{"id":25211,"date":"2007-06-08T10:33:46","date_gmt":"2007-06-08T10:33:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/08\/cnis-aponta-prioridades-para-a-presidencia-portuguesa-da-uniao-europeia\/"},"modified":"2007-06-08T10:33:46","modified_gmt":"2007-06-08T10:33:46","slug":"cnis-aponta-prioridades-para-a-presidencia-portuguesa-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cnis-aponta-prioridades-para-a-presidencia-portuguesa-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"CNIS aponta prioridades para a presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p>1. Tendo aderido \u00e0 Uni\u00e3o Europeia doze anos depois da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de Abril\u201d, a partir de 1 de Julho, Portugal vai presidir pela terceira vez ao Conselho Europeu da Uni\u00e3o. As duas anteriores presid\u00eancias ocorreram em 1992 (2\u00ba semestre) e em 2000 (1\u00ba semestre).   Mostrando ser um \u201cbom aluno\u201d nos primeiros anos de ades\u00e3o, com o Prof. Cavaco Silva como primeiro-ministro, as duas presid\u00eancias fizeram subir a cota\u00e7\u00e3o de Portugal. Na primeira presid\u00eancia do Conselho Europeu, provou j\u00e1 merecer o estatuto de mestre, enquanto na segunda presid\u00eancia, com o Eng.\u00ba Ant\u00f3nio Guterres, foi revelado um pa\u00eds capaz de marcar a agenda europeia, ficando aquela presid\u00eancia recordada pela \u201cestrat\u00e9gia de Lisboa\u201d. \u00c9 de ent\u00e3o que resultam como pontos estruturantes a coes\u00e3o econ\u00f3mica, social e territorial, com janelas abertas para o combate \u00e0 pobreza e \u00e0 exclus\u00e3o social e com instrumentos para um desenvolvimento sustent\u00e1vel, economicamente eficaz, socialmente equitativo e ecologicamente sustent\u00e1vel&#8230;   Estando organizada a Presid\u00eancia do Conselho da Uni\u00e3o com base num sistema de rota\u00e7\u00e3o semestral, segundo o qual compete a cada Estado-Membro assegur\u00e1-la por um per\u00edodo de 6 meses, em princ\u00edpio, s\u00f3 depois de 2020 Portugal voltar\u00e1 a presidir ao Conselho Europeu.  Numa altura em que um portugu\u00eas, Dur\u00e3o Barroso, preside \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia e em que indefini\u00e7\u00f5es relacionadas com alargamento, constitui\u00e7\u00e3o, modelo europeu e referendo pairam sobre o projecto europeu, que se espera desta terceira presid\u00eancia portuguesa?    2. Na coabita\u00e7\u00e3o de povos brit\u00e2nicos, c\u00e9lticos, eslavos, germ\u00e2nicos, latinos ou n\u00f3rdicos, a Europa harmonizou uma determinada concep\u00e7\u00e3o do homem, da sociedade, da conviv\u00eancia e da vida, estruturantes para um presente e um devir mais humano e mais solid\u00e1rio.  Devendo ser a Uni\u00e3o Europeia uma \u201cEuropa de Na\u00e7\u00f5es\u201d, em que cada Na\u00e7\u00e3o tem a sua hist\u00f3ria, as suas tradi\u00e7\u00f5es, a sua cultura e a sua organiza\u00e7\u00e3o, muito lucrar\u00e3o os povos e o mundo com a aten\u00e7\u00e3o que se prestar a cada uma das na\u00e7\u00f5es e com a oportunidade conferida a cada uma de afirmar a sua especificidade, de partilhar os seus valores, de servir a causa comum e de se abrir ao percurso e ao devir das outras na\u00e7\u00f5es. N\u00e3o ser\u00e1 no esbater das diferen\u00e7as que se construir\u00e1 a Europa. Pelo contr\u00e1rio, ser\u00e1 na articula\u00e7\u00e3o do respeito pela sua autonomia com a sua aprecia\u00e7\u00e3o valorativa e com o seu contributo para a comunidade das na\u00e7\u00f5es.   \u00c9 nesta perspectiva que bandeiras de compet\u00eancia, fraternidade, igualdade, liberdade, sociabilidade e solidariedade, de uns, com afirma\u00e7\u00f5es da cultura da valoriza\u00e7\u00e3o permanente, da mente culta e s\u00e3 em corpo erguido e sadio, da do\u00e7ura e da jovialidade da vida, com contributos para o exerc\u00edcio da cidadania, do dinamismo e da tenacidade, de outros, n\u00e3o sendo incompat\u00edveis entre si e sendo valorizados na sua express\u00e3o e na sua fonte, podem servir uma Europa mais afirmativa, mais coesa, mais progressiva e mais solid\u00e1ria num mundo expectante.   Nessa perspectiva, qual \u00e9 o espa\u00e7o deste Portugal em que vivemos e que, com o contributo de muitos, ao longo dos v\u00e1rios s\u00e9culos, se foi construindo e afirmando?  Sendo este \u201cjardim \u00e0 beira-mar plantado\u201d um reino de sonhadores, tornou-se num pa\u00eds de \u201cremadores\u201d e \u201cvelejadores\u201d. Sonhou-se a utopia de dar \u201cnovos mundo ao mundo\u201d e remou-se para uma viv\u00eancia em que o pulsar com o mundo alimenta a solidariedade universal.   Ser\u00e1 isto filosofar sobre sonhos desfeitos? Talvez seja acordar numa alma p\u00e1tria constru\u00edda ao longo dos tempos, alma de verdadeiros cidad\u00e3os do mundo, com torr\u00e3o no extremo europeu, mas com linguarejar em todos os cantos do mundo e com capacidade para compreender as aspira\u00e7\u00f5es dos povos, nomeadamente dos africanos e dos povos em vias de desenvolvimento, carecidos de pontes solid\u00e1rias e de vozes que os representem em inst\u00e2ncias como a Uni\u00e3o Europeia.  Ser\u00e1 provavelmente esta a nossa marca numa Europa que algo tem dado a este pa\u00eds mas carecida do tom da alma lusa e da ponte que pode ser para uma solidariedade de que o \u201cVelho Continente\u201d deve ser paladino se quer ver erradicadas do mundo as sementes da intoler\u00e2ncia e da instabilidade\u2026    3. Durante o segundo semestre do ano, Portugal vai presidir ao principal \u00f3rg\u00e3o de tomada de decis\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia.  A tenta\u00e7\u00e3o de revelar for\u00e7as que n\u00e3o tem ser\u00e1 uma improf\u00edcua vaidade que custar\u00e1 caro e que em nada beneficiar\u00e1 uma Europa de Na\u00e7\u00f5es. A recente e ainda n\u00e3o vencida tenta\u00e7\u00e3o de usar riquezas alheias far\u00e1 continuar a patinar numa rampa inclinada de incautos e inaptos que nada dar\u00e1 a uma Europa \u00e0 procura de uma plataforma de maior afirma\u00e7\u00e3o.   Quando a globaliza\u00e7\u00e3o parece ser um caminho sem retorno, em que se corre o risco de ver as na\u00e7\u00f5es a dilu\u00edrem-se hoje para se crisparem amanh\u00e3 ao mesmo tempo em que os homens se acotovelam agora para se perderem depois numa aldeia global an\u00f3nima e inumana, e em que os individualismos exacerbados se sobrep\u00f5em \u00e0s causas comuns, talvez Portugal tenha um espa\u00e7o inalien\u00e1vel de afirma\u00e7\u00e3o.  E a sua mais-valia no exerc\u00edcio da presid\u00eancia poder\u00e1 manifestar-se na divulga\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas e das insufici\u00eancias portuguesas e promover um compromisso mais real e eficaz no combate \u00e0 pobreza e \u00e0 exclus\u00e3o social. Aqui e n\u00e3o s\u00f3.   Tamb\u00e9m poder\u00e1 fazer-se ouvir sendo voz dos povos africanos e particularmente dos povos de l\u00edngua portuguesa apelando para uma coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica mais activa com eles.  E com alertas permanentes, para que seja desfraldada a bandeira da afirma\u00e7\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o permanente das pessoas, para que seja defendido o sagrado princ\u00edpio da participa\u00e7\u00e3o activa de todos no projecto comum e para que seja constru\u00edda uma filosofia de solidariedades e de proximidades numa Europa que se quer de cidad\u00e3os em na\u00e7\u00f5es equilibradamente harmonizadas&#8230;   <i>Pe. Lino Maia, Presidente da CNIS <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Tendo aderido \u00e0 Uni\u00e3o Europeia doze anos depois da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de Abril\u201d, a partir de 1 de Julho, Portugal vai presidir pela terceira vez ao Conselho Europeu da Uni\u00e3o. As duas anteriores presid\u00eancias ocorreram em 1992 (2\u00ba semestre) e em 2000 (1\u00ba semestre). 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