{"id":25547,"date":"2007-06-26T11:00:13","date_gmt":"2007-06-26T11:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/26\/politica-e-sala-de-jogos\/"},"modified":"2007-06-26T11:00:13","modified_gmt":"2007-06-26T11:00:13","slug":"politica-e-sala-de-jogos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/politica-e-sala-de-jogos\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica e sala de jogos"},"content":{"rendered":"<p>Os tempos nunca correm numa direc\u00e7\u00e3o \u00fanica. Nem &#8211; porque s\u00e3o tempo &#8211; chegam e partem com a velocidade dum rel\u00e2mpago. Os sinais esbo\u00e7am-se, desenham-se, insinuam-se, revelam-se, interpretam-se. E nada \u00e9 un\u00edvoco ou instant\u00e2neo por muito lentas ou velozes que se revelem as \u00e9pocas. Mas chegar a tempo aos sinais dos tempos \u00e9 fundamental para os ler e interpretar. Filtr\u00e1-los apenas pelos \u00e2ngulos experimentais ou pelos afectos imediatos \u00e9 impor ru\u00eddo ao que deve ser escutado no sil\u00eancio ou perturba\u00e7\u00e3o ao que merece ser visto com serenidade, ou neblina ao que exige transpar\u00eancia.  Que se passa entre n\u00f3s num tempo &#8211; no nosso &#8211; que emite sinais por vezes contr\u00e1rios, confusos, carregados de objectivos claros para quem os lan\u00e7a e imprecisos para quem os observa? O atropelo de factos pol\u00edticos, sociais, culturais, de interesses corporativos secretos ou n\u00e3o, vai criando camadas de interpreta\u00e7\u00f5es entre a ingenuidade e a desconfian\u00e7a. E com a torrente de jogos conhecidos e desconhecidos na vida p\u00fablica, fica o cidad\u00e3o m\u00e9dio \u00e0 merc\u00ea dos comentadores, int\u00e9rpretes desses signos que emergem de muitas direc\u00e7\u00f5es. A pressa compulsiva com que se desenrolou a regulamenta\u00e7\u00e3o sobre o aborto na sequ\u00eancia do referendo, as leis que se precipitam sobre a assist\u00eancia religiosa nos hospitais e pris\u00f5es, o anteprojecto que se lan\u00e7ou para &#8220;pluralismo e independ\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o social&#8221;, o ataque cerrado \u00e0 ac\u00e7\u00e3o da Igreja no campo social, muito dificilmente nos deixam tranquilos sobre as inten\u00e7\u00f5es \u00faltimas dos nossos legisladores que alimentam um complexo de desconfian\u00e7a face \u00e0 confiss\u00e3o religiosa mais antiga e representativa em Portugal &#8211; a Igreja Cat\u00f3lica &#8211; esquecidos que l\u00e1 nasceram e aprenderam a ser gente. A sequ\u00eancia de afrontas \u00e9 \u00f3bvia, a arrog\u00e2ncia \u00e9 clara. Como que a pedir uma guerra declarada, nova letra para os velhos hinos jacobinos. Os sinais da armadilha que alguns sectores alimentam s\u00e3o \u00f3bvios. Mesmo assim importa n\u00e3o perder nem a paci\u00eancia nem a capacidade de di\u00e1logo. Estamos numa sociedade em mudan\u00e7a. Mas onde navegam muitos oportunistas que continuamente pedem m\u00fasica para as suas dan\u00e7as. Esta tens\u00e3o \u00e9 real. Mas nem por isso dispensa a escuta e a toler\u00e2ncia. Mesmo para com os intolerantes de capa falsa. Importa (por\u00e9m) que o povo se aperceba do que acontece e n\u00e3o veja apenas a casa arrombada quando se encerra um Centro de Sa\u00fade ou uma Maternidade. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tempos nunca correm numa direc\u00e7\u00e3o \u00fanica. Nem &#8211; porque s\u00e3o tempo &#8211; chegam e partem com a velocidade dum rel\u00e2mpago. Os sinais esbo\u00e7am-se, desenham-se, insinuam-se, revelam-se, interpretam-se. E nada \u00e9 un\u00edvoco ou instant\u00e2neo por muito lentas ou velozes que se revelem as \u00e9pocas. 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