{"id":25456,"date":"2007-06-20T14:46:51","date_gmt":"2007-06-20T14:46:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/20\/prostituicao-na-sociedade-globalizada\/"},"modified":"2007-06-20T14:46:51","modified_gmt":"2007-06-20T14:46:51","slug":"prostituicao-na-sociedade-globalizada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/prostituicao-na-sociedade-globalizada\/","title":{"rendered":"Prostitui\u00e7\u00e3o na sociedade globalizada"},"content":{"rendered":"<p>Religiosas prestam aux\u00edlio a mulheres v\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o sexual no nosso pa\u00eds e pedem mais apoios <!--more--> A Globaliza\u00e7\u00e3o quebra barreiras, encurta dist\u00e2ncias, une as pessoas. Factos consensuais e pac\u00edficos. Mas que carregam tamb\u00e9m o reverso da medalha. A aldeia global influencia o aumento do tr\u00e1fico e explora\u00e7\u00e3o de mulheres porque claramente \u201cpermite as pessoas viajem mais, conhecem melhor outros pa\u00edses\u201d.  Esta foi uma reflex\u00e3o que juntou colaboradores, tamb\u00e9m entidades que manifestam interesse nesta problem\u00e1tica e as Irm\u00e3s Adoradoras do Grupo de Trabalho \u00abTr\u00e1fico Humano e Prostitui\u00e7\u00e3o\u00bb da CIRP. Mulheres consagradas que no dia a dia prestam aux\u00edlio a outras mulheres v\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o sexual.  A reflex\u00e3o foi orientada pelo Alto Comiss\u00e1rio para a Imigra\u00e7\u00e3o e Minorias \u00c9tnicas, Rui Marques que evidenciou as novas escravaturas \u201cpara as quais n\u00e3o est\u00e1vamos despertos\u201d, considerou a Irm\u00e3 J\u00falia Bacelar. Habituados a reflectir sobre o sistema capitalista que escraviza as sociedades, \u201cque promete sonhos para pessoas oriundas dos pa\u00edses pobres, mas que resultam em frustra\u00e7\u00f5es\u201d, os participantes despertaram para outra realidade apresentada por Rui Marques. A escravatura da \u201cincomunica\u00e7\u00e3o\u201d tanto entre fam\u00edlias como mesmo entre institui\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m a escravatura do \u201cdesespero, do des\u00e2nimo e desist\u00eancia\u201d que leva as pessoas a n\u00e3o lutarem dentro dos seus ambientes.  A Irm\u00e3 J\u00falia sublinha que foi um momento de reflex\u00e3o importante, pois no dia a dia com frequ\u00eancia se esquece que \u201cformamos parte do sistema que criticamos e por isso ajudamos \u00e0 perman\u00eancia das escravaturas\u201d. No entanto, longo \u00e9 o trabalho que as Irm\u00e3s Adoradoras do Grupo de Trabalho \u00abTr\u00e1fico Humano e Prostitui\u00e7\u00e3o\u00bb desenvolvem junto de um grupo da popula\u00e7\u00e3o que conta com pouco aux\u00edlio, quer por parte de institui\u00e7\u00f5es estatais com tamb\u00e9m por parte da Igreja.  O trabalho realizado centra-se nas mulheres que se prostituem, mas esta situa\u00e7\u00e3o traz consigo outros problemas &#8211; viol\u00eancia dom\u00e9stica, incesto, explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as, resultante das fam\u00edlias desestruturadas com quem lidam. Temas que a opini\u00e3o p\u00fablica se habitua a reconhecer e a despertar, dada a mediatiza\u00e7\u00e3o de alguns casos, mas que, longe do conhecimento geral, \u201ctem ainda muito trabalho a ser feito\u201d, refere a Irm\u00e3 J\u00falia Bacelar.   \u201c\u00c9 preciso mostrar o rosto das v\u00edtimas, sem mostrar o rosto das mulheres\u201d, evidenciando este problema de forma a colmatar um vazio nesta \u00e1rea. O tr\u00e1fico de mulheres para explora\u00e7\u00e3o sexual ganha agora uma lei a ser apresentada publicamente na pr\u00f3xima sexta feira. \u00c9 um Plano Nacional contra o tr\u00e1fico de seres humanos, que contempla uma parte espec\u00edfica sobre as mulheres exploradas, que inclui a explora\u00e7\u00e3o sexual e concede mais direito \u00e0s mulheres nesta situa\u00e7\u00e3o, nomeadamente um per\u00edodo de 60 dias de reflex\u00e3o \u201ccom ordem a que pensem na sua vida e no que querem fazer\u201d. Concede ainda a possibilidade de um tradutor em caso de as v\u00edtimas serem estrangeiras, aumenta tamb\u00e9m a protec\u00e7\u00e3o na sa\u00fade, entre outros itens.  A Irm\u00e3 J\u00falia explica que criaram alguma expectativa quanto a este novo enquadramento jur\u00eddico. \u201cN\u00e3o se trata de legalizar a prostitui\u00e7\u00e3o, mas antes de legislar e dar solu\u00e7\u00f5es\u201d, explica, acrescentando que \u201cmuitas mulheres n\u00e3o t\u00eam documenta\u00e7\u00e3o, algumas s\u00e3o estrangeiras, n\u00e3o t\u00eam descontos e chegando a uma idade, que chega cedo pelas doen\u00e7as que adquirem &#8211; precisam de estar enquadradas\u201d.   At\u00e9 agora \u201cquase que trabalh\u00e1vamos ilegalmente porque abrimos uma casa sem lei nem subs\u00eddios\u201d, d\u00e1 conta. Pela casa que t\u00eam h\u00e1 seis anos &#8211; n\u00e3o revelam o local por quest\u00f5es de privacidade e protec\u00e7\u00e3o &#8211; j\u00e1 passaram 77 mulheres, algumas delas com os seus filhos. N\u00e3o existem muitas entidades que trabalhem nesta \u00e1rea, por isso \u201ctemos o objectivo de criar uma rede de trabalho, tamb\u00e9m de reflex\u00e3o e aprofundamento para uma melhor prepara\u00e7\u00e3o em ordem a um melhor trabalho\u201d.   S\u00e3o precisos mais servi\u00e7os de apoio, come\u00e7ando pela sa\u00fade. \u201cN\u00e3o se pode fazer de conta que n\u00e3o existe\u201d, situa\u00e7\u00e3o que muitas vezes acontece. \u201cS\u00e3o pessoas que em termos sociais quase n\u00e3o existem\u201d, d\u00e1 conta, pois \u201cn\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o olhadas de lado como perdem todos os direitos humanos\u201d. As mulheres na prostitui\u00e7\u00e3o, \u201cj\u00e1 nem na pobreza est\u00e3o, mas num n\u00edvel inferior\u201d. De um sem abrigo, todas as pessoas se compadecem, mas \u201cas prostitutas suscitam repulsa\u201d, reac\u00e7\u00e3o sentida pelas pr\u00f3prias mulheres, \u201cs\u00f3 pelo olhar\u201d.   Situa\u00e7\u00f5es que precisam ser trazidas \u00e0 luz do dia, suscitar reflex\u00e3o e tomadas de posi\u00e7\u00e3o. A Igreja Cat\u00f3lica que tem estado na linha da frente sobre as migra\u00e7\u00f5es e os refugiados, \u201cneste \u00e1rea n\u00e3o se pronuncia\u201d, afirma a Irm\u00e3 J\u00falia. Mas tamb\u00e9m o Estado \u201cprecisa de criar respostas e incentivar a sociedade civil a agir\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Religiosas prestam aux\u00edlio a mulheres v\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o sexual no nosso pa\u00eds e pedem mais apoios<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,189,206,258,291],"class_list":["post-25456","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-direitos-humanos","tag-familia","tag-migracoes","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25456\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}