{"id":25155,"date":"2007-06-05T10:42:59","date_gmt":"2007-06-05T10:42:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/05\/nova-politica-migratoria\/"},"modified":"2007-06-05T10:42:59","modified_gmt":"2007-06-05T10:42:59","slug":"nova-politica-migratoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nova-politica-migratoria\/","title":{"rendered":"Nova pol\u00edtica migrat\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Antecipando a presid\u00eancia portuguesa da UE, a Ag\u00eancia ECCLESIA inicia a publica\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de textos sobre os desafios que se apresentam <!--more--> A Europa que, como todos os continentes, \u00e9 fruto maduro da mobilidade humana de povos tornou-se, nos \u00faltimos 50 anos, destino de imigrantes e refugiados que n\u00e3o mergulham apenas na fronteira l\u00edquida do Mediterr\u00e2neo e Atl\u00e2ntico, mas conseguem tamb\u00e9m iludir a fronteira terrestre (frontex) da Uni\u00e3o Europeia, em busca de trabalho e vida dignos. Pensemos na crescente press\u00e3o dos fluxos latino-americanos e do Leste europeu sobre os aeroportos e fronteiras do centro da Europa e aos fluxos subsaharianos e asi\u00e1ticos sobre a margem Sul da Europa. Estes \u00faltimos, apesar de n\u00e3o passarem de 10% do total, s\u00e3o a ponta do iceberg do continente m\u00f3vel dos refugiados ambientais que, for\u00e7ados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no planeta, iniciam a sua peregrina\u00e7\u00e3o desesperada. A Europa n\u00e3o pode continuar a ignorar o que se passa e ir\u00e1 passar, cada vez mais, al\u00e9m das suas margens! Encarar as migra\u00e7\u00f5es como uma amea\u00e7a ou oportunidade, uma fatalidade ou um recurso, dependente sempre da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds ou continente que recebe a m\u00e3o-de-obra. Umas vezes, vista como migra\u00e7\u00e3o sofrida, outras como migra\u00e7\u00e3o escolhida, para usar a express\u00e3o de um conhecido pol\u00edtico franc\u00eas, a migra\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma d\u00e1diva. Na verdade, as migra\u00e7\u00f5es pelo grande capital humano, econ\u00f3mico, cultural e religioso que encerram est\u00e3o a mudar o espa\u00e7o urbano das nossas metr\u00f3poles, a qualidade de vida e o futuro gen\u00e9tico dos europeus, como o fizeram, durante d\u00e9cadas, as vagas europeias sob v\u00e1rias coloniza\u00e7\u00f5es e \u00eaxodos maci\u00e7os. Como a Europa mudou definitivamente o caminho da hist\u00f3ria de alguns povos, assim tamb\u00e9m, quase como retorno providencial, se encontra em muta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da pol\u00edtica de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o de imigrantes e refugiados. Pessoas estrangeiras que, quer se queira quer n\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia e sustentabilidade do modelo social e econ\u00f3mico europeu, considerado de primeiro mundo.  N\u00e3o h\u00e1 duvida que as \u00faltimas vagas provocaram uma grande diversifica\u00e7\u00e3o e complexidade do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio europeu. Em era de Globaliza\u00e7\u00e3o, a Europa volta a descobrir-se parte integrante do Mediterr\u00e2neo, vizinha privilegiada e familiar de \u00c1frica e, ap\u00f3s a queda do muro de Berlim, com alma oriental, apesar de reprimida e exorcizada politicamente durante d\u00e9cadas.  A interdepend\u00eancia crescente entre os 27 pa\u00edses irm\u00e3os, a mesti\u00e7agem geracional e cultural tornada nacionalidade, a par da actual press\u00e3o migrat\u00f3ria, brotam da vontade pol\u00edtica dos sucessivos alargamentos institucionais, j\u00e1 realizados e em programa (ex. Turquia), assim como da coopera\u00e7\u00e3o internacional com pa\u00edses terceiros. Est\u00e1-se diante de um processo impar\u00e1vel e irrevers\u00edvel para o qual \u00e9 preciso um forte investimento, em particular, nas pessoas e suas comunidades a n\u00edvel social, pol\u00edtico, educacional e religioso. \u00c0 abertura f\u00edsica das fronteiras nem sempre tem correspondido a abertura reconciliada das fronteiras do esp\u00edrito. \u00c9 aqui que surge a grande contribui\u00e7\u00e3o que as religi\u00f5es d\u00e3o para a conviv\u00eancia pac\u00edfica, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para os valores, para a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o transcendente e religiosa da vida humana, numa Europa p\u00f3s-secularizada e inebriada por uma liberdade que n\u00e3o liberta o esp\u00edrito. Por isso, n\u00e3o admira que algumas for\u00e7as (tribos) pol\u00edticas europeias &#8211; felizmente minorit\u00e1rias, mas com capacidade medi\u00e1tica &#8211; reajam a esta mistura de povos com atitudes xen\u00f3fobas, racistas, intolerantes e discriminantes procurando a identidade perdida. A conviv\u00eancia pac\u00edfica, o viver juntos em diversidade cultural e religiosa exige uma pedagogia rec\u00edproca, a come\u00e7ar pela fam\u00edlia e escola. A It\u00e1lia, por exemplo, est\u00e1 a escrever uma Carta de Valores sobre esta mat\u00e9ria. Com efeito, o caminho \u00e9 a ponte do encontro de culturas, do reconhecimento de direitos e deveres para todos, do di\u00e1logo inteligente e n\u00e3o o muro da fatalidade ou gueto ego\u00edsta que ignora o bem comum do mundo. Em geral, s\u00e3o, sobretudo, as diferen\u00e7as sociais e econ\u00f3micas que causam problema e n\u00e3o tanto as culturais e religiosas, por mais distintas que sejam. A pr\u00f3pria hostilidade hodierna para com a cultura isl\u00e2mica agravou-se, de modo particular, n\u00e3o por raz\u00f5es culturais, mas ap\u00f3s o in\u00edcio da cadeia de atentados diab\u00f3licos de fan\u00e1ticos que profanam o Cor\u00e3o para justificar viol\u00eancias sect\u00e1rias pol\u00edticas e massacres loucos ideol\u00f3gicos em nome de uma caricatura de Deus. Basta olhar para a hist\u00f3ria de Portugal e da inteira pen\u00ednsula ib\u00e9rica para concluir que o Isl\u00e3o n\u00e3o \u00e9 cultura alheia \u00e0 Europa, como alguns querem fazer crer. A Europa sabe que as migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o um fen\u00f3meno a ser gerido com intelig\u00eancia para que um Pa\u00eds possa usufruir positivamente dele. Este \u00e9, na verdade, um dever de cada Estado, reconhecido at\u00e9 pela Igreja. No entanto, assiste-se \u00e0 desresponsabiliza\u00e7\u00e3o e incapacidade de pa\u00edses &#8211; veja-se o sistema de quotas e repatriamentos &#8211; em geri-lo de modo real, eficaz e humano. A aus\u00eancia de uma pol\u00edtica comum de imigra\u00e7\u00e3o e de vis\u00e3o abrangente da mesma, n\u00e3o em chave minimalista e securit\u00e1ria, tem surtido efeitos nefastos na percep\u00e7\u00e3o que os europeus t\u00eam, em geral, dos imigrantes e refugiados, como tamb\u00e9m sobre as condi\u00e7\u00f5es de acolhimento e participa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios imigrantes. Uns e outros desejam maior compromisso \u00e9tico dos pol\u00edticos e governos. E n\u00e3o basta aumentar a habitual estrat\u00e9gia repressiva e punitiva que castiga mais os imigrantes que os traficantes e intermedi\u00e1rios criminosos, se n\u00e3o se criam corredores legais desburocratizados e uma cultura da participa\u00e7\u00e3o que favore\u00e7am a mobilidade na legalidade humanizada.  Creio que ningu\u00e9m duvida. As migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o um dossier cr\u00edtico que p\u00f5em o dedo na ferida de uma Europa que, com sinais de amn\u00e9sia, apresenta dificuldades em cooperar eficazmente entre si, em assumir o seu lugar co-respons\u00e1vel na hist\u00f3ria, em gerir a sua diversidade religioso-cultural e em partilhar com outros hoje o seu modelo econ\u00f3mico, a sua riqueza e os seus recursos. Ser\u00e1 que a pr\u00f3xima presid\u00eancia portuguesa vai marcar a inteira UE com uma abordagem justa e inteligente, uma gest\u00e3o positiva e humanit\u00e1ria das migra\u00e7\u00f5es? A ver vamos. Da nossa parte, pessoas e organiza\u00e7\u00f5es da Igreja, vamos continuar a vigiar, a orar e a trabalhar com os migrantes e outros parceiros da sociedade civil para que o bem comum de todos, europeus e imigrantes, seja o horizonte a seguir.  <i>Rui Pedro Cons. Geral Mission\u00e1rios scalabrinianos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antecipando a presid\u00eancia portuguesa da UE, a Ag\u00eancia ECCLESIA inicia a publica\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de textos sobre os desafios que se apresentam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,187,193,203,206,258,291,305],"class_list":["post-25155","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-migracoes","tag-refugiados","tag-scalabrinianos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25155\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}