{"id":25341,"date":"2007-06-14T12:40:57","date_gmt":"2007-06-14T12:40:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/14\/sociedade-tem-de-ser-mais-solidaria-com-os-doentes\/"},"modified":"2007-06-14T12:40:57","modified_gmt":"2007-06-14T12:40:57","slug":"sociedade-tem-de-ser-mais-solidaria-com-os-doentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-tem-de-ser-mais-solidaria-com-os-doentes\/","title":{"rendered":"Sociedade tem de ser mais solid\u00e1ria com os doentes"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOs doentes cr\u00f3nicos, incur\u00e1veis e mentais v\u00e3o ser abandonados pelo Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, porque o Estado n\u00e3o tem sensibilidade nem sabe resolver estes casos\u201d, afirmou Daniel Serr\u00e3o que, por isso, fez um apelo \u00e0 compaix\u00e3o e ao afecto da sociedade civil. Daniel Serr\u00e3o foi o primeiro convidado para o ciclo de confer\u00eancias \u201cCondi\u00e7\u00e3o de doente, condi\u00e7\u00e3o de idoso\u201d, uma iniciativa, da par\u00f3quia de Carregosa e da Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia Social de Carregosa, integrada nos 25 anos de actividade desta institui\u00e7\u00e3o. Este professor jubilado da Faculdade de Medicina do Porto abordou o tema \u201cO adoecer humano\u201d, considerando que ele \u201cfaz parte do nosso estar no mundo e da forma como nos relacionamos com ele. S\u00f3 adoe\u00e7o, prosseguiu, quando declarar que estou doente e estou-o ainda quando n\u00e3o estou em equil\u00edbrio comigo e com o mundo exterior\u201d. Assim, de acordo com Daniel Serr\u00e3o, \u201cestar doente tem duas componentes: uma biol\u00f3gica e outra de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o pessoal. A pessoa adoece quando a leitura perturbada do seu eu a leva a procurar ajuda\u201d. Depois de caracterizar a Medicina, \u201cque durante muito tempo era a busca do cuidado do outro\u201d e hoje \u201cmudou muito, \u00e9 uma disciplina com um importante fundamento cient\u00edfico\u201d, o orador abordou a rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre o m\u00e9dico e o doente ao longo dos tempos. \u201cAntigamente a rela\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico com a pessoa doente era de confian\u00e7a, enquanto hoje \u00e9 de pura t\u00e9cnica e de muita exig\u00eancia. Porque assim \u00e9, hoje nenhum m\u00e9dico pode avan\u00e7ar com um tratamento sem explicar ao doente o que vai fazer de modo a obter o seu consentimento\u201d. Apesar desta mudan\u00e7a, Daniel Serr\u00e3o fez notar que \u201ccontinua a haver uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, quando o doente v\u00ea no m\u00e9dico um ser humano virtuoso. Por isso, os m\u00e9dicos devem ser modelos de virtudes humanas\u201d, tanto mais que \u201ca realiza\u00e7\u00e3o do bem \u00e9 caracter\u00edstica do ser humano virtuoso\u201d.  A abertura de cl\u00ednicas m\u00e9dicas por parte de profissionais de sa\u00fade levou o orador a defender que \u201co m\u00e9dico n\u00e3o deve ser ao mesmo tempo m\u00e9dico e comerciante prestador de servi\u00e7os. A medicina tornou-se um neg\u00f3cio, mas n\u00e3o pode ser suspeita de que a sua natureza est\u00e1 inquinada por factores de natureza econ\u00f3mica\u201d. A abordagem do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) foi o passo seguinte. Suportado pelos impostos dos cidad\u00e3os, o SNS devia ser \u201cgeral, universal e gratuito. Apontado como um grande acto de justi\u00e7a social e de equidade, acaba por n\u00e3o o ser, porque as pessoas que t\u00eam dinheiro n\u00e3o v\u00e3o aos hospitais p\u00fablicos. \u00c9 por isso que o neg\u00f3cio da medicina privada tem vindo a aumentar\u201d, explicou. A quest\u00e3o dos idosos com alguma ou muita depend\u00eancia, dos doentes incur\u00e1veis e dos que n\u00e3o s\u00e3o aceites nos hospitais a n\u00e3o ser por abandono, porque entendem que n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer, levou o orador a apelar ao voluntariado. \u201cOs doentes terminais precisam de viver bem e de acompanhamento. H\u00e1, pois, espa\u00e7o para organiza\u00e7\u00f5es nascidas do voluntarismo, da paix\u00e3o e da compaix\u00e3o para tomarem conta destes casos. Por muito inferiorizadas que sejam, estas pessoas t\u00eam a mesma dignidade, devem suscitar a mesma compaix\u00e3o e o afecto que todos devemos ter uns pelos outros, doentes ou s\u00e3os\u201d. E acrescentou: \u201cMuita coisa se pode fazer pelos outros e que n\u00e3o custa muito dinheiro, mas na medida dos recursos dispon\u00edveis. O ponto principal \u00e9 que haja vontade de ajudar e amor pelo outro, de modo que a pessoa se sinta bem, feliz\u201d. \u201cN\u00e3o critico o ministro da Sa\u00fade pelo que tem feito, porque \u00e9 indispens\u00e1vel no plano financeiro, mas porque n\u00e3o explica o que faz\u201d, asseverou Daniel Serr\u00e3o. Este fez notar que, se em 1940, 4% do Produto Interno Bruto era encaminhado para os tratamentos, hoje essa percentagem ultrapassa os 10%, tecto m\u00e1ximo aceit\u00e1vel para a economia de um pa\u00eds.  Por outro lado, o Professor defendeu que o caminho mais pr\u00e1tico passa pela educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, a come\u00e7ar na fam\u00edlia e na escola prim\u00e1ria. Se a morte \u00e9 inevit\u00e1vel, \u00e9 um dever biol\u00f3gico, o Estado deve gastar dinheiro na preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e na protec\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Por\u00e9m, como os resultados s\u00f3 se ver\u00e3o da\u00ed por 60 ou 70 anos, politicamente n\u00e3o tem interesse algum\u201d.  <b>H\u00e1 muito a fazer<\/b> Depois de escutar o orador convidado, o padre Artur Pinto concluiu que \u201cn\u00e3o h\u00e1 medicina poss\u00edvel sem economia est\u00e1vel\u201d. Assim sendo, para o p\u00e1roco de Carregosa \u201ch\u00e1 muito a fazer no campo da gratuidade na caridade. Antes de reclamarmos, cabe-nos agir, porque o melhor que podemos dar a algu\u00e9m \u00e9 o tempo a nossa vida\u201d. O doente deu conta das visitas aos doentes que a par\u00f3quia promove junto das crian\u00e7as da catequese e catequistas. \u201cAs crian\u00e7as e as catequistas trazem vida. \u00c9 isto que precisamos de aprender a fazer, criando, mais do que nunca, esta sensibilidade\u201d. O padre Artur Pinto admite que \u201co Estado vai reduzir-se ao essencial, pelo que n\u00f3s, crist\u00e3os, temos de fazer a nossa obriga\u00e7\u00e3o, estando junto de quem precisa, escutando-o e apoiando-o. A Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia Social tem feito esse trabalho que \u00e9 de todos e para todos para, num mundo em que a economia manda, dizermos-lhe que h\u00e1 muito mais do que isso\u201d. Por seu turno, o presidente da C\u00e2mara assumiu que \u201cem Oliveira de Azem\u00e9is h\u00e1 uma pr\u00e1tica de preocupa\u00e7\u00e3o com os outros. H\u00e1 gente a dar-se totalmente \u00e0 causa do outro, a trabalhar em lares e centros de dia e como a Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia Social de Carregosa. Ainda vamos fazer mais, porque \u00e9 gente com vontade de ajudar e com capacidade de doa\u00e7\u00e3o muito grande\u201d. O ciclo de confer\u00eancias prossegue j\u00e1 no s\u00e1bado, 16 de Junho, pelas 21h, no audit\u00f3rio da Junta de Freguesia, com testemunhos de pessoas doentes. No dia 22 ser\u00e1 a vez do C\u00f3nego Jorge Cunha, que dissertar\u00e1 sobre a condi\u00e7\u00e3o do idoso. <i>Ant\u00f3nio Rebelo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs doentes cr\u00f3nicos, incur\u00e1veis e mentais v\u00e3o ser abandonados pelo Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, porque o Estado n\u00e3o tem sensibilidade nem sabe resolver estes casos\u201d, afirmou Daniel Serr\u00e3o que, por isso, fez um apelo \u00e0 compaix\u00e3o e ao afecto da sociedade civil. 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