{"id":254728,"date":"2022-09-29T10:18:28","date_gmt":"2022-09-29T09:18:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=254728"},"modified":"2022-09-29T10:18:28","modified_gmt":"2022-09-29T09:18:28","slug":"para-a-vida-levamos-a-vida-que-vivemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/para-a-vida-levamos-a-vida-que-vivemos\/","title":{"rendered":"Para a vida, levamos a vida que vivemos"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Ao olhar de perto a vida e a hist\u00f3ria de Natanael \u2013 que depois viria a ter o nome de Bartolomeu (Santo e Ap\u00f3stolo) \u2013 e a forma como Jesus o chama (ver atentamente o Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, cap\u00edtulo 1, vers\u00edculos 45-51), fez-me compreender que \u00e9 sempre Deus que se dirige, em primeir\u00edssimo lugar, a n\u00f3s, desinstalando-nos da mediocridade das nossas exist\u00eancias e revelando-nos o que realmente somos e estamos destinados a ser. Por outras palavras, Deus olha-me, v\u00ea-me. Isto \u00e9 perturbador! Vejam, Deus vai ao ponto de se diminuir para se tornar um par entre n\u00f3s, um connosco e um para n\u00f3s. Ele desce e vai em busca e ao encontro do homem perdido em si mesmo. Deus vem matar o ego\u00edsta, o pav\u00e3o que h\u00e1 dentro de mim e dentro de cada um de n\u00f3s. Na verdade, este \u00e9 um princ\u00edpio vital da espiritualidade crist\u00e3, em contrapartida \u00e0 espiritualidade pag\u00e3 e desta \u201cnew age\u201d. Segundo esta espiritualidade, \u00e9 o homem que tem de ir ao encontro de Deus, como que \u00e0s apalpadelas, para depois formar uma \u2018cren\u00e7a\u2019. Ao inverso, n\u00f3s, cat\u00f3licos, somos, primeiramente, tocados por Deus e por isso nos \u00e9 dado o dom da F\u00e9. Como \u00e9 belo isto! Ele que me escolheu \u00e9 tamb\u00e9m aquele que me salvou e, continuamente, me salva. \u00c9 tamb\u00e9m Aquele que me re-modela como se fosse novamente o barro do in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o, como se voltasse ao lugar do Ad\u00e3o e da Eva, como se fosse o fruto das suas entranhas. Que vis\u00e3o t\u00e3o doce e t\u00e3o bela Deus tem de n\u00f3s e para n\u00f3s! Quem dera que todos n\u00f3s nos pud\u00e9ssemos envolver nesta vis\u00e3o de inenarr\u00e1vel amor.<\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que na nova ordem mundial, nesta \u201cnew age\u201d, profunda e intimamente, laicista, quer relegar a religiosidade para a intimidade do homem, para a vida privada da pessoa humana e, pior, tornar a experi\u00eancia do sagrado como uma experi\u00eancia excessivamente sensorial e subjectiva. Numa linguagem futebol\u00edstica, esta nova ideologia pretende colocar Deus no banco de suplentes, colocando-O \u00e0 margem do protagonismo da Vida, da Hist\u00f3ria e do Homem.<\/p>\n<p>Segundo o te\u00f3logo e bispo, D. Jos\u00e9 Ignacio Munilla Aguirre (bispo de San Sebasti\u00e1n, Espanha) esta nova ideologia n\u00e3o \u00e9 outra coisa que n\u00e3o uma miscel\u00e2nea entre neo-marxismo e um neo-liberalismo. Mas que cultura dominante \u00e9 esta? \u00c9 a cultura da ideologia do desejo e de liberalidade sem reservas. Por outras palavras, \u00e9 o homem que se auto-define, que quer criar um \u201cdeus\u201d configurado a partir das suas pr\u00f3prias categorias de auto-satisfa\u00e7\u00e3o e auto-referencialidade, ou seja, de um homem focado sobre si e em si mesmo, amarrado aos \u2018eus\u2019 do seu pr\u00f3prio \u2018eu\u2019, amuralhado no seu pr\u00f3prio orgulho e na arrog\u00e2ncia do seu pr\u00f3prio \u2018eu\u2019. Aqui n\u00e3o h\u00e1 lugar para o outro, para a alteridade, para a doa\u00e7\u00e3o e para a solidariedade.<\/p>\n<p>Portanto, isto colide com o pensamento religioso, particularmente o cat\u00f3lico. Porque o sentido religioso da vida \u00e9 religar-se com o Criador da vida e do mundo. N\u00e3o sou eu que vou dizer o que \u00e9 ou o que s\u00e3o o homem e o mundo. \u00c9 Deus quem mo diz; \u00e9 Ele que, tocando na minha mis\u00e9ria, me faz ver o mundo como um lugar de todos e para todos, me faz ver a vida como espa\u00e7o de doa\u00e7\u00e3o aos outros e que me faz sentir, de forma positiva, parte integrante e activa na hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Assim compreendemos que, para a vida, levamos a vida que vivemos. A vida como eu a penso e a vida como eu a desejo repercute-se no viver quotidiano da minha dimens\u00e3o social e relacional. Precisamos, por\u00e9m, de tomar consci\u00eancia destas nossas tend\u00eancias narcisistas e hedonistas, desta nova ideologia do \u201cnew age\u201d e desta nova ordem mundial. Isto traz consigo \u2013 quer queiramos, quer n\u00e3o \u2013 uma grande luta interior, uma grande batalha para lutarmos contra este novo paradigma. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que o grande inimigo est\u00e1 dentro de n\u00f3s mesmos: est\u00e1 no meu pr\u00f3prio \u2018eu\u2019, onde Satan\u00e1s se manifesta e nos coloca como um \u2018c\u00e3o com coleira\u2019, nos p\u00f5e a rastejar e a comer o p\u00f3 da terra, impedindo-nos de sermos \u201chomo erectus\u201d, homens com cabe\u00e7a erguida e livres da escravid\u00e3o do meu \u2018eu\u2019 gra\u00e7as ao amor gratuito e salv\u00edfico de Deus.<\/p>\n<p>Termino com uma est\u00f3ria que pude ler recentemente e que achei oportuna para esta tem\u00e1tica. Trata-se de comparar o Amor de Deus \u00e0 \u00e1gua a ferver. O autor mostra como tr\u00eas coisas podem alterar no contacto com a \u00e1gua a ferver. Quais s\u00e3o essas tr\u00eas coisas? S\u00e3o elas: um ovo, uma cenoura e o p\u00f3 de caf\u00e9. No contacto com a \u00e1gua a ferver o ovo endurece, a cenoura, que era dura, amolece e o p\u00f3 de caf\u00e9 deixa-se misturar com a \u00e1gua e torna-se numa bebida deliciosa e fabulosa. Ent\u00e3o qual \u00e9 a conclus\u00e3o da est\u00f3ria? Compreende-se, pois, que o nosso cora\u00e7\u00e3o pode assumir uma das tr\u00eas reac\u00e7\u00f5es (ou at\u00e9 as tr\u00eas em simult\u00e2neo) quando confrontado e envolvido no amor de Deus: ou ficar duro e insens\u00edvel como o ovo, ou fica mole e frouxo como a cenoura, ou deixar-me envolver e, envolvido, misturar-me e mesclar-me com esta \u00e1gua a fim de me tornar uma del\u00edcia e uma do\u00e7ura como pessoa e como ser humano. Fa\u00e7amos estas perguntas: qual dos tr\u00eas eu sou? Que vida \u00e9 a vida que eu levo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-254728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=254728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254728\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=254728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=254728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=254728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}