{"id":25281,"date":"2007-06-12T10:56:12","date_gmt":"2007-06-12T10:56:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/12\/tirar-africa-da-marginalidade\/"},"modified":"2007-06-12T10:56:12","modified_gmt":"2007-06-12T10:56:12","slug":"tirar-africa-da-marginalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tirar-africa-da-marginalidade\/","title":{"rendered":"Tirar \u00c1frica da marginalidade"},"content":{"rendered":"<p>Prioridades para a presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m passam pelo futuro do continente africano <!--more--> As rela\u00e7\u00f5es com \u00c1frica ser\u00e3o uma prioridade da Presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia. Portugal tem la\u00e7os antigos e fortes com v\u00e1rios pa\u00edses africanos a Sul do Sara. Essa circunst\u00e2ncia hist\u00f3rica d\u00e1 credibilidade ao nosso pa\u00eds quando na Europa comunit\u00e1ria se debatem temas relacionados com \u00c1frica. A UE tira vantagem do capital de conhecimento e capacidade de rela\u00e7\u00e3o que Portugal possui quanto aos pa\u00edses africanos. E estes lucram com terem em Bruxelas uma voz que pode chamar a aten\u00e7\u00e3o para os seus problemas. \u00c9 por isso que nunca fez sentido o pretenso dilema: devem os portugueses apostar na Europa ou em \u00c1frica? A verdade \u00e9 que Portugal tem mais peso pol\u00edtico na UE por causa do seu relacionamento hist\u00f3rico com os africanos. E tem mais influ\u00eancia nos pa\u00edses de \u00c1frica, em particular nas nossas ex-col\u00f3nias, na medida em que para l\u00e1 pode canalizar ajudas comunit\u00e1rias e n\u00e3o apenas bilaterais. O continente africano foi colonizado sobretudo por tr\u00eas pa\u00edses europeus: Portugal, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha. Os imp\u00e9rios brit\u00e2nico e franc\u00eas apenas terminaram ap\u00f3s o fim da segunda guerra mundial. O portugu\u00eas, muito mais tarde. O que d\u00e1 \u00e0 Europa uma particular responsabilidade. No entanto, a \u00c1frica \u00e9 hoje marginal nas preocupa\u00e7\u00f5es europeias. Apenas a press\u00e3o migrat\u00f3ria, proveniente sobretudo do Norte de \u00c1frica, leva os europeus a, por vezes, repararem que t\u00eam um interesse directo (ego\u00edsta, se quisermos) em promoverem o desenvolvimento africano. Como condi\u00e7\u00e3o para a Europa n\u00e3o ser inundada de imigrantes que mal conseguir\u00e1 absorver. O facto \u00e9 que \u00c1frica \u00e9 hoje um continente que conta pouco na cena internacional. Sobretudo, ficou \u00e0 margem da globaliza\u00e7\u00e3o. Enquanto a entrada da China, da \u00cdndia e de outros pa\u00edses asi\u00e1ticos no mercado mundial arrancou centenas de milh\u00f5es de pessoas \u00e0 mis\u00e9ria, o isolamento da \u00c1frica levou a que, no \u00faltimo quarto de s\u00e9culo, o n\u00famero de pobres tenha duplicado neste continente.  \u00c9, por isso, urgente fazer com que a \u00c1frica entre na economia mundial, cada vez mais globalizada. O que implica abrir os mercados da UE \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es africanas. Alguma coisa j\u00e1 se progrediu nesse caminho, mas o proteccionismo da pol\u00edtica agr\u00edcola europeia continua a travar muitas importa\u00e7\u00f5es que poderiam vir de \u00c1frica.  E importa atacar alguns problemas urgentes. A doen\u00e7a, desde logo. Bastariam 1,5 milh\u00f5es de euros (o que os EUA gastam em armas durante quatro dias&#8230;) ao longo de cinco anos para erradicar a mal\u00e1ria daquele continente &#8211; basicamente gra\u00e7as \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o do uso de mosquiteiros. E a sida est\u00e1 a reduzir a popula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pa\u00edses em \u00c1frica. \u00c9 uma trag\u00e9dia humana e um desastre econ\u00f3mico.  Ora a ajuda dos pa\u00edses ricos aos africanos, nomeadamente por parte da UE, tem ficado aqu\u00e9m das promessas. Por exemplo, das que foram feitas na reuni\u00e3o do G8, na Esc\u00f3cia, h\u00e1 dois anos. No in\u00edcio da recente reuni\u00e3o do G8, na Alemanha, o Papa Bento XVI recordou ter agradecido a Angela Merkel, em nome da Igreja Cat\u00f3lica, a decis\u00e3o de manter na agenda daquele grupo a pobreza no mundo, em particular em \u00c1frica. E o Papa renovou o apelo a aumentar substancialmente a ajuda ao desenvolvimento, em favor das popula\u00e7\u00f5es mais carenciadas, sobretudo as africanas. No entanto, a resposta dos pa\u00edses ricos parece continuar a pouco ultrapassar as palavras e as boas inten\u00e7\u00f5es. Na Alemanha, limitaram-se a garantir que iriam cumprir os compromissos de h\u00e1 dois anos&#8230; Entretanto, o Banco Mundial reconheceu que nem a ajuda a \u00c1frica cresceu como previsto, nem os mercados ocidentais se abriram como prometido. H\u00e1, ainda, um ponto essencial: a m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o e a corrup\u00e7\u00e3o em muitos pa\u00edses africanos, respons\u00e1vel em larga medida pela mis\u00e9ria em que eles se encontram. A pr\u00f3pria ajuda ao desenvolvimento torna-se, assim, mal vista pelas opini\u00f5es p\u00fablicas na Europa, que a consideram (em parte, infelizmente, com raz\u00e3o) como dinheiro desperdi\u00e7ado. Da\u00ed que seja priorit\u00e1ria a quest\u00e3o da democracia, dos direitos humanos e da luta contra a corrup\u00e7\u00e3o em \u00c1frica, mesmo do ponto de vista econ\u00f3mico. Ali\u00e1s, em mat\u00e9ria de corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 apenas corrompidos &#8211; tem de haver corruptores, que frequentemente est\u00e3o na Europa. Julgo que, nessa mat\u00e9ria, a UE deve lidar com os pa\u00edses africanos exactamente com o mesmo grau de exig\u00eancia que usa para com os pa\u00edses europeus. Proceder de outro modo seria tratar os africanos como inferiores. Uma forma de neocolonialismo, afinal. Por isso o empenho que Portugal p\u00f5e, e bem, na realiza\u00e7\u00e3o em Dezembro de uma cimeira UE-Uni\u00e3o Africana n\u00e3o deve levar a fechar os olhos a viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos em \u00c1frica. Ainda quando dirigentes pol\u00edticos africanos fingem n\u00e3o ver tais viola\u00e7\u00f5es, como desgra\u00e7adamente acontece em rela\u00e7\u00e3o ao Zimbabu\u00e9 e \u00e0s tropelias do ditador Mugabe. Entorses aos princ\u00edpios por motivos de conveni\u00eancia imediata acabam sempre por se pagar caro, mais tarde ou mais cedo. Tamb\u00e9m em termos econ\u00f3micos.  <i>Francisco Sarsfield Cabral, (Director de Informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prioridades para a presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m passam pelo futuro do continente africano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,120,189,191,203],"class_list":["post-25281","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-bento-xvi","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25281\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}