{"id":25206,"date":"2007-06-08T09:57:12","date_gmt":"2007-06-08T09:57:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/08\/corpo-de-cristo-desafio-e-anuncio\/"},"modified":"2007-06-08T09:57:12","modified_gmt":"2007-06-08T09:57:12","slug":"corpo-de-cristo-desafio-e-anuncio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/corpo-de-cristo-desafio-e-anuncio\/","title":{"rendered":"Corpo de Cristo, desafio e an\u00fancio"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo  <!--more--> 1. A Solenidade lit\u00fargica do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo, tem, na linguagem popular, a designa\u00e7\u00e3o de Festa do Corpo de Deus. N\u00e3o se trata de admitir a exist\u00eancia de uma qualquer forma de corporeidade em Deus, mist\u00e9rio insond\u00e1vel ligado ao sentido \u00faltimo da mat\u00e9ria, mas de afirmar a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, expressa no Seu Corpo, que \u00e9 divino. No Corpo de Cristo realiza-se a plenitude de sentido do corpo humano, situado na ordem da cria\u00e7\u00e3o c\u00f3smica, em que o homem, criado \u00e0 imagem de Deus, exprime, no seu corpo toda a riqueza de ser imagem de Deus. Numa cultura que valoriza, quase idolatricamente o corpo, \u00e9 bom meditarmos sobre o Corpo de Cristo, que o torna igual a n\u00f3s, e que \u00e9 para a viv\u00eancia da corporeidade humana, desafio e an\u00fancio, eu diria mesmo, provoca\u00e7\u00e3o. \tNo Novo Testamento esta dimens\u00e3o f\u00edsica e material do ser humano \u00e9 designada por duas palavras diferentes: carne (sarx) e corpo (s\u00f4mma). A carne designa o elemento c\u00f3smico do ser humano, que ele comunga com todo o cosmos, unido numa harmonia que lhe permita viver, embora a vida seja uma express\u00e3o do corpo. Este designa o homem na sua totalidade, material e espiritual, capaz de amor e sujeito de rela\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a express\u00e3o mais elevada do corpo humano, a sua capacidade de amar, a Deus e aos homens, a sua voca\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o. A diferen\u00e7a destes conceitos \u00e9 clara na experi\u00eancia da morte. Antes, o homem tem um corpo carnal, sujeito ao sofrimento e \u00e0 morte. Morto, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um corpo mas um cad\u00e1ver. Porque o homem vive para al\u00e9m da morte, o homem continua a ter um corpo, porque a corporeidade \u00e9 essencial \u00e0 express\u00e3o humana. \u00c9 misteriosa para n\u00f3s esta corporeidade humana depois da morte, cujo mist\u00e9rio se antev\u00ea na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, que continua a ter um corpo, n\u00e3o carnal, mas espiritual, segundo a linguagem de S\u00e3o Paulo. \tSegundo este Ap\u00f3stolo, o primeiro que faz uma verdadeira teologia do corpo, \u00e9 a carne que, com os seus instintos e apetites, se torna cativa do pecado, arrastando o homem todo para o pecado, na sua intelig\u00eancia, no seu cora\u00e7\u00e3o, na sua liberdade, tornando-se \u201ccorpo de pecado\u201d. Dessa situa\u00e7\u00e3o o libertar\u00e1 Jesus Cristo com o dom do seu pr\u00f3prio Corpo, anunciando para o homem \u201cum corpo de gra\u00e7a\u201d, participando na ressurrei\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo. Pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, o crist\u00e3o passa a poder viver a sua corporeidade ao ritmo do Corpo de Cristo ressuscitado.  \t2. O Corpo de Cristo \u00e9 carnal. Nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo surgiram cristologias que negavam que o Corpo de Cristo fosse carnal, como o nosso. Ele teria um corpo misterioso, s\u00f3 espiritual, apar\u00eancia de corpo na ordem c\u00f3smica por n\u00f3s conhecida. O Povo de Deus, no seu sentido da f\u00e9, e o Magist\u00e9rio Apost\u00f3lico, sempre rejeitaram estas vis\u00f5es do Corpo de Cristo. Talvez por isso o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Jo\u00e3o ao referir-se ao Corpo do Senhor, lhe chama carne. Logo no pr\u00f3logo do Evangelho afirma: \u201cE o Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo. 1,14). E na sua primeira Carta: \u201ctodo o esp\u00edrito que confessa que Jesus veio na carne \u00e9 de Deus\u201d (1Jo. 4,2). \tMas a dimens\u00e3o carnal do Corpo de Cristo \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo, desde o primeiro momento. Gerado no seio de uma Virgem, a Imaculada, por ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o corpo carnal de Cristo participa da pureza da divindade desde o seu primeiro momento. \u00c9 por isso que todas as gera\u00e7\u00f5es aclamam Maria dizendo-lhe: \u201cBendito \u00e9 o fruto do teu ventre\u201d. \tA carne de Jesus nunca foi escrava do pecado. Sujeita \u00e0s vicissitudes normais dos seres carnais, como a fome, a sede, o cansa\u00e7o, o sofrimento e a morte, garante-lhe uma corporeidade plena. No seu Corpo, Cristo glorifica o Pai, vive a comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, ama como Deus ama, exprimindo esses sentimentos superiores nas vicissitudes carnais do seu corpo. \u00c9 assim que a Sua morte oferecida por amor se torna redentora. Cristo viveu em plenitude a Sua corporeidade, com uma grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a todos os outros homens: o seu Corpo nunca foi escravo do pecado. Assim p\u00f4de \u201cfazer-se pecador por n\u00f3s\u201d, para restituir \u00e0 sua dignidade e capacidade originais os nossos corpos. A Sua morte por amor, acto supremo de louvor do Pai, \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima da Sua corporeidade. Ao sermos redimidos na Sua morte, os nossos corpos readquirem a sua dignidade de serem express\u00e3o do amor e da beleza, da pr\u00f3pria ternura de Deus.  \t3. Mas o Corpo de Cristo \u00e9 para n\u00f3s, hoje, o Seu corpo ressuscitado. No seu corpo ressuscitado, Jesus revela, definitivamente, o mist\u00e9rio do corpo humano, porque a sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 para ser participada por n\u00f3s, na esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o do nosso corpo. O Corpo de Jesus ressuscitado \u00e9 real, n\u00e3o \u00e9 uma apar\u00eancia, e \u00e9 o mesmo corpo. O cad\u00e1ver de Jesus n\u00e3o foi abandonado, foi transformado na ressurrei\u00e7\u00e3o. O t\u00famulo estava vazio. As narra\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas das apari\u00e7\u00f5es do ressuscitado insistem nesta identidade do Corpo do Senhor, o mesmo que foi gerado no seio de Maria: \u201cvede as minhas m\u00e3os e os meus p\u00e9s, sou mesmo Eu. Tocai-Me e verificai que um esp\u00edrito n\u00e3o tem carne e osso, como v\u00f3s vedes que Eu tenho\u201d (Lc. 24,39). Uma das garantias que Jesus lhes d\u00e1 que o seu Corpo ressuscitado \u00e9 o mesmo corpo, o Seu corpo, \u00e9 dizer-lhes que \u00e9 o mesmo Corpo que sofreu a Paix\u00e3o. Perante a d\u00favida de Tom\u00e9, Ele diz-lhe, mostrando-lhe as chagas das m\u00e3os e o lado aberto: \u201cP\u00f5e aqui o teu dedo, aqui tens as minhas m\u00e3os. Estende a tua m\u00e3o e mete-a no Meu lado\u201d (Jo. 20,27). Esta identifica\u00e7\u00e3o com o Corpo que sofreu a Paix\u00e3o manter-se-\u00e1 em todas as express\u00f5es do Corpo de Cristo: na Igreja, Corpo de Cristo, e no seu corpo eucar\u00edstico. \tO Corpo de Jesus ressuscitado \u00e9 o mesmo, mas \u00e9 diferente. Na morte atingiu a sua forma definitiva, o que nos revela a import\u00e2ncia decisiva da morte como experi\u00eancia fecunda e criadora, dando aos nossos corpos mortais a sua forma definitiva. Em que consiste essa diferen\u00e7a? S\u00e3o Paulo chama-lhe \u201ccorpo de gl\u00f3ria\u201d (Fil. 3,21) ou um \u201ccorpo espiritual\u201d (1Co. 15,44). A carne de Jesus, na sua qualidade de participa\u00e7\u00e3o na mat\u00e9ria e no cosmos \u00e9 transformada, fazendo intuir qual ser\u00e1 o futuro da mat\u00e9ria. O seu esp\u00edrito humano (psiqu\u00ea) que garante a vida humana do homem Jesus, \u00e9 completamente substitu\u00edda pelo Esp\u00edrito Santo, que pode agora ter uma express\u00e3o plena num corpo humano. Esta plenitude do Esp\u00edrito no Corpo de Jesus, torna ainda mais o corpo express\u00e3o do amor de Deus. Para que possa amar os seus disc\u00edpulos com essa intensidade, f\u00e1-los participar da Sua vit\u00f3ria sobre a morte, antecipando para eles, que ainda n\u00e3o morreram, a possibilidade de amar como Jesus ressuscitado ama: f\u00e1-los morrer e ser sepultados com Ele, no Baptismo, e d\u00e1-lhes o Esp\u00edrito Santo. Assim tamb\u00e9m os seus corpos mortais poder\u00e3o ser transformados em corpos de gl\u00f3ria e amarem a Cristo como Ele os ama. Esta reden\u00e7\u00e3o dos nossos corpos materiais, antes da nossa morte, mostra a pressa de Jesus ressuscitado de poder estabelecer connosco uma rela\u00e7\u00e3o de amor ao ritmo da eternidade.  \t4. Esta nova possibilidade de amor entre Cristo e os disc\u00edpulos, revela-nos outra express\u00e3o surpreendente do Corpo de Cristo, a Igreja. Nela se afirma, de forma definitiva, que a verdade \u00faltima do corpo \u00e9 ser express\u00e3o de amor, constituindo uma unidade ao n\u00edvel do ser, participa\u00e7\u00e3o da unidade de amor entre as pessoas divinas, diferentes, mas um s\u00f3. \tQue o amor intenso entre as pessoas as leva a constituir um s\u00f3 corpo, estava anunciado a prop\u00f3sito da uni\u00e3o conjugal entre o homem e a mulher: \u201cser\u00e3o os dois um s\u00f3 corpo\u201d (Gen. 2,24). Para os esposos crist\u00e3os, cujos corpos foram transformados pelo Esp\u00edrito de Jesus ressuscitado, esta uni\u00e3o que far\u00e1 deles um s\u00f3 corpo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel participando da uni\u00e3o entre Cristo e a Igreja, que tamb\u00e9m formam um s\u00f3 corpo. S\u00e3o Paulo referindo-se a esta uni\u00e3o dos c\u00f4njuges num s\u00f3 corpo, diz aos Ef\u00e9sios: \u201c\u00c9 precisamente o que Cristo faz para a sua Igreja. N\u00e3o somos n\u00f3s membros do seu Corpo?\u201d. O que o G\u00e9nesis anunciou sobre a uni\u00e3o do homem e da mulher, \u201caplica-se a Cristo e \u00e0 Igreja\u201d (Efs. 5,30-32).  \t5. Esta uni\u00e3o de Cristo com os disc\u00edpulos, formando um s\u00f3 corpo, \u00e9 profundamente esponsal, pois foi anunciada e prefigurada na uni\u00e3o do homem e da mulher: Cristo ama a Igreja como uma esposa. A beleza esponsal desta uni\u00e3o exprime-se na \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o misteriosa do Corpo de Cristo: o Seu corpo eucar\u00edstico, que hoje particularmente celebramos. O corpo eucar\u00edstico de Jesus \u00e9 a express\u00e3o sacramental do corpo glorioso de Cristo ressuscitado, e contem todas as qualidades essenciais do Corpo de Jesus: \u00e9 real e n\u00e3o apenas um s\u00edmbolo ou uma imagem; \u00e9 o mesmo, que foi gerado no seio de Maria, que anunciou o Reino de Deus, que Se ofereceu, na sua morte, como express\u00e3o do infinito amor de Deus por n\u00f3s; que ressuscitou dos mortos e est\u00e1 \u00e0 direita do Pai; \u00e9 esponsal, porque Cristo, esposo da Igreja, lhe entrega continuamente o Seu corpo, como express\u00e3o do Seu amor infinito. As n\u00fapcias de Deus com a humanidade, vividas por Cristo, na Sua morte, continuam realidade perene na Eucaristia, verdadeiro t\u00e1lamo nupcial entre o Corpo de Cristo e a Igreja que \u00e9 o seu corpo. Essa uni\u00e3o de amor infinito \u00e9 a P\u00e1scoa, que sup\u00f5e a passagem do nosso corpo de carne a um corpo transformado pelo Esp\u00edrito Santo. Verdadeiro cordeiro pascal, Ele \u00e9 comido como alimento, na refei\u00e7\u00e3o em que o drama n\u00e3o impede a festa, com a alegria das n\u00fapcias eternas. \tA Eucaristia \u00e9 a express\u00e3o central da presen\u00e7a de Cristo no meio do Seu Povo, que Ele ama com amor de esposo, nesta fase peregrina da nossa vida de disc\u00edpulos. Nela reconhecemos o Jesus Profeta, pois nela a Sua Palavra torna-se viva e actual; nela identificamos o Cordeiro Pascal, que se entrega, sempre de novo, como se fosse preciso redimir de novo o mundo; nela experimentamos a surpresa e a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o; por ela, mergulhamos no amor infinito do Deus Uno e Trino. Ela acompanhar-nos-\u00e1 at\u00e9 ao limiar da nossa morte e ao receb\u00ea-la como vi\u00e1tico, podemos viver a nossa morte em Cristo, \u201cmorrer para o Senhor\u201d, como diz S\u00e3o Paulo. S\u00f3 a Eucaristia garante o realismo da presen\u00e7a de Cristo no meio de n\u00f3s; s\u00f3 ela recorda continuamente \u00e0 Igreja que \u00e9 Corpo e Esposa de Cristo; s\u00f3 nela descobrimos a novidade do amor fraterno, na comunh\u00e3o de amor que \u00e9 a Igreja. Ela \u00e9 a s\u00edntese de todas as etapas da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, incluindo a promessa da vida eterna.  <b>Ora\u00e7\u00e3o no encerramento da  Prociss\u00e3o do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo<\/b> Senhor Jesus Cristo,  \tA Igreja de Lisboa, prostrada aos Vossos p\u00e9s, quer repetir, com devo\u00e7\u00e3o renovada, a ora\u00e7\u00e3o que o Anjo ensinou, h\u00e1 90 anos, aos tr\u00eas Pastorinhos da Cova da Iria: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.  \tN\u00f3s cremos que na forma simples deste sacramento, estais realmente presente no meio de n\u00f3s, com a Vossa solicitude de Esposo e Bom-Pastor. Acreditar que sois V\u00f3s, realmente presente aqui connosco, ainda peregrinos neste mundo, \u00e9 a express\u00e3o mais simples e mais exigente da nossa f\u00e9. Quem acredita que V\u00f3s estais realmente aqui, acredita facilmente em tudo o que nos ensinastes: que V\u00f3s e o Pai sois um s\u00f3, na unidade do Esp\u00edrito Santo; que Deus nos ama infinitamente e n\u00e3o nos abandona nas nossas infidelidades e fraquezas; que nos ressuscitar\u00e1 dos mortos, como Vos ressuscitou e nos conduzir\u00e1 \u00e0 eterna alegria, nessas moradas eternas que s\u00f3 V\u00f3s conheceis. \tSentimos que a nossa f\u00e9 \u00e9 exigente, embora simples. A intensidade do Vosso amor que aqui sentimos, a alegria interior que nos comunicais, o desejo de adora\u00e7\u00e3o que partilhais connosco, os chamamentos que nos renovais, a consola\u00e7\u00e3o que nos prodigais nos nossos momentos de sofrimento, fazem-nos acreditar, superam todas as interroga\u00e7\u00f5es que a nossa intelig\u00eancia imperfeita suscita a prop\u00f3sito da Vossa forma de estar. \tSenhor, aumentai a nossa f\u00e9 na Vossa real presen\u00e7a; aprofundai a f\u00e9 eucar\u00edstica da Igreja de Lisboa. Pedimo-Vos perd\u00e3o para os que n\u00e3o cr\u00eaem, sobretudo para aqueles crist\u00e3os que consideram a Eucaristia apenas um s\u00edmbolo, sem o calor e a exig\u00eancia da Vossa presen\u00e7a real; fortalecei-nos nas nossas d\u00favidas, n\u00e3o nos desampareis nos nossos momentos de obscuridade. A experi\u00eancia mostra-nos que quem deixar de acreditar que estais aqui realmente presente, facilmente deixar\u00e1 de acreditar em tudo o que nos ensinastes. Pedimo-Vos o Vosso Esp\u00edrito Santo, pois sabemos que esta f\u00e9 s\u00f3 pode ser seu dom.  \tN\u00f3s Vos adoramos! Porque acreditamos que estais realmente aqui connosco, adoramos, conVosco, a Sant\u00edssima Trindade, aprendendo conVosco a fazer do nosso louvor a participa\u00e7\u00e3o na Vossa maneira de glorificar o Pai. Ao adorar-Vos, entregamos toda a nossa vida nas Vossas m\u00e3os, aceitando a exig\u00eancia da convers\u00e3o e a urg\u00eancia da miss\u00e3o. Ensinai-nos a fazer da Eucaristia a express\u00e3o central da nossa adora\u00e7\u00e3o. S\u00f3 assim toda a nossa vida ganhar\u00e1 densidade eucar\u00edstica, o que quer dizer que toda ela Vos ser\u00e1 oferecida e conVosco vivida.  \tN\u00f3s esperamos. A Eucaristia \u00e9 a verdadeira fonte da esperan\u00e7a. Esperamos que o Vosso amor salve o nosso mundo e n\u00e3o permita que se degrade ainda mais; esperamos que protejais a nossa Cidade, que hoje saiu \u00e0 rua para Vos adorar, inspirando no cora\u00e7\u00e3o de todos os seus habitantes o desejo generoso de construir a fraternidade e a harmonia; esperamos na fecundidade do Vosso amor por esta Igreja, dando-lhe generosidade para amar e para servir, ardor para anunciar, bondade para perdoar, coragem para sofrer. Esperamos que sejais sempre e em cada momento o nosso Bom-Pastor.  \tN\u00f3s Vos amamos. \u00c9 o dom mais precioso que nos d\u00e1 a Vossa presen\u00e7a: poder amar-Vos e sentir que nos amais. Nesta presen\u00e7a real, V\u00f3s abris-nos o Vosso cora\u00e7\u00e3o, conduzis-nos para uma profundidade de amor que nenhuma criatura poderia, sequer, suspeitar. Unis-Vos a n\u00f3s, estais em n\u00f3s, sentimos o calor da Vossa ternura. No Vosso amor, aprendemos a amar melhor todos aqueles que amamos, pais, filhos, esposos, amigos. S\u00f3 no Vosso amor aprendemos o amor. \u00c9 diferente perceber o que nos pedis, quando nos amais: as Vossas exig\u00eancias tornam-se suaves e os Vossos mandamentos caminhos de felicidade. S\u00f3 na intimidade conVosco, realmente presente neste sacramento, podemos aprender a amar.  \tO Anjo ensinou as crian\u00e7as a rezar assim, preparando-as para a visita da Vossa M\u00e3e. S\u00f3 ela experimentou, em plenitude, esta profundidade de amor. Agradecemo-Vos o dom da Vossa Sant\u00edssima M\u00e3e. Sentimo-la sempre connosco quando aprendemos a amar; sabemos que a experi\u00eancia de amor em que nos introduziu a faz estar mais conVosco, pois s\u00f3 com ela poderemos verdadeiramente dizer: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.  S\u00e9 Patriarcal, 7 de Junho de 2007  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,275],"class_list":["post-25206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}