:49:58","modified_gmt":"2007-07-03T10:49:58","slug":"cristaos-e-vida-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristaos-e-vida-publica\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3os e vida p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o m\u00eas de Julho <!--more--> 1. \tDireito de participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica \tEste \u00e9 um direito que vem com a democracia. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, um direito que a democracia inventa e generosamente concede aos cidad\u00e3os. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um direito dos cidad\u00e3os, direito natural que resulta da condi\u00e7\u00e3o mesma de pessoa e cidad\u00e3o e que a democracia se limita a reconhecer. Tratando-se de um direito das pessoas, \u00e9 anterior ao Estado e este, enquanto forma organizada de viver em sociedade, tem o dever de criar condi\u00e7\u00f5es para o seu exerc\u00edcio. A pervers\u00e3o da democracia come\u00e7a precisamente quando, em nome da mesma, se instala uma estrutura burocr\u00e1tica, centralizada e intervencionista, com a pretens\u00e3o de regular a vida toda dos cidad\u00e3os, eliminando ou controlando as estruturas sociais interm\u00e9dias e imiscuindo-se mesmo na vida quotidiana e nos comportamentos privados dos cidad\u00e3os.  2.\tDever de participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica \tAo direito de participa\u00e7\u00e3o corresponde o dever de participar na vida p\u00fablica. Este resulta tamb\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o de pessoa e cidad\u00e3o \u2013 n\u00e3o se pode, por\u00e9m, impor, antes fica ao crit\u00e9rio de cada um. N\u00e3o se trata de um tem de, mas de um deve, no sentido moral do termo. Da\u00ed que esteja sempre dependente da forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e, em muitos casos, do compromisso com ideologias ou modos de vida que se deseja ver respeitados e promovidos na sociedade. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, entre n\u00f3s, os cidad\u00e3os mais intervenientes e participativos na vida p\u00fablica se apresentam com uma forte carga ideol\u00f3gica, visando aceder ao exerc\u00edcio do poder ou, pelo menos, \u00e0 possibilidade real de influenciar o seu exerc\u00edcio. Como resultado, verifica-se um estreitamento do que se entende por participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica, ficando esta entregue aos partidos pol\u00edticos, os quais, aparentemente, ocupam todo o espa\u00e7o p\u00fablico, reduzindo a pol\u00edtica a uma coisa de partidos e n\u00e3o a algo pr\u00f3prio de todos os cidad\u00e3os.  3.\tCrist\u00e3os e vida p\u00fablica \tParticipar activamente na vida p\u00fablica \u00e9 um direito e um dever de todos os cidad\u00e3os. Para os crist\u00e3os, \u00e9-o ainda mais, pois n\u00e3o lhes \u00e9 permitido, em consci\u00eancia e na fidelidade ao Evangelho, \u00abconformarem-se\u00bb com este mundo. Se as dificuldades s\u00e3o muitas, as oportunidades e os meios dispon\u00edveis tamb\u00e9m s\u00e3o abundantes. Cruzar os bra\u00e7os e deixar acontecer passivamente o mundo \u00e0 nossa volta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o. Formar-se, informar-se e intervir, usando todas as possibilidades ao nosso dispor, contribui para o enriquecimento do regime democr\u00e1tico, valoriza o debate constante que o atravessa e promove modos de vida com provas dadas ao longo de s\u00e9culos na humaniza\u00e7\u00e3o das sociedades e no progresso das culturas. Nem todos quantos se encontram activos na pra\u00e7a p\u00fablica podem dizer o mesmo&#8230;   4. \tQue todos possam participar&#8230; \tEntre o direito e o dever de participar na vida p\u00fablica coloca-se o poder participar. Em regimes ditatoriais, a quest\u00e3o resolve-se pela supress\u00e3o, legal e pela for\u00e7a, de qualquer dissid\u00eancia. Nas democracias, os impedimentos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos s\u00e3o de tipo diverso. Veja-se o caso daquelas democracias onde se vem afirmando de modo cada vez mais sistem\u00e1tico um laicismo de exclus\u00e3o, para o qual tudo quanto tenha alguma resson\u00e2ncia religiosa deve desaparecer da pra\u00e7a p\u00fablica e limitar-se ao \u00e2mbito estritamente privado. Este laicismo, sendo t\u00edpico dos pa\u00edses ocidentais, de tradi\u00e7\u00e3o religiosa judaico-crist\u00e3, aplica-se com especial empenho em excluir da pra\u00e7a p\u00fablica os crist\u00e3os e o cristianismo \u2013 e, de caminho, vem desenvolvendo inevit\u00e1veis tiques de anti-juda\u00edsmo encapotado mas cada vez mais evidente. Como responder? N\u00e3o lamentando-se, mas organizando-se para, usando os meios que a democracia p\u00f5e ao nosso dispor, promover o nosso modo de vida, no qual acreditamos e que julgamos o melhor para a edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais humana e justa. Ou seja, a resposta s\u00f3 pode ser maior participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica, afirmando claramente que, no debate p\u00fablico, os argumentos cujo fundamento \u00e9 a f\u00e9 crist\u00e3 t\u00eam o mesmo direito de cidadania de quaisquer outros. Ali\u00e1s, a maior parte dos argumentos que se cruzam na pra\u00e7a p\u00fablica s\u00e3o da ordem do acreditar, mesmo quando n\u00e3o se trata de uma cren\u00e7a religiosa \u2013 afinal, at\u00e9 o ate\u00edsmo \u00e9 da ordem da f\u00e9&#8230; <i>Elias Couto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o m\u00eas de Julho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-25685","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25685\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}