{"id":25353,"date":"2007-06-14T15:43:34","date_gmt":"2007-06-14T15:43:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/14\/rito-bracarense-alvo-de-tese-de-doutoramento\/"},"modified":"2007-06-14T15:43:34","modified_gmt":"2007-06-14T15:43:34","slug":"rito-bracarense-alvo-de-tese-de-doutoramento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/rito-bracarense-alvo-de-tese-de-doutoramento\/","title":{"rendered":"Rito bracarense alvo de tese de doutoramento"},"content":{"rendered":"<p>O padre Joaquim Augusto F\u00e9lix de Carvalho, que \u00e9 vice- -reitor do Semin\u00e1rio Conciliar de Braga, defende hoje \u00e0 tarde em Roma a tese de doutoramento em Sagrada Liturgia. O sacerdote regressa ao Pontif\u00edcio Instituto Lit\u00fargico Santo Anselmo, que frequentou nos \u00faltimos anos, para apresentar um estudo e edi\u00e7\u00e3o do Manuscrito 870 do Arquivo Distrital de Braga, \u00abum pontifical de luxo br\u00e1caro- romano\u00bb.  Segundo o padre Joaquim F\u00e9lix, que tamb\u00e9m exerce as fun\u00e7\u00f5es de coordenador do Secretariado Arquidiocesano da Pastoral Lit\u00fargica, \u00aba necessidade de estudar o problema do rito bracarense\u00bb foi o ponto de partida para a escolha daquele c\u00f3dice como objecto da tese de doutoramento. Para a sua elabora\u00e7\u00e3o, o sacerdote barcelense aceitou a sugest\u00e3o, no ano 2000, do beneditino Juan Javier Flores Arcas, que hoje preside ao j\u00fari, depois refor\u00e7ada pela recomenda\u00e7\u00e3o do Arcebispo Primaz, quando o autorizou a partir para Roma para licenciar- se em Liturgia.  A tese de doutoramento, com mais de mil p\u00e1ginas (em dois volumes), baseia-se no estudo e edi\u00e7\u00e3o do referido manuscrito \u00abcom interesse art\u00edstico, hist\u00f3rico e lit\u00fargico\u00bb, que, contudo, \u00abn\u00e3o se reflecte na quantidade de publica\u00e7\u00f5es a ele dedicadas\u00bb. Com efeito, depois de Ant\u00f3nio de Vasconcelos, em 1928, que falou dele no Congresso Lit\u00fargico Nacional Romano- Bracarense, e tamb\u00e9m no ano de 1931, desta vez na revista dos beneditinos (Opus Dei), s\u00f3 em 1966 volta a haver not\u00edcias sobre o Manuscrito 870 do Arquivo Distrital de Braga.  Agora, \u00e9 Joaquim Bragan\u00e7a que o enumera no elenco dos pontificais manuscritos conservados nas bibliotecas portuguesas. Por\u00e9m, a sua edi\u00e7\u00e3o na \u00edntegra s\u00f3 surgiu 15 anos mais tarde, com introdu\u00e7\u00e3o de Joaquim Bragan\u00e7a, a quem o padre Joaquim F\u00e9lix dedica a sua tese de doutoramento pelos contributos e conselhos que dele recebeu desde que, h\u00e1 cerca de dez anos, se aventurou no estudo do rito bracarense.   De resto, o \u00faltimo estudo dedicado ao Manuscrito 870 foi elaborado pelo pr\u00f3prio padre Joaquim F\u00e9lix, aquando da disserta\u00e7\u00e3o de licenciatura, apresentada em Fevereiro de 2004 no Pontif\u00edcio Instituto Lit\u00fargico Santo Anselmo. \u00abCompreende uma introdu\u00e7\u00e3o geral ao c\u00f3dice e a edi\u00e7\u00e3o semicr\u00edtica da sec\u00e7\u00e3o das missas\u00bb, explica o sacerdote na primeiras p\u00e1ginas da tese de doutoramento que hoje defende publicamente, e que foi orientada por Renato De Zan.  \u00abA nossa disserta\u00e7\u00e3o de licenciatura inseria-se na continuidade dos estudos e edi\u00e7\u00f5es \u00bb de Ant\u00f3nio de Vasconcelos e Joaquim Bragan\u00e7a, que \u00abt\u00eam o m\u00e9rito n\u00e3o apenas de revelar um manuscrito que permaneceu por muito tempo ignorado, mas tamb\u00e9m de ter iniciado a sua an\u00e1lise cient\u00edfica\u00bb. Agora \u2013 explica tamb\u00e9m o padre Joaquim F\u00e9lix na introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 sua tese de doutoramento \u2013, com outras condi\u00e7\u00f5es e depois de muitas visitas a igrejas de Portugal, Espanha e Fran\u00e7a, procedeu ao estudo interdisciplinar do c\u00f3dice, \u00abmas com uma nova estrutura\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel dos cap\u00edtulos \u00bb, e tamb\u00e9m, na segunda parte do primeiro volume, \u00e0 edi\u00e7\u00e3o integral do manuscrito.  O segundo volume inclui v\u00e1rios anexos. Certa \u00e9 a sua publica\u00e7\u00e3o, faltando apenas acertar o modo, o editor e a data.  <b>Rito bracarense em avalia\u00e7\u00e3o<\/b> Elencando os aspectos \u00abmais significativos\u00bb do Manuscrito 870 do Arquivo Distrital de Braga, o padre Joaquim F\u00e9lix considera que nele \u00abcoabitam beleza e debilidade\u00bb, que estamos perante um c\u00f3dice \u00abde luxo numa \u00e9poca de recupera\u00e7\u00e3o de crises\u00bb e que se trata de \u00abum manuscrito h\u00edbrido e contaminado\u00bb; ou seja, \u00e9 um \u00abpontifical, ao mesmo tempo, bracarense e romano\u00bb.  A data do manuscrito \u2013 in\u00edcios do s\u00e9culo XVI? \u2013 e todo o processo da sua elabora\u00e7\u00e3o e uso nas celebra\u00e7\u00f5es na catedral de Braga ocupa uma grande parte das p\u00e1ginas desta tese de doutoramento, que termina com o \u00absignificado eclesial do manuscrito no \u201cg\u00e9nio\u201d do rito bracarense\u00bb. E neste aspecto, Joaquim F\u00e9lix esclarece que procurou \u00abprimar pela sobriedade das palavras, para evitar atritos que, anos atr\u00e1s [no pontificado de D. Francisco Maria da Silva], dividiram pessoas, certamente todas elas com suas raz\u00f5es\u00bb. \u00abMas esta disserta\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia terminar sem reabrir este tema, por inc\u00f3modo que possa ser para aqueles que querem sepultar para sempre o problema do rito bracarense \u00bb.  No entanto, avisa Joaquim F\u00e9lix na conclus\u00e3o da tese hoje apresentada, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode ter a pretens\u00e3o de defender o rito, \u00aba todo o custo e por vezes sem o devido rigor cient\u00edfico\u00bb, procurando \u00abalimentar solu\u00e7\u00f5es pouco consent\u00e2neas com o esp\u00edrito da Constitui\u00e7\u00e3o conciliar sobre a Liturgia\u00bb. Joaquim F\u00e9lix termina com uma cita\u00e7\u00e3o de Avelino de Jesus da Costa, concordando com ela: \u00abSuponho que ser\u00e1 poss\u00edvel uma atitude de compromisso que permita salvar o essencial do Rito Bracarense, adoptando, muito embora, os novos livros lit\u00fargicos romanos\u00bb. Este parecer, acrescenta, \u00abdata de 1970, quando os livros romanos ainda n\u00e3o tinham sido adoptados por todos os cl\u00e9rigos.  O seu uso acabou, no entanto, por se generalizar. E como, na actualidade, a diocese disp\u00f5e do seu Pr\u00f3prio, seria poss\u00edvel enriquec\u00ea-lo nos termos que Avelino Costa sugeria. Apesar de ser de outro tempo e se restringir apenas \u00e0 liturgia das principais solenidades, n\u00e3o \u00e9 disso testemunho o Manuscrito 870?\u00bb  \u00abCabe, em todo o caso \u2013 conclui \u2013, \u00e0 autoridade competente decidir. Estamos seguros de que, em rela\u00e7\u00e3o ao uso dos livros romanos, dificilmente poder\u00e1 inverter a actual situa\u00e7\u00e3o por decreto. T\u00e3o-pouco, nos tempos que correm, a simples vontade reformista pode dar azo a veleidades, quando alguns \u2013 infelizmente \u2013 parecem p\u00f4r em causa at\u00e9 a pr\u00f3pria reforma da liturgia romana realizada pelo Vaticano II\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre Joaquim Augusto F\u00e9lix de Carvalho, que \u00e9 vice- -reitor do Semin\u00e1rio Conciliar de Braga, defende hoje \u00e0 tarde em Roma a tese de doutoramento em Sagrada Liturgia. 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