{"id":253453,"date":"2022-09-18T09:31:35","date_gmt":"2022-09-18T08:31:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=253453"},"modified":"2022-09-16T16:17:33","modified_gmt":"2022-09-16T15:17:33","slug":"portugal-resposta-a-crises-nao-pode-ser-buscar-sistematicamente-um-novo-imposto-e-uma-nova-taxa-joao-pedro-tavares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-resposta-a-crises-nao-pode-ser-buscar-sistematicamente-um-novo-imposto-e-uma-nova-taxa-joao-pedro-tavares\/","title":{"rendered":"Portugal: Resposta a crises n\u00e3o pode ser \u00abbuscar sistematicamente um novo imposto e uma nova taxa\u00bb &#8211; Jo\u00e3o Pedro Tavares"},"content":{"rendered":"<p><em>Na pr\u00f3xima quinta-feira, em Assis, come\u00e7a uma nova edi\u00e7\u00e3o da Economia de Francisco. Por c\u00e1, depois de medidas de apoio \u00e0s fam\u00edlias, o Governo apresentou na \u00faltima quinta-feira um pacote de apoio \u00e0s empresas. S\u00e3o os temas fortes da entrevista desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia com o presidente da ACEGE &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-253455 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia.jpeg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-1080x720.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-1280x853.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-980x653.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.46-Copia-480x320.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Come\u00e7amos com a edi\u00e7\u00e3o da Economia de Francisco, evento que une jovens de todo o mundo, incluindo em Portuga. Economistas, empres\u00e1rios, empreendedores e estudantes v\u00e3o debater os caminhos a seguir para um novo modelo econ\u00f3mico, mais humano e ecol\u00f3gico. \u00c9 poss\u00edvel esta transforma\u00e7\u00e3o ou estamos num plano ut\u00f3pico?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 extraordin\u00e1rio a Igreja ser liderada por um homem com a idade do Papa Francisco e ele viver a vida e transmitir a esperan\u00e7a num cora\u00e7\u00e3o jovem, que habita nele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E em di\u00e1logo com os jovens\u2026<\/em><\/p>\n<p>E em di\u00e1logo, em di\u00e1logo com todos. Este \u00e9 um Papa que cresceu nas periferias, habituou-se a lidar com as periferias de uma forma muito natural. Como cardeal de Buenos Aires, como jesu\u00edta, transportou para o seu pontificado esta realidade. Ele \u00e9 um homem que vive em eternidade, porque os programas que ele lan\u00e7a com esta idade. podia dizer \u2018n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 tempo para lan\u00e7ar, vou deixar para o pr\u00f3ximo ou vou deixar para o outro\u2019. N\u00e3o, embarca neste na realidade, puxa por elas e quer transform\u00e1-las. Ali\u00e1s, tem um sentido de urg\u00eancia muito grande, ele pr\u00f3prio, em querer fazer como se n\u00e3o houvesse. amanh\u00e3.<\/p>\n<p>O Papa convida os jovens e transforma um encontro num movimento. Isto \u00e9 um movimento que se encontra e que tem encontros espalhados, em rede, por todo o mundo. O Papa convida-nos a fazer pontes e a comunidade de l\u00edngua portuguesa criou uma ponte entre todos, h\u00e1 encontros regulares entre portugueses, brasileiros, mo\u00e7ambicanos e angolanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que acompanhou a prepara\u00e7\u00e3o de um grupo portugu\u00eas?<\/em><\/p>\n<p>A Economia do Francisco \u00e9 algo que eu estou a tentar trazer para o mundo do trabalho. Os jovens t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o muito inclusivo e, portanto, eles pr\u00f3prios convidam os seniores a estar presentes, a testemunhar. Eles trazem pessoas da Academia, houve uma forma\u00e7\u00e3o com 200 pessoas, aberta a toda a gente. Na \u00faltima semana tivemos um encontro onde estiveram presentes fam\u00edlias, casais, portanto, h\u00e1 aqui uma diversidade significativa. Isto n\u00e3o \u00e9 uma realidade para o mundo das empresas, \u00e9 uma realidade para a vida pessoal, a vida comunit\u00e1ria e para sociedade em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este \u00e9 um evento mundial, que se vai realizar num cen\u00e1rio globalmente particular, com a guerra na Ucr\u00e2nia e noutras partes do mundo, o impacto na economia global, os eventos clim\u00e1ticos extremos. Teme que estas crises afetem definitivamente as possibilidades de futuro para as novas gera\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Onde h\u00e1 crise, h\u00e1 esperan\u00e7a e eu creio que esta crise vai refor\u00e7ar &#8211; o Papa n\u00e3o vai deixar de abordar estes temas &#8211; a necessidade destas realidades, da Economia de Francisco, da ecologia integral nesta casa comum \u00e0 qual perten\u00e7o, n\u00e3o como administrador, mas como participante, como peregrino, \u00e9 uma casa que me foi entregue e eu vou ter de a devolver em melhores condi\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 condi\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 a postura que temos de ter. Temos de ter uma postura de igual para igual e n\u00e3o uma postura de quem \u00e9 dono, \u00e9 muito mais de administrador, de todos os bens e todas as realidades. Eu creio que o Papa vai focar esse tema.<\/p>\n<p>Reparem como \u00e9 que um Papa t\u00e3o interventivo trabalha no tema da guerra nos bastidores, precisamente porque percebe que \u00e9 um outro lado, h\u00e1 uma dificuldade de di\u00e1logo, mesmo a n\u00edvel religioso, que n\u00e3o esconde. Trabalha nos bastidores, mas n\u00e3o tem uma atitude passiva perante a realidade, tem uma atitude ativa e busca o melhor momento para se fazer presente, fisicamente.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma realidade, a guerra no mundo, a pobreza crescente, os extremismos que v\u00e3o surgindo a n\u00edvel pol\u00edtico, nas sociedades, os desafios para a Europa. O Papa tem uma mundivis\u00e3o significativa. Este Papa das periferias vai tocar todos esses temas e vai dar um car\u00e1ter de urg\u00eancia muito maior a estes jovens. Agora, n\u00e3o \u00e9 um encontro, \u00e9 um movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em novembro de 2020, decorreu uma edi\u00e7\u00e3o digital deste evento, A Economia de Francisco, que se inspira no Santo de Assis. Na altura, foi aprovada uma carta-compromisso pelo direito ao trabalho digno, respeito pelos pobres, investimento na educa\u00e7\u00e3o, apoio \u00e0 sustentabilidade, igualdade de oportunidades e o fim de para\u00edsos fiscais. Que passos concretos foi poss\u00edvel dar, desde ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 a realidade de n\u00e3o ser um encontro, a realidade de trabalhar em rede, de ser um tempo de sementeira. N\u00e3o \u00e9 um tempo de come\u00e7ar a colher frutos. N\u00f3s temos um sentido muito utilitarista, na nossa sociedade, que busca frutos imediatos, resultados imediatos e coisas palp\u00e1veis. Eu creio que este foi um tempo de muita sementeira\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De processos\u2026<\/em><\/p>\n<p>De processos, de conhecimento, de reconhecimento. Estes jovens e estas pessoas que est\u00e3o envolvidas na Economia do Francisco t\u00eam uma capacidade de se espantar, permanentemente, com aquilo que os outros fazem. Tem havido hist\u00f3rias extraordin\u00e1rias, espalhadas pelo mundo, e eles espantoso com as hist\u00f3rias que v\u00e3o ouvindo do outro lado. Portanto, tamb\u00e9m v\u00e3o reconhecendo aqui a presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, no outro lado da nossa casa, que inspira determinados movimentos e determinadas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Este movimento vai ter um impacto significativo nos l\u00edderes empresariais, l\u00edderes pol\u00edticos, l\u00edderes da sociedade, nos jovens, como novos l\u00edderes. Eles j\u00e1 s\u00e3o l\u00edderes. Eles est\u00e3o a fazer este movimento j\u00e1, numa postura de lideran\u00e7a e querem transformar o mundo, a partir do cora\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que espera da edi\u00e7\u00e3o deste ano, que vai ser encerrada pelo Papa? As reflex\u00f5es de Francisco sobre a Economia s\u00e3o uma refer\u00eancia para empres\u00e1rios e gestores crist\u00e3os?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o uma refer\u00eancia. Francisco tem uma particularidade, porque fala sobre economia como nenhum outro Papa falou antes. Mas Bento XVI, com a \u2018Caritas in Veritate\u2019, mexeu connosco quando passamos a ter amor e verdade como crit\u00e9rios de gest\u00e3o. Depois, Francisco falou com todas as suas enc\u00edclicas exorta\u00e7\u00f5es, a \u2018Laudato si \u2018foi algo que recebemos com algum choque inicial e com algum sentido de ju\u00edzo: \u2018O que \u00e9 que o Papa quer mesmo dizer com isto? Quer dizer que temos todos errados? Quer dizer que os modelos e aquilo que andamos a fazer est\u00e1 errado? Aquilo que aprendemos est\u00e1 errado?\u2019. E agora com a \u2018Fratelli tutti\u2019 e a Economia do Francisco.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui uma multiplicidade, o Papa vem falando. Recentemente, meditamos na \u2018Fratelli Tutti\u2019 e eu perceber que, como l\u00edder empresarial, sou chamado a ser samaritano e \u00e9 a partir dessa realidade que tenho de construir, transforma-me significativamente. Onde \u00e9 que eu sou chamado a estar, quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo, como \u00e9 que eu posso acolh\u00ea-lo e cuidar?<\/p>\n<p>Este sentido de cuidar, n\u00e3o deixar de governar, mas governar com cuidado e cuidar do governo, cuidar das pessoas, n\u00e3o ter esta perspetiva do lucro a qualquer pre\u00e7o. O lucro \u00e9 apenas um meio para atingir um fim maior, que \u00e9 criar valor para poder distribuir valor de uma forma justa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O pensamento de Francisco sobre a economia desinstalar incomoda os empres\u00e1rios. Como \u00e9 que se classificaria?<\/em><\/p>\n<p>Provoca um primeiro inc\u00f3modo e, depois, provoca uma desinstala\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho d\u00favidas nenhumas em transmitir isso. Quando olhamos para tr\u00e1s e fazemos estas medita\u00e7\u00f5es de como ser Cristo na empresa, com est\u00e3o mais de 400 pessoas envolvidas na ACEGE, com sacerdotes, com cardeais&#8230; H\u00e1 aqui uma mobiliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 apenas das empresas, \u00e9 de toda a sociedade, em contexto profissional e empresarial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ali\u00e1s, o Papa tem muito uma ideia de fam\u00edlia quando fala do mundo empresarial&#8230;.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Por exemplo, a pr\u00f3pria ACEGE lan\u00e7ou uma certifica\u00e7\u00e3o de empresas familiarmente respons\u00e1veis. Isto constituiu uma grande transforma\u00e7\u00e3o para as empresas. Alguns empres\u00e1rios e gestores perguntavam-me, antes de aderir \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o: Isto \u00e9 uma armadilha? N\u00f3s diz\u00edamos que n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 armadilha nenhuma. Isto \u00e9 de facto, um salto significativo no prop\u00f3sito da empresa, na miss\u00e3o e no impacto que a empresa pode ter na sociedade e nas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Uma pergunta que eu fa\u00e7o aos empres\u00e1rios e gestores \u00e9: quantos colaboradores t\u00eam? Eles sabem-me responder. E depois pergunto-lhes: Quantas fam\u00edlias t\u00eam? E muitos n\u00e3o sabem responder. E a seguir pergunto: Dessas fam\u00edlias, quantas pessoas est\u00e3o \u00e0 responsabilidade desta empresa? Esta \u00e9 que a no\u00e7\u00e3o de casa comum. A fam\u00edlia \u00e9 absolutamente essencial.<\/p>\n<p>Agora, com esta situa\u00e7\u00e3o que estamos a passar, lan\u00e7amos o \u201cSem\u00e1foro de combate \u00e0 pobreza\u201d, que pretende pegar na franja de pobres potenciais que ficam no final da sociedade, os empregados. H\u00e1 uma percentagem de 30% dos pobres finais que est\u00e3o empregados e s\u00e3o pessoas que necessitam de fazer ajustes de trabalhos. Inclusive, h\u00e1 quem apanhe cart\u00e3o na rua, para poder suprir as suas faltas financeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-253454 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-195x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-195x260.jpeg 195w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-300x400.jpeg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-1080x1440.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-1280x1707.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-980x1307.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45-480x640.jpeg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-09-16-at-12.00.45.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 195px) 100vw, 195px\" \/><\/a>A realidade aponta para aumento de dificuldades. Os mais recentes dados divulgados pelo Eurostat &#8211; o organismo de estat\u00edstica da Uni\u00e3o Europeia- apontam para cerca de 2,3 milh\u00f5es pessoas em Portugal em risco de pobreza e exclus\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 um n\u00famero muito significativo e este \u00e9 um desafio para a nossa sociedade. E o \u00e9 que pretendemos com isto? Pretendemos que seja um programa transformador. N\u00e3o pretendemos que seja um programa assistencialista, apenas e s\u00f3, mas que seja um programa transformador, que transforma a partir da fam\u00edlia. Que seja a pr\u00f3pria fam\u00edlia, a ter os mecanismos para sair da sua situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>N\u00e3o de uma pobreza meramente financeira, mas uma pobreza na \u00e1rea de acesso aos cuidados de sa\u00fade, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, inser\u00e7\u00e3o social, acesso comunit\u00e1rio, enfim, aos transportes, \u00e0 mobilidade, ao trabalho. Todos estes aspetos t\u00eam de ser avaliados. Ter uma habita\u00e7\u00e3o digna. Temos o tema da energia neste momento, que impacta significativamente\u2026<\/p>\n<p>Pretendemos dizer aos l\u00edderes empresariais: \u00e9 a vossa responsabilidade. N\u00e3o \u00e9 responsabilidade do Estado, \u00e9 vossa responsabilidade cuidar destes casos. Por isso, quando falamos de responsabilidade social corporativa, a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 plantar \u00e1rvores nem pintar paredes. \u00c9, de facto, reconstruir vidas e ajudar a combater esta realidade. \u00c9 aqui que nos centramos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vimos por estes dias uma s\u00e9rie de an\u00fancios por parte do Governo, de apoios extraordin\u00e1rios \u00e0s fam\u00edlias, medidas para as empresas, conhecidas do p\u00fablico. Estamos a falar de cr\u00e9dito, medidas fiscais de apoio, energia, rendas, num total de 1400 milh\u00f5es de euros para as empresas. \u00c9 a ajuda poss\u00edvel ou esperava algo mais por parte do Executivo? <\/em><\/p>\n<p>Eu tenho de confiar que o Executivo est\u00e1 a fazer tudo o que est\u00e1 ao seu alcance, porque h\u00e1 outros aspetos que se t\u00eam de cumprir, como as contas certas. Estamos a discutir tamb\u00e9m sobre os lucros excessivos das empresas, se v\u00e3o ser taxados ou n\u00e3o, mas se h\u00e1 algu\u00e9m que fez recolhas para l\u00e1 do or\u00e7amentado foi o pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p>Aquilo que me parece \u00e9 que se vai ter de ir mais al\u00e9m, para combater, de facto, estas situa\u00e7\u00f5es de pobreza. \u00c9 um bom sinal, \u00e9 importante, mas tem de se ir mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>O Papa Francisco fala muito da cultura do encontro, onde todos colaboramos em conjunto e em rede, em complementaridade, mas de uma forma convergente, que leve de facto a um encontro. Por exemplo, quando eu ou\u00e7o pol\u00edticos a discutir entre p\u00fablico ou privado, isto n\u00e3o representa a cultura do encontro.<\/p>\n<p>A cultura do encontro \u00e9: p\u00fablico e privado em simult\u00e2neo, social em simult\u00e2neo. Um l\u00edder empresarial que quer criar valor para o acionista n\u00e3o \u00e9 cultura do encontro. Tem de criar valor para todos os seus <em>stakeholders<\/em> e participantes. Tem de p\u00f4r pessoas e resultados em simult\u00e2neo. O curto prazo e m\u00e9dio e longo prazo em simult\u00e2neo.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um encontro a que o Papa chega e aquilo que n\u00f3s vemos no mundo \u00e9 que nos falta esta cultura do encontro, esta sociedade do cuidar. S\u00e3o dois temas que ele usa e que me s\u00e3o muito gratos, muito importantes. Reparem que vivemos num mundo de extremismos, de guerra, onde se acentuam as diferen\u00e7as, onde as bolsas de pobreza s\u00e3o mais pobres e esta cultura do encontro \u00e9 o cuidar do outro, passar na estrada e ali ver algu\u00e9m ca\u00eddo. Como \u00e9 que eu ando na rua? Como \u00e9 que eu olho para os outros? Como \u00e9 que o cumprimento? Num encontro sobre a Economia de Francisco fal\u00e1vamos como nos vamos comprometer a andar de outra maneira na rua. Vamos comprometer-nos a sorrir para os outros, a cumpriment\u00e1-los, a saud\u00e1-los, a abra\u00e7ar, a oferecer algo ao outro de forma gr\u00e1tis. Em pequenas coisas, pequenos gestos. H\u00e1 pequenos gestos que mudam muita coisa.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A cria\u00e7\u00e3o de uma taxa sobre lucros excessivos \u00e9 uma forma de redistribuir riqueza e de promover a solidariedade?<\/em><\/p>\n<p>Aqui seria muito importante que houvesse transpar\u00eancia na forma como s\u00e3o utilizados os recursos do Estado, neste caso destas taxas. Se elas v\u00e3o de facto corresponder a novos mecanismos de solidariedade.<\/p>\n<p>Se houver aqui um efeito imediato e direto, \u00e9 algo de aparentemente bom. No entanto, enquanto representante de empres\u00e1rios e gestores, devo considerar que existe uma taxa fiscal muito excessiva. N\u00f3s temos de criar oxig\u00e9nio. Eu prefiro por exemplo olhar para as empresas e responsabiliz\u00e1-las e buscar nelas mecanismos de atua\u00e7\u00e3o, de solidariedade, de entreajuda e de responsabiliza\u00e7\u00e3o. Prefiro isso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Pelo menos a n\u00edvel europeu, a reflex\u00e3o parece ser sobretudo sobre a possibilidade de se taxar os lucros excessivos das empresas do setor energ\u00e9tico! \u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, fala-se de empresas do setor energ\u00e9tico. Mas tamb\u00e9m a\u00ed temos v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es.\u00a0 No caso das e\u00f3licas, o vento n\u00e3o ficou mais caro. Portanto, um lucro excessivo \u00e0 partida n\u00e3o tem cabimento, n\u00e3o \u00e9? Nos outros casos, h\u00e1 um encarecimento dos produtos, e h\u00e1 um lucro excessivo, porque vai crescer. A pr\u00f3pria infla\u00e7\u00e3o muitas vezes traz esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, mas eu creio que, no caso de Portugal, Portugal tem de equilibrar a carga fiscal que tem, n\u00e3o buscar sistematicamente um novo imposto e uma nova taxa.\u00a0Porque h\u00e1 uma sobrecarga muito grande que afoga fam\u00edlias, afoga empresas e depois queixamo-nos porque as fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam capacidade de a fazer crescer. E, portanto, a demografia \u00e9 negativa porque n\u00e3o t\u00eam capacidade de arranjar empregos em Portugal, atrativos e emigram para outros pa\u00edses. Depois queixamo-nos das consequ\u00eancias, que n\u00e3o h\u00e1 capacidade de inova\u00e7\u00e3o e de investimento, que o pa\u00eds n\u00e3o evolui\u2026<\/p>\n<p>Creio que a taxa\u00e7\u00e3o \u00e9 muitas vezes parte de um c\u00edrculo vicioso. \u00c9 o caminho mais f\u00e1cil ou caminho mais direto: vamos taxar e j\u00e1 est\u00e1!<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O Governo j\u00e1 deu a entender que os aumentos salariais na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o ir\u00e3o acompanhar a infla\u00e7\u00e3o, que no final do ano pode ser de 7,4%. Os setores privados e sociais v\u00e3o ter em conta esta indica\u00e7\u00e3o? Que espera o presidente da ACEGE?<\/em><\/p>\n<p>O setor privado tamb\u00e9m vai ter em considera\u00e7\u00e3o esta realidade. O mecanismo de atualiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 a ser aplicado, em momentos de infla\u00e7\u00e3o negativa ou decr\u00e9scimo tamb\u00e9m n\u00e3o foi aplicado. H\u00e1 um decr\u00e9scimo do poder de compra das fam\u00edlias, acentuado ao longo dos anos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Iremos ter aumentos na linha daquilo que \u00e9 sugerido pelo primeiro-ministro, \u00e0 volta de 2%? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o posso falar pelas empresas nem pelos setores, nem pelos sindicatos, nem pelas associa\u00e7\u00f5es empresariais, mas n\u00e3o ser\u00e1 equiparado \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, porque, economicamente falando, quando se equiparam os aumentos salariais \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um agravamento da pr\u00f3pria infla\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um agravamento dos pre\u00e7os. Algu\u00e9m vai pagar no final do dia. E, portanto, h\u00e1 uma conten\u00e7\u00e3o nesse tipo de mecanismo.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o europeia. Essa \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos, dos economistas e \u00e9 uma realidade com a qual temos de conviver. Isto n\u00e3o nos iliba do desafio de criar melhores condi\u00e7\u00f5es para as fam\u00edlias, melhores condi\u00e7\u00f5es para as empresas e uma sociedade mais pr\u00f3spera para o nosso pa\u00eds e, sobretudo, mais justa. N\u00e3o me serve de nada uma sociedade que cria ricos e n\u00e3o cria uma riqueza que seja justamente distribu\u00edda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na pr\u00f3xima quinta-feira, em Assis, come\u00e7a uma nova edi\u00e7\u00e3o da Economia de Francisco. Por c\u00e1, depois de medidas de apoio \u00e0s fam\u00edlias, o Governo apresentou na \u00faltima quinta-feira um pacote de apoio \u00e0s empresas. 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