{"id":25312,"date":"2007-06-12T15:24:59","date_gmt":"2007-06-12T15:24:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/12\/criticas-a-flexiseguranca\/"},"modified":"2007-06-12T15:24:59","modified_gmt":"2007-06-12T15:24:59","slug":"criticas-a-flexiseguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/criticas-a-flexiseguranca\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticas \u00e0 flexiseguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Martins deixou cr\u00edticas \u00e0 flexiseguran\u00e7a, um dia ap\u00f3s a cerim\u00f3nia que assinalava o Dia de Portugal, onde o Bispo Em\u00e9rito de Set\u00fabal foi agraciado pelo Presidente da Rep\u00fablica. Falando sobre &#8220;a situa\u00e7\u00e3o do trabalho em Portugal \u00e9 disso exemplo\u201d, este repons\u00e1vel disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que a Igreja tem de pronunciar-se \u201cmas de forma a ser ouvida, n\u00e3o \u00e9 com papeis ou documentos\u201d, de modo a que \u201co desenvolvimento seja acompanhado de solidariedade e manifeste a preocupa\u00e7\u00e3o de considerar o homem como elemento respons\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria\u201d. A situa\u00e7\u00e3o actual do pa\u00eds \u201cmerece uma aten\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande que nos dev\u00edamos pronunciar de uma forma mais vis\u00edvel\u201d. O trabalho, a economia \u201cassente numa filosofia neo-liberal\u201d, a flexiseguran\u00e7a \u201cconsidera cada vez menos o homem\u201d, conferindo-lhe uma posi\u00e7\u00e3o \u201cexclusiva de produtor\u201d e acrescente ser \u201crepugnante ouvir falar em flexiseguran\u00e7a e na mobilidade, quando sabemos que o essencial n\u00e3o \u00e9 garantido\u201d. Na semana passada, Alfredo Bruto da Costa defendeu que a flexiseguran\u00e7a \u00e9 \u201cum documento do mais puro neo-liberalismo\u201d. O presidente do Conselho Econ\u00f3mico e Social foi o convidado do programa \u201cDiga L\u00e1, Excel\u00eancia\u201d, da Renascen\u00e7a e do jornal \u201cP\u00fablico\u201d, onde deixou criticas ao documento defendido pela Comiss\u00e3o Europeia. Na sua opini\u00e3o, o modelo de flexiseguran\u00e7a caminha para \u201cgarantir a flexibilidade e quase nada para garantir a seguran\u00e7a\u201d. Bruto da Costa lembra que, no nosso pa\u00eds, 40% das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza est\u00e3o empregados ou trabalham por conta pr\u00f3pria, o que \u2013 diz &#8211; leva a concluir que a pobreza \u00e9 um problema de pol\u00edtica econ\u00f3mica e n\u00e3o (apenas) de redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza. Por outro lado, acrescenta que, segundo o estudo sobre a pobreza, que est\u00e1 ainda a ser feito, a maioria dos pobres s\u00e3o fam\u00edlias tradicionais e que os desempregados representam apenas 3% dos pobres. Para o futuro, Bruto da Costa defende que a seguran\u00e7a social tem que ser financiada n\u00e3o apenas pelos rendimentos do trabalho mas tamb\u00e9m pelos rendimentos do capital.   <b>CNJP<\/b> A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) defende que o conceito de flexiseguran\u00e7a deve ser apreciado com cautela e que a sua aplica\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds deve ter em conta as suas particulares caracter\u00edsticas institucionais, sociais e econ\u00f3micas. &#8220;No caso portugu\u00eas, existem fortes condicionantes a uma aplica\u00e7\u00e3o do conceito de flexiseguran\u00e7a, j\u00e1 que o Estado e o sistema de seguran\u00e7a social continuam a enfrentar graves restri\u00e7\u00f5es financeiras&#8221;, alerta a Comiss\u00e3o, lembrando ainda que &#8220;a actividade econ\u00f3mica n\u00e3o tem apresentado potencial para um ritmo crescente e suficiente de cria\u00e7\u00e3o de emprego&#8221; e que h\u00e1 baixos n\u00edveis de qualifica\u00e7\u00e3o de grande parte dos trabalhadores. Num documento intitulado &#8221; Um contributo para o Livro Branco das Rela\u00e7\u00f5es Laborais&#8221;, divulgado em Maio passado, a CNJP lembra &#8220;a exist\u00eancia de limites \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias vertentes da &#8216;flexibilidade&#8217; impostos pelo respeito da dignidade humana&#8221;. Por outro lado, assinala este organismo cat\u00f3lico, &#8220;n\u00e3o \u00e9 pertinente falar de &#8216;flexibilidade&#8217; sem a conjugar com &#8216;seguran\u00e7a&#8217; atrav\u00e9s de, nomeadamente, presta\u00e7\u00f5es sociais adequadas, politicas activas do mercado de trabalho eficientes, que apoiem de forma eficaz as transi\u00e7\u00f5es de estatuto profissional e assentem na antecipa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o r\u00e1pida da mudan\u00e7a&#8221;. Para a CNJP, em toda esta problem\u00e1tica deve ser tida, devidamente, em conta o papel e a opini\u00e3o dos parceiros sociais. A Comiss\u00e3o quis participar na discuss\u00e3o p\u00fablica deste tema e &#8220;vir expressar a sua opini\u00e3o, \u00e0 luz da Doutrina Social da Igreja, acerca de uma mat\u00e9ria que incide directamente sobre a dignidade da pessoa humana&#8221;. O documento assinala a import\u00e2ncia do &#8220;direito do trabalho, numa perspectiva universal de defesa dos direitos fundamentais dos trabalhadores e de dignidade do trabalho&#8221;, &#8220;o papel central da negocia\u00e7\u00e3o colectiva&#8221;, &#8220;as novas exig\u00eancias do mundo do trabalho&#8221; e &#8220;as deslocaliza\u00e7\u00f5es&#8221;. A CNJP critica os que defendem a &#8220;necessidade de se eliminar o princ\u00edpio constitucional portugu\u00eas da proibi\u00e7\u00e3o dos despedimentos sem justa causa&#8221;.  &#8220;Mais do que por respeito a uma norma constitucional, \u00e9 por respeito \u00e0 dignidade do trabalho e \u00e0 dignidade humana que consideramos inaceit\u00e1vel despedir um trabalhador sem ter que se apresentar raz\u00f5es justificativas ou motivos baseados em crit\u00e9rios de justi\u00e7a&#8221;, aponta o documento. A quem lamenta a &#8220;rigidez da legisla\u00e7\u00e3o de trabalho&#8221;, considerando que a mesma &#8220;dificulta o investimento estrangeiro&#8221;, a CNJP responde que &#8220;a conflitualidade social resultante de situa\u00e7\u00f5es sentidas como injustas e que n\u00e3o respeitem a equidade no tratamento dos trabalhadores poder\u00e1 ocasionar um ambiente social que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 certamente atractivo&#8221;. &#8220;A moderniza\u00e7\u00e3o do direito do trabalho poder\u00e1 ser alargada \u00e0 quest\u00e3o da flexiseguran\u00e7a, desde que a introdu\u00e7\u00e3o da mesma seja tratada num clima de franco di\u00e1logo social, isto \u00e9, as condi\u00e7\u00f5es da sua implanta\u00e7\u00e3o sejam negociadas, caso a caso, pois dessa forma poder-se-\u00e1 evitar maior conflitualidade social&#8221;, defende a CNJP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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