{"id":25161,"date":"2007-06-05T10:54:46","date_gmt":"2007-06-05T10:54:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/05\/igreja-e-ecologia\/"},"modified":"2007-06-05T10:54:46","modified_gmt":"2007-06-05T10:54:46","slug":"igreja-e-ecologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-ecologia\/","title":{"rendered":"Igreja e ecologia"},"content":{"rendered":"<p>No Dia Mundial da Ambiente, um olhar sobre o pensamento eclesial a respeito do respeito pela natureza <!--more--> Hoje, 5 de Junho, assinala-se o Dia Mundial do Ambiente. A Igreja Cat\u00f3lica revela,desde sempre, uma particular aten\u00e7\u00e3o pela natureza e o recente Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja apresenta uma s\u00e9rie de n\u00fameros dedicados a este tema:  <b>Ambiente e partilha dos bens<\/b> 481 Tamb\u00e9m no campo da ecologia a doutrina social convida a ter presente que os bens da terra foram criados por Deus para serem sabiamente usados por todos: tais bens devem ser divididos com equidade, segundo a justi\u00e7a e a caridade. Trata-se essencialmente de impedir a injusti\u00e7a de um a\u00e7ambarcamento dos recursos: a avidez, seja esta individual ou colectiva, \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 ordem da cria\u00e7\u00e3o.Os actuais problemas ecol\u00f3gicos, de car\u00e1cter planet\u00e1rio, apenas podem ser eficazmente enfrentados atrav\u00e9s de uma coopera\u00e7\u00e3o internacional capaz de garantir uma maior coordena\u00e7\u00e3o do uso dos recursos da terra.  482 O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens oferece uma fundamental orienta\u00e7\u00e3o, moral e cultural, para desatar o complexo e dram\u00e1tico n\u00f3 que liga crises ambientais e pobreza. A actual crise ambiental atinge particularmente os mais pobres, seja porque vivem naquelas terras sujeitas \u00e0 eros\u00e3o e \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, ou porque envolvidos em conflitos armados ou ainda constrangidos a migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, seja porque n\u00e3o disp\u00f5em dos meios econ\u00f3micos e tecnol\u00f3gicos para proteger-se das calamidades.  Muit\u00edssimos destes pobres vivem nos sub\u00farbios polu\u00eddos das cidades em alojamentos casuais ou em aglomerados de casas decadentes e perigosas (slums, bidonvilles, Barrios, favelas).  Al\u00e9m disso, tenha-se sempre presente a situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses penalizados pelas regras de com\u00e9rcio internacional n\u00e3o equitativo, nos quais prevalece uma escassez de capitais frequentemente agravada pelo \u00f3nus da d\u00edvida externa: nestes casos a fome e a pobreza tornam quase inevit\u00e1vel uma explora\u00e7\u00e3o intensiva e excessiva do ambiente.   483 A estreita liga\u00e7\u00e3o que existe entre desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres, crescimento demogr\u00e1fico e uso razo\u00e1vel do ambiente n\u00e3o \u00e9 utilizado como pretexto para escolas pol\u00edticas e econ\u00f3micas pouco conformes \u00e0 dignidade da pessoa humana. No Norte do planeta assiste-se a uma \u00abquebra do \u00edndice de natalidade, com repercuss\u00f5es sobre o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, que se torna incapaz mesmo de se renovar biologicamente\u00bb, ao passo que no Sul a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Se \u00e9 verdade que a desigual distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e dos recursos dispon\u00edveis cria obst\u00e1culos ao desenvolvimento e ao uso sustent\u00e1vel do ambiente, deve-se reconhecer que o crescimento demogr\u00e1fico \u00e9 plenamente compat\u00edvel com um desenvolvimento integral e solid\u00e1rio: \u00abExiste uma opini\u00e3o vastamente difundida, segundo a qual a pol\u00edtica demogr\u00e1fica \u00e9 apenas uma parte da estrat\u00e9gia global sobre o desenvolvimento. Por conseguinte, \u00e9 importante que qualquer debate acerca de pol\u00edticas demogr\u00e1ficas tenha em considera\u00e7\u00e3o o desenvolvimento presente e futuro, tanto das na\u00e7\u00f5es como das regi\u00f5es. Ao mesmo tempo, \u00e9 imposs\u00edvel p\u00f4r de parte a natureza mesma daquilo que a palavra \u201cdesenvolvimento\u201d significa. Qualquer desenvolvimento digno deste nome deve ser integral, ou seja, deve orientar-se para o verdadeiro bem de cada pessoa e de toda a pessoa\u00bb.   484 O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens aplica-se naturalmente tamb\u00e9m \u00e0 \u00e1gua, considerada nas Sagradas Escrituras como s\u00edmbolo de purifica\u00e7\u00e3o (cf. Sal 51, 4, Jo 13, 8) e de vida (cf. Jo 3,5; Gal 3,27): \u00abComo dom de Deus, a \u00e1gua \u00e9 instrumento vital, imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia e, portanto, um direito de todos\u00bb. A utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e dos servi\u00e7os conexos deve ser orientada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades e sobretudo das pessoas que vivem em pobreza. Um acesso limitado \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel incide no bem-estar de um n\u00famero enorme de pessoas e \u00e9 frequentemente causa de doen\u00e7as, sofrimentos, conflitos, pobreza e at\u00e9 mesmo de morte: para ser adequadamente resolvida, tal quest\u00e3o \u00abnecessita &#8230; ser enquadrada de forma a estabelecer crit\u00e9rios morais baseados precisamente no valor da vida e no respeito pelos direitos e pela dignidade de todos os seres humanos\u00bb.  485. A \u00e1gua, pela sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o pode ser tratada como uma mera mercadoria entre outras e o seu uso deve ser racional e solid\u00e1rio. A sua distribui\u00e7\u00e3o enumera-se, tradicionalmente, entre as responsabilidades dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, porque a \u00e1gua sempre foi considerada como um bem p\u00fablico, caracter\u00edstica que deve ser mantida caso a gest\u00e3o venha a ser confiada ao sector privado. O direito \u00e0 \u00e1gua, como todos os direitos do homem, baseia-se na dignidade humana, e n\u00e3o em considera\u00e7\u00f5es de tipo meramente quantitativo, que consideram a \u00e1gua t\u00e3o somente como um bem econ\u00f3mico. Sem \u00e1gua a vida \u00e9 amea\u00e7ada. Portanto, o direito \u00e0 \u00e1gua \u00e9 um direito universal e inalien\u00e1vel.  <b>Novos estilos de vida<\/b> 486 Os graves problemas ecol\u00f3gicos exigem uma efectiva mudan\u00e7a de mentalidade que induza a adoptar novos estilos de vida, \u00abnos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunh\u00e3o com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as op\u00e7\u00f5es do consumo, da poupan\u00e7a e do investimento\u00bb. Tais estilos de vida devem ser inspirados na sobriedade, na temperan\u00e7a, na autodisciplina, no plano pessoal e social. \u00c9 necess\u00e1rio sair da l\u00f3gica do mero consumo e promover formas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial que respeitem a ordem da cria\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7am as necessidades prim\u00e1rias de todos. Uma semelhante atitude, favorecida por uma renovada consci\u00eancia da interdepend\u00eancia que une todos os habitantes da terra, concorre para eliminar diversas causas de desastres ecol\u00f3gicos e garante uma capacidade de resposta quando tais desastres atingem povos e territ\u00f3rios. A quest\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o deve ser abordada somente pelas aterradoras perspectivas que a degrada\u00e7\u00e3o ambiental apresenta: esta deve traduzir-se, sobretudo, em uma forte motiva\u00e7\u00e3o para uma aut\u00eantica solidariedade de dimens\u00e3o universal.  487 A atitude que deve caracterizar o homem perante a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 essencialmente a da gratid\u00e3o e do reconhecimento: de facto, o mundo nos reconduz ao mist\u00e9rio de Deus que o criou e o sust\u00e9m. Se se coloca entre parentes a rela\u00e7\u00e3o com Deus, esvazia-se a natureza do seu significado profundo, depauperando-a. Se, ao contr\u00e1rio, se descobre a natureza na sua dimens\u00e3o de criatura, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer com ela uma rela\u00e7\u00e3o comunicativa, colher o seu significado evocativo e simb\u00f3lico, penetrar assim no horizonte do mist\u00e9rio, franqueando ao homem a abertura para Deus, Criador dos c\u00e9us e da terra. O mundo oferece-se ao olhar do homem como rasto de Deus, lugar no qual se desvela a Sua for\u00e7a criadora, providente e redentora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Mundial da Ambiente, um olhar sobre o pensamento eclesial a respeito do respeito pela natureza<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[258,267,314],"class_list":["post-25161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-migracoes","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25161\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}