{"id":254550,"date":"2022-09-27T16:13:13","date_gmt":"2022-09-27T15:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=254550"},"modified":"2022-09-29T12:56:20","modified_gmt":"2022-09-29T11:56:20","slug":"sociedade-ha-animais-com-mais-dignidade-sociedade-ha-animais-tratados-com-mais-dignidade-que-as-pessoas-pobres-irma-alzira-dos-santosque-as-pessoas-pobres-irma-alzira-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-ha-animais-com-mais-dignidade-sociedade-ha-animais-tratados-com-mais-dignidade-que-as-pessoas-pobres-irma-alzira-dos-santosque-as-pessoas-pobres-irma-alzira-dos-santos\/","title":{"rendered":"Sociedade: H\u00e1 animais tratados \u00abcom mais dignidade que as pessoas pobres\u00bb &#8211; irm\u00e3 Alzira dos Santos"},"content":{"rendered":"<p><em>Religiosa das Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo, respons\u00e1vel pelo refeit\u00f3rio social no Campo Grande, gostaria de ter mais capacidade de ajuda e acolhimento<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_254542\" aria-describedby=\"caption-attachment-254542\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-254542 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/alzira-santos3-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-254542\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 28 set 2022 (Ecclesia) \u2013 A irm\u00e3 Alzira dos Santos, religiosa das Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo e respons\u00e1vel pelo refeit\u00f3rio social da congrega\u00e7\u00e3o em Lisboa, lamentou a falta de dignidade das pessoas pobres, na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 assisti a funerais de pessoas e pensei que h\u00e1 animais que t\u00eam mais dignidade. Acompanha-se um funeral e, j\u00e1 nem digo uma Missa, mas n\u00e3o se v\u00ea sentimentos da fam\u00edlia. Fico a pensar como \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel, em 2022, onde se diz que o mundo est\u00e1 t\u00e3o desenvolvido, encontrarmos situa\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis\u201d, lamentou a religiosa, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>A congrega\u00e7\u00e3o das Filhas da Caridade, fundadas no carisma de S\u00e3o Vicente, mant\u00e9m, de segunda a sexta-feira, um espa\u00e7o, dirigido pela irm\u00e3 Alzira dos Santos desde 2019, que oferece refei\u00e7\u00f5es a pessoas, muitas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, e fam\u00edlias carenciadas e desprotegidas.<\/p>\n<p>\u201cTenho necessidade de acompanhar estas situa\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 uma necessidade mais profunda de acompanhamento. Era necess\u00e1rio ter uma maior equipa de pessoas que pudesse dar respostas, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ultrapassar, tamb\u00e9m, o r\u00f3tulo que se lhes colam. Gostaria que o meu trabalho acolhesse mais pessoas mas tamb\u00e9m que mais pessoas estivessem dispon\u00edveis para ajudar\u201d, indica.<\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o da irm\u00e3 Alzira dos Santos consolidou-se depois de um percurso laboral, iniciado aos 14 anos numa f\u00e1brica de cal\u00e7ado, que recorda como um \u201cper\u00edodo bonito\u201d da sua vida.<\/p>\n<p>A mais velha de nove irm\u00e3os, habituada a cuidar dos pais e da fam\u00edlia, a religiosa diz que ent\u00e3o \u201cn\u00e3o tinha tempo para pensar noutras viv\u00eancias\u201d, embora reconhe\u00e7a que\u00a0 \u201csentia n\u00e3o encaixar totalmente\u201d no projeto de vida de um casal, tendo chegado a um momento da sua vida em que sentiu \u201cn\u00e3o fazia sentido\u201d: \u201cEu s\u00f3 cuidava dos outros e comecei a questionar-me e a rezar\u201d.<\/p>\n<p>A religiosa contactou com v\u00e1rias congrega\u00e7\u00f5es e foi junto das Filhas da Caridade que viveu uma experi\u00eancia de dois dias e ali pediu para ficar um m\u00eas, depois de 17 anos como trabalhadora fabril.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o era apenas o que eu sentia mas tamb\u00e9m o que os outros pensavam da minha presen\u00e7a. Disseram-me que se eu quisesse continuar a fazer uma experiencia, que podia continuar. E assim foi at\u00e9 hoje\u201d, recorda.<\/p>\n<p>No seu percurso, a irm\u00e3 Alzira dos Santos foi aprendendo a ver a pessoa pobre em diferentes contextos e diz que todos os dias se questiona, \u201ctal como fazia S\u00e3o Vicente, como foi a doa\u00e7\u00e3o total de hoje?\u201d<\/p>\n<p>\u201cO aproximar-se da pessoa pobre implica ir ao carisma de S\u00e3o Vicente, ver Jesus no pobre. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil com o cansa\u00e7o do dia-a-dia, mas quando paro e percebo que n\u00e3o fui t\u00e3o correta, questiono qual foi o princ\u00edpio hoje do meu dia? Qual foi a minha doa\u00e7\u00e3o total hoje? Se S\u00e3o Vicente estivesse c\u00e1 hoje como \u00e9 que ele trataria as pessoas? Se ele j\u00e1 era t\u00e3o atualizada no seu tempo, hoje estaria ainda mais\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>A entrevistada lembra, com particular carinho, o trabalho junto das crian\u00e7as com defici\u00eancia, o seu primeiro trabalho na congrega\u00e7\u00e3o, depois do noviciado, e onde concretizou a dimens\u00e3o das irm\u00e3s &#8216;Dadas a Deus&#8217;.<\/p>\n<blockquote><p>Eu pensava muitas vezes que as crian\u00e7as com defici\u00eancia n\u00e3o estavam ali por elas, mas por mim. Se eu n\u00e3o cuidasse delas, elas n\u00e3o viviam, elas estavam l\u00e1 para a minha santifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pela delas, porque elas j\u00e1 estavam santificadas. Uma altura lamentava que n\u00e3o tinha feito a via-sacra na Quaresma e a diretora disse-me: \u00abA Via-sacra tem 14 esta\u00e7\u00f5es, mas aqui tem 45 quartos\u00bb. E fiquei sem respostas, mas era a realidade: se eu entrasse em cada quarto com dois residentes era uma via-sacra bem mais dif\u00edcil\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo o fundador, S\u00e3o Vicente, as religiosas deviam andar nas ruas, \u201cn\u00e3o tendo por mosteiro se n\u00e3o as casas dos doentes, por cela um quarto de aluguer, por capela a igreja da par\u00f3quia, por claustro as ruas da cidade, por clausura a obedi\u00eancia, por grade o temor de Deus, por v\u00e9u a santa mod\u00e9stia e n\u00e3o fazendo qualquer outra profiss\u00e3o para garantir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o\u201d e \u00e9 esta voca\u00e7\u00e3o que a irm\u00e3 Alzira deseja seguir.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 o meu dever e, como diz S\u00e3o Vicente, s\u00f3 tenho direito \u00e0 roupa e ao alimento, e sendo dever tenho de lutar primeiro pelo dever que \u00e9 o servi\u00e7o de Jesus nos pobres\u201d, constata.<\/p>\n<p>O refeit\u00f3rio social que a congrega\u00e7\u00e3o tem no Campo Grande \u00e9 um meio para servir a pessoa pobre, mas a respons\u00e1vel n\u00e3o esconde a vontade de ir mais longe com o projeto.<\/p>\n<p>\u201cAntes de termos o covid t\u00ednhamos as pessoas mais presentes, com di\u00e1logo acompanh\u00e1vamos mais as pessoas, era diferente. Era mais interessante se estivesse algumas horas com eles, era o que eu desejava. Agora \u00e9 s\u00f3 meia hora com cada um, alguns n\u00e3o querem ser conhecidos e at\u00e9 preferem que n\u00e3o sejam abordados. Temos de ver o reverso da medalha\u201d, explica.<\/p>\n<p>A conversa com a irm\u00e3 Alzira dos Santos pode ser acompanhada esta madrugada, depois da meia-noite, no Programa Ecclesia na Antena 1 da r\u00e1dio p\u00fablica, ficando dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">online<\/a>\u00a0e em\u00a0<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/0jaZQ0iEaxdmhg0rDZD8Be?si=fe4482676fe444fd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">podcast<\/a>.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Religiosa das Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo, respons\u00e1vel pelo refeit\u00f3rio social no Campo Grande, gostaria de ter mais capacidade de ajuda e 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