{"id":25470,"date":"2007-06-21T12:15:16","date_gmt":"2007-06-21T12:15:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/21\/festas-religiosas-populares\/"},"modified":"2007-06-21T12:15:16","modified_gmt":"2007-06-21T12:15:16","slug":"festas-religiosas-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festas-religiosas-populares\/","title":{"rendered":"Festas religiosas populares"},"content":{"rendered":"<p>Estamos em plena \u00e9poca das festas dos \u00absantos populares\u00bb, S. Ant\u00f3nio, S. Jo\u00e3o e S. Pedro, e in\u00edcio de outras festas religiosas tamb\u00e9m chamadas populares. Essas festas movimentam multid\u00f5es, s\u00e3o frequentemente um quebra- -cabe\u00e7as para os p\u00e1rocos e tema de not\u00edcia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social do Ver\u00e3o. Vale a pena reflectir nesse tema. H\u00e1 um primeiro equ\u00edvoco que \u00e9 necess\u00e1rio desmontar desde j\u00e1, o de falar de \u00abreligi\u00e3o popular\u00bb, como se uma religi\u00e3o nascesse de movimentos populares e desejo de conv\u00edvio. \u00abA hist\u00f3ria das religi\u00f5es ensina que a base de qualquer religi\u00e3o, como a base de qualquer cultura, \u00e9 por defini\u00e7\u00e3o de origem s\u00e1bia e n\u00e3o popular\u00bb. A designa\u00e7\u00e3o de populares, aplicada aqui a certas manifesta\u00e7\u00f5es religiosas, deriva do propalado afecto do povo por essas festas tradicionais, mas esse sentimento \u00e9 complexo. Por vezes, nem as pessoas sabem discernir claramente donde lhes vem \u00abaquela paix\u00e3o pela festa\u00bb: se \u00e9 um verdadeiro amor ao santo, se \u00e9 antes o sentimento bairrista e desejo de congregar ali os amigos e emigrantes, se \u00e9 o desejo de organizar um conv\u00edvio mundano onde cabem certas liberdades, ou se essa paix\u00e3o por aquele local inclui o prolongamento de uma festa pag\u00e3. \u00c9 que no local onde hoje se encontra a capela do santo pode ter estado outrora um \u00eddolo, uma fonte, um penedo, ligados ao culto da natureza ou ao calend\u00e1rio do ciclo agr\u00e1rio, e que os posteriores nomes dos santos e datas crist\u00e3s n\u00e3o conseguiram abafar. \u00c9 o caso do S. Jo\u00e3o, colocado no solst\u00edcio do Ver\u00e3o, como o Natal foi posto no solst\u00edcio do Inverno: tanto as fogueiras do Ver\u00e3o como o braseiro do Natal s\u00e3o restos das antigas festas pag\u00e3s do sol integrados nas festas crist\u00e3s. Algo semelhante se pode dizer das festas de Todos os Santos e dos Fi\u00e9is Defuntos de 2 de Novembro que, em alguns pa\u00edses, cristianizaram a Samain celta ou conv\u00edvio dos vivos com os mortos que se celebrava ao chegarem as sombras do Outono. E h\u00e1 casos de prociss\u00f5es crist\u00e3s sobrepostas a outras pag\u00e3s do calend\u00e1rio romano, como \u00abas ladainhas de S.Marcos\u00bb que se rezavam no dia 25 de Abril para encobrir as \u00abrubig\u00e1lia\u00bb ou preces que os antigos romanos dirigiam a Ceres, deusa romana da agricultura, contra as larvas que atacam as primeiras culturas da Primavera. Numa palavra, a organiza\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio crist\u00e3o teve um duplo objectivo: celebrar os factos da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e os her\u00f3is crist\u00e3os que s\u00e3o os santos, e, ao mesmo tempo, fazer a evangeliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do calend\u00e1rio, expulsando os ritos pag\u00e3os. Em alguns casos, as festas crist\u00e3s criaram uma festa de origem, mas noutros casos tiveram tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o purificadora. Actualmente, para encontrar originalidades locais que possam atrair os turistas e fazer frente \u00e0 monotonia da globaliza\u00e7\u00e3o, as associa\u00e7\u00f5es locais, as escolas e, por vezes, as autarquias, ressuscitam restos de festas pag\u00e3s e incluem&#8211;nas no programa das festas crist\u00e3s, misturando nas festas crist\u00e3s as curiosidades arcaicas do paganismo ou vanguardismos comerciais. Que essas investiga\u00e7\u00f5es culturais possam constituir assunto de conversa de clubes desejosos de conhecer as origens da terra ou ser tema para uma tese de licenciatura, compreende-se e at\u00e9 ser\u00e1 \u00fatil. Muito diferente seria incluir a evoca\u00e7\u00e3o desses gestos pag\u00e3os numa festa crist\u00e3 com o pretexto de cultura ou de ir \u00e0s ra\u00edzes das coisas. Rigorosamente tratar-se-ia de um retrocesso civilizacional, se n\u00e3o mesmo de um ataque directo \u00e0 mensagem crist\u00e3.  Os pastores das comunidades eclesiais e os pr\u00f3prios membros das comiss\u00f5es das festas devem estar devidamente informados da origem das festas e atentos \u00e0 ambiguidade do sentimento religioso e cultural das mesmas para n\u00e3o serem surpreendidos pela agita\u00e7\u00e3o de grupos da \u00faltima hora e, pior, agentes da confus\u00e3o. Contudo, n\u00e3o \u00e9 prudente extinguir sem mais as referidas festas religiosas apesar dos seus riscos, pois elas aproximam o povo, alimentam o esp\u00edrito de comunidade e podem ser ve\u00edculo de evangeliza\u00e7\u00e3o.  A norma da Igreja \u00e9 que a piedade crist\u00e3 se alimente na fonte da liturgia que celebra os grandes acontecimentos hist\u00f3ricos da salva\u00e7\u00e3o, e que as festas religiosas populares sejam iluminadas por aquelas festas lit\u00fargicas de cada tempo, essas, sim, dignas de todo o empenho pastoral e verdadeiras fontes de \u00e1gua pura.  <i>D. Joaquim Gon\u00e7alves, Bispo de Vila Real  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos em plena \u00e9poca das festas dos \u00absantos populares\u00bb, S. Ant\u00f3nio, S. Jo\u00e3o e S. Pedro, e in\u00edcio de outras festas religiosas tamb\u00e9m chamadas populares. Essas festas movimentam multid\u00f5es, s\u00e3o frequentemente um quebra- -cabe\u00e7as para os p\u00e1rocos e tema de not\u00edcia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social do Ver\u00e3o. Vale a pena reflectir nesse tema. 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