{"id":25423,"date":"2007-06-19T10:49:37","date_gmt":"2007-06-19T10:49:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/19\/refugiados-na-agenda-da-europa\/"},"modified":"2007-06-19T10:49:37","modified_gmt":"2007-06-19T10:49:37","slug":"refugiados-na-agenda-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/refugiados-na-agenda-da-europa\/","title":{"rendered":"Refugiados na agenda da Europa?"},"content":{"rendered":"<p>Deixar passar em sil\u00eancio o Dia do Refugiado sem uma palavra de solidariedade inquieta \u00e9 refugiar-se num futuro de ilus\u00e3o <!--more--> No pr\u00f3ximo dia 20 de Junho assinala-se pelo s\u00e9timo ano consecutivo o Dia Mundial do Refugiado institu\u00eddo pela ONU. Algumas organiza\u00e7\u00f5es c\u00edvicas fundadas por cidad\u00e3os crist\u00e3os (por exemplo, o Conselho Portugu\u00eas para os Refugiados) e outras ligadas \u00e0 Igreja, integradas na Plataforma FORCIM, t\u00eam procurado dar a justa visibilidade, em Portugal, a este grande dia da coragem dos refugiados, da determina\u00e7\u00e3o das suas fam\u00edlias e da ousada ac\u00e7\u00e3o dos trabalhadores humanit\u00e1rios que os acompanham. T\u00eam sido emitidos comunicados de imprensa, publicados livros com hist\u00f3rias de vida, organizado congressos internacionais e outras ac\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o (escolas, par\u00f3quias) para que esta realidade seja menos invisivel e mais conhecida das pessoas. Por\u00e9m, muito est\u00e1 ainda por fazer para que o pa\u00eds seja terra de liberdade, seguran\u00e7a e de paz para os deserdados das zonas empobrecidas do planeta. Num pa\u00eds considerado um dos menos acolhedores da Europa, onde \u00e0 centena e meia de requerentes de asilo \u00e9 recusado o estatuto de refugiado atrav\u00e9s de uma desproporcionada burocracia processual, onde continuam a faltar estruturas suficientes de acolhimento para estes &#8220;irm\u00e3os e irm\u00e3s&#8221; em fugas leg\u00edtimas que, desde h\u00e1 j\u00e1 alguns anos deixaram de nos bater \u00e0 porta, porque outros o fazem melhor do que n\u00f3s, \u00e9 preciso apelar para a \u00e9tica da partilha de responsabilidades humanit\u00e1rias no sentido de garantir o bem comum.  Portugal tamb\u00e9m sabe, e bem, o que significa fugir de uma terra&#8230; Pensemos nos milhares de &#8220;refugiados ultramarinos&#8221;, como lhes apelidou a Igreja, da passada e conturbada d\u00e9cada de setenta. Eles s\u00e3o, ainda hoje, mem\u00f3ria viva e sofrida que apela a uma justi\u00e7a global e protec\u00e7\u00e3o legal de quem n\u00e3o tem outra terra sen\u00e3o aquela que algures o acolhe como pessoa, capaz de redar a liberdade violada e torturada.  Diante de guerras\/guerrilhas esquecidas alimentadas por interesses internacionais, de &#8220;invas\u00f5es&#8221; muito mediatizadas porque em demanda da razo\u00e1vel justifica\u00e7\u00e3o, de intolerantes desloca\u00e7\u00f5es internas for\u00e7adas, de tr\u00e1ficos il\u00edcitos que metem a vida em perigo, de hegemonias pol\u00edticas e religiosas que eliminam \u00e0 queima-roupa advers\u00e1rios, de mudan\u00e7as de regime e persegui\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e raciais que amea\u00e7am inocentes e os mais vulner\u00e1veis, este Dia surge como um clamor que interroga a pr\u00f3pria Europa na sua pol\u00edtica externa, coopera\u00e7\u00e3o e responsabilidades pol\u00edticas a n\u00edvel do desenvolvimento sustent\u00e1vel para com continentes irm\u00e3os (por exemplo, para com a vizinha \u00c1frica), como o afirmou recentemente com veem\u00eancia, \u00e0 imprensa missionaria, Ant\u00f3nio Guterrez, Alto Comiss\u00e1rio para os Refugiados. Tudo parece indicar que, o novo Centro de Acolhimento da Bobadela, assim como os \u00faltimos refugiados &#8211; encontrados \u00e0 deriva no Mediterraneo &#8211; e &#8220;transferidos&#8221; de outros pa\u00edses (dois em 2005; seis em 2006) e os trinta j\u00e1 anunciados pelo Ministro da Administra\u00e7\u00e3o Interna para 2007 s\u00e3o, sobretudo, m\u00e9rito da diplomacia de influ\u00eancia do Alto Comiss\u00e1rio sobre os nossos governos.  Ser\u00e1 este gesto sinal de uma atitude humanit\u00e1ria em mudan\u00e7a &#8211; desde h\u00e1 muito almejada pela Sociedade civil &#8211; com vista a um melhor\/maior acolhimento e aplica\u00e7\u00e3o generosa da lei de asilo ou, em v\u00e9speras de outra Presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia, n\u00e3o passar\u00e1 de mais uma ac\u00e7\u00e3o cuja bondade pol\u00edtica h\u00e1 que decifrar no pr\u00f3ximo futuro? Os requerentes de asilo que nos batem directamente \u00e0 porta nos aeroportos, os refugiados que outros pa\u00edses est\u00e3o cada vez mais a negociar connosco o acolhimento humanit\u00e1rio, assim como os imigrantes que contribuem para o nosso progresso econ\u00f3mico e social s\u00e3o &#8220;sinal dos tempos&#8221; a interpretar com responsablidade social e \u00e9tica. Provocam os nossos par\u00e2metros &#8220;ricos&#8221; de viver, de consumir o ambiente, de governar as fronteiras, de partilhar os bens e de projectar o amanh\u00e3 sobre esta terra de desloca\u00e7\u00f5es for\u00e7adas a aumentar de dia para dia. Ontem europeus em fuga por causa de Grandes Guerras, hoje africanos e asi\u00e1ticos por causa de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, amanh\u00e3&#8230; quem sabe? Eu, ou talvez tu&#8230; \u00c9 este o sentimento que me invade e que sempre me desassossega quando penso nas hist\u00f3rias &#8211; poucas &#8211; que ouvi da boca e vi nos olhos de alguns refugiados a viver e a esperar em Portugal.  Deixar passar em sil\u00eancio o Dia do Refugiado nas comunidades crist\u00e3s sem uma palavra de solidariedade inquieta \u00e9 refugiar-se num futuro de ilus\u00e3o, por mais religioso que se apresente, e cair em amn\u00e9sia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria do passado. Como calar uma realidade t\u00e3o dram\u00e1tica que engloba perto de vinte milh\u00f5es de pessoas das quais diariamente ouvimos e habituamo-nos a ver imagens de tr\u00e1gicas hist\u00f3ricas, violentas fugas e injustas persegui\u00e7\u00f5es? Cito alguns palcos de fuga: Lib\u00e9ria, Iraque, Sud\u00e3o, Afeganist\u00e3o, Timor Lorosae, Cuba, Guin\u00e9, Kosovo, Congo, Col\u00f4mbia, Serra Leoa, Nepal&#8230; Celebrar este Dia \u00e9 honrar a determina\u00e7\u00e3o, a coragem, o valor e o anseio de dignidade de homens e mulheres que, for\u00e7ados a abandonar pela calada da noite a terra que amam, a casa que constru\u00edram, o emprego que conseguiram e a fam\u00edlia que Deus lhes deu, acreditam na bondade da Humanidade e, apesar de tudo, esperam em Deus , com todos os nomes em que \u00e9 invocado, porque sonham o regresso \u00e0 terra de onde foram desterrados. Celebrar o Dia Mundial \u00e9 tamb\u00e9m recordar aqueles que se &#8220;tornam refugiados com os refugiados&#8221; ao servi\u00e7o desta causa humanit\u00e1ria atrav\u00e9s das muitas Organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas presentes em incont\u00e1veis e fr\u00e1geis &#8220;campos de recolha&#8221; repletos de crian\u00e7as, que se submetem a condi\u00e7\u00f5es de vida inseguras, \u00e0s vezes insuport\u00e1veis, para que a esperan\u00e7a e a dignidade n\u00e3o se exilem da vida dos sobreviventes da liberdade e do direito a existir. Lembremos tamb\u00e9m os m\u00e1rtires desta causa humanit\u00e1ria que foram silenciados no sangue em pleno exerc\u00edcio do seu trabalho, servi\u00e7o e miss\u00e3o. <i>Rui Pedro Conselheiro Geral Scalabriniano <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixar passar em sil\u00eancio o Dia do Refugiado sem uma palavra de solidariedade inquieta \u00e9 refugiar-se num futuro de ilus\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,154,187,203,206,291,314],"class_list":["post-25423","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-crianca","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-familia","tag-refugiados","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25423\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}