{"id":252458,"date":"2022-09-08T11:31:46","date_gmt":"2022-09-08T10:31:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=252458"},"modified":"2022-09-08T11:31:46","modified_gmt":"2022-09-08T10:31:46","slug":"a-cor-da-musica-e-a-cor-da-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cor-da-musica-e-a-cor-da-alma\/","title":{"rendered":"A cor da m\u00fasica \u00e9 a cor da alma"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Cantar \u00e9 pr\u00f3prio da alma. Num tempo marcadamente festivo, com a m\u00fasica acompanhar os dias das vidas de cada um de n\u00f3s, compreendemos a rela\u00e7\u00e3o \u00f4ntica e umbilical da m\u00fasica com a alma. De facto, al\u00e9m dos m\u00faltiplos sons que unem o pluralismo e a diversidade numa harmonia desconcertante, a m\u00fasica tem igualmente cor uma vez que o som traz cor e luz \u00e0 alma, \u00e0 vida \u00edntima da pessoa humana. Quantas vezes uma m\u00fasica n\u00e3o nos transporta para uma mem\u00f3ria, para um encontro marcante e belo? A m\u00fasica aproxima-nos connosco mesmos, com os outros e com Deus Nosso Senhor.<\/p>\n<p>Quando escutamos e lemos a Par\u00e1bola do Bom Samaritano (uma das tr\u00eas par\u00e1bolas da miseric\u00f3rdia do Evangelho de S\u00e3o Lucas) apercebemo-nos bem desta perturbante e inquietante pedagogia divina. Recordemos a passagem b\u00edblica desta Par\u00e1bola (cf. Lc 10, 25-37): Jesus \u00e9 confrontado por um escriva que n\u00e3o quer outra coisa sen\u00e3o entalar Jesus. Por isso ele questiona Jesus sobre o que fazer para receber a vida eterna. A resposta de Jesus \u00e9 feita numa pergunta: \u2018como tu l\u00eas a Lei? (&#8230;) Faz isso e viver\u00e1s\u2019 O escriva, j\u00e1 entalado, quer-se redimir fazendo uma outra pergunta: \u2018quem \u00e9 o pr\u00f3ximo?\u2019 Com esta \u2013 julgava ele \u2013 Jesus era \u2018apanhado\u2019. O coitado do escriva leva outra \u2018co\u00e7a\u2019 por parte de Jesus. \u00c9 aqui que Jesus conta a Par\u00e1bola do Bom Samaritano.<\/p>\n<p>Tomemos aten\u00e7\u00e3o. Jesus ensina que o \u2018pr\u00f3ximo\u2019 \u00e9 aquele que se aproxima. Antes do aparecimento em cena do Samaritano, Jesus recorda que passam junto daquele flagelado, daquele meio morto, daquele que jazia na berma da estrada e da exist\u00eancia humana, dois sabedores da Lei: um sacerdote e um levita. Dois homens que conhecem e ensinam a Palavra de Deus e a Lei. S\u00e3o homens que t\u00eam a Lei na boca, mas n\u00e3o a t\u00eam no cora\u00e7\u00e3o. Ensinam-na aos outros, mas n\u00e3o a vivem nas suas vidas. Conclu\u00edmos, portanto, que o amor ao pr\u00f3ximo n\u00e3o aproxima, n\u00e3o desce e nem toca. Ora, \u00e9 a amar sem intimidade e sem proximidade.<\/p>\n<p>O Samaritano \u2013 o estrangeiro e o pag\u00e3o \u2013 \u00e9 aquele que manifesta que para Deus o amar o pr\u00f3ximo \u00e9 fazer-se pr\u00f3ximo. Vejam a beleza narrativa de S\u00e3o Lucas quando Jesus relata a rea\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o deste Samaritano: \u201cum samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao v\u00ea-lo, encheu-se de compaix\u00e3o. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua pr\u00f3pria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele\u201d (Lc 10, 33-34). Que belo! Este homem \u2013 o Samaritano \u2013 ao deparar-se com aquela trag\u00e9dia humana e existencial, \u00e9 capaz de mudar o seu rumo e a sua vida. Sai do centro do caminho para se dirigir at\u00e9 \u00e0 periferia onde jaz este homem j\u00e1 meio morto. Quantos s\u00e3o os homens que jazem e agoniam na periferia do caminho! O Samaritano n\u00e3o s\u00f3 se compadece, como tamb\u00e9m se \u201cencheu de compaix\u00e3o\u201d. \u201cEncher\u201d \u00e9 um verbo que muito eu gosto: faz-me sempre imaginar algo a preencher, algo que enche o vazio a partir dos sentimentos mais nobre, mais edificantes e mais transformadores do sentir divino e humano. Observem como este homem sai da montada do seu pr\u00f3prio cavalo e coloca o agonizante no seu lugar. Sai para que o agonizante seja tratado e visto como valioso. Isto \u00e9 sublime! Mais, este Samaritano n\u00e3o se enoja nem se enfastia por descer para cuidar e elevar o agonizante, para ligar, limpar, tocar e cuidar do desprezado que jaz na periferia. Que testemunho t\u00e3o desconcertante este! Deus, de facto, est\u00e1 permanentemente a desinstalar-nos, a obrigar-nos a sair para as periferias existenciais, a olhar o fr\u00e1gil e o agonizante com olhos de quem se ama e se \u00e9 amado, a sair dos nossos projectos e caminhos para que sejamos \u2018m\u00e3os de Deus\u2019.<\/p>\n<p>Na verdade, precisamos ser mais pr\u00f3ximos, ser samaritanos de tantos e quantos vivem tombados na estrada da vida: v\u00edtimas da viol\u00eancia, do furto e do abandono premeditado e desumano, esquecidos na agonia, filhos da desist\u00eancia de um mundo que n\u00e3o se compadece com o fr\u00e1gil e, infortunamente, n\u00e3o tem tempo para acolher e cuidar de quem vive completamente s\u00f3 e desamparado.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um tempo oportuno e \u00fanico (!) para sermos mais pr\u00f3ximos dos descart\u00e1veis, dos agonizantes e dos que jazem na periferia existencial. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que toda e qualquer aproxima\u00e7\u00e3o gera, inevitavelmente, intimidade, sil\u00eancio, escuta e doa\u00e7\u00e3o. Ser pr\u00f3ximo do \u2018pr\u00f3ximo\u2019 \u00e9 aproximar-se, \u00e9 fazer desabrochar liga\u00e7\u00f5es que nos vinculam, que nos transformam e que nos modelam sob o signo e o toque de Deus Sant\u00edssimo, numa nova humaniza\u00e7\u00e3o que torna nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa alma mais solicita e dispon\u00edvel para todos, em especial para com os mais fr\u00e1geis, para com os mais sofredores, para com os mais esquecidos, para com os mais agonizantes e para com os mais abandonados e s\u00f3s. Quem vive isto experimenta j\u00e1 o Reino de Deus. Esta \u00e9, na verdade, a grande ci\u00eancia da F\u00e9 e da Santa Igreja.<\/p>\n<p>Compreendemos, deste modo, a vida humana como uma sinfonia de cores e de sons. Como uma unidade na diversidade, como uma harmonia no meio do caos. Assim \u00e9 o aproximar-me ao outro, \u00e0quele que jaz na berma da estrada e da vida. Isto \u00e9 um apelo incessante por parte de Deus. Deus gera em n\u00f3s, pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, um fluxo vital que me impele a sair de mim, de mim mesmo, a libertar-me do meu pr\u00f3prio ego, do meu \u2018mundinho\u2019, da minha bolha, a fim de ir ao encontro de um outro que me deslocar e me desinstala. Que belo desafio este para que as festividades desta \u00e9poca sejam vividas tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o dos mais desfavorecidos e fr\u00e1geis da nossa comunidade. Pe\u00e7amos ao Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria que nos ilumine e ajude nesta demanda, nesta oblatividade concertada e assertiva que promova o bem comum e a dignidade inalien\u00e1vel da pessoa humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-252458","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=252458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252458\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=252458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=252458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=252458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}