{"id":25683,"date":"2007-07-03T10:31:42","date_gmt":"2007-07-03T10:31:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/03\/menos-religiao-mais-formacao\/"},"modified":"2007-07-03T10:31:42","modified_gmt":"2007-07-03T10:31:42","slug":"menos-religiao-mais-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/menos-religiao-mais-formacao\/","title":{"rendered":"Menos <i>religi\u00e3o<\/i>, mais forma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Vai j\u00e1 a meio o tri\u00e9nio que a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) decidiu dedicar ao tema gen\u00e9rico da Transmiss\u00e3o da F\u00e9. Os desafios que se colocam \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica nesta miss\u00e3o essencial t\u00eam sido abordados pelos Bispos do nosso pa\u00eds de uma forma sistem\u00e1tica, nas suas Assembleias de Primavera e Outono, embora os resultados nem sempre sejam percept\u00edveis para o comum dos fi\u00e9is. Al\u00e9m dos discursos do presidente da CEP na abertura dos trabalhos, em que o tema tem sido uma refer\u00eancia obrigat\u00f3ria, os trabalhos dos Bispos s\u00e3o explicados em poucas linhas no comunicado final de cada Assembleia, onde se sublinha que os v\u00e1rios documentos de trabalho s\u00e3o estudados &#8220;demoradamente&#8221;. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, D. Carlos Azevedo, Secret\u00e1rio da CEP, aborda este percurso e perspectiva quais os passos que ainda faltam dar para poder despertar, nos cat\u00f3licos do nosso pa\u00eds, a sede pela forma\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9.  <i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) &#8211; Passando em revista este percurso, desde que se come\u00e7ou a falar do tema da transmiss\u00e3o da f\u00e9 como marca deste tri\u00e9nio na CEP, parece haver uma aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0s mudan\u00e7as culturais. A Igreja tem de adaptar a sua linguagem para o mundo de hoje? D. Carlos Azevedo (CA) &#8211;<\/i> De facto, n\u00f3s inici\u00e1mos o tratamento deste tema da transmiss\u00e3o da f\u00e9 por uma an\u00e1lise dos modelos culturais, porque \u00e9 esse o pano de fundo essencial para enquadrarmos depois as outras quest\u00f5es. Temos de conhecer bem os mecanismos das culturas contempor\u00e2neas &#8211; hoje sabemos que h\u00e1 um pluralismo cultural muito presente na sociedade portuguesa.  <i>AE &#8211; Mas a quest\u00e3o da muta\u00e7\u00e3o cultural acabou por ter muito mais impacto ap\u00f3s a derrota do N\u00e3o no referendo ao aborto e do pronunciamento da CEP&#8230; CA &#8211;<\/i> Esta \u00e9 uma reflex\u00e3o que j\u00e1 vem de tr\u00e1s e n\u00e3o tem nenhum enviesamento ou um funil para um tema concreto. A Igreja, toda ela, actua no meio cultural: come\u00e7ou assim no di\u00e1logo com o juda\u00edsmo, com o mundo hel\u00e9nico, e ao longo dos tempos tem dialogado sempre com a cultura ambiente porque \u00e9 uma f\u00e9 que tem reflex\u00e3o, porque \u00e9 uma f\u00e9 que usa a raz\u00e3o e tem de recorrer aos mecanismos culturais para poder fazer-se entender e poder fazer passar a mesma mensagem, mas com linguagens diferentes. Se mantivermos a linguagem, passamos a j\u00e1 n\u00e3o dizer o mesmo que queremos dizer, temos de mudar a linguagem para dizer a mesma coisa e n\u00e3o adulterar a linguagem. Essa foi a reflex\u00e3o que nos ocupou num primeiro tempo.  <i>AE &#8211; Passou-se depois para a vida das comunidades&#8230; CA &#8211;<\/i> Sim, depois come\u00e7amos pelo princ\u00edpio, que \u00e9 a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o modelo catecumenal de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, modelo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 doutrinal, mas que \u00e9 testemunhal e envolve a vida, a celebra\u00e7\u00e3o, as atitudes perante a vida. Toda essa dimens\u00e3o global da f\u00e9 passa pela inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a maioria dos cat\u00f3licos portugueses n\u00e3o a teve: foi baptizado em pequenino, teve uma catequese rudimentar que correspondeu mais \u00e0 inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia do que \u00e0 juventude e \u00e0 adultez, portanto n\u00e3o temos crist\u00e3os adultos na f\u00e9.  <i>AE &#8211; A seguir foi abordado o compromisso dos leigos. Falta empenho dos cat\u00f3licos? CA &#8211;<\/i> Dada esta situa\u00e7\u00e3o de que falei, passou-se para a forma\u00e7\u00e3o dos leigos, porque se as fam\u00edlias crist\u00e3s hoje n\u00e3o est\u00e3o preparadas para transmitir a f\u00e9 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es e o sistema da catequese n\u00e3o encontra preparados, temos de ver como se formam agentes que transmitam a f\u00e9. Escusamos de lamentar-nos das situa\u00e7\u00f5es, temos \u00e9 de encontrar guias para colmatar as defici\u00eancias e atender \u00e0 realidade.   <i>AE &#8211; O que ainda se pode esperar at\u00e9 ao fim do tri\u00e9nio? CA &#8211;<\/i> Os dois novos passos que nos faltam dar s\u00e3o a dimens\u00e3o social e a dimens\u00e3o espiritual. Depois de termos debatido o que existe em cada diocese, para formar agentes pastorais em todas as dimens\u00f5es, haveria que sublinhar agora a forma\u00e7\u00e3o na Doutrina Social da Igreja e a forma\u00e7\u00e3o espiritual. Not\u00e1mos que h\u00e1 uma defici\u00eancia na inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o: dizemos \u00e0s pessoas que t\u00eam de rezar, mas elas n\u00e3o sabem como. Tamb\u00e9m na Doutrina Social da Igreja as pessoas est\u00e3o muito longe do corpo doutrinal que a Igreja prop\u00f5e sobre a rela\u00e7\u00e3o com o Estado, com a economia, com a pol\u00edtica.  <i>AE &#8211; Pode haver o risco dessas propostas serem vistas como uma imposi\u00e7\u00e3o de cima para baixo e n\u00e3o como uma resposta ao anseio dos cat\u00f3licos? CA &#8211;<\/i> Esse \u00e9 um ponto cr\u00edtico: temos consci\u00eancia de que os crist\u00e3os cat\u00f3licos n\u00e3o querem forma\u00e7\u00e3o. Querem religi\u00e3o, mas n\u00e3o querem forma\u00e7\u00e3o. A\u00ed \u00e9 preciso motiv\u00e1-los e essa \u00e9 outra t\u00e9cnica que \u00e9 preciso encontrar, para que as pessoas ganhem consci\u00eancia de que a Santa com mais devo\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 a santa ignor\u00e2ncia&#8230;  <i>AE &#8211; O facto de vivermos num pa\u00eds de maioria cat\u00f3lica faz que as pessoas se sintam satisfeitas com a forma como vivem a f\u00e9? CA &#8211;<\/i> H\u00e1 que passar de uma consci\u00eancia satisfeita para uma consci\u00eancia insatisfeita, que as pessoas queiram procurar mais alguma coisa. Isso exige uma mobiliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque muitas vezes as ofertas de forma\u00e7\u00e3o que se d\u00e3o n\u00e3o respeitam a tal cultura contempor\u00e2nea; as modalidades de forma\u00e7\u00e3o acabam por afastar os que l\u00e1 v\u00e3o. Aqui h\u00e1 todo um caminho, \u00e9 evidente que esta reflex\u00e3o n\u00e3o obriga nenhum Bispo na sua diocese a rever os seus crit\u00e9rios, \u00e9 s\u00f3 uma reflex\u00e3o. Eventualmente poder-se-\u00e1 chegar a um documento final que re\u00fana tudo o que foi sendo feito, mas \u00e9 sempre uma reflex\u00e3o, para ajudar a encontrar pontos comuns, que cada um possa aplicar na sua diocese. Essa aplica\u00e7\u00e3o fica, sempre, ao crit\u00e9rio de cada Bispo.  <b>Cronologia<\/b> O tri\u00e9nio 2005-2008 \u00e9 dedicado pelos Bispos portugueses \u00e0 quest\u00e3o da transmiss\u00e3o da f\u00e9. Em Novembro de 2005 foi estudado um documento de trabalho intitulado &#8220;Modelos de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e culturas contempor\u00e2neas&#8221;, o primeiro elemento do plano para o tri\u00e9nio. Antes, em Julho desse ano, fora publicado o documento &#8220;Para que acreditem e tenham a vida&#8221;, com orienta\u00e7\u00f5es para a catequese actual. A reuni\u00e3o plen\u00e1ria de Abril do ano passado contou com um documento de trabalho intitulado &#8220;Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3: caminhos a percorrer&#8221;. Reconhecendo a pedagogia catecumenal como privilegiada no processo da transmiss\u00e3o da f\u00e9, a Assembleia &#8220;considerou urgente incentivar itiner\u00e1rios concretos de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3&#8221;. Este encontro viu ainda surgir o documento &#8220;A Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica: um valioso contributo para a forma\u00e7\u00e3o da personalidade&#8221;.  Na Assembleia Plen\u00e1ria de Novembro de 2006, os Bispos estudaram um documento de trabalho intitulado &#8220;Fam\u00edlia, Escola e Universidade\u201d, o terceiro elemento de um plano para o tri\u00e9nio. Em Abril de 2007, A Assembleia prosseguiu a reflex\u00e3o sobre a transmiss\u00e3o da f\u00e9, desta vez partindo de um documento de trabalho intitulado &#8220;Forma\u00e7\u00e3o de Leigos: minist\u00e9rios, servi\u00e7os, escolas: experi\u00eancias, meios, conte\u00fados&#8221;. Foi feito o levantamento das principais iniciativas decorrentes dos seguintes dom\u00ednios de ac\u00e7\u00e3o pastoral: forma\u00e7\u00e3o de catequistas, prepara\u00e7\u00e3o de ministros para a liturgia, ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o para sectores de pastoral especializada, inicia\u00e7\u00e3o b\u00edblica e promo\u00e7\u00e3o da lectio divina, institui\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o levadas a cabo por movimentos eclesiais ou escolas para leigos de cariz diocesano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai j\u00e1 a meio o tri\u00e9nio que a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) decidiu dedicar ao tema gen\u00e9rico da Transmiss\u00e3o da F\u00e9. 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