{"id":256404,"date":"2022-10-16T09:30:30","date_gmt":"2022-10-16T08:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=256404"},"modified":"2022-10-13T14:37:15","modified_gmt":"2022-10-13T13:37:15","slug":"portugal-combate-a-pobreza-exige-uma-aproximacao-ao-nivel-local-silva-peneda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-combate-a-pobreza-exige-uma-aproximacao-ao-nivel-local-silva-peneda\/","title":{"rendered":"Portugal: \u00abCombate \u00e0 pobreza exige uma aproxima\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel local\u00bb &#8211; Silva Peneda"},"content":{"rendered":"<p>Arranca esta segunda-feira em F\u00e1tima o 34.\u00ba Encontro da Pastoral Social. &#8220;A Pandemia, a Guerra e os pobres&#8221; \u00e9 o tema da edi\u00e7\u00e3o deste ano desta iniciativa do Secretariado Nacional da Pastoral Social.\u00a0Para falar da realidade social do pa\u00eds \u00e9 convidado esta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia Jos\u00e9 Silva Peneda, presidente da Assembleia-Geral da Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias Portuguesas<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_256406\" aria-describedby=\"caption-attachment-256406\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/silva_peneda86583837defaultlarge_1024.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-256406 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/silva_peneda86583837defaultlarge_1024.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/silva_peneda86583837defaultlarge_1024.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/silva_peneda86583837defaultlarge_1024-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/silva_peneda86583837defaultlarge_1024-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/silva_peneda86583837defaultlarge_1024-980x551.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/silva_peneda86583837defaultlarge_1024-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-256406\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Iniciamos a nossa entrevista lembrando tamb\u00e9m que na semana passada o Governo apresentou o Or\u00e7amento de Estado para o pr\u00f3ximo ano. Num recente artigo, afirmava que em Portugal assistimos ao aumento da pobreza e das desigualdades. Pergunto-lhe teme que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica possa acentuar ainda mais essa situa\u00e7\u00e3o ou se as medidas adotadas pelo Governo ser\u00e3o capazes de atenuar o problema?<\/em><\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 mais de fundo e julgo que seria tontearia da minha parte se pensasse que o Or\u00e7amento podia resolver, ou atenuar de uma forma significativa os problemas que a sociedade portuguesa tem. Eu julgo que temos de situar isto num plano mais global. E quando falamos de quest\u00f5es sociais, temos de atender ao mundo em que vivemos, que mudou muito nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Se recuarmos umas boas d\u00e9cadas, quando o Muro de Berlim caiu e assistimos ao fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o, houve at\u00e9 um grande escritor, um pensador, o (Francis) Fukuyama, professor universit\u00e1rio nos Estados Unidos, que escreveu \u2018O fim da hist\u00f3ria\u2019, referindo que caminhamos para um mundo em que as democracias liberais seriam dominantes e se criaram expectativas no sentido de que tudo seria um futuro risonho no mundo do trabalho, com sal\u00e1rios dignos, com aumentos de situa\u00e7\u00e3o, de vida e de espa\u00e7o e tempo para o lazer e para a fam\u00edlia, e que o mundo seria muito melhor. Ora, quando se criam expectativas t\u00e3o boas e depois elas n\u00e3o se concretizam, segue-se a desilus\u00e3o e a falta de ambi\u00e7\u00e3o. E foi o que aconteceu.<\/p>\n<p>Aquilo que se pensava que se podia concretizar depois da queda do Muro de Berlim n\u00e3o se concretizou. Isso teve consequ\u00eancias pol\u00edticas e da\u00ed, por exemplo, o aumento de peso da extrema-direita em v\u00e1rias democracias liberais. E o pr\u00f3prio Fukuyama acaba por escrever agora um livro que diz &#8220;a liberdade e os seus descontentes&#8221;, onde este clima de incerteza e de imprevisibilidade p\u00f5e em causa \u2013 bem como a guerra da Ucr\u00e2nia &#8211; o futuro das democracias liberais. No meio desta evolu\u00e7\u00e3o acontece a Covid que veio alterar comportamentos.\u00a0 Vivemos num mundo em que uma coisa \u00e9 certa: nunca mais voltamos ao ponto de partida, porque quando se criam tantas convuls\u00f5es, tantas modifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o se volta ao ponto de partida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a tend\u00eancia \u00e9 para melhorar?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Depende. Para se melhorar temos de ter algumas \u00e2ncoras e essas \u00e2ncoras s\u00f3 se podem contar no plano dos valores. Come\u00e7o pelo primeiro dos valores, que \u00e9 a pessoa humana nas suas outras dimens\u00f5es. A pessoa humana tem de ser o centro de toda a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, no sentido nobre do seu termo, porque a vida \u00e9 o encontro com o outro.<\/p>\n<p>Se a pessoa humana n\u00e3o estiver no centro das preocupa\u00e7\u00f5es de quem dirige, de quem lidera as m\u00faltiplas facetas de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade, alguma coisa est\u00e1 mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso foi tido em conta, nomeadamente quando foram anunciadas medidas para reduzir a fatura da luz. H\u00e1 um pacote de medidas para as fam\u00edlias&#8230;<\/em><\/p>\n<p>De algum modo, de algum modo. Mas ainda no plano dos valores queria ainda falar de mais um e vai ao encontro da sua pergunta: o valor da liberdade, numa sociedade onde grassa a pobreza &#8211; no nosso caso s\u00e3o 2,3 milh\u00f5es (dados do Eurostat) de pessoas em risco de pobreza. O que significa que s\u00e3o 22,4 por cento da popula\u00e7\u00e3o total. Isto \u00e9 impressionante. E o mais impressionante \u00e9 que 11 % desses que est\u00e3o em risco de pobreza s\u00e3o trabalhadores, s\u00e3o gente que trabalha.<\/p>\n<p>Portugal neste momento \u00e9 o oitavo pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia na pior situa\u00e7\u00e3o. Com a pandemia alguns pa\u00edses conseguiram minorar isto,12 pa\u00edses conseguiram minorar e diminuir os sintomas da pobreza. Mas Portugal, neste momento, \u00e9 o oitavo pior, durante o per\u00edodo da pandemia, s\u00f3 no primeiro ano criamos 228 mil novos pobres, para dar uma a ideia de que isto representa, uma cidade do Porto. A par disto, quando se fala de pobreza, se falamos de desigualdades, tamb\u00e9m elas se acentuaram. Portanto, temos uma tend\u00eancia que vem de tr\u00e1s, em que a pobreza est\u00e1 a aumentar, as desigualdades est\u00e3o a aumentar, e, portanto, estes valores fundamentais da social portuguesa, que \u00e9 a pessoa humana no centro, e o problema das liberdades e acresce mais um e pouca gente fala nele: \u00e9 que n\u00f3s, hoje portugueses, temos 6 milh\u00f5es de compatriotas emigrados. Ocupamos o \u00faltimo lugar na Uni\u00e3o Europeia. N\u00e3o h\u00e1 nenhum pa\u00eds europeu que tenha estes valores. Fui ver e os pa\u00edses que t\u00eam mais do que isso s\u00e3o os pa\u00edses em que as pessoas fogem pela guerra ou por cat\u00e1strofes naturais, o que tamb\u00e9m n\u00e3o abona muito a nosso favor. Um or\u00e7amento s\u00f3 n\u00e3o resolve, s\u00f3 se pode resolver numa cultura de compromisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas este Or\u00e7amento atenua os problemas? <\/em><\/p>\n<p>Este or\u00e7amento tem algumas medidas e algumas medidas s\u00e3o positivas. N\u00e3o se pode dizer que n\u00e3o. H\u00e1 uma s\u00e9rie delas, como o aumento do sal\u00e1rio minino, o indexante de apoios sociais, o abono de fam\u00edlia, todas elas s\u00e3o medidas muito positivas. Mas quando n\u00f3s somamos estas verbas todas e verificamos o que \u00e9 que elas representam em termos do total do IRS, representam pouco mais de 2 por cento, \u00e9 pouco. \u00c9 pouco quando se olha ao volume. Bem sei que h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o com o d\u00e9fice e a as contas p\u00fablicas. Mas, por exemplo, quando se olha para o lado das empresas, as medidas de apoio representam quatro por cento do IRC, o que mostra que h\u00e1 aqui uma preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m muito grande, e bem, de apoio \u00e0s empresas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Continuamos a olhar para a pobreza como se fosse um fen\u00f3meno perif\u00e9rico, esquecendo que a resolu\u00e7\u00e3o do problema tem de ser assumida a n\u00edvel global?<\/em><\/p>\n<p>A pobreza \u00e9 um fen\u00f3meno global e para ser abordada, no caso concreto do nosso pa\u00eds, porque cada pa\u00eds tem as suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, n\u00e3o se pode fazer por decreto. Aqui t\u00eam um papel muito importante as institui\u00e7\u00f5es sociais em Portugal. Eu julgo que o combate \u00e0 pobreza tem de ser feito numa base de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade concreta e socialmente a pobreza infantil, aquela que \u00e9 mais marcante, onde vale a pena atuar, porque \u00e9 aquela que pode ter mais rentabilidade temos de m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 aquela que permite quebrar ciclos?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. E \u00e9 preciso ir tratar isto muito a n\u00edvel micro. Eu diria quase rua a rua, ou escola a escola. O Estado est\u00e1 organizado, pensando que uma administra\u00e7\u00e3o muito\u00a0centralizada pode resolver os problemas, mas n\u00e3o resolve: Com certeza que dar uns subs\u00eddios e donativos \u00e0s fam\u00edlias \u00e9 bom. Mas julgo que o problema da escola, o problema da a\u00e7\u00e3o social, a n\u00edvel local, o problema das autarquias, o problema da junta de freguesia, o combate \u00e0 pobreza exige muito uma aproxima\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel local. O pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 igual em termos culturais. Se calhar, atacar o fen\u00f3meno da pobreza das zonas urbanas do Porto e Lisboa \u00e9 diferente atacar a pobreza nas zonas do Alentejo ou Tr\u00e1s-os-Montes. E, portanto, h\u00e1 aqui que tentar criar toda uma m\u00e1quina. Diria que isto \u00e9 quase uma opera\u00e7\u00e3o militar \u00e9 uma atividade que tem componente log\u00edstica &#8211; lembro-me do nosso almirante das vacinas. No combate \u00e0 pobreza \u00e9 preciso identificar muito bem as causas, as ra\u00edzes, a fonte, e atacar as causas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Isto significa que todos os programas que conhecemos at\u00e9 agora, do combate \u00e0 pobreza n\u00e3o foram devidamente pensados, n\u00e3o foram eficazes? <\/em><\/p>\n<p>Na pol\u00edtica saber o que fazer \u00e9 importante, mas saber como fazer, \u00e9 muito importante. E, portanto, o conhecimento concreto da realidade local, a proximidade \u00e9 fundamental. E por isso \u00e9 que dou um grande valor \u00e0s Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social, porque elas conhecem a realidade. N\u00e3o acredito que o combate \u00e0 pobreza possa ser eficaz se n\u00e3o houver uma articula\u00e7\u00e3o muito forte entre Junta de Freguesia, C\u00e2maras Municipais e institui\u00e7\u00f5es sociais que existem na terra, na zona. E o combate \u00e0 pobreza faz-se atrav\u00e9s da atua\u00e7\u00e3o concreta das pessoas.<\/p>\n<p>Lembro a experi\u00eancia da Covid nas Miseric\u00f3rdias, que acompanhei muito de perto. Vi que muitas situa\u00e7\u00f5es apareceram e foram as c\u00e2maras municipais e as juntas de freguesia que, perante uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, em que n\u00e3o se podia estar \u00e0 espera de orienta\u00e7\u00f5es gerais do Governo &#8211; n\u00e3o sei se tinham compet\u00eancias legais, mas perante o drama e a ang\u00fastia que viviam -, que acabaram por encontrar solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Era uma situa\u00e7\u00e3o de crise, assim como \u00e9 a quest\u00e3o da pobreza. A Igreja tem tamb\u00e9m aqui um papel importante. Eu julgo que a pobreza tem de ser combatida e, com certeza, as medidas financeiras s\u00e3o importantes, mas t\u00eam de ser mobilizadas em torno de quem conhece a realidade local. Eu tenho experi\u00eancia com o bispo de Set\u00fabal, D. Manuel Martins, do combate que fizemos no combate \u00e0 pobreza e que contou tamb\u00e9m com o apoio do seu adjunto, Eug\u00e9nio da Fonseca, que depois foi presidente da C\u00e1ritas&#8230; correu bem. Foi um programa que correu bem, porque em Set\u00fabal quando se deu a grande crise econ\u00f3mica sabia-se que ali, ao contr\u00e1rio do Norte, quem perdia o emprego perdia tudo. Enquanto no Norte as pessoas t\u00eam sempre uma horta ou um vizinho que ajuda a resolver os problemas. Em Set\u00fabal n\u00e3o. Em Set\u00fabal, quem perdia o emprego perdia tudo. E a coisa correu bem porqu\u00ea? Porque algu\u00e9m conhecia a realidade local e sabia quem realmente precisava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou no facto de 11 por cento dos pobres serem trabalhadores. O que me leva a perguntar-lhe se continuamos com uma pol\u00edtica de baixos sal\u00e1rios. E recordo, s\u00f3 para introduzir mais um dado na nossa conversa, que o Governo fez um acordo de concerta\u00e7\u00e3o que prev\u00ea o aumento do sal\u00e1rio e que prev\u00ea que o sal\u00e1rio m\u00ednimo chegue 760 euros no pr\u00f3ximo ano\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu falei que um dos valores \u00e9 a liberdade. E n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma sociedade totalmente livre sem uma classe m\u00e9dia forte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas deixamos de ter classe m\u00e9dia?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento, a classe m\u00e9dia praticamente est\u00e1 a desaparecer. As medidas de apoio \u00e0s classes mais baixas s\u00e3o importantes, mas a classe m\u00e9dia praticamente desapareceu. E quando a classe m\u00e9dia desaparece, desaparece a energia e aquilo pode motivar, dar saltos e ambi\u00e7\u00f5es em termos de uma sociedade. Se eu posso estar de acordo com as medidas que s\u00e3o tomadas, para aqueles escal\u00f5es mais baixos, julgo que \u00e9 importante n\u00e3o esquecer aqueles que est\u00e3o no meio da pir\u00e2mide. Especialmente aqueles que t\u00eam mais energia e mais capacidade. \u00c9 o que eu vejo hoje nos jovens e isso preocupa &#8211; eu j\u00e1 sou av\u00f4 e j\u00e1 tenho netos formados -, os ordenados e vencimentos que se pagam a pessoas que j\u00e1 t\u00eam qualifica\u00e7\u00f5es. Estou a falar de licenciados, de mestres&#8230;. se um dia pensam constituir fam\u00edlia com aqueles ordenados, se n\u00e3o \u00e9 o av\u00f4 e a av\u00f3 ajudarem, passam muita dificuldade. E os que n\u00e3o t\u00eam av\u00f4 e av\u00f3 a ajudar n\u00e3o t\u00eam outra hip\u00f3tese que n\u00e3o seja emigrar. Ora isto n\u00e3o \u00e9 liberdade, isto \u00e9 uma sociedade condicionada. E, portanto, se \u00e9 simp\u00e1tico ter medidas de apoio aqueles que mais sofrem e os mais desfavorecidos, n\u00e3o podemos descurar aqueles que podem ser a energia, a vitalidade e a for\u00e7a que pode fazer uma sociedade andar para a frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois da pandemia, veio a guerra. A infla\u00e7\u00e3o afeta as fam\u00edlias, a sociedade, tamb\u00e9m est\u00e1 a ter um grande impacto nas institui\u00e7\u00f5es sociais. Numa recente entrevista com o provedor da Miseric\u00f3rdia do Porto, dizia que as institui\u00e7\u00f5es \u201cest\u00e3o de rastos\u201d. Como presidente da Assembleia Geral da Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias Portuguesas, afina tamb\u00e9m por este diagn\u00f3stico?<\/em><\/p>\n<p>Eu estou muito preocupado com a vida das institui\u00e7\u00f5es. Na pandemia, tiveram um papel importante, mas est\u00e3o exauridas&#8230; No Or\u00e7amento de Estado para 2013 fala-se, no apoio \u00e0 a\u00e7\u00e3o social, de um crescimento de 4,4 por cento. Mas basta ver agora o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e o impacto que vai ter, quando grande parte dos trabalhadores das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social e das Miseric\u00f3rdias t\u00eam sal\u00e1rio m\u00ednimo. Vai ser um impacto enorme nestas institui\u00e7\u00f5es e temos casos dram\u00e1ticos, n\u00e3o s\u00f3 dos mais idosos. O que se passou em Boliqueime, no Algarve, mostra que, de facto, vivemos um problema grav\u00edssimo que \u00e9 os cuidados continuados. N\u00e3o h\u00e1 camas para cuidados continuados. As dem\u00eancias em Portugal\u2026 se em 2001 eram 250 mil, em 2037 prev\u00ea-se que sejam mais de 270 mil, o que significa que a procura de cuidados continuados vai ser maior. Hoje, o Estado n\u00e3o comparticipa nem de perto nem de longe e as Miseric\u00f3rdias t\u00eam de os suportar, as institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam cuidados continuados t\u00eam de os suportar e isso \u00e9 insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui um problema que foi mitigado com o \u00faltimo acordo que se fez hoje com o Estado, mas as Miseric\u00f3rdias prestam um servi\u00e7o e um servi\u00e7o tem de ser remunerado, tem de ser pago. Neste momento, est\u00e3o a suportar encargos que s\u00e3o est\u00e3o longe de ser totalmente remunerados, portanto, h\u00e1 aqui um problema de fundo, um problema grave que tem de ser equacionado e que este or\u00e7amento n\u00e3o resolve de uma forma clara. Percebo a posi\u00e7\u00e3o do provedor da Santa Casa Miseric\u00f3rdia do Porto e dos provedores de todo o pa\u00eds, que vivem muito preocupados com a situa\u00e7\u00e3o e com os encargos. Para n\u00e3o falar nos custos de energia e de todo um conjunto de situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a ser postos hoje para todos os portugueses, em geral, e que estas institui\u00e7\u00f5es sofrem de uma forma dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na sua opini\u00e3o, e para irmos ao tema do encontro da Pastoral Social, que \u00e9 a pandemia, a guerra e os pobres, ainda n\u00e3o atingimos todas as consequ\u00eancias da pandemia e da guerra?<\/em><\/p>\n<p>Quanto \u00e0 pandemia, surpreendo-me quando vejo as contas da Seguran\u00e7a Social, porque o efeito da pandemia n\u00e3o pesou tanto como como se poderia pensar \u00e0 primeira vista. Em termos financeiros, pesou, com certeza, mas quando se fala em termos de percentagem do PIB foi suport\u00e1vel e julgo estar mais ou menos ultrapassado. H\u00e1 outro tipo de consequ\u00eancias, no mundo do trabalho, comportamentos das pessoas, etc., mas em termos financeiros as coisas foram sendo atenuadas. O que a pandemia mostrou \u00e9 uma coisa que me preocupa: uma desarticula\u00e7\u00e3o muito grande entre servi\u00e7os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, entre a Seguran\u00e7a Social e a Sa\u00fade, por exemplo. Isso foi patente. O idoso n\u00e3o \u00e9 um cliente da Seguran\u00e7a Social \u00e0 segunda, quarta e sexta, e da Sa\u00fade \u00e0 ter\u00e7a, quinta e s\u00e1bado\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso relaciona-se tamb\u00e9m com o que disse antes, dos cuidados continuados\u2026<\/em><\/p>\n<p>Os lares de terceira idade, quando foram criados &#8211; eu fui muito respons\u00e1vel por isto, na altura em que se tinha responsabilidades no Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a Social \u2013 tiveram o seu tempo, porque as pessoas eram relativamente saud\u00e1veis. A partir do momento em que as pessoas v\u00e3o envelhecendo e a esperan\u00e7a de vida est\u00e1 a aumentar, os cuidados s\u00e3o diferentes e o tipo de assist\u00eancia \u00e9 diferente, o profissionalismo de quem est\u00e1 l\u00e1 tem de ser de outro n\u00edvel. H\u00e1 aqui que repensar muito bem o que \u00e9 que se pode fazer. Eu sei que as novas tecnologias agora podem resolver muitas coisas, mas para isso \u00e9 preciso dinheiro, investimento.<\/p>\n<p>Os idosos em Portugal s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o grande, porque v\u00e3o ser cada vez mais, com maiores problemas em termos de sa\u00fade, em termos de aten\u00e7\u00e3o. Julgo que ainda n\u00e3o est\u00e1 pensada, n\u00e3o h\u00e1 uma estrat\u00e9gia clara sobre a forma como os idosos podem ser tratados no futuro. Este cen\u00e1rio \u00e9 preocupante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este cen\u00e1rio de incerteza tamb\u00e9m vai afetar o combate \u00e0s desigualdades como prioridade pol\u00edtica?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza. Os problemas da desigualdade s\u00f3 se resolvem a partir do momento em que a classe m\u00e9dia se vai robustecendo. Mas quando vemos que os mais capazes &#8211; e os mais capazes s\u00e3o aqueles que podem proporcionar o grande impulso da classe m\u00e9dia \u2013 saem do pa\u00eds, perdemos os trunfos para jogar na altura que era necess\u00e1rio. Temos de criar condi\u00e7\u00f5es e \u00e9 por isso que o papel das empresas \u00e9 importante. Uma vis\u00e3o social do pa\u00eds obriga a que se atente muito cuidadosamente ao papel das empresas, porque as empresas tamb\u00e9m t\u00eam um papel social, as empresas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o lucro. As empresas t\u00eam um papel social e o poder pol\u00edtico tem de ter a clarivid\u00eancia de fazer com que as empresas cumpram o esse papel.<\/p>\n<p>O papel social das empresas tem de ser no sentido de criar condi\u00e7\u00f5es para que possam albergar e ter quadros qualificados, para que o pa\u00eds possa aumentar em termos de produtividade, investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, capacidade de inova\u00e7\u00e3o, tudo isso. N\u00e3o podemos fazer do social apenas uma coisa sobre os pobres e os coitadinhos, o social \u00e9 tamb\u00e9m algo que tem a ver com quest\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f3mica e de pol\u00edtica de dinamiza\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E n\u00e3o podemos diabolizar as empresas, como diz o ministro da Economia\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o podemos diabolizar as empresas. Eu acho que ser empres\u00e1rio hoje tem um valor social.\u00a0 A sociedade portuguesa e certas correntes de esquerda veem o empres\u00e1rio como sendo um especulador e um malandro, que quer ganhar dinheiro s\u00f3 para si e &#8211; utilizando aquela frase de j\u00e1 h\u00e1 tempos &#8211; para \u201ccomprar Ferraris\u201d. O verdadeiro empres\u00e1rio \u00e9 aquele que consegue criar condi\u00e7\u00f5es de riqueza e fazer da sua empresa um lugar de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional dos que l\u00e1 trabalham. E n\u00f3s temos bons empres\u00e1rios em Portugal, felizmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As associa\u00e7\u00f5es de solidariedade social de iniciativa privada ou associativa surgiram depois de 1974 e eram, no in\u00edcio, quase todas ligadas \u00e0 Igreja. Hoje, a realidade \u00e9 muito diferente. Encontra explica\u00e7\u00e3o para este facto?<\/em><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria mostra que as institui\u00e7\u00f5es nasceram, mesmo as ligadas \u00e0 Igreja, como duma comunidade e vizinhos. Costumo dizer que a raz\u00e3o de ser das Miseric\u00f3rdias \u00e9 o bem comum e o bem comum faz-se num encontro com o outro. Isto \u00e9 a ess\u00eancia da vida. N\u00f3s se n\u00e3o tivermos o outro, n\u00e3o temos vida. As Miseric\u00f3rdias nasceram para tratar daqueles que sofriam nas suas comunidades e, ao longo de s\u00e9culos, conseguiram responder de uma forma positiva perante as vicissitudes que se iam pondo. Tiveram capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s circunst\u00e2ncias, porque os problemas sociais daquela \u00e9poca n\u00e3o eram os mesmos de hoje nem o Estado tinha o poder que tem hoje, em termos de interven\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica social. H\u00e1 uma hist\u00f3ria, h\u00e1 um legado, as Miseric\u00f3rdias foram as primeiras, e a Igreja Cat\u00f3lica foi importante, em Portugal, como fomentadora dessa atividade. H\u00e1 aqui um papel e um patrim\u00f3nio muito grande da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Depois apareceram outras institui\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0 Igreja, mas t\u00eam em comum o facto de serem todas muito localizadas e terem nascido todas em redor de comunidades de vizinhos &#8211; umas de raiz mais cat\u00f3lica, outras n\u00e3o, mas t\u00eam todo o mesmo pendor: s\u00e3o todas muito localizadas e, portanto, s\u00e3o muito controladas tamb\u00e9m pelos seus pares e as comunidades de vizinhos, o que \u00e9 bom. Julgo que, ainda hoje, as que est\u00e3o ligadas \u00e0 Igreja tem um pendor e uma import\u00e2ncia muito, muito significativa no panorama nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nessa reflex\u00e3o, pergunto lhe se se far\u00e1 algum dia sentido pensar a sociedade portuguesa sem a presen\u00e7a destas institui\u00e7\u00f5es\u2026<\/em><\/p>\n<p>Acho que seria um desastre total. J\u00e1 quando foi da \u201ctroika\u201d, toda a gente disse que se n\u00e3o fosse o papel das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social, a dor que a sociedade portuguesa sofreu seria muito maior. Agora com a Covid isso ficou demonstrado, at\u00e9 na qualidade do servi\u00e7o. Os n\u00fameros recentes mostram &#8211; eu s\u00f3 conhe\u00e7o os n\u00fameros das Santas Casas de Miseric\u00f3rdia -, que comparando a mortalidade verificada nas Santas Casas com as Santas Casas ou os seus cong\u00e9neres noutros pa\u00edses da Europa, do mundo desenvolvido, as nossas institui\u00e7\u00f5es portaram-se muito melhor que todas elas. H\u00e1 aqui n\u00e3o s\u00f3 a quest\u00e3o de prestarem um bom servi\u00e7o, com qualidade, com exig\u00eancia e com um elevado profissionalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 inimagin\u00e1vel uma sociedade sem as institui\u00e7\u00f5es sociais\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu julgo que seria um desastre completo, ou seja, um caos. Nem mesmo aqueles que h\u00e1 uns anos \u2013 e mesmo no in\u00edcio da Covid algumas for\u00e7as de esquerda diziam que se devia nacionalizar e que tudo isto devia ser do Estado &#8211; hoje j\u00e1 n\u00e3o se atrevem a fazer isso. Deus me livre se o Estado tomasse conta disto, n\u00e3o tinha nem capacidade, nem energia, nem sagacidade para resolver os problemas que s\u00e3o resolvidos a n\u00edvel local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arranca esta segunda-feira em F\u00e1tima o 34.\u00ba Encontro da Pastoral Social. &#8220;A Pandemia, a Guerra e os pobres&#8221; \u00e9 o tema da edi\u00e7\u00e3o deste ano desta iniciativa do Secretariado Nacional da Pastoral Social.\u00a0Para falar da realidade social do pa\u00eds \u00e9 convidado esta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia Jos\u00e9 Silva Peneda, presidente da Assembleia-Geral [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":256406,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-256404","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256404\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/256406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}