{"id":25652,"date":"2007-07-02T10:55:33","date_gmt":"2007-07-02T10:55:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/07\/02\/o-b-i-da-europa\/"},"modified":"2007-07-02T10:55:33","modified_gmt":"2007-07-02T10:55:33","slug":"o-b-i-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-b-i-da-europa\/","title":{"rendered":"O B.I. da Europa"},"content":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o da identidade europeia \u00e9, verdadeiramente, incontorn\u00e1vel a prop\u00f3sito da redac\u00e7\u00e3o dos Tratados, ou de muitas outras quest\u00f5es <!--more--> N\u00e3o ser\u00e1 certamente muito entusiasmante para os cidad\u00e3os a imagem, que nos tem chegado, de uma Uni\u00e3o Europeia marcada por intermin\u00e1veis discuss\u00f5es a respeito do sistema de vota\u00e7\u00e3o, em que cada governo \u201cpuxa a brasa \u00e0 sua sardinha\u201d e onde dificilmente se encontra algum sinal de unidade. A ideia de associar a popula\u00e7\u00e3o, pela via do referendo, \u00e0s decis\u00f5es que modelar\u00e3o de forma significativa o futuro da Europa, parece definitivamente posta de parte, sobretudo porque n\u00e3o se pode correr o risco de novas respostas negativas, que seriam dificilmente ultrapass\u00e1veis. \tV\u00ea-se, claramente, que o entusiasmo pela Europa n\u00e3o chegou ainda aos cidad\u00e3os. Para que isso possa suceder, h\u00e1 que definir bem, antes de mais, a pr\u00f3pria identidade europeia, a partir do seu patrim\u00f3nio hist\u00f3rico e dos valores que forjaram e distinguem a sua cultura. S\u00f3 assim podem as popula\u00e7\u00f5es ser mobilizadas e capazes de sentir uma coes\u00e3o europeia que, sem substituir a coes\u00e3o nacional, a esta possa ser, de algum modo, equiparada. Para que possa surgir um demos europeu, um \u201cpovo\u201d europeu. \t\u00c9 por isto que s\u00e3o importantes as discuss\u00f5es a respeito da refer\u00eancia ao cristianismo no pre\u00e2mbulo do \u2013 hoje superado \u2013 Tratado Constitucional, ou na nova redac\u00e7\u00e3o \u2013 op\u00e7\u00e3o que acabou por vingar \u2013 dos Tratados actualmente em vigor. Essa refer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma simples quest\u00e3o de palavras, mas de aut\u00eantica defini\u00e7\u00e3o do \u201cbilhete de identidade\u201d europeu. \tO secretariado da Comiss\u00e3o dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) congratulou-se com o facto de a proposta de nova redac\u00e7\u00e3o dos Tratados incluir, como o fazia o projecto de Tratado Constitucional, a refer\u00eancia \u00e0 \u00abheran\u00e7a cultural, religiosa e humanista da Europa\u00bb, lamentando, por\u00e9m, a falta de refer\u00eancia expl\u00edcita ao cristianismo. Assinala positivamente a circunst\u00e2ncia de nessa proposta se manter a defini\u00e7\u00e3o, que constava do projecto de Tratado Constitucional, dos valores que estruturam a Uni\u00e3o Europeia, \u00e0 cabe\u00e7a dos quais se situa o da dignidade da pessoa humana. E tamb\u00e9m a consagra\u00e7\u00e3o nessa proposta, que j\u00e1 constava desse anterior projecto, de um di\u00e1logo institucionalizado entre a Uni\u00e3o Europeia e as igrejas e comunidades religiosas, que reconhece o papel social e culturalmente relevante e ben\u00e9fico destas. \tImporta dar a estas quest\u00f5es mais relevo do que aquele que \u00e9 normalmente dado pela comunica\u00e7\u00e3o social. \u00c9 a identidade da Europa que est\u00e1 em causa. Sem que esta esteja bem definida, n\u00e3o podem os cidad\u00e3os sentir o projecto europeu como algo de mobilizador. N\u00e3o o sentir\u00e3o certamente quando, como tem sucedido (e tem passado despercebido a muitos) em organiza\u00e7\u00f5es internacionais a Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 na primeira linha do ataque a valores, t\u00e3o preciosos para muitos europeus, como os da vida e da fam\u00edlia. \tA prop\u00f3sito da redac\u00e7\u00e3o dos Tratados, ou de muitas outras quest\u00f5es (como a da ades\u00e3o da Turquia), a quest\u00e3o da identidade europeia \u00e9, verdadeiramente, incontorn\u00e1vel. Mas a alus\u00e3o ao cristianismo na defini\u00e7\u00e3o da identidade europeia n\u00e3o deve ser vista como uma reivindica\u00e7\u00e3o particularista, contra quem quer que seja, ou que exclua outros credos, religiosos ou n\u00e3o, tamb\u00e9m presentes na sociedade europeia. Nem \u00e9 incompat\u00edvel com a ades\u00e3o da Turquia, como reconhece hoje a diplomacia da Santa S\u00e9. O cristianismo foi, historicamente uma semente de valores (como o da dignidade da pessoa humana) em que se reconhecem, hoje, muitos europeus, crist\u00e3os ou n\u00e3o crist\u00e3os. E o pensamento social crist\u00e3o pode iluminar, em benef\u00edcio de todos, muitos dos desafios com que se depara hoje a Europa. Prop\u00f5e, por exemplo, o equil\u00edbrio entre os princ\u00edpios da subsidiariedade e da solidariedade, t\u00e3o oportuno a prop\u00f3sito da revis\u00e3o do modelo social europeu ou da formula\u00e7\u00e3o das regras institucionais. A prop\u00f3sito das t\u00e3o prementes quest\u00f5es ambientais, conduz ao respeito pela integridade da cria\u00e7\u00e3o como um dom inestim\u00e1vel, sem cair num ecologismo anti-humanista. E conduz tamb\u00e9m \u00e0 abertura \u00e0 paz e fraternidade universais, contra qualquer l\u00f3gica de \u201cEuropa-fortaleza\u201d.   <i>Pedro Vaz Patto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o da identidade europeia \u00e9, verdadeiramente, incontorn\u00e1vel a prop\u00f3sito da redac\u00e7\u00e3o dos Tratados, ou de muitas outras quest\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[203,206,285,297,314],"class_list":["post-25652","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-europa","tag-familia","tag-patrimonio","tag-santa-se","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25652\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}